Maio 01 2012
Boletim Cultural Catina Mundi 

 

 

  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

  Casa México- Aljuriça (Portugal)

   Casa de Mexico, casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

 

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são.                       ( António Aleixo)

“ Há tantos burros mandando/ Em  homens de inteligência/ Que as vezes fico pensando/ Que a burrice e uma ciência “    ( Antonio Aleixo )

 “ Ao refugiar-me nos livros aprendi a fugir do mal sem o experimentar”

                                                                              Camilo C. Branco

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

                                                                               Platão

 "A leitura para mim sempre foi uma fonte de prazer, e gostaria que isso fosse uma coisa generalizada."      "Um país se faz com homens e com livros"

Monteiro Lobato

                           

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.  (GANDRASMEXICOCOSTARICA.BLOGS.SAPO.PT)

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo esencial de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.  Dicha publicación llega a los cuatro rincones del mundo  por Internet.

 

 

O EXÉRCITO PORTUGUÊS
E O INÍCIO DA GUERRA PENINSULAR


 

A história da Guerra Peninsular tem seguido sempre um processo narrativo que, começando com a Revolta do Dois de Maio em Madrid, descreve sucessivamente a revolta das Astúrias, da Galiza, da Catalunha e o cerco de Saragoça, passa depois para a descrição da vitória francesa de Medina del Rioseco, a entrada de José Bonaparte em Madrid, passando posteriormente para as operações do marechal Moncey em Valência e de Dupont na Andaluzia. A narrativa pode começar, ou não, com a Primeira Invasão de Portugal, mas aborda sempre, naturalmente, a desagregação da Casa Real espanhola e as consequências que essa luta intestina trouxe para a prossecução da política de Napoleão Bonaparte para a península Ibérica. Depois de relatar os acontecimentos em Espanha a narrativa passa normalmente para Portugal, onde a sublevação portuguesa é muito rapidamente descrita, abordando-se essencialmente o desembarque britânico na foz do rio Mondego, e as duas confrontações entre os exércitos britânico e francês na Roliça e no Vimeiro e a sua consequência: a Convenção entre o Exército Francês e o Exército Britânico.

Esta organização da narrativa nada tem de errado, evidentemente, mas ao isolar os acontecimentos portugueses dos espanhóis tem obviado a que se perceba a interacção que os factos, de um e do outro lado da fronteira, tiveram entre si, e que permitiram o rápido esboroar da primeira campanha francesa na península.

Esta é tão-somente uma primeira tentativa de ver a revolta dos dois países ibéricos num contexto global, apostando numa perspectiva sincrónica. Penso que fica mais claro, assim, o que aconteceu em Portugal, e sobretudo penso que fica bastante mais claro o contributo do Exército Português na revolta, sendo que, por motivos mais ideológicos do que historiográficos, se tem dado muita importância à participação da igreja portuguesa na revolta, confundindo-se datas e objectivos, 1809 com 1808, a sublevação com a recomposição do Estado, e à falta de uma direcção política da classe média lusa – a que se dava “antigamente” o nome de burguesia1.

 

A Sublevação Nacional no Norte e Centro de Portugal

 

Na segunda-feira dia 6 de Junho de 18082, no Porto, o general espanhol Domingos Ballesta, comandante das forças de ocupação espanholas da província de Entre-Douro-e-Minho desde a morte do general Taranco que as tinha dirigido na invasão de Portugal em Dezembro de 1807, prendeu o general francês Quesnel, enviado por Junot para governar as províncias do norte3.

O general espanhol cumpria ordens da Junta Governativa da Galiza, criada após a revolta de 30 de Maio na Corunha e no Ferrol, uma das muitas Juntas de Governo, formadas um pouco por toda a Espanha após o levantamento madrileno do Dois de Maio, e regressava para preparar a luta contra o Exército Francês de ocupação de Espanha.

O general Ballesta reuniu à sua volta as antigas autoridades da cidade, assim como o governador interino das Armas do Partido do Porto, o brigadeiro Luís de Oliveira da Costa. Informou-os da retirada das forças espanholas e aconselhou-os a restabelecer o governo legítimo.

A proposta era mais fácil de expressar do que realizar.

O general de Divisão Loison, comandante da 2.ª Divisão do Exército de Junot, o governador de Portugal em nome de Napoleão Bonaparte, acabava de chegar a Almeida com quatro mil homens, estacionando entre Almeida e Cidade Rodrigo, tentando manter as comunicações entre o “Exército de Portugal” – o antigo 1.º Corpo de Observação da Gironda – e o Corpo de Observação dos Pirenéus, comandado pelo marechal Bessières, agrupado à volta de Burgos. Por isso, o governador interino decidiu manter o status quo. Mas não ficou inactivo. Chamou de Viana do Castelo um destacamento do Regimento de Artilharia n.º 4, comando pelo capitão Mariz e começou a reorganizar os Regimentos de Milícias do Porto, da Maia, de Penafiel e de Aveiro4. As Milícias tinham sido licenciadas pelo general Taranco, enquanto governador da província, em nome da rainha da Etrúria, ordem que tinha sido realizada de acordo com o general Junot, e confirmada por ele após 1 de Fevereiro de 1808, quando assumiu o governo de Portugal. Era portanto uma medida ilegal, face ao decidido pelo governo francês.

O brigadeiro Oliveira e Costa estava a tomar decisões que preparavam o Porto para a defesa, mas a prisão do major Raimundo Pinheiro, governador do Castelo da Foz, por ter arvorado a bandeira portuguesa e entrado em contacto com um navio de guerra britânico, faziam desconfiar da sua lealdade, que parece ser tão-somente ponderação face ao inimigo.

Entretanto, devido à divulgação da saída das tropas espanholas do Porto e do suposto restabelecimento do governo em nome do príncipe regente, outras povoações do Norte de Portugal declararam a restauração do governo nas suas respectivas localidades. Em Chaves, Miranda, Moncorvo, em Melgaço, no dia 9, Monção, Braga e um pouco por toda a parte. Os militares tomaram sempre a direcção política dos levantamentos populares, e decidiram desde o primeiro momento a organização dos regimentos de linha, de infantaria e cavalaria, do Exército, e dos regimentos de Milícias, assim como a rápida subordinação a uma Junta de Governo.

Quando, no dia 18 de Junho se soube que iam chegar tropas francesas ao Porto, a população e os soldados do destacamento de artilharia revoltaram-se contra as medidas tomadas pelo governador das Armas. Durante todo o dia e toda a noite a excitação foi grande. O governador interino foi “destituído” e a função entregue ao coronel José Cardoso de Meneses, comandante do Regimento de Infantaria n.º 6, mas que, acusado de tentar entrar em contacto com Junot, foi por sua vez “destituído” e perseguido. No dia seguinte algumas personalidades reuniram-se no paço episcopal e escolheram uma Junta de Governo presidida pelo bispo, já que o governador de Armas nomeado em meados de 1807, o general Bernardim Freire de Andrade, não estava em funções e na cidade. Assim, escolheu-se o bispo, que era o que determinava o Alvará sobre a substituição dos Governadores de inícios de 1777.

O governo interino das Armas foi entregue a um novo oficial, o coronel graduado de cavalaria Francisco Guedes de Carvalho Meneses da Costa, antigo governador de Moçambique. Nesse mesmo dia, novo destacamento do Regimento de Artilharia n.º 4 chegou ao Porto e a Junta Provisional do Supremo Governo decidiu reorganizar o Exército, de acordo com a sua antiga estrutura.

Em Bragança, no dia 11 de Junho, o general Sepúlveda tinha tomado conta do poder criado por pressão da população, escrito para Lisboa afirmando que os tumultos estavam controlados, sido eleito presidente da junta de governo, criada em 21 de Junho, e mandado recriar os antigos cinco regimentos de linha e os cinco de Milícias da Província. Quando os corpos começaram a ter uma organização mínima, mandou algumas forças para os locais onde seria possível atravessar o rio Douro.

Vila Real sublevou-se em 16 de Junho, sob a direcção do comandante do Regimento de Cavalaria n.º 6, o tenente-coronel Francisco da Silveira. Enquanto antigo comandante do Corpo de Caçadores Voluntários de Trás-os-Montes, criado em 1801 durante a guerra com a Espanha e a França, mandou reorganizá-lo e entregou a formação das oito companhias aos seus antigos comandantes. A companhia de Vila Real dirigiu-se para a serra do Marão, ao saber da chegada de uma coluna francesa vinda da Beira.

O comandante-chefe francês soube dos acontecimentos no Porto três dias depois, em 9 de Junho. No dia seguinte, de acordo com um plano acordado desde 28 de Maio5, prendeu e desarmou todas as tropas espanholas ainda em Portugal e colocou-as nos navios de guerra portugueses, fundeados no meio do Tejo, que não tinham podido deslocar-se para o Brasil em Novembro de 1807.

Em 12 de Junho Junot enviou ordens a Loison para se dirigir para o Porto a tomar o comando das províncias do Norte. Tendo recebido as ordens no dia 16, o recém-nomeado conde do Império saiu de Almeida no dia seguinte, 17 de Junho. A coluna militar chegou a Lamego no dia 20. No dia 21 atravessou o rio na barca da Régua e dirigiu-se para Amarante. As forças militares que o tenente-coronel Silveira organizou com a ajuda dos seus antigos subordinados, todos oficiais dos regimentos de Trás-os-Montes, esperaram a força de Loison na Serra do Marão. A vinda dos franceses era conhecida desde dia 19.6Como Harriot Slessor, viúva do general John Slessor,7 escreveu “no nosso lado do rio, que Loison tinha atravessado, não havia nada parecido com um exército para lhe resistir, mas havia um pequeno grupo de quarenta homens que se tinham reunido com um pequeno capitão, seu comandante, da altura do Pequeno Pulgar.”8 Atacaram primeiro a vanguarda, atraindo a coluna francesa para as alturas, e depois, demasiado cedo, a retaguarda. A tentativa de envolvimento da coluna de Loison não surtiu efeito, mas fez com que o general fosse obrigado a recuar, atravessasse novamente o rio Douro e se recolhesse a Almeida, onde chegou no dia 1 de Julho. Era uma vitória muito importante, essencial para o futuro das revoltas dos povos ibéricos, pelas reacções que provocou, mais do que pelos seus aspectos militares.

Nessa altura a revolta, em desenvolvimento permanente, tinha chegado a Coimbra, no dia 21 de Junho, tendo-se estabelecido uma junta de governo no dia seguinte, presidida pelo vice-reitor da Universidade, Manuel Pais de Aragão Trigoso. O governo militar foi entregue ao general Bernardim Freire de Andrade. O general não aceitou a incumbência e dirigiu-se para o Porto para assumir o Governo das Armas acompanhado pelo secretário da Regência, o brigadeiro D. Miguel Pereira Forjaz. O comando militar foi, então, entregue ao brigadeiro Nuno Freire de Andrade, chefe do Regimento de Infantaria n.º 11 (de Penamacor) e irmão mais novo do governador do Porto. Organizou-se uma expedição à Figueira da Foz, dirigida por dois militares, estudantes da Faculdade de Matemática, Bernardo António Zagalo, sargento de Artilharia 1, e António Inácio Caiola, sargento de Infantaria 13 (de Peniche). Em 27 de Junho, o forte, com uma guarnição de cem homens, rendeu-se. Guarnecido por uma força britânica da frota do almirante Cotton tornou-se um ponto fundamental para as comunicações entre as forças revoltosas e a frota britânica. A sublevação de Coimbra impediu as comunicações entre Loison e Lisboa criando um grande nervosismo no comando francês sobre os resultados da expedição ao Porto. Loison, não podendo regressar a Lisboa pela via mais curta, desceu pela Beira Baixa em direcção a Lisboa. Só em 11 de Julho se soube que estava a chegar a Abrantes9. Em 15 estava em Alcobaça, em 18 em Vila Franca de Xira, chegando as suas forças a Lisboa entre 20 e 22 de Julho.

As forças que perseguiram Loison pela Beira dentro, e algumas das que se organizaram em Trás-os-Montes dirigiram-se para Almeida e organizaram o bloqueio da fortaleza. As forças sitiantes foram formadas, numa primeira fase, pelos Regimentos de Infantaria n.º 12 (de Chaves) e n.º 24 (de Bragança), o 1.º Regimento de Milícias da Guarda, e as Milícias de Trancoso e Pinhel, assim como por companhias que se iam formando dos antigos regimentos da guarnição da Praça – os Regimentos de Infantaria n.º 11 (de Penamacor) e n.º 23 (de Almeida) –, com soldados que tinham abandonado as forças do exército português enviadas para França. A totalidade das forças sitiantes foi integrado no Corpo de Observação que se organizou em Viseu sob o comando do general Manuel Bacelar10, sendo o bloqueio continuado pelo 2.º Regimento de Milícias da Guarda11, mas a guarnição francesa de Almeida deixou de contar militarmente, não incomodando nem as forças portuguesas a concentrarem-se em Viseu, nem as espanholas a concentrarem-se em Cidade Rodrigo e Salamanca.

A expulsão das forças de ocupação francesas do Norte e Centro de Portugal em Junho de 1808 teve uma consequência importante para a continuação da guerra. Libertou o Exército da Galiza, comandando pelo general Joaquín Blake, de qualquer preocupação com o seu flanco direito. O Exército da Galiza que se tinha formado em redor de Lugo, estava a deslocar-se, desde 23 de Junho, para leste para defender a Galiza de qualquer ataque francês. Blake não desejava mais do que defender as portelas ao redor de Astorga, já no Reino de Leão, mas a Junta da Corunha impôs ao general o apoio ao Exército de Castela dirigido pelo general Cuesta. Sem forças hostis na sua direita Blake não pôde negar a ajuda e, em 5 de Julho, desceu das terras altas em direcção a Benavente, na planície leonesa. O pequeno exército de Cuesta, derrotado pelo general francês Lasalle em Cabezon, no dia 12 de Junho, perto de Burgos, tinha-se retirado para Benavente e, pouco depois, avançado em direcção a Valladolid, ponto importante na linha de comunicação do Exército Francês de Espanha. Os dois exércitos espanhóis encontraram-se em Villalpando, em 10 de Julho. Tendo avançado contra as forças francesas, foram derrotadas e desbaratadas pelo marechal Bessières em Medina de Rioseco, em 14 de Julho. A batalha permitiu que José Bonaparte chegasse a Madrid no dia 20 seguinte, mas teve uma consequência inesperada12. Napoleão, naturalmente preocupado com as linhas de comunicação do seu exército em Espanha, tinha reforçado Bessières, afirmando que reforçando-se o corpo do marechal, reforçava-se toda a Espanha13. As tropas que fortaleciam Bessières foram retiradas de Madrid, não tendo servido para apoiar as expedições a Valência ou à Andaluzia, nem tão-pouco o sítio de Saragoça. Mostrou também que as forças de Bessières não eram suficientes para impedir a revolta de Salamanca e de Cidade Rodrigo, e muito menos para poderem realizar qualquer acção em apoio do isolado exército de Junot. As consequências foram desastrosas.

 

O Exército Português no confronto entre grandes potências: Évora e Roliça

 

O mês de Julho de 1808 começou com as forças francesas expulsas do Minho, Trás-os-Montes, Beira e Algarve. As revoltas de várias localidades no Alentejo e na Estremadura não tiveram o mesmo sucesso, já que estavam demasiado perto do centro de operações do exército de ocupação para se puderem organizar convenientemente antes da chegada das colunas punitivas francesas. E a quase totalidade dos oficiais generais e superiores franceses tinha uma grande experiência na luta contra populações civis, assim como na utilização de medidas terroristas, previamente aprendidas na França ocidental, contra ChouansVendéens e outras populações monárquicas e católicas revoltadas contra os diferentes poderes políticos saídos da Revolução Francesa.

Se as revoltas de Vila Viçosa, em 19 de Junho, dirigida pelo major de Milícias António Lobo Infante de Lacerda, de Beja, no dia 25, não surtiram efeito, assim como as de Leiria, em 30 de Junho, e Tomar em 2 ou 3 de Julho, todas reprimidas selvaticamente, estes levantamentos não deixaram de contribuir para o recuo progressivo das tropas francesas e a sua concentração ao redor de Lisboa e Setúbal. O general Kellermann começou a abandonar o Alentejo em 1 de Julho, em direcção a Setúbal, mas a concentração definitiva deu-se só em 17 de Julho quando as forças do general Margaron, que tinham reprimido as sublevações de Leiria e Tomar se encontraram com as de Loison, vindas de Almeida, em Vila Franca de Xira.

As únicas forças britânicas presentes na península Ibérica até meados de Julho foram as do general Spencer que andava de um lado para o outro à procura de uma oportunidade de poder ser útil. Em 26 de Junho apareceram na embocadura do Tejo. O comando francês achou que eram mais de 10.000 homens, em vez dos menos de 5.000 que de facto eram. Pensou-se, pouco depois, que aquelas forças britânicas tivessem desembarcado, em princípios de Julho, perto de Alcobaça. Nada de muito consistente, mas o facto é que o aparecimento destas forças britânicas ao largo da costa portuguesa fez com que a expedição que o general Junot tinha pensado organizar contra a crescente concentração militar portuguesa em Coimbra não fosse realizada.

E o Exército Português da junta do Porto estava em formação acelerada.

Bernardim Freire de Andrade e D. Miguel Pereira Forjaz chegaram ao Porto no dia 28 de Junho, o primeiro, e no dia 1 de Julho o segundo26. A junta já tinha decretado, no dia 20, a reorganização das antigas forças militares do Governo das Armas, com a reorganização dos dois regimentos de infantaria do Porto (naquela altura com os n.os 6 e 18) e das Milícias, a junta provinciais também, mas os dois generais, que tinham participado nas propostas de reorganização do exército de 1802 e 1803, vão transformá-lo em 20 de Julho de 1808 de uma maneira quase imperceptível, criando quatro batalhões de caçadores27 e retirando da sua formação orgânica as companhias de caçadores.

Desde 6 de Julho, no dia seguinte à tomada de posse do governador das Armas do Porto, que tropas aquarteladas na cidade se começaram a dirigir para Coimbra. Primeiro um destacamento dos Regimentos de Infantaria n.os 6, 9 e 18 que conduziu armamento e munições, enquanto se foram concentrando no Porto tropas das outras províncias, como o Regimento de Infantaria n.º 21 chegado nos dias 9 e 10, e cujo primeiro batalhão saiu em direcção ao sul no dia 12 e o Regimento de Cavalaria n.º 6 (de Bragança), no dia 14, desmontado, para “se fornecerem d’armas e cavalos, e partirem depois para a sua destinação”28. No dia 17 foi a vez do 2.º batalhão de Infantaria 21 se dirigir para Coimbra e, no dia 1 de Agosto, foi a vez de dois batalhões dos regimentos do Porto, e de um único esquadrão do Regimento de Cavalaria n.º 6 – a dificuldade de remontar a cavalaria portuguesa irá ser grande – se dirigirem para sul. No dia seguinte foi um grupo de milicianos que se deslocaram em direcção ao Exército de operações. Nem todas as tropas que se incorporaram no exército português de operações passaram pelo Porto. O Regimento de Infantaria n.º 12 (de Chaves) concentrou-se em Viseu, depois de ter participado no bloqueio de Almeida, e dirigiu-se daí para Coimbra.

Durante esse tempo, em Évora, preparava-se a revolta da cidade. 

É preciso notar que a cidade era um ponto de interesse estratégico. A revolta da cidade impediria as comunicações com Elvas e daí com Madrid. Não havendo já ligação com Almeida, a fortaleza de Elvas era essencial para uma eventual retirada das tropas francesas de ocupação em direcção a Espanha. Mas não só, era, sobretudo, considerada essencial para alimentar as tropas francesas e a população de Lisboa29, se fosse necessário ficar em Lisboa. O que interessa notar é que a revolta atrairia invariavelmente as tropas francesas de novo para o interior de Portugal. A revolta no Alto Alentejo tinha começado em Campo Maior, com ajuda de forças espanholas, criara uma junta de governo em 5 de Julho de 1808; a de Estremoz organizou-se no dia 15 seguinte, sob a presidência do tenente-general Francisco de Paula Leite, antigo governador de Elvas, e governador das Armas interino do Alentejo desde o abandono do marquês de Alorna do governo da província. O relato dos acontecimentos tem seguido de perto, como sempre, o relato de José Acúrsio das Neves, mas neste caso, há um documento importante para análise, publicado em 1814 – e por isso posterior à publicação da História Geral da Invasão – que coloca problemas importantes, sendo que, o que interessa para mim é saber se o general Francisco de Paula Leite foi personagem activo ou passivo na revolta do Alto Alentejo.

A obra, Mappa Historico-Militar-Politico e Moral da Cidade de Évora30, defende o general Leite da passividade que outras obras o acusam, posição divulgada por Acúrsio das Neves.31 Tento mostrar que a actuação do general Leite tem um objectivo estratégico; isto é, atrair os franceses para o interior do Alentejo, quando as forças expedicionárias britânicas estivessem preparadas para desembarcar na costa portuguesa. Por isso recusou a direcção da revolta de Vila Viçosa, assim como de Campo Maior, mas já não a de Estremoz e a de Évora.

O autor do Mappa, o prior de São Pedro de Évora, afirma que “entre o tenente-general Francisco de Paula Leite, e dois ou três indivíduos da cidade de Évora, se conservava secretamente o manejo das Regências de Sevilha e de Badajoz, sem que a Cidade o penetrasse, mas estes mesmos… viram-se finalmente exaustos de paliações para repelirem as amplíssimas promessas… que se lhes dirigiam. Cada dia maior corpo as coisas tomavam, e já não era possível deixar de comunicar-se o segredo, para se lançarem as sementes, que deviam produzir a… insurreição.32

Se é possível descortinar o que o prelado quer dizer, através do seu estilo gongórico, defendo que o general Leite estava em contacto com as juntas espanholas e preparava secretamente o levantamento de Évora, sempre pressionado pelos espanhóis. Quando se deu o levantamento de Estremoz dirigiu-o e transferiu-se para Évora, o que aconteceu em 19 de Julho. Penso que se pode tirar uma conclusão: o levantamento deu-se de acordo com o interesse do general Leite e não com o dos espanhóis, que o tinham querido mais cedo, como é natural.

Estremoz era uma base militar importante. Local de um arsenal de artilharia – o Trem de Estremoz – quartel do Regimento de Artilharia n.º 3 (do Alentejo) e, desde 1801, do Regimento de Infantaria n.º 15 (2.º de Olivença), permitiria consolidar o levantamento da cidade e organizar as forças militares que se conseguissem criar.

E foi o que aconteceu. Com o levantamento de Estremoz e de Évora, no dia 20 de Julho, começaram a organizar-se as forças militares: os regimentos de infantaria e de cavalaria, as Milícias, alguns corpos de Voluntários.

Mas as forças organizadas em Évora e Estremoz não foram, de facto, em grande número. É possível que o recrutamento para o Exército que foi para França – a força que se tornou a Legião Portuguesa – tenha sido nesta região mais eficaz que no resto do país – o marquês de Alorna tinha sido seu governador – ou que a chegada dos soldados que abandonaram o corpo em Espanha não fosse tão rápida como nas regiões mais a norte de Portugal. Mas, mesmo assim, organizou-se o Regimento de Infantaria n.º 15, a que Acúrsio das Neves, chama o “batalhão de voluntários de Estremoz”, que foi organizado de novo pelo seu comandante de 1807, o coronel Aniceto Simões Borges, oficial que, enquanto tenente-coronel, tinha participado no combate de Arronches durante a Guerra de 1801, no comando do 1.º Batalhão do regimento. Para além deste corpo, conseguiu-se organizar duas companhias de tropas ligeiras e algumas tropas a cavalo do Regimento de Cavalaria n.º 5 (de Évora). Setecentos homens ao todo. As forças espanholas enviadas pela Junta de Badajoz eram um pouco mais numerosas: cerca de 1.700 homens.

A resposta francesa não se fez esperar. Loison foi chamado a Lisboa e enviado de imediato para o Alentejo, no comando de uma força de cerca de 6.000 homens. A divisão era formada por cinco batalhões de infantaria, o batalhão da Legião do Hanovre, e dois batalhões de granadeiros, formado pela junção das companhias de elite dos batalhões, e por quatro esquadrões de Dragões e oito peças de artilharia33. Quase metade das forças operacionais francesas, considerando que mais de um terço dos corpos de infantaria franceses estavam adstritos a funções de guarnição, em Elvas, Almeida, Peniche e Lisboa, ficavam dois terços para operações de campanha. Esta expedição ao Alentejo implicava o envio de mais de um quarto da infantaria (6 batalhões em 24, mais os granadeiros) e um quarto da cavalaria (2 esquadrões em 9). Foi um erro extraordinário que deixou livre de tropas francesas o Norte da Estremadura e a Beira, onde se concentrava o Exército Português e se preparava para desembarcar a força expedicionária dirigida pelo general Wellesley. Para os interesses aliados – Portugueses, Britânicos e Espanhóis – uma vitória estratégica que nada fazia prever tão completa.

A verdade é que, se a estratégia foi coroada de êxito, a população de Évora sofreu muito às mãos das tropas francesas. O combate de Évora, de dia 29 de Julho de 1808, em frente da cidade, no alto dos Moinhos de São Bento, e o saque da cidade durante três dias, até 31 de Julho, no dia em que o exército britânico chegou à foz do rio Mondego, fez algumas centenas de mortos.

Totalmente livre de forças francesas à sua frente, com o seu flanco esquerdo protegido pelo Exército de Operações de Bernardim Freire de Andrade, concentrado em Coimbra, a força expedicionária britânica demorou oito dias a desembarcar a infantaria, a organizar os seus abastecimentos, a tentar montar a sua artilharia e a preparar a sua cavalaria. Teve tempo para tudo. Como escreveu o general Thiébault “não havia nada a opor [ao Exército Britânico] com esperança de sucesso”. O general Delaborde tomou o comando de uma pequena força – uma brigada – composta de cinco batalhões de infantaria e do esquadrão de caçadores a cavalo e saiu de Lisboa a 6 de Julho.

Junot ficou em Lisboa e na península de Setúbal com três batalhões das duas primeiras Divisões, tropas veteranas em geral, e os seis batalhões “franceses” da 3.ª Divisão, composto fundamentalmente por recrutas italianos que tinham sido bastante castigados durante a revolta do Algarve e no Alentejo no regresso a Lisboa.

O Exército da Junta do Supremo Governo do Porto era formado por dois batalhões dos dois regimentos do Porto, pelo Regimento de Infantaria n.º 12 (de Chaves), o mais completo de todos, com os seus 1.200 efectivos, e o n.º 21 (de Viana), seis batalhões de infantaria, acompanhados pelos três batalhões de granadeiros formados com as doze companhias dos seis regimentos de infantaria das províncias do Norte. Acompanhavam esta pequena força, dois batalhões de caçadores acabados de criar, o de Trás-os-Montes e o do Porto, dois regimentos de Milícias, os do Porto e Moncorvo, no fundo dois batalhões, e uma força de cavalaria com cerca de 900 cavalos. Não era muito, mas era uma força determinante para o futuro, que mostrava que se podia contar claramente com a população e com as elites portuguesas para combater a França napoleónica.

Como é sabido a estratégia seguida pelas duas forças aliadas não foi coincidente. Mas se as forças portuguesas não se incorporaram na força expedicionária britânica, não deixaram de prestar um relevante serviço à causa nacional e aliada, ao impedir o destacamento de Loison, vindo de Évora em marchas forçadas, por Abrantes e Santarém, de se unir às forças de Delaborde em Óbidos e de participar no combate da Roliça, atacando o flanco esquerdo britânico. De facto, desde o princípio da campanha essa era uma preocupação do comandante britânico: impedir a junção dos dois corpos inimigos na zona do vale que separa a serra dos Candeeiros da serra de Montejunto. Por isso “receoso de que Loison chegasse à Roliça, na noite de 17 para 18, [o general Wellesley] resolveu-se a atacar sem demora.34” E porque é que Loison não chegou a tempo à Roliça? Segundo o mesmo autor, porque “se demorara três dias em Santarém sem motivo plausível, e na marcha desde a cidade foi duma morosidade inadmissível.” [os sublinhados são meus] O autor, interessantemente, como quase todos os que lhe seguiram, não nota que esta actuação só pode ter sido provocada pelas forças portuguesas, que se movimentavam na retaguarda de Loison, tanto a leste, com o Corpo de Observação da Beira, comandado pelo general Manuel Pinto Bacelar, a ocupar Abrantes e a persegui-lo pela Lezíria; como a Norte, o Exército de Operações de Freire de Andrade que por meio dos reconhecimentos feitos pela cavalaria, ia obrigando Loison a cuidar da sua retaguarda e do seu flanco direito.

Loison não chegou a Óbidos e não se reuniu ao general Delaborde. Indo à frente da sua força, encontrou-se com o duque de Abrantes junto ao Cercal, e perto da povoação num outeiro para onde subiram ouviram os sons do combate. Mas não participaram nele.

Foi a sua última oportunidade de vencer as forças britânicas.

Depois deste falhanço, com os reforços que o general Wellesley recebeu pela praia da Maceira, não havia dúvidas do que aconteceria. Os 13.000 soldados que Junot agrupou em Torres Vedras não seriam capazes de vencer os 16.000 britânicos reunidos em torno do Vimeiro.

Como era natural, as investidas desorganizadas das forças francesas durante a batalha do dia 20 de Agosto de 1808 foram todas rechaçadas.

O Exército Português, mais uma vez, não participou no confronto. Mas cumpriu o seu dever, mesmo que quase nunca notado. Foi o aliado necessário a uma força de desembarque, que protegeu permanentemente o flanco descoberto do aliado, e cumpriu essa função sem falhas.

 

 

 

 

Marialva (D. António Luís de Meneses, 3.º conde de Cantanhede, e 1.º marquês de).

 


f.   16 de Agosto de 1675.

General do exército do Alentejo, conselheiro de Estado e de guerra, um dos generais que mais se distinguiram na guerra da Restauração de 1640.

Acerca da data do seu nascimento divergem alguns biógrafos; parece, porém, que deve merecer maior crédito o escritor coevo conde da Ericeira, D. Luís de Meneses, que na sua obra o Portugal Restaurado, dá em 1657 D. António Luís de Meneses com mais de 60 anos, vindo, portanto, a nascer ainda no século XVI. Faleceu em 16 de Agosto de 1675, como diz P. Francisco de Santa Maria, no vol. II do Anno Historico, e D. António Caetano de Sousa, nas Memorias historicas e genealogicas dos grandes de Portugal, posto que por engano tivesse dito 19 de Maio no tomo V da Historia Genealogica.

Era filho do 2.º conde de Cantanhede, de quem herdou o título, D. Pedro de Meneses, e de sua mulher, D. Constança de Gusmão, filha do 1.º conde de Vila Franca, Rui Gonçalves da Câmara. Continuas lutas se seguiram à revolução do 1.º de Dezembro de 1640, provocadas pelos exércitos castelhanos, que procuravam energicamente passar as fronteiras de Portugal; o conde de Cantanhede tomou parte muito activa nestas lutas, distinguindo-se sempre pelo seu grande arrojo e valentia. Fora nomeado coronel no próprio dia 1.º de Dezembro, quando se realizou a aclamação de D. João IV. Organizou-se depois em Coimbra um regimento de 1.660 homens, de que ele era o comandante, regimento que se tornou muito afamado pelas provas de valor e de intrepidez com que sempre se distinguia nos combates em que entrava. Quando em 1641 o coronel conde de Cantanhede chegou a Cascais, el-rei quis recompensar-lhe os serviços prestados em honra da pátria, dando-lhe um lugar da maior importância e confiança na corte, que o distinto fidalgo não aceitou, porque a carreira das armas, para que tinha decidida vocação, lhe fazia antever um futuro brilhante de vitórias e de feitos heróicos. Quando era preciso reforçar as tropas que guarneciam as fronteiras, recorria-se sempre ao valioso auxílio de D. António Luís de Meneses.

Em 1656 morreu D. João IV, e até esse momento o ilustre fidalgo, que usava do título de conde de Cantanhede, não aceitou cargo algum de importância na corte, por ser do partido contrário ao conde de Odemira, que tinha todo o valimento real. Os afeiçoados do conde de Cantanhede só começaram, portanto, a salientar-se na corte, depois do falecimento do monarca. Corria o ano de 1658. A praça de Elvas, de que era governador D. Sancho Manuel, depois conde de Vila Flor, achava-se cercada por um exército de 3.000 homens comandados pelo general castelhano D. Luís Mendes de Haro. A rainha D. Luísa de Gusmão, regente do reino pela menoridade de D. Afonso VI, escreveu em 2 de Dezembro de 1658 a seguinte carta: «Conde amigo. Eu el-rei vos envio muito saudar, como aquele que amo. É de tanta importância acudir à província do Alentejo com uma pessoa que a governe, enquanto o inimigo persiste sobre Elvas, e que esta seja tal, que a alente e console, e tenha autoridade, actividade e zelo para formar um exército capaz de ir socorrer aquela praça, se o pedir a necessidade, que ainda que a importância da vossa pessoa nesta corte pedia-vos não apartasse de mim, me é preciso encomendar-vos partais logo a livrar-me do cuidado em que me tem posto as coisas daquela província, e a fazer-me, e a este reino um serviço tão grande, como aquele será; e porque para tão conhecido amor como me tendes, e ao reino, e por o muito que desejais sua conservação, e defesa, são necessárias poucas palavras para vos persuadir vades acudir a tão grande ocasião com estas poucas regras espero partireis logo, e por elas mando a todos os cabos, e oficiais de guerra, justiça e fazenda vos obedeçam e cumpram as vossas ordens, em tudo o que tocar ao intento referido, em que espero façais o que deveis a quem sois, e à boa vontade que vos tenho, que são dois motivos bem grandes, para um homem como vós». Não contente com esta carta, a rainha mandou chamar o conde, e disse-lhe: «Sois tão empenhado na conservação deste reino, tendes tanta actividade e tão grande coração, que fio de vós o socorro da praça de Elvas, que é a muralha, que na província do Alentejo nos defende de nossos inimigos; parti-vos logo para Estremoz, e fiai da minha diligência mandar-vos assistir com toda a gente e cabedais que houver no reino, e não tenhais pelo menor socorro as desatenções e desconcertos, que os castelhanos costumam ter nos seus exércitos, quando as empresas são dilatadas; e dou-vos licença para que na certeza desta inteligência me tenhais por castelhana.»

O conde de Cantanhede, a quem somente agradavam empresas dificultosas, beijou a mão da rainha, muito reconhecido pela distinção que recebera. Pondo-se em seguida em movimento, reuniu todas as tropas de que podia dispor, mandou comunicar astuciosamente a D. Sancho Manuel, que estabelecera o seu quartel-general em Estremoz, e que contasse com o mais pronto socorro. O exército, assim organizado, saiu de Estremoz em 11 de Janeiro de 1659, e chegou dois dias depois à frente das linhas de Elvas. Seguiu-se a grande e memorável batalha no dia 14, que foi uma das maiores glorias para D. António Luís de Meneses (V. Portugal, vol. III, pág. 125 e seguintes). D. Afonso VI e a rainha regente, sua mãe, estavam na igreja de Santa Engrácia assistindo à festa que a nobreza costumava fazer em desagravo do desacato ali cometido, quando recebeu a notícia da vitória alcançada. Foi tal o entusiasmo que imediatamente se cantou um solene Te Deum em acção de graças; em seguida D. Afonso e a rainha foram para o paço da Ribeira, com a corte, no meio das mais entusiásticas aclamações do povo. Quando o conde de Cantanhede regressou a Lisboa, foi recebido no paço com as maiores honras e distinções, vindo o próprio rei, por conselho do conde de Odemira, espera-lo à entrada. O conde de Cantanhede recebeu muitas mercês, sendo também agraciado com o título de marquês de Marialva, por decreto de 11 de Junho de 1661, juntando-se depois a esta honra o juro e herdade por alvará de 14 de Maio do 1675. Sendo governador das armas na província da Estremadura, desejou o marquês de Marialva ir comandar no Alentejo, mas a rainha, receando que o conde de Atouguia, que então governava aquela província, se despeitasse, assim como as pessoas que compunham o novo partido que principiava a formar-se em torno de D. Afonso VI, pediu ao marquês que desistisse daquela pretensão. O marquês cedeu ao pedido, porque percebeu bem a inconveniência e até o perigo que poderia haver em sustentar discórdias internas, quando os inimigos da pátria estavam continuamente obrigando os portugueses a entrar em combate. Nesta inteligência marchou para o Alentejo, comandando somente as forças auxiliares da Estremadura. Foi neste tempo, em 1661, que D. João de Áustria entrou em Portugal com o seu exército, mas assim como acontecera anteriormente, não houve luta alguma militar digna de menção, porque os castelhanos ainda estavam muito ressentidos da derrota de Elvas, e não se animavam a organizar forças suficientes para intentar nova invasão de Portugal. Contudo, o intrépido guerreiro praticou heróicas proezas nas campanhas de Estremoz, de Juromenha, e de Arronches.

Em 1662 o marquês de Marialva desejou ardentemente passar pela segunda vez ao governo das armas do Alentejo, e como para conseguir esse intento era preciso primeiro demitir o conde de Atouguia, lembrou à rainha que o conde era digno de ser nomeado general da armada real, muito principalmente havendo desconfianças, que na próxima primavera os espanhóis recomeçariam os seus ataques. A rainha, que muito respeitava o marquês, e desejando ser-lhe agradável, mandou oferecer ao conde de Atouguia a nomeação desse novo cargo. O conde recebeu a oferta com profundo pesar, e não podendo vencer a cólera que o dominava, respondeu à soberana com as mais sentidas frases, o quanto lhe era penoso tirarem-lhe aquele governo, principalmente na ocasião em que as prevenções de Castela ameaçavam maior perigo. Esta resposta obrigou a rainha a hesitar alguns dias em fazer a nomeação do marquês de Marialva para governador das armas do exército na província do Alentejo; este, porém, tanto insistiu que afinal venceu todas as dificuldades. Sabendo isto, o conde de Atouguia pediu licença à rainha para se retirar à corte, e depois, a conselho do duque de Cadaval, a quem a regente pedira particularmente para resolver o conde a aceitar a nomeação, que ela lhe oferecera, resignou-se a satisfazer a vontade soberana. O marquês de Marialva desta vez não foi tão feliz nos seus empreendimentos, e muito mais porque servindo no exército o conde de Schomberg, o nosso general possuiu-se profundamente da ideia de que vinha aquele estrangeiro murchar-lhe os louros da sua brilhante vitória das linhas de Elvas. Tomando D. Afonso VI posse do reino e começando o conde de Castelo Melhor a exercer o seu omnipotente ministério, o marquês de Marialva perdeu muito no régio valimento; deixou o governo das armas no Alentejo, sendo substituído por D. Sancho Manuel, que fora agraciado com o título de conde de Vila Flor. Mas chegando a Lisboa a notícia da tomada de Évora por D. João de Áustria, houve necessidade de mandar com toda a pressa reforços para o Alentejo, e foi ainda o marquês de Marialva que marchou à frente dum exército, na maior parte com posto de muitos voluntários da primeira nobreza. Chegando aquela província reuniu-se ao conde de Vila Flor, e tomou parte importante na recuperação da cidade de Évora. Em 1661 tomou Valência de Alcântara, uma das principais praças da Extremadura espanhola, onde também se distinguiu. Em 1665, estando em Estremoz, correu em 17 de Junho a Vila Viçosa, que os espanhóis haviam sitiado; foi, porém, surpreendido pelo general Carracena em Montes Claros, e ali se travou combate, que foi mais uma vitória para o marquês de Marialva, e a ultima coroa dos seus triunfos bélicos (V. Montes Claros). A derrota de Carracena enfraqueceu muito o ânimo dos castelhanos, que se confessaram vencidos, e deu causa à Espanha solicitar a paz, sendo o ilustre guerreiro um dos plenipotenciários, que assinaram o tratado em 13 de Fevereiro de 1668. 

O marquês de Marialva exerceu os seguintes cargos: conselheiro de Estado e da guerra, vedor da fazenda real, ministro do despacho, governador das armas de Lisboa, Setúbal, Cascais e Estremadura, e capitão-generaI da província do Alentejo. Em 1669 foi nomeado procurador das cortes de Lisboa por uniforme sufrágio do povo e da nobreza, devendo-se a ele grande parte dos negócios que se concluíram. A sua opinião era sempre muito considerada e ouvida em todas as questões sérias, que em Portugal se deram naquele tempo. Chamavam-lhe o libertador da pátria. O marquês de Marialva era senhor das vilas de Merles, Mondim, Cerva, Atem, Ermelho, Bilho, Vilar de Perreiras, Avelãs do Caminho, Leomil, Penela, Póvoa e Valongo; senhor do morgado de Medelo, e S. Silvestre, comendador de Santa Maria de Almonda, e da ordem de Cristo, etc. Havia casado em 1635 com D. Catarina Coutinho, filha e herdeira de D. Manuel Coutinho, senhor da Torre do Bispo. Teve 2 filhos e 7 filhas: D. Pedro António de Meneses, que foi o 4.º conde de Cantanhede e 2.º marquês de Marialva; D. Manuel Coutinho, que D. Pedro II agraciou com o título de conde do Redondo; D. Guiomar de Meneses, que casou com seu tio paterno D. Rodrigo de Meneses; D. Maria Joana Coutinho, que foi marquesa de Cascais pelo seu casamento com o 2.º marquês deste título D. Luís Álvares de Castro; D. Isabel de Meneses, casada com D. Lourenço de Lencastre, comendador e alcaide-mor de Coruche; D. Antónia de Meneses, D. Jerónima Coutinho e D. Maria Coutinho, que foram religiosas no convento da Esperança, de Lisboa, e D. Joana de Meneses, que faleceu sem estado. O marquês de Marialva determinou que o sepultassem na vila de Cantanhede, e o seu coração ficasse no convento de S. Pedro de Alcântara, de Lisboa, dos religiosos da província da Arrábida, que ele próprio mandara edificar em 1670 em acção de graças da vitória de Montes Claros. Do livro mais antigo dos óbitos daquele convento consta que efectivamente o coração ali se conservara, com todo o respeito, dentro dum cofre de prata, até que por ordem de D. Pedro II, sendo ainda regente, foi trasladado para o convento de S. Vicente de Fora, ficando colocado no pavimento junto ao túmulo de D. João IV, com a seguinte inscrição:

HIC, UBI LUSIADUM JACET INSTAURATOR IN UNA, 
PIGNUS HABET POSITUM COR MARIALVA SUUM, 
CORDE SUUM SEQUITUR REGEM MARIALVA SEPULTUM, 
UT VITAM CREDAS, NON PERIISSE FIDEM.

O cadáver do ilustre militar foi depositado no convento de Cantanhede, sendo as vísceras junto ao coração sepultadas na capela-mor da igreja junto do túmulo da marquesa, sua mulher. As armas dos Marialvas são: Escudo esquartelado; nos primeiros a quartos quartéis as armas reais com o filete; nos segundo e terceiro em campo azul as três flores de lis de ouro, e sobreposto o escudo dos Meneses, que é em campo de ouro um anel.

 

 

 

Primitivos Portugueses (1450-1550). O Século de Nuno Gonçalves

 

 

11 Novembro 2010 - 23 Abril 2011
Piso 3

 

Exposição
Primitivos Portugueses (1450-1550) 
O Século de Nuno Gonçalves
 

Museu Nacional de Arte Antiga - 11 de Novembro 2010 a 23 de Abril 2011
Museu de Évora - 18 de Novembro 2010 a 23 de Abril 2011
Comissário: José Alberto Seabra Carvalho

Resumo
Reunindo e colocando em confronto mais de 160 pinturas dos séculos XV e XVI, reconstituindo alguns dos mais belos retábulos portugueses desse período, esta exposição ensaia um panorama crítico, actualizado e de grande dimensão, acerca dos chamados Primitivos Portugueses e visa demonstrar como o estudo técnico e material desse património contribui decisivamente para renovar e aprofundar o seu conhecimento. Assinalando o centenário da primeira apresentação ao público, em 1910, dos Painéis de S. Vicente, que desde então passaram a constituir, nacional e internacionalmente, a obra “fundadora” e mais célebre da arte da pintura em Portugal, a exposição procura também documentar e questionar as noções de “originalidade artística” e de “identidade nacional” tradicionalmente associadas ao brilhante ciclo criativo dos Primitivos Portugueses, iniciado por Nuno Gonçalves e depois prosseguido e consolidado pelos nossos pintores da primeira metade do século XVI.

 

Contando com a colaboração de muitas colecções públicas e privadas, a selecção de peças privilegiou quer os painéis retabulares mais importantes, quer as pinturas menos conhecidas, algumas oportunamente restauradas para esta ocasião. Do estrangeiro, comparecem importantes obras de museus de Itália, França, Bélgica e Polónia.

 

A estrutura da exposição tem uma dominante de ordenação cronológica mas combina essa sequência de base com um agrupamento das obras em função dos confrontos comparativos (estilísticos, iconográficos, etc.) que importa suscitar.

O percurso integra uma vasta quantidade de materiais gráficos, incluindo uma zona exclusivamente dedicada ao conhecimento, exposição e polémicas relacionadas com os Primitivos Portugueses desde 1910. Inclui também uma vasta documentação laboratorial associada à investigação do processo criativo das pinturas mais relevantes.

 

O núcleo expositivo no Museu de Évora é especialmente dedicado aos pintores luso-flamengos e às oficinas activas na cidade nas primeiras décadas do século XVI.

 

A produção desta exposição conta com o apoio da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República


 

La música en las antiguas culturas mexicana

Jesús Ademir Morales Rojas

Huehuecoyótl - Imagen tomada de códice prehispánico
Huehuecoyótl - Imagen tomada de códice prehispánico
La música tenía una gran importancia ritual entre las culturas prehispánicas mexicanas, y muchos de sus dioses estaban relacionados con ella.

La música poseía una gran relevancia en los rituales aztecas, tanto que existían sitios destinados ex profeso para la instrucción musical de la juventud, a los cuales se les denominaba como cuicacalli “casa del canto”. Por otro lado, en construcciones conocidas como mixcoacalli, se guardaban los instrumentos y atavíos para las danzas y los cantos. Allí también se congregaban quienes tocaban el teponaxtle (tambor elaborado con un tozo de tronco).

En otro edificio, el mecatlan, se enseñaba como tocar diversos instrumentos musicales, en especial los de viento. En este sentido, existían sacerdotes expertos en componer y revisar los cantares de los rituales: los epcoacuacuilli tepictoton, componían cantos para ser interpretados en los tempos y en las casas particulares, mientras que los tlapizcatzin, perfeccionaba los cantos dedicados a las diferentes deidades.



http://www.youtube.com/watch?v=qQcME3yQkMI&feature=related

 

 

publicado por luiscatina às 15:21

Abril 04 2012
Boletim Cultural Catina Mundi 

 

 

  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

  Casa México- Aljuriça (Portugal)

   Casa de Mexico, casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

 

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são.                       ( António Aleixo)

“ Há tantos burros mandando/ Em  homens de inteligência/ Que as vezes fico pensando/ Que a burrice e uma ciência “    ( Antonio Aleixo )

 “ Ao refugiar-me nos livros aprendi a fugir do mal sem o experimentar”

                                                                              Camilo C. Branco

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

                                                                               Platão

 "A leitura para mim sempre foi uma fonte de prazer, e gostaria que isso fosse uma coisa generalizada."      "Um país se faz com homens e com livros"

Monteiro Lobato

                           

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.  (GANDRASMEXICOCOSTARICA.BLOGS.SAPO.PT)

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo esencial de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.  Dicha publicación llega a los cuatro rincones del mundo  por Internet.

 

 

História da raça: cavalo puro-sangue lusitano

História da raça: cavalo puro-sangue lusitano

O cavalo lusitano é uma das três raças puro-sangue existentes. Além dele, existem o cavalo árabe e o puro-sangue inglês. Sua montaria começou a ser feita há mais de cinco mil anos e é o cavalo de sela mais antigo do mundo, segundo informações da Associação Portuguesa do Cavalo Puro Sangue Lusitano.

No Brasil, os primeiros cavalos lusitanos chegaram em 1541 e, posteriormente, a raça se estabeleceu junto à chegada da família real portuguesa, em 1808. Hoje, o país tem números expressivos na criação: é o segundo maior plantel do mundo com aproximadamente 12 mil animais e perde apenas para Portugal, berço da raça.

Segundo o superintendente da Associação Brasileira de Criadores de Puro Sangue Lusitano (ABPSL), Marcelo Vasconcellos, a versatilidade do animal faz com que ele seja utilizado para diversas finalidades, como esporte e trabalho. “As principais características do cavalo lusitano são a docilidade e a submissão ao cavaleiro. O criador pode deixar vários garanhões em um mesmo espaço que não haverá problemas”, tranquiliza Vasconcellos.

Dicas para criação

 

Para iniciar seu plantel de puro-sangue lusitano, a dica de Marcelo Vasconcellos é procurar a associação de criadores e verificar a documentação do animal escolhido. Quanto ao manejo, Vasconcellos afirma ser simples, assim como criar qualquer outra raça. “É um animal rústico, que pode ser criado a campo e não requer nenhum cuidado específico. A não ser que esse animal seja de provas, aí você tem que tratá-lo como um atleta”, pondera Marcelo.

padrão racial do cavalo puro-sangue lusitano, segundo a ABPSL, tem as seguintes características:

• 500 kg distribuídos em formas arredondadas;

• Fêmeas com altura média de 1,55m na cernelha; machos com 1,60m;

• As cores mais comuns e apreciadas são a tordilha e a castanha. As demais cores são alazã, baio, palomina e preta.

Para conhecer melhor a raça, os interessados poderão visitar o 3° Festival do Cavalo Lusitano de Águas de Lindóia/SP, que acontece de 15 a 18 de setembro de 2011, cuja programação contém uma etapa do campeonato paulista de equitação de trabalho e uma etapa do circuito de velocidade Santander da mesma modalidade.

Curiosidades sobre o puro-sangue lusitano
• Apesar de o Brasil ter o segundo maior plantel do cavalo puro-sangue lusitano, tem os dois maiores criadores do mundo.

• Quatro de cinco conjuntos brasileiros a participarem das provas de hipismo nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara 2011 usarão animais puro-sangue lusitanos na competição que vai de 14 a 30 de outubro deste ano.

 

Cavalos Árabes em Portugal

 

 

Os cavalos Árabes existem em Portugal há tanto tempo como a influência Árabe datada do século VIII. Depois do século XVIII muitos garanhões Árabes foram importados para a Europa a fim de melhorar as raças locais. Portugal não foi excepção e alguns hiplogistas reconhecem a influência do cavalo Árabe na genética do actual cavalo Lusitano.

 

“Mas apenas depois de 1902 com as importações de 3 garanhões Árabes (Fehran, Dehiman e Nemyr) e 4 éguas (Saada, Nazly, Fhara I e Fhara II) das cidades de Beirute, Constantinopla e Djeddah é possivel reconhecer oficialmente no Stud Book Português os pedigrees dos actuais descendentes. Saada estava prenha de Pakir, cujas excelentes qualidades de criação chegaram até aos nossos dias” 

                                                                                                                                                    Dr. Manuel Heleno 

 

“Entre 1921 e 1935 alguns cavalos Árabes foram importados de Crabbet Park (Inglaterra) propriedade de Lady Janet Blunt, neta de Lord Byron”.  

Dr.Manuel Heleno

“E em 1932 foram importadas as primeiras linhagens Verágua. A linhagem Verágua foi completa em 1961 com a aquisição, por Guilherme Gyao, da toda a Éguada de Antonio Egeo Delgado”

Dr.Manuel Heleno

Actualmente cerca de 70 criadores estão inscritos na  “Associação Portuguesa do Puro Sangue Árabe (APPSA)”, com a grande maioria enfocada na criação do Luso-Arabe ou do Anglo-Árabe. Acreditamos haver potencial para melhorar o mercado do puro-sangue Árabe em Portugal. 5 razões principais:
  1. Os Portugueses têm uma grande paixão pelo cavalo, especialmente pelo Lusitano que conjuntamente com o Fado e o Futebol está no top das nossas preferências. raizes?.inheritances?. As qualidades do cavalo Árabe, se bem apresentadas, não passam despercebidas aos especialistas e ao Público em geral.
  2. Os cavalos Árabes têm uma presença minoritária comparativamente ao Lusitano (aprox. 15,000 Lusitanos estão registados na APSL e no livro dos cruzados contra xxxx Árabes registados na APPSA). Não deixando de ser um nicho de mercado pode haver, no entanto, espaço para crescer quer o número de criadores quer o número de animais.  
  3. Apenas algumas linhagens estão disseminadas no País (origem dominante de França). Está em aberto um potencial para novas linhagens desde que iguais ou melhores do que as existentes.
  4. Nos últimos anos tem-se registado um forte desenvolvimento dos raides equestres, uma disciplina onde o cavalo Árabe tem, devido às suas caracteristicas morfológicas e genéticas, de longe, as melhores caracteristicas.
  5. Shows morfológicos do cavalo Árabe regulados pela ECAHO (European Arabian Horse Organisation) e WAHO (World Arabian Horse Organisation) são, de momento, incipientes e residuais em Portugal. Podemos inverter a situação com mais criadores e mais cavalos participantes e obviamente melhor marketing.

Com base nestes argumentos acreditamos ser possivel, a médio prazo, aumentar o número de criadores do cavalo Árabe, introduzir novas linhagens e melhorar as existentes. E no longo prazo será objectivo colocar Portugal na arena internacional dos criadores do cavalo Árabe seja para shows morfológicos ou para raides equestres, ambas disciplinas onde o puro-sangue Árabe garante excelentes desempenhos.

 

 

 

 

Salamanca: Cuna de la Charrería Universal

 

 

 

Cuando alguien se adentra en los terrenos de la historia siempre tiene algo que encontrar y, por consiguiente, narrar o platicar a otras generaciones. Nadie es dueño de la verdad absoluta, pero si tiene el derecho de defender su verdad, la de su tiempo y espacio en éste reducido universo.

La charrería, se nos ha dicho, contado y vendido como una idea original de México y quizá así sea por el enriquecimiento ornamental y cultural que después tuvo o se le dio a esa fiesta mexicana.

No obstante, se nos aclara desde Salamanca, España, que su origen nació allá, en Salamanca, cuna del toro español, por antonomasia.

La palabra Charro proviene del Vasco y se escribe "zar", que pronunciado en Vasco suena Charro, Charro, palabra que significa campesino, vulgar, corriente. Con este atributo "charrero", es conocido el autóctono de Salamanca, donde nació el charro. Lo que sucedió después es que el Charro en México y en España, evolucionó de manera diferente. El  Charro de Salamanca se convirtió en el monumento de México, pero no de España donde el Charro español no era tan rico como el mexicano, ya que los españoles no tenían oro ni plata u otros menesteres que después fueron utilizados en el arte de la charrería. En México se hicieron diferentes monturas y gorros; siendo que el traje charro español es la mezcla del traje Andaluz con el traje Vasco, con el cual se imitaba a la nobleza europea. En México adoptó características locales, muy mexicanas. Los charreros intentaban vestir siempre (y lo siguen haciendo) de modo elegante y en cierto modo arrogante, incluso con tintes aristocráticos.

 

 

 

 Charrería - Historia de la Charrería

 
 


Los indígenas, durante el tiempo de la Colonia, en casi todo lo que hacían eran menospreciados, vejados y juzgados con rigidez, por tanto siendo el caballo un animal muy útil en la conquista, le tuvieron gran estima y no fue fácil permitir que los recién conquistados, los tuvieran, ni siquiera para amansarlos, pues se temía que descubrieran uno de sus secretos claves en la lucha por la conquista y los derrotaran.

Una de las primeras autorizaciones de que se tiene conocimiento - porque existe escrito -, fue la otorgada por el Marqués de Guadalcazar Don Diego Fernández de Córdova, quien otorgó autorización por mandato del Virrey Luis de Tovar Godínez al padre jesuita Gabriel de Tapia - procurador de la Compañía de Jesús - para que 22 indios, montarán a caballo, y así poder cuidar y pastorear más de 100 mil cabezas de ganado menor pertenecientes a la Hacienda de Santa Lucía, filial de la de San Javier en el distrito de Pachuca - ahora Estado de Hidalgo -. Esto ocurrió el 16 de noviembre de 1619, en la primera mitad del siglo XVII..

Ya en 1555, segunda mitad del siglo XVI, el segundo Virrey de la Nueva España, Don Luís de Velasco, había puesto en uso una montura distinta a la que usaban los españoles; así surgieron las primeras sillas mexicanas y los primeros frenos de estilo diferente, con características propias para las necesidades vaqueriles de la Nueva España.

Los caciques Otomíes, Nicolás Montañéz; Fernando de Tapia y el instructor Fray Pedro Barrientos, contribuyeron mucho a la cimentación de la cacharrería. ( Años 1531 a 1555 ). Por ese tiempo el santo varón Sebastián de Aparicio, adquirió la hacienda de Careaga, - entre Azcapotzalco y Tlalnepantla, en el Estado de México -, donde de se dedico a la agricultura y la ganadería, enseñando los indígenas que no mostraron interés en la agricultura una nueva actividad; la doma de bovinos y más tarde la del ganado caballar, a pesar de estar prohibido hacerlo, pues su uso era reservado sólo a los conquistadores. Surgiendo así este nuevo oficio que luego se extendió floreciente desde la Mesa Central, a todos los confines del Virreinato con el nombre de Charrería. Este ejemplar y virtuoso varón a los 71 años dejó la actividad civil donando sus propiedades al convento de Santa Clara en el Estado de México.

Así nació la charrería en las haciendas de los estados de Hidalgo, - cuna de la Charrería -, Puebla y Estado de México, extendiéndose más tarde por toda la Nueva España y floreciendo en el Virreinato de la Nueva Galicia, - actual Estado de Jalisco y sus alrededores-.

Posteriormente y poco a poco la Charrería creció, al generalizarse el uso de los caballos entre los habitantes de nuestro país, donde los hacendados y sus servidores de confianza hacían gala de su pericia y destreza en el manejo de los animales, consumando útiles y valiosas maniobras con arrojo, valentía y pericia.

En 1880 la Charrería profesional tuvo su origen, fue entonces cuando apareció el famoso "Charro Ponciano” cuyas hazañas reconocemos por los corridos y canciones.

Su nombre fue Ponciano Díaz, originario de la Hacienda de Atenco, en el Estado de Hidalgo - la primera ganadería que se estableció en América -, dio gran impulso e incremento a la Charrería, convirtiéndola en espectáculo de valentía y pericia digna de admirar. Combinaba la Charrería con la Tauromaquia, siendo así el primero en ejecutar la suerte de banderillas a caballo, inventada por Ignacio Gadea, otro charro mexicano, que perteneció al equipo de Don Ponciano Díaz, junto con Agustín y Vicente Oropeza, Celso González, Vicente Conde y Manuel González Aragón, pioneros de la Charrería actual con quienes partió a España en 1889, a dar una exhibición de Charrería y Toros al estilo mexicano.

 En 1894 se reunió en Monterrey un grupo de 12 Charros capitaneados por Vicente Oropeza que salieron por primera vez a Nueva York y recorrieron varios lugares de aquel país con grandes éxitos. A Vicente Oropeza los norteamericanos le dieron el calificativo de Campeón de Lazo en el mundo, sorprendidos de la maestría y destreza con que floreada y lazaba.

En 1900 hubo otra expedición de charros a París, promocionando el arte de la Cacharrería, quienes después viajaron a Europa con otros grupos de charros, los que regresaban contentos y gloriosos por la aceptación de lo que exhibían.

De entonces a la fecha, se han efectuado muchas excursiones al extranjero llevando esta inmortal tradición y arte. La mayoría a países donde existe alguna tradición relacionada con el uso del caballo, entre los países que sobresalen están: Argentina, Colombia; Venezuela, Chile; Estados Unidos, Canadá, España, Francia y Portugal.

La Charrería ha sido tema de poetas, pintores, músicos, historiadores, artesanos y personas de reconocida cultura; todos ellos amantes de nuestras tradiciones y raíces.

La Charrería por otra parte esta relacionada con la sastrería, sombrerería, platería, zapatería, fustería, talabartería, curtiduría, fabricación de sarapes, elaboración de reatas, herrajes, bordados y trabajos en pita. Así que, adentrándose en el tema de la Charrería, resulta interesante hasta para tomarlo como un tema para un programa cultural, a nivel escolar por tratarse de un valor histórico muy importantes.

La Charrería fue declarada “Deporte Nacional” por el Sr. presidente de la República Don Manuel Ávila Camacho, e instituido el 14 de septiembre como “Día del Charro”.

Por lo cual debe quedar claro que la Charrería nació en el campo y se reglamento en la ciudad, surgiendo la primera asociación en el Distrito Federal, con el nombre de “La Nacional” el 4 de junio de 1921. Posteriormente surge el 29 de abril de 1923, la segunda asociación de la República con el nombre de “club Nacional de Charros Potosinos”, ahora Potosina de Charros en la capital del Estado de San Luis Potosí y, el 8 de agosto de 1923, en Toluca Estado de México, la tercera asociación de charros del estado de México.

El 16 de diciembre de 1933 se funda la Federación Nacional de Charros que se dio a la doble y fructífera tarea de agrupar a todas las asociaciones de charros del país, para organizar competencias y elaborar un reglamento común que unificará criterios en la práctica de este deporte nacional.

La práctica de la Charrería se divide en 10 suertes, llamadas así porque el éxito de la ejecución dependerá en gran parte de la voluntad de la bestia con la cual se van a ejecutar, pues aunque exista la experiencia suficiente, en algunas ocasiones el animal no se presta y estas ejecuciones no se realizan con el lucimiento y éxito esperados.

El deporte de la Charrería está catalogado como uno de los más completos porque se practica al aire libre y en el se activan todos los músculos del cuerpo al comenzar el movimiento del caballo, o al aplicar la fuerza de poder a poder con los animales que están siendo sometidos.

Los Charros no perciben sueldo por actuar, aunque tengan que recorrer grandes distancias para hacerlo, y la cooperación que el público da por presenciar una charreada, subsidia parcialmente los gastos de la misma, siendo que el saldo lo pagan los integrantes del equipo o a veces toda la asociación. Ahí estriba también la nobleza del deporte, pues arriesgan su integridad siempre, desde que comienza su relación con el caballo, quien no tiene palabra de honor por nada y menos en cuestión de temperamento. Por lo cual se dice que, en el momento de meter el pie en el primer estribo, se toca el escalón más importante para llegar al cielo, acortando así la distancia entre este mundo y el de la eternidad.

Es el único deporte en el cual pueden quedarse a deber puntos, por no ejecutar las suertes bien, de tal modo que su resultado podría ser de 0 por no ejecutar la suerte, meno los puntos que acumule negativos como sanción por hacerlo además mal.

Cada año se ejecutan competencias entre los equipos del Estado para eliminarse y tiene derecho a competir en el Congreso Nacional, donde se eliminarán entre todos los de la República, para seleccionar a los mejores equipos del país. Tanto en los Congresos Estatales como en los Nacionales.

Los Congresos Nacionales de Charrería son muy solicitados por los gobiernos de los principales Estados, por la afluencia turística que éstos generan y por la difusión que se da a una importante tradición..

La Charrería esta considerada como reserva del Ejército en la rama de caballería, por lo que además de la disciplina deportiva, existe la obligación de observar ciertas normas adicionales al deporte.

En la Charrería todo esta reglamentado, hasta el modo de vestir; por lo cual conviene leer algo relacionado con la misma señalado en el reglamento de competencias. Para vestir con propiedad, pues debemos tener en mente que los colores adecuados en la práctica de la Charrería, deben ser colores serios, quedan eliminados - definitivamente - aquellos que son llamativos. Nunca deben verse en la Charrería, todos los tintes claros que denigren o pongan en tela de juicio la virilidad de quien los usa.

Actualmente, los adornos de las chaquetas deben ser sobrios y de buen gusto;  pues en estos tiempos lo más sencillo es lo más moderno, a excepción de los trajes y pantalones " cachiruleados” o adornados en minuciosa y artesanal combinación de gamuzas cortadas con gran maestría y esmero, lo que resulta ser una valiosa artesanía.

La camisa, cuando se usa con traje debe ser clara, estilo Charro, con botones de hueso en forma de pequeños bolillos alargados, a los cuales se les denomina " Tarugos " tomado el nombre de los trozos de madera prismática que se usaba en algunos pisos antiguos.

La corbata debe ser en forma de moños y en colores serios, siendo el color rojo el único permitido; por ser alegre y combinarse con todo.

Los zapatos deben ser de una pieza y contar con tacón plano espuelero. Cafés en sus distintas tonalidades, y grises ( éstos últimos más difíciles de combinar ) usando negros sólo con traje negro, o muy oscuro y de preferencia cuando no se necesite montar.

Para abreviar, sólo recordaré que actualmente existen cinco atuendos reglamentados por la Federación, estos son: el de Faenas, Media Gala, Atuendo de Gala, Gran Gala y Etiqueta ( estos dos últimos propios para usarse en ceremonias especiales o fiestas de noche)  

Lo menos que debe usar quien desee o practique la Charrería, es el traje de Faena. Este consiste en un sombrero liso de fieltro o Palma, camisa estilo pachuqueño, de cuello pegado o corto, tipo militar, pantalón de corte charro, aunque sea sin adornos, botines estilo charro, corbata de moño en color serio, espuelas y chaparreras.

En otros tiempos no había tantos escrúpulos en el uso del atuendo charro por qué estas actividades se desarrollaban sólo en el campo, pero ahora debe presentarse el Charro vestido lo mejor posible, o sea con la mayor propiedad, conservando así la tradición y una personalidad uniforme de categoría y buen gusto. Y, en esto debe tenerse cuidado, pues con frecuencia vemos algunos cantantes, artistas y mariachis, portando trajes charros que denigran a la Charrería; además usan el pelo largo, lo cual también está prohibido por el reglamento de Charrería, por ser anti estético, antihigiénico y de poca personalidad.


 

La Charrería
La peculiar figura del charro mexicano es un símbolo de nuestra mexicanidad. 
Desde una perspectiva, histórica, la figura del charro mexicano, se remonta a la época de la colonia, cuando se originaron las haciendas de economía mixta, agrícola-ganadera, conocidas como estancias o ranchos. 

Sin embargo el primer contacto de los pobladores indígenas de América con el caballo, animal de cuatro largas patas, empleado como medio de transporte, se remonta a la época de la conquista.

En 1519, Hernán Cortés originario de Extremadura, España zarpó con su flota, proveniente de Cuba decidido a emprender la conquista de México. 
Llevaba bajo sus órdenes menos de 700 hombres entre marinería y soldados. 
Cuando la expedición llegó a México en abril, las tribus del litoral, sometidas a los aztecas, acogieron a Cortés como libertador, identificándolo como Quetzalcoatl,


Cortés desembarca en Veracruz en 1519.

el dios rubio, de piel clara y ojos azules, que según la leyenda había de regresar en su ayuda, procedente del mar. 

Al desembarcar, los conquistadores españoles traían consigo 14 caballos a quienes los habitantes indígenas confundieron como caballo y jinete en un solo ser. Fueron tomados por monstruos, ya que los indígenas no conocían semejante animal. 
Las armaduras, los cañones y los fusiles contribuyeron a la convicción de que Cortés y sus hombres eran seres superiores, declarándose la población indígena en sumisión. 
Con las huestes del extremeño llegaron 16 caballos que en Tabasco hicieron por primera vez su aparición bélica con 'pretales y cascabeles', mostrando el arte de montar a los aborígenes. 
Bernal Díaz del Castillo, conquistador y hombre de campo, entendido en equinos, supo relacionarlos con los nombres de sus dueños.



Bernal Díaz del Castillo

"Un caballo zaino, una yegua alazana muy buena, de juego y de carrera; una yegua rucia de buena carrera; otra yegua rucia muy poderosa, un caballo castaño oscuro muy bueno y gran corredor: un buen caballo castaño, perfecto castaño, buen corredor; un caballo overo, labrado de las manos y era bien revuelto; un caballo overo, algo sobre morcillo, no bueno para cosa ninguna; un caballo muy bueno de color castaño algo claro y muy buen corredor, es muy buen caballo oscuro, que le decían el Arriero y una yegua castaña

que parió en el navío; es decir el primero nacido en tierra mexicana."
Aquellos caballos y yeguas, fueron los primeros que trotaron por el territorio. 
Sin embargo por razones de tiempo y de guerra no deben considerarse aún como la simiente de la caballada mexicana.

En tiempos de conquista, los caballeros portaban armadura, a veces mallas, yelmo y rodela. 
La caballería fue un arma de gran provecho en la conquista, y aun muchos años después. 

Existen unos estribos, hallados en los médanos de Veracruz: son romos por la parte que roza la barriga del caballo, y hacia afuera y por debajo del pie llevan cuchillas, así se comprende por qué los jinetes también se defendían con los pies. 

Hasta 1619, los caballos estaban prohibidos para los indígenas y los criollos, aún cuando ellos fueran fueran descendientes de reyes.


Matanza de Cholula, Lienzo de Tlaxcala

Conocido es que la legislación europea fue inflexible para castigar a los infractores hasta con la pena de muerte. 
Sin embargo, los indios y los mestizos tenían que ocuparse del cuidado de todos los animales y como los caballos estaban en libertad, había que lazarlos, jinetearlos y amansarlos con la reata. 

Fue así como Don Antonio de Mendoza, primer virrey de la Nueva España, (1535-1550) se vio obligado a otorgar permisos para que los indios montaran, pues había que defender la tierra y cuidar el ganado.

En 1619 , el virrey Luis de Tovar Godínez otorgó el primer permiso escrito para que 20 indígenas en la Hacienda de San Javier , Pachuca, actual capital de Hidalgo, "pudieran montar libremente caballos con silla, freno y espuelas. 

Las necesidades rurales variaron las circunstancias, pues se precisó de la ayuda de los aborígenes para la guerra y los servicios rurales. 

Dentro de los precursores de la Charrería en México, se reconoce a Sebastián de Aparicio (1502-1602).

Sebastián llegó a la Nueva España en 1532, desempeñándose como carretero y constructor de caminos. 
Más tarde, adquirió una hacienda en Puebla dedicándose a la ganadería y la agricultura, así como amansador e instructor de actividades relacionadas con la domesticación y aprovechamiento de las bestias para el tiro, la carga y la silla. 
Sebastián de Aparicio, murió en su hacienda de Puebla en 1602.

La Fiesta Charra durante la Colonia…
En el siglo XIX, durante la época de la colonia, los terratenientes, poseedores de ganado y propietarios de grandes extensiones de tierra, fueron los mayormente beneficiados con la economía rural, para la cual, requirieron de gran cantidad de trabajadores. 

Las haciendas prósperas, llegaron a emplear varios centenares de peones permanentes, un tanto eventuales y en menor cantidad de arrendatarios y de aparceros que se encontraban en los límites de las haciendas, esparcidos en rancherías o congregaciones y en pequeños caseríos. 
El agro mexicano giró durante varios siglos en torno a la economía de las haciendas,  predominando  aquellas  criadoras de ganado mayor,  en donde


Charros en la época colonial.

surgieron, una significativa escala de trabajadores protagonistas de hechos que darían origen al charro y a la charrería. 

Los trabajadores de las Haciendas, teniendo mayor injerencia la población de libre movilidad como los arrendatarios, aparceros y rancheros, dejaron grata memoria escrita de aquellas faenas camperas, finalizadas en festejo, conocidas comoRodeos.

Conforme a lo reglamentado en 1574, el rodeo era una batida circular que hacían los vaqueros montados en sus caballos para bajar el ganado de las serranías y concentrarlo en un punto donde se haría la selección de animales, ayudándose de largas puyas con punta de hierro, similares a las garrochas. 
Los animales sin marca “orejones” se repartían entre los distintos “señores de ganado”, y los de marca desconocida eran entregados a los representantes de las autoridades virreinales como bienes mostrencos. 

La faena de amansar y arrendar o hacer a la rienda los caballos que, como el ganado bovino se habían multiplicado en estado semi-salvaje en las grandes planicies, requería de hombres diestros y entrenados.

Para separar el ganado que vagaba sin reconocer límites de la Hacienda a la que pertenecían, se designaba un sitio llamadorodeo. Ahí se reunían para contar, reconocer y vender el ganado mayor.
Enseguida los vaqueros marcaban a las bestias con el hierro del hacendado en sitios especialmente designados, ocasión que se convertía en una celebración colectiva. 
Nacieron entonces los herraderos y así algunos animales eran elegidos para la agricultura o el transporte, y se procedía a caparlos para facilitar las labores. 

La actividad conocida como “Coleadero” surgió como una necesidad, pues a menudo, las haciendas tenían demasiado ganado; una vez que los animales estaban separados, los vaqueros acostumbraban derribarlos, tirándolos por la cola. Surgía así entre los jinetes un enfrentamiento amistoso-deportivo.
 

Los Charros… De sus andanzas y faenas…
Durante las dos primeras décadas del siglo XX tenían todavía lugar los rodeos, llamados entonces jaripeos.
En el corral mayor se llevaba a cabo la concentración de animales para iniciar la selección en dos pequeños corrales anexos y realizar las tareas de conteo, herraje y capazón, implicando la participación de experimentados jinetes, muy hábiles en el manejo de las reatas para las lazadas de los animales.

A los jaripeos se invitaba a connotados charros, expertos en las lides de lazar, colear y jinetear el ganado. 
Participaban también los señores hacendados y el espectáculo era presenciado por sus familiares y por la población ranchera de los alrededores.
Para dar de comer a toda esa concurrencia, eran sacrificados tres o cuatro novillos y se preparaba una suculenta carne acompañada de las populares tortillas recién echas en los comales.

No faltaba el tequila en botellas o bules que se acostumbraba beber a boca de botella, pasando de mano en mano. El Tequila era traído de las tabernas cercanas que lo producían.
La música daba el último toque a la fiesta campirana amenizada por un conjunto de mariachi de alguno de los ranchos próximos. 
Entre los de a caballo, no faltaban los desafíos de tirar una botella al suelo, y a carrera tendida, levantarla sin caer del caballo…

 
El Charro protagonista en la Historia de México…

A lo largo de la Colonia y en la época de la Independencia, abundaron los hechos importantes de nuestra historia en los que el hombre a caballo jugó un papel de vital importancia, tanto en las luchas, como en el mantenimiento de la paz, y gracias a sus hazañas los charros consolidaron su figura.

El antecedente de cómo se fue conformando la charrería como grupo importante, se remonta al siglo XVIII, cuando un contingente de soldados llamados “Dragones de la Cuera”, vigilaban los presidios desde Bahía Matagorda, en el Golfo, hasta el río Sacramento, en California del Norte. 
El grupo protegía a la Nueva España de las invasiones de los indios bárbaros, allá por 1730.
De la vestimenta de estos soldados, sobresalía la cuera de ante, que resultaba resistente a las flechas y hacía las veces del“escahuipil” de la época prehispánica.
Esta prenda tenía mangas y llegaba hasta las rodillas; estaba acojinada por dentro con piel de borrego y era usada con un cinturón de piel cruzado al pecho. En las bolsas de la cuera, estaban bordadas las armas del rey.
 

El Chinaco… antecedente más directo del charro…
Durante la  guerra de Independencia,  se les  nombraba “cuerudos”  y  eran

Chinaco en Chapultepec

conocidos por su habilidad con el manejo de la reata para lazar “realistas” en la región del bajío. Consumada la Independencia, la personalidad del charro, aguerrido y poderoso, surge para dominar las fuerzas de la naturaleza y acrisolar la riqueza de nuestro recién nacido país.

Durante la guerra de 1847, los charros, no solo usaban con maestría la reata y el machete. Don Pablo de Verástegui, hacendado de Río Verde, convocó a una guerrilla contra el invasor ejército norteamericano.

Durante el Porfiriato, se hicieron famosos los “Rurales”, un cuerpo de voluntarios cuya misión consistía en perseguir a los ladrones y a los asaltantes que asolaban el campo mexicano, haciendo intransitables los caminos de México.

El grupo estaba formado por hombres que vestían como charros, con la clásica indumentaria, portando sombrero gris galoneado en plata.
Como parte de la Secretaría de Guerra participaban en los desfiles del 5 de mayo y 16 de septiembre y eran ovacionados por la concurrencia.


Los Rurales en la época porfiriana
Durante la época de la Revolución y el reparto agrario, muchas Haciendas desaparecieron o quedaron irremediablemente fraccionadas. 
Inicia entonces el éxodo masivo del hombre de campo hacia los centros urbanos. 
Con nostalgia, tanto el antiguo hacendado como sus caporales y vaqueros, buscan un lugar en dónde recrear las faenas campiranas que orgullosamente habían desempeñado en las haciendas, las estancias y los ranchos.
Así nacen las Asociaciones y los Lienzos Charros y laCharrería se convierte en deporte nacional y espectáculo sin precedentes
 
Los Charros… De sus atuendos y  atavíos…
El notable historiador Luis Pérez Verdía en su libro “Historia Particular de Jalisco” (1911) hace referencia al ranchero rico que: “…usaba vestido de cuero o de género de lana, mangas o sarape de estambre o de Saltillo, que alcanzaba el precio de una onza de oro, botas de montar llamadas de campana con ataduras de cuero o fuertes cintas de color y sobrero de ancha falda…”
El traje charro tiene, entre sus antecedentes, los atuendos de los jinetes hispanos, quienes hacían prendas verdaderamente extraordinarias, especialmente suntuosas, con adornos de plata y oro.
Según algunos historiadores, su origen principal está en el traje de Salamanca, España, al que también se llamaba “Charro”.

Maximiliano de Habsburgo

Maximiliano fue sin duda uno de los grandes promotores del traje de charro.
En sus viajes, el emperador se hacía acompañar por “gente de a caballo” que lucía con mucho orgullo su indumentaria.
Maximiliano prefería la chaquetilla corta sin adornos y el pantalón ajustado con botonadura de plata; el sombrero que complementaba su atavío era de ala planchada galoneado en plata, así como la toquilla del mismo material.

Para los patrones, se confeccio-naban sarapes y jorongos, con pantalones de jerga en blanco y negro.

Para los peones, además de chaquetas, calzoneras y pantalones de cuero, pantalones de jerga en rojo y negro. Las mujeres, estaban encargadas de bordar las camisas de padres, hermanos y novios.

A los sombreros se les fueron agregando bordados distintos que hacían juego con el resto del traje: dibujos de flores, águilas, búhos o serpientes; todo en plata u oro, según los gustos y las posibilidades del dueño.

 
El atuendo Charro de ayer y de ahora ...
El atuendo charro ha tenido dos etapas importantes:
La correspondiente a la época de Maximiliano y la que sigue vigente hasta nuestros días. 
 
Traje de Faena… 
el más usual para las competencias

 

Traje de Media Gala… es más ornamentado y se utiliza también para las competencias. 
 
Traje de Gala…puede usarse a caballo, pero no se utiliza para la ejecución de faenas.

 

Traje de Etiqueta o Ceremonia…    el más elegante de todos,   se utiliza en ocasiones muy especiales,  pero nunca a caballo.

 

Como parte importante del traje de charro, Las espuelas… fabricadas en Amozoc, Puebla… “cuyo pavón no borra el tiempo, ni el andar maltrata…”, según reza el refrán popular, mantienen vigente la herencia del diseño árabe y español.

El atuendo del caballo con sus arreos, hacen juego con la vestimenta de su dueño.
La silla ha sufrido modificaciones, conforme fueron surgiendo nuevas labores con el ganado. 
La anquera, descendiente de la gualdrapa, que es como una enaguilla de cuero grueso que cubre el anca del caballo y va ribeteada alrededor de su parte baja con zarcillos o brincos, hermosamente calados, de los cuales cuelgan algunos adornos lamados “higas y cascajos” a los que la gente de campo llama“ruidosos”. Este aditamento sirve para amansar al potro y asentarle el paso y es muy útil para ayudar a su educación, además de que lo defiende de las cornadas de los toros.

 

 
El Nuevo Charro…
La fiesta charra, se inicia con el desfile general de los charros participantes y de las Adelitas de alguna Escaramuza, quienes recorren en sus corceles el ruedo y rinden honores a la bandera.
Enseguida se suceden, de acuerdo al orden establecido, las diferentes suertes, que entre las más conocidas podemos mencionar: La Cala de Caballo, el Pialar, el Coleadero, laJineteada de Toro, la Terna, el Jineteo de Yeguas, lasManganas y el Paso de la Muerte.

 

O Sebastianismo em Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett

Almeida Garrett, escritor de características arcádicas e românticas, do início do século XIX, é autor de algumas das obras fundamentais da Literatura Portuguesa, entre as quais Viagens na Minha Terra é o expoente máximo. Trata-se de um olhar crítico da sociedade portuguesa, com descrições deliciosas sobre a nobilitação de muitos burgueses que outrora haviam desdito das práticas da Nobreza e, afinal, acabaram por conhecer o mesmo fim...

Em Frei Luís de Sousa, o mito sebastianista está bem presente. A história da peça aborda uma autêntica catástrofe que se abateu sobre a vida de uma família nobre do final do século XVI. Tem como característica peculiar o facto de todas as personagens assumirem, ao longo do enredo, posições coerentes e de uma grande dignidade, pelo que é difícil definir quem é a personagem principal, da mesma forma que, no final, perante tão graves consequências de toda a tragédia abatida, surge no leitor uma sensação de profunda injustiça.

De uma forma resumida, o enredo é o seguinte: D. João de Portugal, um nobre muito respeitado na sociedade, desapareceu, em 1578, na batalha de Alcácer Quibir, por sinal a mesma na qual o rei D. Sebastião perdeu a vida. Contudo, a morte de D. João de Portugal nunca foi provada, passando-se exactamente o mesmo com D. Sebastião.

Entretanto, a mulher de D. João de Portugal, D. Madalena, esperou sete anos pelo marido, uma espera que se revelou infrutífera. Pese ter casado com D. João de Portugal, a meio da peça o leitor dá-se conta do facto de ela nunca o ter amado verdadeiramente. Pelo contrário, o homem que amava era Manuel de Sousa Coutinho, um português fiel aos valores patrióticos e inconformado com o domínio espanhol, que se vivia na altura em Portugal (1599).

Tomando uma atitude corajosa, Manuel e Madalena vão desafiar a sorte (hybris), casando sem ter a certeza da morte de D. João de Portugal. E aí começa a verdadeira dimensão trágica desta peça magistralmente gizada por Garrett: realmente, tudo apontava para uma alta improbabilidade da hipótese de D. João de Portugal ainda estar vivo e mesmo a sociedade via com bons olhos o casamento entre Manuel e Madalena. O casal teve uma filha, D. Maria de Noronha, uma jovem muito especial, culta, adulta, mas simultaneamente criança e fisicamente débil. Ora, aqui surge o grande drama da acção: caso D. João de Portugal, por uma possibilidade trágica, ainda estivesse vivo, Maria era uma filha ilegítima, o que, para a sociedade da época, era um pecado muito grave.

Temendo a catástrofe, D. Madalena tem constantemente premonições trágicas, as quais vão ser concretizadas com a chegada de um Romeiro, que diz vir da Terra Santa e querer falar com Madalena. Ao revelar a sua identidade, uma série de consequências irão advir. Mostrando uma dignidade tocante, Manuel de Sousa Coutinho rende-se ao destino cruel e vai professar, juntamente com Madalena. Maria, a filha, revoltar-se-á contra uma sociedade retrógrada que, por uma questão meramente formal, passou subitamente de aprovadora para acusadora: «Vós quem sois, espectros fatais?... Quereis-mos tirar dos meus braços?... Esta é a minha mãe, este é o meu pai... Que me importa a mim com o outro, que morresse ou não, que esteja com os mortos ou com os vivos...» De nada lhe valeu a revolta, antes pelo contrário. O seu rótulo de ilegítima custar-lhe-á a morte por vergonha.

Outros aspectos igualmente interessantes poderiam ser referidos e ajudariam à compreensão desta magnífica peça - nomeadamente o papel de Telmo Pais. Todavia, importa realçar que por toda a obra perpassa um carácter sebastianista


publicado por luiscatina às 13:55

Março 03 2012
BOLETÍM CULTURAL

 CATINA MUNDI

 

 

  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

  Casa México- Aljuriça (Portugal)

   Casa de Mexico, casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

 

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são.                       ( António Aleixo)

“ Há tantos burros mandando/ Em  homens de inteligência/ Que as vezes fico pensando/ Que a burrice e uma ciência “    ( Antonio Aleixo )

 “ Ao refugiar-me nos livros aprendi a fugir do mal sem o experimentar”

                                                                              Camilo C. Branco

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

                                                                               Platão

 "A leitura para mim sempre foi uma fonte de prazer, e gostaria que isso fosse uma coisa generalizada."      "Um país se faz com homens e com livros"

Monteiro Lobato

                           

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.  (GANDRASMEXICOCOSTARICA.BLOGS.SAPO.PT)

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo esencial de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.  Dicha publicación llega a los cuatro rincones del mundo  por Internet.

 

 

Desde SobreHistoria os hemos preparado este resumen especial sobre el proceso de la Revolución Mexicana y sus principales actores.

La Revolución Mexicana ha sido probablemente el proceso histórico de mayor importancia de la historia de México desde la conquista española. Fue unenfrentamiento de gran complejidad. Distintos grupos sociales con demandas y objetivos muy diferentes se aunaron en la rebelión contra el Porfiriato. Pero una vez ganada esa primera lucha, se agravaron los enfrentamientos entre los diferentes grupos revolucionarios. Así México se vio sumido durante unos diez años en una profunda guerra civil.

Francisco_Villa

Francisco “Pancho” Villa al frente de sus tropas

El Porfiriato

La Revolución Mexicana se inició como una rebelión contra el control del país por parte de Porfirio Díaz. El General Porfirio Díaz había asumido en 1876 el poder enMéxico. Luego, se afirmó de manera ininterrumpida en el poder por medio delfraude electoral durante décadas. Este período es conocido como el Porfiriato.

Durante el Porfiriato, la economía mexicana se consolidó. Las principales beneficiarias de esto fueron las compañías extranjeras, los empresarios y loshacendados (propietarios de grandes extensiones de tierra). Las tierras comunales indígenas pasaron a manos de estos terratenientes. Así, el 5% de la población llegó a poseer el 97% de la propiedad de las tierras cultivables.

Durante 1908, el conflicto se agravó debido al aumento de la movilización de  trabajadores urbanos y comunidades indígenas que reclamaban sus tierras. Ciertos grupos de la elite reclamaban una democratización del régimen. Su principal figura era Francisco Madero.
Protesta antiporfirista, La_Constitucion_ha_muerto_1903

Protesta en las oficinas de un periódico antiporfirista en 1903

El estallido de la Revolución

En las elecciones de 1910, nuevamente mediante el fraude y la violencia, triunfóPorfirio DíazMadero fue el candidato opositor, logrando un importante apoyo en las urnas. El gobierno le encarceló, pero Madero logró huir hacia Texas (EE. UU.) donde elaboró el Plan de San Luis de Potosí. En él, instaba al pueblo mexicano a tomar las armas y rebelarse contra el régimen del Porfiriato.

Madero y sus seguidores no sólo sostuvieron las reivindicaciones de la elite norteña, como ser una mayor participación política. También supieron incorporar los reclamos del campesinado. Gracias a esto, Pascual Orozco y Pancho Villa (importanteslíderes de las masas de campesinos del norte), se sumaron a las fuerzas encabezadas por Francisco Madero.

Emiliano_Zapata4Al defender las políticas de los campesinos, se sumó al alzamiento el creciente movimiento agrarista del Sur de México. Entre ellos se destacaba Emiliano Zapatalíder de los rebeldesde la zona de Morelos.

La victoria de Madero y sus aliados fue rápida. Lograron el control de ChihuahuaBaja California,Veracruz y Ciudad Juárez. El 21 de mayo de 1911los maderistas y los representantes de Díazacordaron el fin del conflicto.

Emiliano Zapata

Pocos días después renunció el dictador Díaz y el gobierno provisional hizo un llamado a elecciones generales. Madero ganó y se convirtió en presidente.

Así terminaba la larga dominación del régimen porfirista sobre la política de México. El objetivo inicial de la Revolución Mexicana estaba cumplido. Pero los profundos conflictos socioeconómicos que habían salido a luz durante la rebelión contraPorfirio Díaz, seguían presentes.

Fue así que la llegada a la presidencia de Madero no fue el fin de la Revolución. Simplemente la apertura de una nueva etapa. En esta nueva fase de la Revolución Mexicana, los distintos grupos revolucionarios entraron en lucha entre sí, en la defensa de sus intereses particulares. En nuestro siguiente artículo veremos como atravesó México (desde entonces y hasta 1920) esta dura la Guerra Civil.

 

 

Costumbres y tradiciones de México

 

 

Existen en el México moderno muchas tradiciones y costumbres extranjeras que hemos adoptado y que de alguna manera han enriquecido nuestra cultura, pero esto no significa que debamos perder las costumbres propias de nuestro país, ya que estas representan nuestras raíces, nuestra cultura y nuestro vinculo con un pasado lleno de historia, sentimiento y amor hacia este maravilloso país que es México.

  Acorde a la época en que vivimos muchas de estas tradiciones han cambiado la esencia de su significado convirtiéndose en festividades comerciales que todos esperamos ya sea por las vacaciones, fiestas o las celebraciones que hacemos de ellas y nos olvidamos por completo de su verdadero significado, es por ello que debemos enseñarles a nuestros hijos a recordar que significa la Navidad, el día de Reyes, la Semana Santa, el Día de Muertos etc. y juntos preservemos este legado histórico, compartiéndolo con el mundo y sintiéndonos orgullosos de ser mexicanos.

 

 

Los Reyes Magos

 

El origen de esta costumbre se remonta a los misioneros españoles que llegaron a México durante el siglo XVI y es parte de la tradición católica, basada en el Evangelio según San Mateo que narra la llegada de tres magos venidos de oriente los cuales recibieron el mensaje de que nacería el Salvador y que debían seguir el camino que les marcara una estrella, esta los guío hasta un pesebre en Belén donde encontraron al recién nacido, los Reyes Magos le presentaron sus regalos que consistían en oro, incienso y mirra, tres productos muy valiosos en aquella época, y procedieron a adorarlo de rodillas al igual que los demás. En recuerdo de estos presentes, los niños de México reciben también sus obsequios cada año, en la misma fecha.

 

  Asociada a esta fecha tenemos la tradicional Rosca de Reyes, y consiste en partir la rosca que es un pan en forma ovalada adornado de frutas secas y que contiene en su interior dependiendo del tamaño uno o varios muñequitos de plástico que representan al Niño Dios, las personas que los encuentran quedan comprometidas a presentar el día 2 de febrero en la iglesia local al Niño Dios del Nacimiento de la casa donde se sirvió la rosca. Esta fecha se conoce en México como Día de la Candelaria, esta tradición ha perdido en algunas regiones su significado y ahora las personas que encuentran los muñequitos deben organizar una merienda que consiste en tamales, pan, chocolate o café.

 

Regresar 

 

 

 

Semana Santa

 

Esta semana que cae entre los últimos días de marzo y los primeros de abril de cada año es muy importante para la mayoría de los mexicanos católicos, no solo porque los niños salen de vacaciones en esos días, sino porque se lleva a cabo una serie de actividades de carácter religioso en las que interviene toda la familia, la Semana Santa comienza con el Domingo de Ramos, cuando se llevan a bendecir a la iglesia ramitos de palmas, que después se colocan detrás de la puerta de las casas. Del lunes al jueves de esta semana se les conoce como "Días Santos". Los días subsecuentes son Viernes de Dolores, Sábado de Gloria y Domingo de Resurrección, las representaciones que se hacen sobre esto consisten en recrear los últimos días en la vida de Jesucristo, para esto con mucha anticipación la gente que participa en ello se prepara tanto anímicamente como físicamente ya que muchas veces es tan real que se usan clavos verdaderos para crucificar a los participantes además de los golpes y cansancio que esto conlleva.

 

  La Procesión de Semana Santa del Silencio, en que penitentes ataviados con capuchas y faldones negros hasta los pies asegurados a la cintura por medio de cordones de crin de caballo. Para expiar sus culpas, estos fieles caminan descalzos sobre el empedrado, algunos flagelándose la espalda, otros cargando cadenas al cuello, y otros mas llevando hatos de zarzas sobre la nuca, sosteniéndolos con los brazos. A pesar de la seriedad con que los integrantes toman esta ceremonia, esta tradición tan arraigada goza de gran popularidad entre el turismo tanto local como extranjero, que acude cada año a presenciar la celebración del Viernes Santo, procesiones parecidas se efectúan en varios lugares de México.

 

Regresar

 

 

 

La Pascua

 

La Semana de Pascua que comienza inmediatamente después del Domingo de Resurrección es ciertamente época de festividad y jubilo, pues estamos celebrando la resurrección de Cristo. En México, al igual que en muchos otros países con mayoría católica, la Pascua se celebra en grande. Antiguamente se acostumbraba regalar dulces típicos mexicanos, como alegrías, pepitorias y dulces cubiertos, a todos los conocidos.

 

  La llegada del Conejo de Pascua Este animalito que trae consigo una buena cantidad de huevitos de chocolate forrados de papel en colores brillantes, siempre quiere hacernos trabajar, pues tiene la costumbre de esconder los huevos en jardines y casas y hacer que nosotros mismos vayamos a buscarlos.

 

Regresar

 

 

 

Día de la Independencia

 

Esta tradición tiene su origen en la noche del 15 de septiembre de 1810, cuando el padre Miguel Hidalgo y Costilla sonó la campana de su iglesia en Dolores para reunir a todos sus fieles y comunicarles que al grito de "Viva México", "Viva la Virgen de Guadalupe", el pueblo mexicano lucharía por su libertad, en el año de 1900 se conmemora el aniversario numero noventa y uno de la Independencia de México. El general Porfirio Díaz, entonces presidente de nuestro país, encabezo una gran celebración en la que se condecoro a doce indígenas sobrevivientes que combatieron y ganaron en el afamado sitio de Querétaro durante la guerra de Independencia.

 

  Hoy en día, con una gran cena en Palacio Nacional se celebra el día de la Independencia y en el zócalo de la ciudad de México asisten innumerables mexicanos para unirse al jubilo y compartir la alegría de los fuegos artificiales y los puestos de comida típica que se colocan para convertir el lugar en una verbena popular, tal como corresponde a la celebración del aniversario de nuestra independencia, al siguiente día se celebra en algunos lugares de México desfiles o paradas militares.

 

   Muchos fueron los héroes que participaron en esta guerra de Independencia. Los nombres de Hidalgo, Allende, Aldama, Abasolo. Jiménez, Vicario, Mina y Morelos nos recuerdan la importancia de una patria libre e independiente. Recordemos el sacrificio de nuestros héroes al grito de:

 

"Viva México", "Vivan los Héroes de Independencia"

 

  Asimismo en todas las embajadas de México en el extranjero se invita a los mexicanos, tanto turistas como residentes del lugar, para que se unan al festejo que se lleva a cabo, cuando el embajador en cada país levanta la bandera mexicana y grita "Viva México" al unísono con sus compatriotas que están lejos de su tierra natal. Mientras, en México se tañen las campanas del Palacio Nacional y de los distintos palacios municipales y delegaciones políticas del Distrito Federal, para recordarnos que la labor de nuestros compatriotas no debe ser en vano, que la libertad hay que cuidarla y apreciarla para conservar el México libre que la guerra de Independencia nos lego.

 

Regresar

 

 

 

Día de Muertos

 

La celebración del Día de Muertos es una de las mas típicas y representativas de nuestro país, ya que es tiempo de recordar a aquellos de nuestros seres queridos que han muerto, y sentir que no se han ido del todo, en México conmemoramos a nuestros familiares y amigos difuntos con una manifestación de amor, el culto a la muerte en México no es algo nuevo, pues ya se practicaba desde 1800 a. C., muchos siglos antes de la llegada de los españoles, como lo atestigua la mascara descarnada de Tlatilco, asimismo, en el Calendario Azteca, o Tonalamatl, que se localiza en la Sala Mexica del Museo Nacional de Antropología e Historia, en el Bosque de Chapultepec de la ciudad de México, podemos observar que en los 18 meses que componen este calendario, había por lo menos seis festejos dedicados a los muertos, los dos principales tenían lugar en el noveno mes o Micailhuitontli, que significa "fiesta de los niños difuntos", y en el décimo mes, llamado Hueymicailhuitl, conmemoración de los muertos adultos.

 

  Los evangelizadores cristianos aceptaron en parte las tradiciones de los antiguos mexicanos para poder implantar el cristianismo en nuestro país. Esta celebración no se limita a poner altares y llevar música a los cementerios. En la región Mazahua, que se localiza donde colindan los estados de México y Michoacán, desde Angangueo hasta Zitacuaro y Morelia, las mariposas monarca, de acuerdo con las creencias purepechas, representan a los espíritus de sus antepasados. Por ello, todos los años los mazahuas esperan, con ofrendas de cera y copal, la llegada de estas "mensajeras de los dioses", como llaman a las mariposas monarca, que por millones vuelan cada año desde los bosques de Canadá y de Estados Unidos hasta los bosques de nuestro país, para completar su ciclo de reproducción. La manera mas tradicional de celebrar el Día de Muertos es precisamente con las ofrendas para los "muertos chiquitos" y para los "muertos grandes", y el contenido de cada una de ellas es adecuado al difunto conmemorado, por ejemplo, en el poblado de Calcahualco, en Totosinapa, Veracruz, el 1 de noviembre, que se dedica a los niños difuntos, se colocan coronas de cempasuchil sobre el marco de la puerta, o bien ramos de estas mismas flores en las esquinas de los altares, que se decoran con veladoras, pan de muerto (a veces en forma de calavera, incluso), plátanos, naranjas, guayabas, calaveritas de azúcar, cañas, tejocotes, agua de frutas, pan, y café.

 

  La flor de cempasuchil es símbolo del resplandor del sol, que como tu sabes se consideraba el origen de todo. Cada flor representa una vida, y en el caso del difunto significa que este aun conserva un lugar dentro del Todo, y que no ha sido olvidado por sus amigos y familiares. Curiosamente, en el poblado de Huaquechula, en el estado de Puebla, no se utiliza la flor de cempasuchil, sino que las tumbas se adornan con nube y gladiola. En Chiapa de Corzo se lleva serenata a los panteones para festejar el regreso de los muertos que visitan a sus familiares, así, la pequeña población se cubre de flores y las familias se encargan de limpiar perfectamente las tumbas de sus seres queridos para recibirlos como se merecen. Una de las poblaciones mas reconocidas por su celebración del Día de Muertos es San Andrés Mixquic, localizado en la delegación Tlahuac del Distrito Federal. Aquí, la historia de esta tradición data de la época de la Conquista, en ese lugar se hizo uno de los descubrimientos arqueológicos mas significativos de nuestro país, al encontrarse la imagen de la diosa Miquixtli, deidad que representaba a la muerte y que estaba adornada por cráneos humanos. Se sabe que cada 265 días se sacrificaban grandes grupos de prisioneros de guerra en su honor, y que en el pueblo se localizaban varios tzompantlis o muros de huesos, el Día de Muertos en Mixquic ha cobrado fama mundial, y hoy este pequeño poblado recibe cada año la visita de turistas de todas partes que acuden a admirar una de las festividades mas típicas del mundo, en este lugar se cree que, al ponerse el sol, las almas de los difuntos entran y se dispersan por todo el pueblo, hasta llegar a sus antiguas moradas, y que las almas de los niños abandonan el poblado a la medianoche. Las casas permanecen abiertas para que los visitantes puedan admirar los altares, además, los habitantes pasean en alto una calaca de cartón por las calles del pueblo, simulando un cortejo fúnebre, la celebración del Día de Muertos en la Isla de Patzcuaro también es famosa en el ámbito internacional, ahí las ofrendas son lacustres, es decir, se colocan sobre el lago veladoras encendidas y flores de cempasuchil que flotan en las aguas como pequeños soles, también se acostumbra componer rimas en broma, en las que se hable de los vivos como si estuvieran ya muertos, hacie ndo mención de sus costumbres o de su personalidad. Estas rimas se conocen como "calaveras" y son muy populares, incluso en los periódicos y revistas, durante la celebración del Día de Muertos.

 

Regresar

 

 

 

La Revolución Mexicana

 

Una de nuestras fiestas patrias mas importantes es sin duda el 20 de noviembre, cuando celebramos la Revolución mexicana, se cuenta que las diferencias eran tan grandes entre las clases sociales, que por una misma infracción a la ley un indígena recibía 25 azotes, mientras que el hacendado simplemente debía pagar una multa de 200 pesos, aunado a esto y a pesar de que Porfirio Díaz hizo grandes esfuerzos por modernizar a México al atraer a los inversionistas extranjeros y al adoptar costumbres y modas del exterior, nuestro gobierno se convirtió en una dictadura, además, los ferrocarriles, el petróleo y la explotación de las minas de carbón, se encontraban en manos de extranjeros que obligaban al gobierno mexicano a proporcionarles desde el uso de tierras hasta enormes pagos de subsidios por su asesoría y colaboración, los extranjeros pagaban jornales de hambre a nuestros trabajadores y el gobierno lo permitía, en resumen, México dependía totalmente de las potencias extranjeras para sobrevivir, con el paso del tiempo el dictador fue perdiendo el control del gobierno y algunos de sus ambiciosos colaboradores aprovecharon la situación para explotar aun mas al proletariado y mejorar su propia economía y posición social sin importarles lo injusto de la situación, en esta lucha armada participaron grandes héroes que perdieron la vida en aras de una verdadera independencia, de una justicia social y de un México mejor, personajes como Francisco I. Madero, Venustiano Carranza, Emiliano Zapata, y Francisco Villa les debemos hoy que México sea una nación libre e independiente, con posibilidades de progreso para el futuro, para hacer valer verdaderamente su sacrificio debemos siempre mirar hacia delante y actuar con honor y dignidad, engrandeciendo nuestra patria y manteniendo nuestras tradiciones intactas a través de los años

 

Regresar

 

 

 

Día de la Virgen de Guadalupe

 

Cuenta la leyenda que entre el 9 y el 12 de diciembre de 1531, diez años después de la caída de Tenochtitlan, un indio llamado Juan Diego fue a ver a fray Juan de Zumarraga, quien era obispo de México, para contarle que mientras estaba en el cerro del Tepeyac se le había aparecido una dama muy bella que le había comunicado ser la Virgen María, Juan Diego le informo al obispo que la Virgen le había pedido que se erigiera un templo en su honor en ese lugar, al principio el obispo no le creyó, pero la Virgen se apareció tres veces mas y, para probar que era ella en verdad, hizo que al extender Juan Diego su tilma (una especie de manto, parte del vestuario indígena de aquellos tiempos) frente al obispo, después de la tercera aparición, cayeran al suelo varias rosas que la Virgen le había ordenado cortar, además, el obispo pudo ver la imagen de la Virgen impresa en el ayate de Juan Diego, la primera ermita del Tepeyac se construye a fines de 1531, mas tarde se levantaron otros templos al pie del cerro, hasta construirse en 1976, la actual Basílica de Guadalupe, en la que caben 40000 personas, esta basílica es de forma circular, esta hecha de mármol, tiene un órgano monumental y cuenta con siete puertas frontales. Las banderas de todos los países del continente americano ondean permanentemente, en el lugar mismo donde la Virgen se le apareció a Juan Diego permanece la modesta Capilla del Cerrito, que data de 1740, a un lado de la basílica se localiza la Capilla del Pocito, que se termino de construir en 1791, y cuya fachada esta revestida de tezontle y mosaicos azules v blancos, una multitud procedente de todos los rincones de México se dirige en procesión a la basílica año con año, para venerar a la Virgen, últimamente se ha instaurado la costumbre de cantar "Las mañanitas" para festejar el aniversario de su aparición, además, el 12 de diciembre de cada año se efectúa una representación teatral en la que una jovencita interpreta el papel de la Virgen de Guadalupe, en esta obra intervienen también los personajes de Juan Diego, el obispo y los misioneros, se recrea el Cerro de Guadalupe con su iglesia, todo en madera, en el atrio de la basílica, la gente permanece toda la noche ahí mismo, rezándole a la Virgen, para quienes desean descansar un rato o tomar un refrigerio, afuera de la basílica se instalan decenas de puestos de comida, que venden desde tamales y café hasta gorditas de chicharrón o de queso, buñuelos y chocolate, durante toda la noche los danzantes santiagueros bailan con cascabeles firmemente atados a los tobillos, para festejar a la Patrona de México.

 

Regresar

 

 

 

Las Posadas

 

Parte importante de nuestras celebraciones navideñas son las famosas y muy divertidas posadas, pero ¿sabias tu que las posadas son de origen religioso? efectivamente, las primeras posadas fueron profundamente religiosas y solemnes. Se llevaron a cabo en el siglo XVI, cuando San Ignacio de Loyola sugirió una serie de oraciones o "novenas" para celebrar la Navidad del 16 al 23 de diciembre, el ambiente solemne y circunspecto de los primeros años de la Colonia comenzó a desvanecerse poco a poco y, para 1796, el arzobispo de México se quejaba del ruido que no cesaba durante las misas de aguinaldo, pues los mexicanos celebraban la llegada de Jesús al mundo con silbatos, matracas, tronidos de cacahuate y otras frutas, además de alegres canciones navideñas, que ya nada tenían que ver con la religión, pero todo esto en pleno servicio religioso, en nuestros días celebramos las posadas con fiestas mas que con oraciones, aunque en recuerdo del origen de estas festividades navideñas todavía es frecuente en algunas regiones de México y del 16 al 23 de diciembre ver a los niños y adultos pedir la tradicional posada cargando una representación de un pequeño nacimiento y, sosteniendo velitas encendidas, el objetivo principal es recolectar dinero para celebrar una gran fiesta en la que se parten piñatas llenas de fruta, dulces y en algunas ocasiones monedas.

 

  El origen de las piñatas. Las piñatas tienen su origen en China, de ahí pasaron a España y llegaron a México en el siglo XVII, según Artemio de Valle-Arizpe, existía un "domingo de piñata" que se celebraba en España inmediatamente después del Miércoles de Ceniza. A través de los siglos, las piñatas han conservado su atractivo, aunque su aspecto a cambiado, los materiales que se utilizan para construirlas y su contenido ha variado con los años, en México se acostumbraba forrar con papel una olla de barro y formar así la piñata pero fueron tantos los niños descalabrados por los tepalcates, que comenzaron a hacer piñatas sin olla, únicamente de cartón, que, por consiguiente, son mucho mas difíciles de romper, y no representan peligro para los niños.

 

Regresar

 

 

 

La Navidad

 

La costumbre de celebrar la Navidad tal como lo hacemos hoy llega de España, con los misioneros, en el siglo XVI. La primera celebración en toda forma fue organizada por fray Pedro de Gante en el año de 1538, en una iglesia, fue lo que conocemos hoy como "misa de gallo", pues se oficio a las 12 de la noche, y resulto tan popular entre los mexicanos que hoy sigue siendo una de las tradiciones navideñas mas respetadas en el país. Los aztecas, que tenían una religión politeísta (adoraban a muchos dioses), celebraban una especie de Navidad antes de la llegada de los españoles, en esta fiesta conmemoraban el nacimiento del dios Huitzilopochtli con danzas, cantos, discursos y comidas especiales, que incluían péquenos ídolos de amaranto y miel de nopal, luego de la Conquista, el numero de adeptos a la religión católica creció tanto que para 1587 fray Diego de Soria, del convento de San Agustín de Acolman, pidió permiso a sus superiores para oficiar la primera misa navideña en las afueras de la iglesia, en el patio, para dar cabida a todos los fieles que desearan asistir, el espíritu que anima a la Navidad es de caridad, perdón y amor a nuestros semejantes, por ello, durante la época Virreinal, el 23 de diciembre el virrey recorría las cárceles de México liberando a los prisioneros culpables de crímenes menores, y la virreina realizaba caridades en orfelinatos v conventos, la tradición de los nacimientos fue iniciada por San Francisco de Asís, quien en 1223, hallándose en el convento de Monte Columbo, en Italia, decidió celebrar la llegada del Redentor al mundo con una escena natural del nacimiento del Niño Jesús, usando un establo con en burro y una vaca auténticos, la tradición comenzó a difundirse, hasta llegar a España y finalmente, al continente americano, los primeros nacimientos en México se hacían de zumpantle, una madera tan ligera como el corcho y, por consiguiente, fácil de labrar, las figuras se cubrían con una primera capa de pintura de oro o plata y luego con otras de colores.

 

Regresar

 

 

 

Las Pastorelas

 

Son representaciones teatrales típicas de la época navideña, los personajes son los pastores, el diablo y el arcángel San Gabriel, con el irónico sentido del humor mexicano, el diablo tiene el papel principal, y en la trama se intercalan canciones, bromas y discusiones con el arcángel, estas pequeñas representaciones están llenas de anécdotas y refranes típicamente mexicanos, asi como, de situaciones de actualidad.

 

La Charrería

 

La Charreria es el estandarte de México ante el mundo, es un ritual casi religioso para los practicantes de un código de conducta que no solo implica saber lazar un novillo o montar soberbiamente a caballo, sino también como llevar el sombrero, sentarse, tratar a una dama y conversar en una reunión, la época de oro de la charreria fueron los últimos años del siglo XIX y los primeros del XX, desde el siglo XVI existieron en México grandes haciendas y ranchos en los que había mucho trabajo, pues había que bajar del monte o traer de los agostaderos enormes manadas de caballos y ganado vacuno, para ser curados, marcados o herrados. Así, los hacendados se unían a sus peones para ayudarlos a lazar utilizando las suertes de la charreria, algunas veces algunas de las mas arrojadas esposas e hijas de los hacendados se sumaban a los grupos de charros en sus actividades ecuestres para desarrollar las labores del campo, la practica de la charreria requiere de gran habilidad, que se obtiene a fuerza de practica y entusiasmo, a pesar del fatigante ejercicio, después de marcar un animal, aprovechando que estaba tirado, el charro se montaba en el para demostrar su habilidad como jinete, al tiempo que el animal se ponía en pie y comenzaba a brincar a diestra y siniestra tratando de tirar a su jinete, a esta peligrosa actividad se le conoce como jinetear, había dos modos de jinetear a las yeguas brutas, una era "con tentemozo", en la que el jinete se agarraba a una reata que se amarraba alrededor del vientre del animal, la otra era "a la greña", que era montando en pelo, agarrándose solo de las crines del caballo, una de las suertes charras mas afamadas es el peligroso "paso de la muerte", que implica cambiar de montura de un caballo a otro cuando están en plena carrera, otra actividad charra muy lucidora, y algo que desde hace muchos años ha venido formando parte indispensable de las labores del campo, es ciertamente el floreo con la reata, para lazar un novillo, el charro debe agitar la reata en el aire hasta formar un circulo perfecto dentro del que el animal queda atrapado, hoy en día en los jaripeos y charreadas los charros florean la reata formando un circulo dentro del que deben saltar horizontal y verticalmente sin dejar de agitar la reata en el aire, y hasta bailar. La charreria es una gran tradición mexicana única en el mundo que no debe perderse, porque hacerlo seria tanto como perder buena parte de nuestras raíces y parte de nuestro pasado histórico.


 

 

CRÓNICA

 

 

Evocar a Sartre en un día de invierno

París, años 70 Memoria de un viaje hacia el encuentro de una leyendade la filosofía del siglo XX

RAFAEL ÁNGEL HERRA rafaelangel.herra@gmail.com 12:00 A.M. 26/02/2012

Un día sin previsión en el calendario, como quien agarra la oportunidad por los cabellos, pude conocer a Jean-Paul Sartre. Fue un encuentro lejano y comparable a la media correspondencia de aquel personaje de Nikos Kazantzakis que le escribía a la odiosa Reina Victoria' sin respuesta.

Cierta mañana de los años 70, hojeando el diario Le Monde, leí por casualidad que Sartre iba a participar en un encuentro sobre el Brasil usurpado por los militares. El mitin, como decían, tendría lugar en la Mutualité, barrio Saint-Victor, edificio esquinero levantado en 1930 y bien amado para congregarse por los partidos franceses de izquierda.

No pude refrenar la tentación de ir y así le propuse a Mylena que hiciéramos el viaje. Tampoco tuve que esforzarme por convencerla. Eran los años de estudio en Maguncia, junto a Meno, a 600 km de París, con nieve y niebla.

Al día siguiente, el Käfer sin medidor de gasolina y bien abollado se echó a la calle a medirse contra la tormenta, el buen juicio y el riesgo de congelación, para encontrar al gran provocador.

Como Voltaire, pero sin tanto gusto por la ironía, Jean-Paul Sartre atizó el espíritu crítico de varias generaciones de intelectuales no solo en la Francia de posguerra, marcada por el debate sobre la colaboración y por las desdichas de la guerra colonial en Argelia, sino en muchas partes, incluida la lejana Costa Rica.

Aquel 1968... Narrador, dramaturgo, filósofo, teórico político, talentoso en el ejercicio de la puesta en escena y en la relación con los medios, polemista sin piedad, Sartre retaba la imaginación de cualquier inconformista.

Aquella fue la única oportunidad en mi vida de conocerlo, aunque fuese de lejos. Ya una vez había oído contar a Lilia Ramos que los había visto, a él y a Simone de Beauvoir, envolverse en una nube de tabaco en el Café de Flore, mientras debatían con pasión.

Cierto día, un cable noticioso impreso en La Nación decía que Sartre estaba invitado en México, me parece que a un encuentro sobre la masacre de Tlatelolco, y se me ocurrió sugerirle al señor Emile Moirin, representante cultural de Francia, que lo invitase a Costa Rica.

Monsieur Moirin contestó, con una sonrisilla de viejo resistente que le ganó al destino en el frente oriental junto al Ejército Rojo, que Sartre no era muy amigo de De Gaulle, y que (por eso, creo yo) le iba a enviar una carta. Quince días después, Sartre agradeció por escrito la invitación y se disculpó. Tampoco fue a México.

Jean-Paul Sartre es el único escritor, aparte de Umberto Eco, que he deseado conocer en persona, aunque fuese desde la multitud. Rechacé la posibilidad de visitar a Martin Heidegger en la Selva Negra pues nunca me inspiró simpatía por su compromiso con el nazismo; aún así, no pude evitar el reto de traducir su única entrevista televisada, que le hizo un admirador suyo, profesor mío en Mainz; pero este es tema de otra historia.

Yo hacía estudios de doctorado en la Universidad Johannes Gutenberg en los años en los que terminaba la efervescencia estudiantil iniciada por los parisienses en 1968 a la sombra de la guerra de Viet Nam. Años después solo quedaban en Francia los signos retóricos de la protesta y, en México, los estudiantes asesinados a traición en la plaza de las Tres Culturas, tal y como rindió testimonio admirable la escritora italiana Oriana Fallaci, también víctima.

En Alemania, los estudiantes, que forzaron cambios académicos, solo llenaban el campus con sus cabellos largos, ropajes pintorescos y bustos sin sostén. Algo positivo de aquellos años fue el cambio en las prácticas y las concepciones de la sexualidad y en la autopercepción de las mujeres, que alcanzó un punto de maduración sin marcha atrás.

Mi tesis de doctorado trataba sobre la corporalidad orgánica en Edmund Husserl. Al cuerpo vivido llegué gracias al influjo sartreano. A él le debo los duros años al amparo de una filosofía rica en posibilidades discursivas y heurísticas.

Pasión y exuberancia. En el primero de los libros autobiográficos –cuyas páginas informan casi a diario sobre su trayectoria, la de Sartre y la de sus contemporáneos–, dice Simone de Beauvoir que, un día, durante los años estudiantiles, el filósofo Merleau-Ponty le reveló a Sartre la fuerza del método fenomeno-lógico.

Este método regresivo, que busca la esencia del objeto investigado, halló un ejemplo imprevisto en La náusea, novela publicada a los 30 años, con la cual Sartre irrumpió en el mundo literario francés.

El casi depresivo sentido de la existencia cristaliza en la descripción de las raíces de un castaño. No por casualidad, el primer título de la novela fue Melancolía, inspirado en un grabado de Durero. Después de La náusea, seguirían más de tres décadas de producción insaciable en el teatro, la novela y la filosofía.

El peso del método fenomenológico no parece decaer a lo largo de esta obra de ejercicio conceptual cada vez menos literario y más complejo, casi destinado a desembocar en la imposible Crítica de la razón dialéctica, libro infinito, incomprensible para el no iniciado, escrito en un solo impulso de 700 densas páginas casi sin puntos y aparte y sin interés en los subtítulos, donde cristaliza su debate con el marxismo, sin borrar del todo lo dicho en el El ser y la nada.

Cuando iba camino a la Mutualité, enfebrecido por la promesa de asistir a un discurso de Sartre, recordaba mis años de estudios recientes en la UCR, mi tesis de licenciatura sobre lo que llamé la antropología sartreana, tesis presuntuo-sa y sin gracia –puedo decirlo ahora– que mi maestro Constantino Láscaris tuvo la generosidad de apoyar hasta que salió impresa.

Desde mis primeras lecturas, Sartre me desajustó el edificio de estereotipos y creencias que daba tranquilidad a mis congéneres y me sustentaba de ilusiones. Su crítica fue también un compromiso por no dejarse imponer compromisos, como el de rechazar el Premio Nobel de Literatura, actitud solo comparable con la del negociador vietnamita que no aceptó el de la Paz para no compartirlo con Henry Kissinger, tal vez por haber manipulado este las negociaciones en beneficio propio, como se lo acusa desde entonces.

La radicalidad de Sartre fascina y asusta y deja marcas. Su fuerza intelectual, su talento en el discurso de las ideas, su pasión, la exuberancia textual de sus reflexiones como en El idiota de la familia, sobre Flaubert, o enJean Genet, comediante y mártir, su desprendimiento ascético frente a los bienes, son un modelo de intelectual difícil de imitar.

Brilla además su talento en las letras: su prosa nítida, precisa, elegante, acertada en las metáforas, sobre todo en las obras literarias, es un hoy un archivo de lo mejor de las letras francesas.

Dios y el diablo. El viaje acabó sin contratiempos, a pesar de la nieve, el tránsito parisiense y la ansiedad por llegar. La Mutualité nos premió con un buen asiento, donde nos plantamos a escuchar y a aplaudir. El inmenso salón fue llenándose hasta el techo para alojar a la juventud crítica, a veces arrogante, dispuesta a escuchar, gritar, aplaudir, enfurecerse, soñar.

Me sorprendió el nerviosismo de Sartre: cuerpo vivido, pensante en cada poro, a punto de desvanecerse por el esfuerzo perpetuo, encendía un Gitane sin filtro, lo apagaba casi de inmediato, volvía a encender otro, se limpiaba la cara con la mano, se restregaba los brazos, no podía estarse quieto un solo instante, como si la voluntad pugnase por salírsele del cuerpo a puntapiés.

En un momento, Sartre se quitó la chaqueta, no sin disculparse con el señor que estaba al lado, y picoteó otro cigarrillo de tabaco negro en el paquete. Cuando le correspondió su turno, se levantó y dijo el texto que tenía a mano.

No estoy seguro de que Sartre leyera; creo que lo reinventaba. Tenía voz fea, de viejuca sin gracia en una comedia de equivocaciones. Cuando acabó de hablar se sentó, estuvo unos instantes más en la mesa y luego se levantó y se fue con su abrigo de cuello afelpado.

Después del mitin, abandonamos la Mutualité y dejamos el bullicio de la ciudad, tan orgullosa de sí como lo aconseja su historia. No sabía que el dulce encanto de la tormenta durante el regreso a la ribera del Meno iba a convertir el viaje a medianoche en algo insensato, pero ¿qué no puede la irresponsabilidad?

Volver al trabajo, embebido en no sé cuántas de las 40.000 páginas de Edmund Husserl, no fue el efecto más estimulante de aquel viaje impetuoso y bello. Tenía por delante teorizar sobre la corporalidad a los ojos del fenomenólogo, aunque mejor lo había hecho observando el cuerpo vivido del filósofo de la libertad.

A mi gusto, su gran libro es El diablo y el buen Dios. Con razón: Sartre, el de la pasión inútil, el del infierno en los demás, se movió siempre entre dios y el diablo, inventándolos cada vez y rechazándolos con ganas.

El autor es filósofo y escritor, y miembro de la Academia Costarricense de la Lengua.

publicado por luiscatina às 13:22

Fevereiro 18 2012
BOLETÍM CULTURAL

 CATINA MUNDI

 


  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

  Casa México- Aljuriça (Portugal)

   Casa de Mexico, casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

 

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são.                       ( António Aleixo)

“ Há tantos burros mandando/ Em  homens de inteligência/ Que as vezes fico pensando/ Que a burrice e uma ciência “    ( Antonio Aleixo )

 “ Ao refugiar-me nos livros aprendi a fugir do mal sem o experimentar”

                                                                              Camilo C. Branco

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

                                                                               Platão

 "A leitura para mim sempre foi uma fonte de prazer, e gostaria que isso fosse uma coisa generalizada."      "Um país se faz com homens e com livros"

Monteiro Lobato

                           

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.  (GANDRASMEXICOCOSTARICA.BLOGS.SAPO.PT)

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo esencial de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.  Dicha publicación llega a los cuatro rincones del mundo  por Internet.

 

 

 

Breve Historia de la Charreria

 

 


La charrería es la práctica de la equitación a la usanza nacional y de las diversas formas de jaripeo. La Charrería es también una de las tradiciones mexicanas más representativas de nuestra cultura; en ella se exalta el valor, la intrepidez y la hombría del charro; el brío y la estampa del caballo, enmarcados en una fiesta de música y color.

Todos los ejercicios charros que se practican en la actualidad tuvieron su origen en el campo, con las tareas de domesticación y crianza de ganado; es decir, se desarrollaron con la ganadería, que requería de la destreza y Valentía del hombre del campo para realizar los trabajos propios de oficio.

 

 

Es el caballo la criatura más noble, útil y bella, que la naturaleza ha puesto al alcance del hombre. Es la otra mitad del charro. Gracias al caballo existe nuestro charro, el  exponente más típico y genuino de la mexicanidad.

 

Se cree que el primer antepasado del caballo vivió en tierra americana, hace millones de años, sin haberse podido precisar las causas de su desaparición.

 

Los actuales caballos de América proceden de España y Portugal principalmente, lo que a su vez, cuentan al árabe entre sus más inmediatos ascendientes.

 

Veinticinco años después de que los españoles trajeron los primeros caballos a Santo Domingo, en Veracruz ocurre el desembarque de los primeros “dieciséis caballos de Cortes”, simbólico principio de nuestra caballería criolla.

 

En Nueva España, al consumarse la conquista, se prohíbe a los naturales montar a caballo, vestir las telas de ultramar y servirse de monturas y menesteres españoles.

 

 

 

Los naturales, en su arraigo a la tierra y por la fecunda reproducción de los caballos criollos, se ingenian para perfeccionar sus propios métodos de equitación, formas propias de vestir y crean la artesanía que les proporcione sillas, frenos, espuelas y muchos otros menesteres de la más rica y artística factura.

 

En sus prácticas vaqueras, los rancheros fueron cultivando poco a poco, singulares facultades para manejar el ganado vacuno y su destreza se manifiesta en verdaderas hazañas de valor, habilidad y precisión.

 

Con la arriería, por todos los caminos reales y rutas de herradura, fluye el intercambio de usos y costumbres vaquerizas entre la inmensidad rural de nuestra patria.

 

Así se popularizó los tipos del ranchero, del cuerudo y del chicano y, como su común denominador, surge la arrogante y soberbia figura de los charros.

 

 

 

Cuando la corona española otorgó concesiones de tierra y tributo a los conquistadores. Estas concesiones, conocidas por el nombre de encomiendas y mercedes(1*), consistían en el otorgamiento de tierras y la consignación de un grupo de indígenas a un español –el encomendado-, quien tenía derecho de recibir tributo y servicio de los indios a cambio de doctrina y protección. Las mercedes de tierra fueron destinadas a al agricultura, ganadería y minería. “a las de tierra se les llamó caballerías o peonadas; a las de ganado, estancia según el personaje y la extensión que se les otorgaba. Así, una estancia de ganado mayor comprendía mil 750 hectáreas; las de ganado menor mil 775 y la caballería de tierra 40 hectáreas de extensión”. (2*)

En pocos años, la introducción inicial de las diversas especies de ganado (en cantidades reducidas por las dificultades de transporte), se transformó en una fabulosa población animal. El lugar de origen de todas las especies europeas introducidas en la Nueva España (como se le llama al México actual) fueron las islas antillas: Cuba, Santo Domingo, San Juan de Puerto Rico, etc. El ganado caballar fue el primero en hacerse presente. En número escaso al principio, porque cada ejemplar costaba mucho.

El botín que obtuvieron los españoles les permitió aumentar la compra de caballos en aquellas islas.

El caballo se convirtió en un elemento muy útil para la vida de la Colonia:

Era necesario para recorrer las grandes distancias, así como en desempeñar el papel del tributo vinculado a los deberes del encomendero. Al mismo tiempo que el caballo, pasaron a la Nueva España las primeras cabezas de ganado vacuno, porcino y lanar. El auge de la ganadería era palpable a mediados del siglo XVI; tal desarrollo tiene su explicación en la serie de ordenanzas y disposiciones virreinales que favorecieron la organización de la ganadería, así como la abundancia de pastos y tierras dedicadas a esa labor.

Entre las organizaciones creadas para reglamentar la ganadería, encontramos la institución de la mesta, cuyos miembros eran propietarios de estancias y ganados. Es necesario aclarar que, durante esta etapa, la crianza del ganado mayor sólo estaba permitida a los españoles y a los criollos (hijos de españoles nacidos en estas tierras).

Al cabildo de la Ciudad de México le correspondió el haber establecido en 1529 una rudimentaria organización de mesta local. Este organismo dispuso que los dueños de ganados usaran hierros diferentes para marcar a los animales de su propiedad; también se les ordeno que deberían reunirse dos veces por año para que manifestaran los animales ajenos que tenían entre sus rebaños.

“El rodeo, la expresión mas mexicana de la mesta, aparece regulada en dos formas: la principal, desde el día de San Juan en junio hasta mediados de noviembre. Cada estancia debería hacer un rodeo semanal de ganado vacuno y caballar para separar las reses mezcladas; la otra forma más limitada, obligada a cada dueño de estancia de ganado mayor a tener un estanciero español por cada dos mil cabezas, más cuatro negros o indios, dos montados y dos a pie, que harían el mismo rodeo semanal”.(3*)

Estas ocupaciones campiranas no eran fáciles de llevarse a cabo, se necesitaba de arrojo y destreza para realizar los herraderos, tuzaderos o el rodeo, que en esa época sólo tenía como objetivo reunir al ganado.

“Cuando en la Nueva España se extendió el uso de caballos sin distinción de castas, debido a las necesidades y actividades propias del campo surgieron los antecedentes de la Charrería; es decir, cuando se realizaban las faenas de herrar, capar, curar y tuza. Además, la cruza del caballo prosperó con el tiempo por el cuidado de hacendados, rancheros y caporales, lo que permitió que el caballo llegara a ser índice de distinción social”.(4*)

La forma en la que los españoles fueron ocupando la tierra después de la conquista no se ajustó a regulaciones ni control efectivos; se trataba de apropiaciones de echo, algunas veces en zonas que cultivaban y aprovechaban los indígenas. Estos despojos y la acumulación de la tierra por la compra o el arrendamiento dio origen a otra unidad de producción: la hacienda. Durante el siglo XVII, la palabra hacienda significaba haber o riqueza personal, y se fue aplicando para designar una propiedad territorial de importancia. La hacienda paso a hacer la unidad económica por excelencia en Nueva España; se convirtió en un núcleo autosuficiente; atrajo población de pueblos indios y a población dispersa. Esta forma de producción permanece vigente durante los siglos XVII, XVIII Y XIX acrecentando su auge durante el porfiriato (1877-1911).

En la hacienda aparece una especialización del trabajo organizado a partir de oficios y jerarquías. Octavio Chávez, en su obra: La Charrería: tradición mexicana, expone las faenas que el personal de las haciendas realizaba y que en su ocupación dominaron los oficios propios del charro:

“El vaquero era el trabajador más sencillo, rudo y fuerte; usaba sombrero de palma, camisa de nudo, chaqueta de cuero, chaparreras y siempre calzaba espuelas. Su montura era sencilla, llevaba en los tientos el sarape, según la época del año; lo importante e indispensable era la reata, que manejaba con extraordinaria habilidad cuando lazaba, ataba, manganeaba y hacía otras destrezas del oficio(…)

“El caporal era el responsable de todos los animales; bajo sus ordenes estaban los vaqueros(…). Tenía conocimientos Empíricos de veterinaria y auxiliaba a los vaqueros en las faenas. Tanto unos como otros eran diestros jinetes que amasaban y arrendaban a los caballos.

“El amansador.- Algunas haciendas tenían criaderos de caballos; para esta ocupación estaban los amansadores(…)

“El administrador.- Era la persona de mayores conocimientos y tenía a su cuidado todos los aspectos de la hacienda. Era tan buen agricultor como ganadero y también conocedor de las faenas vaquerizas. (…)

“El hacendado.- Los había de dos tipos(…) el que vivía la mayor parte del tiempo en el campo, al cuidado de todo lo relativo a la hacienda, y el otro que vivía en la ciudad y sólo visitaba la finca por cortas temporadas. Los tipos eran charros”. (5*)

De este conglomerado de individuos salieron la mayoría de los contingentes que combatieron en las luchas revolucionarias en busca de la estabilización del país. De esta misma procedencia son los hombres que dieron fama a la charrería y la convirtieron de una labor utilitaria, en el deporte más mexicano.

 

 

 

 

Guerra México vs Estados Unidos 1846-1848



Fue una guerra cuyo objetivo fue anexar territorio Mexicano a su pais lo cual se capitalizo años despues.


Antecedentes antes de la guerra con estados unidos 

Se descenlaza despues de la derrota del Ejercito Méxicano en Texas, El General Santa Anna perdio Texas despues de celebrar el triunfo sobre el Alamo , se confio demasiado y decidieron tomar una siesta. 

Tambien conocida como la "siesta de san jacinto" ,1400 Soldados Méxicanos fueron masacrados mientras dormian por 800 angloamericanos, solo 8 angloamericanos murieron y fue capturado, e General Santa Anna y firmo los tratados de independecia de Texas para mas tarde unirse a EUA. 

Poco tiempo despues México entraria en Guerra con Francia( la primera guerra con francia) el mejor Ejercito del Mundo Invadia México , los Franceses tomarian México en solo 1 Año debido al poderio en su armamerio y sus navios y al poco patriotismo de la poblacion de México, pues la gente estaba muy confundida tantas guerras en poco tiempo no sabian en quien creer. 

Cerca de 30,000 Franceses desembarcaron en tierra y aproximadamente 2500 soldados defendieron México. 

El General Santa Anna hizo todo por despertar el patriotismo de la poblacion de México, pero muy pocos 
decidieron pelear mas tarde obtendria respuesta. 

El General Santa Anna se rinde y decide pagar los costos de la guerra 600,000 pesos (moneda antigua) , esta guerra fue una excusa de Francia para Invadir y coloniza Méxicor, por unos supuestos pasteles. 

Esta Guerra fue conocida como" la Guerra de los Pasteles", tiempo despues los franceses se retirarian. 

En el Sur de México (Zona Maya) se independiza de México , y Estadosunidos ve con gran interes la anexion de la peninsula de Yucatán , para mi buena suerte México reclamaria años mas tarde la peninsula,gracias a eso estoy aqui contandoles esto 

Todo esto llevo a EstadosUnidos ala Guerra con México , aprovechandose de su debilidad, guerras y crisis. 

Las principales pinturas al respecto son Estadounidenses todas, debido a que México se encontraba en la ruina economica despues de la Independencia y las guerras, Españolas, Francesas, y Estadounidenses

No pude poner todas la Batallas y tampoco contarlas,mas tarde ira agregando. 







En esta Guerra no participa el sur de México debido a su independencia,y varios estados del norte, se declaran neutrales, aunque algunas persona van ayudar en la guerra, como en el caso de los mayas, hundieron 2 Barcos estadounidensescon polvora y canoas hechas tradicionalmente. 

En esta Guerra es cuando Santa Anna obtiene respuesta de gran parte del pueblo de México, por fin se habla del amor a la patria, "La Patria es Primero". Y de estas Guerras nace el "Himno Nacional Méxicano". 



PRIMERA ETAPA 


Invasion desde el norte.


Estados Unidos en un primer momento Invadio a México por el norte del pais donde se libraron muchas batallas en las cuales a pesar de la mejor preparacion, paga, armamento y apoyo. El ejercito Estadounidense a pesar de todo el apoyo economico avanzaba a pasos muy lentos. 

Batalla de Santa Fe




Batalla de La Angostura




Fue un de las mas Sangrientas de la Guerra entre México y EUA ahi la Caballeria Mexicana realizo una carga muy espectacular llamada por "La carga dragona", Cabe mencionar que la mayor caballeria juntada era de inglaterra durante la guerra con Rusia reunieron 600 jinetes, recibieron el nombre "la carga de los 600". 

En la batalla de la Angostura la caballeria mexicana reunio mas de 4500 dragones,formando una gran masa de bestia y jinete, Segun un General Estadounidense el Amanecer del 23 de febrero de 1847 era muy espectacular ver a lossoldados del Ejercito Mexicano, de repente alas 8 de la mañana al estruendo de un cañon se desato la tormenta. 

El General Santa Anna ordeno el ataque en masa 7,000 Soldados de Infateria y 7 Regiminetos de Caballeria 4500 jiinetes con sus hachas y lanzas se les fueron encima de las tropas estadounidenses, a tal grado obligando al Segundo Regimiento de Indiana huir con sus canones ante el ataque de la caballeria mexicana, Los oficiales gritaban "corran por sus vidas". Esta fue la Gloriosa Carga Dragona. 

Segun los historiadores la artillería americana contaban con muchos canones eran en todo superior a la mexicana, mientras en cantidad de hombres en combate, México contaba con unos 22.000 en total, y los Estados Unidos tenía entre 12000. 

El General Santa Anna cometio otro gran error historico perdonarles la vida a los estadounidenses y permiterle la retirada de las tropas del General Zachary Taylor mas tarde se arrepentiria. 
Asi mismo Santa Anna se retiro pero ni se imaginaba que mientras se encontraba en el Norte el desembarco de las tropasestadounidenses en el puerto de Veracruz para tomar la Ciudad de México estaba por suceder. 



Batalla de Sacramento




Batalla de Santa Clara





Batalla de Monterrey




La Batalla fue dirigida por el General Pedro Ampudia desde diversos cuarteles: el Fortín de la Ciudadela, Fortín de la Tenería, Fortín de la Federación, Rincón del Diablo, Fortín Puente de la Purísima y Cerro del Obispado. 
Solo les contare una. 

Aqui combatio el "Heroico Batallon de San Patricio" formado por Irlandeses , y resistieron 2 veces el ataque de losestadounidenses

La Ciudadela



El fortin de Tenerias






Este fortín consistía por sólo cuatro cañones y una guarnición ansiosa por defender la ciudad. 
En el ataque a este fortín la mayor parte del Batallón de Maryland y el de los Voluntarios de Columbia, habían abandonado sus banderas y huido hasta ponerse fuera de tiro. 

Tal era el desconcierto que un cuerpo estadounidense de lanceros, atravesando sementeras, atacó a los mismos suyos cargando sobre dos de las compañías de Garland, matándole varios oficiales y soldados, "e hizo huir al resto en confusión hacia el grueso de la columna". 

El fortin resistio a los estadounidenses dos ocasiones pero la tercera embestida terminó con la resistencia mexicana (no habian municiones) por lo prolongado de la batalla motivó al combate con bayoneta, pecho a pecho , Puño con Puño con el enemigo, costándole un gran número de bajas a los estadounidenses

Cabe mencionar que el fortin de Teneria pidio ayuda al General Santa Anna, pero este le nego la ayuda, estaba mas preocupado por la Ciudad de México. 


Batalla del Puerto de Veracruz
 

Mas tarde conocida por "El Puerto de Veracruz Cuatro Veces Heroica" por la valiente lucha de su población en contra de cuatro distintas invasiones extranjeras. Españolas , Estadounidenses y Francesas 



México, vista aérea de la fortaleza de San Juan de Ulúa Bombardeada por Barcos Estadounidenses.





Simultáneamente, el mando militar americano había cambiado la estrategia. 
Después de la Batalla de la Angostura, los militares americanos consideraron que el camino más corto para llegar a la Ciudad de México era la ruta de Hernán Cortés. 

El General Santa Anna mando un mensajero para permitir que salieran las Mujeres y niños , como el hizo en Texas
La respuesta del General Estadounidense fue "Nadie Saldra vivo al menos que se rindan" 
Murieron al rededor de 400 mujeres y niños. 

Después de un intenso bombardeo por 3 dias ,causo una gran destrucion al puerto de Veracruz . 
El General Scott ordeno realizar el primer desembarco anfibio en la historia estadounidense ,poniedo en tierra 12,000soldados en lanchones .la ciudad de Veracruz estaba defendida por 700 soldados alas ordenes del General Juan Morales esperando los refuerzos de Santa Anna, las que nunca llegaron , el estaba ocupado poniendo ordenes en la capital de Veracruz debido a la rebelion de los polkos, como en el caso de Monterrey, el puerto de Veracruz fue abandonado a su suerte por sus escasos recursos para hacer frente a los norteamericanos. 

Batalla de Puebla




Batalla de Molino del Rey ( Lugar donde el Batallon de San Patricio hizo su ultimo sacrificio )




Aqui es cuando el General Santa Anna ordena la retirada y evacuar la Ciudad de México, aqui por ultima vez la Sangre Irlandesa pelea hasta la muerte. 




Toma del Castillo de Chapultepec ( probablemente la batalla mas heroica de toda la guerra donde niños de entre 14 y 18 años que estaban confinados en el colegio militar tomaron las Armas y se enfrentaron a una fuerza 7 u 8 veces superiores ). 
13 de septiembre de 1847 



Los pocos defensores que se quedan a combatir sumaban 1.300 personas Mexicanos e Irlandeses y pertenecían a los batallones Independencia, Bravos y San Patricio. 



Los Niños Héroes es el nombre con que se les denomina a los principales defensores del Colegio Militar de México durante la invasión norteamericana el día 13 de septiembre de 1847. Juan de la Barrera, Juan Escutia, Agustín Melgar, Fernando Montes de Oca, Vicente Suárez, y Francisco Márquez eran estudiantes del colegio militar y tenían todos entre 13 y 17 años. 

Faltaba la última fortaleza nacional, el castillo de Chapultepec, que tenia 6 cañones, un obús (artillería para destruir objetivos ocultos), 200 hombres entre cadetes y soldados




Durante la guerra declarada a México por Estados Unidos con el fin de obtener los territorios de Alta California y Nuevo México, el ejército estadounidense, bajo el mando del General Winfield Scott, atacó el Castillo de Chapultepec donde se encontraba situado el colegio militar. Los jóvenes cadetes, niños y adolescentes casi todos, que formaban el batallón a cargo de Nicolas Bravo, dieron muestra de valentía al resistir la agresión y peleando inclusive cuerpo a cuerpo. Sin embargo al final, los norteamericanos tomaron el castillo. 





Juan Escutia al ver la inevitable derrota tomó la bandera nacional y desde una de las torres del castillo se lanzó al vacío, hacia una muerte segura, para evitar que el lábaro patrio cayera en manos del enemigo. 


Al final de la guerra México fue derrotado y perdió la mitad de su entonces territorio, superficie similar a su tamaño actual (2 millones de kilómetros cuadrados, que incluían a los actuales estados de California, Nuevo México, Arizona, Nevada, Colorado y Utah. 

En 1906 se construyó un monumento en homenaje a los niños héroes en las faldas del Castillo de Chapultepec, tomando a 6 de ellos como sus máximos exponentes, aunque en realidad fueron más. 



La Batalla Final de la Ciudad de México fue una ultima resistencia de la poblacion Civil de la Ciudad deMexico que a cuchillo limpio se enfrento contra los soldados Estadounidenses que a Fuego de Mosquetes y Artilleria contraatacaban. 




Las mujeres y los niños aventaban proyectiles desde las casas y una niña al aventar una mazeta hirio gravemente en la cabeza del General Zachary Taylor que tuvo que ser sacado de la ciudad debido a su herida grave ( la niña fue ahorcada enfrente de sus padres). 


y asi fue como México perdio la mitad de su territorio ... 
lo que hoy son los Estados de Arizona, California, Nevada, Utah, Nuevo México y partes de Colorado,Wyoming, Kansas y Oklahoma. Significando esto para México, la pérdida más de 800.000 millas cuadradas (más de 2.100.000 km²) de tierra, 55% de su territorio nacional. 

El Heroico Batallón de San Patricio

"fueron leales a sí mismos, al sueño de ser libres que les había traído a América" 

 


En 1846 unos soldados Irlandeses, escoceses y de otras nacionalidades europeas, desertaron del ejército de los Estados Unidos que peleaba contra México debido ala injusticia de EUA de aprovecharse de una nacion mas debil. 
Les Recordaba la tantas Invasiones que Irlanda soporto de Inglaterra. 

Esto y a causa de las diferencias culturales y en parte religiosas; los mandos del ejército norteamericano y lossoldados norteamericanos mismos eran protestantes y aquellos soldados que habían emigrado de Irlanda eran católicos y por tanto eran discriminados y maltratados por sus superiores norteamericanos. 


Entonces, por estas razones y por la semejanza entre Irlanda y México, un grupo de soldados europeos deciden desertar a las fuerzas norteamericanas y unirse al ejército de México bajo el nombre de "Batallón de San Patricio" en honor a su patrono
 





Su bandera estaba formada con un fondo verde, y de un lado un arpa dorada y las palabras Erin Go Bragh (Irlanda Por Siempre. 

Los San Patricios crecen en número, que algunos estiman en cerca de 800 hombres, Oficialmente 300. 

 

Los Patricios pelearon en grandes batallas, demostrando su Valor y Coraje. 
Combatieron en las principales Batallas entre ellas la de Monterrey y la de Churubusco 20 de agosto de 1847 cuando se acabaron las municiones y el General Méxicano iba a rendirse en Churubusco los Patricios tomaron su Bayoneta e incitaron al resto de los soldados mexicanos a pelear cuerpo a cuerpo hasta la muerte. Muchos de ellos murieron en combate. 

Los miembros del Batallón de San Patricio capturados por el ejército estadounidense sufrieron muy duras represalias; habían sido responsables de algunos de los más duros combates (y que causaron más bajas) a los que losestadounidenses se enfrentaron. 



Los que formaban parte del ejército estadounidense antes de la declaración de guerra oficial (el capitán Riley entre ellos) fueron azotados y marcados con hierro candente en la cara, con la letra "D" de desertores, y sentenciados a trabajos forzados. 

Los que entraron en el ejército mexicano tras la declaración de guerra, fueron ahorcados en masa como traidores, viendo de frente el sitio de la Batalla de Chapultepec el 13 de septiembre de 1847. Cuando la Bandera Estadounidense estaba en lo mas alto del castillo y la mentira mas grande de EUA es que digan que bajaron la bandera de México cuando un cadete llamado Juan Escutia al ver la inevitable derrota tomó la bandera nacional y desde una de las torres del castillo se lanzó al vacío, hacia una muerte segura, para evitar que el lábaro patrio cayera en manos del enemigo. 
publicado por luiscatina às 12:14

Janeiro 09 2012
BOLETÍM CULTURAL

 CATINA MUNDI


  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

  Casa México- Aljuriça (Portugal)

   Casa de Mexico, casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

 

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são.                       ( António Aleixo)

“ Há tantos burros mandando/ Em  homens de inteligência/ Que as vezes fico pensando/ Que a burrice e uma ciência “    ( Antonio Aleixo )

 “ Ao refugiar-me nos livros aprendi a fugir do mal sem o experimentar”

                                                                              Camilo C. Branco

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

                                                                               Platão

 "A leitura para mim sempre foi uma fonte de prazer, e gostaria que isso fosse uma coisa generalizada."      "Um país se faz com homens e com livros"

Monteiro Lobato

                           

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.  (GANDRASMEXICOCOSTARICA.BLOGS.SAPO.PT)

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo esencial de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.  Dicha publicación llega a los cuatro rincones del mundo  por Internet.

 

 

 

Editorial

 

OS PORTUGUESES  ( THE PORTUGUESE )

( A história moderna de Portugal. O verdadeiro retrato de um povo único, fascinante e contraditório )

 Editora Club de Autor

 

Acaba de aparecer nas librarias uma obra literária, de autoria do jornalista inglês  Barry Hatton, titulada “ OS PORTUGUESES” e é apresentada ao leitor como um conjunto de reflexões pessoais e sociais, relacionadas com acontecimentos históricos da nossa monarquia, da nossa democracia, da nossa pequena história da vida social, de hábitos pessoais e colectivos, de costumes e tradições, bem como de vícios peculiares unicamente nossos.

O valor deste livro reside num modelo realista despojado de qualquer artificialismo, ainda que pareça em frente dos nossos olhos! O trabalho literário deste jovem jornalista inglês é o resultado de um caminho de vivências pessoais e jornalísticas, atenta observação sobre costumes próprios e gentes comuns; a curiosa curiosidade, não mórbida ou picaresca, mas viva de vida viva, o juízo franco, sério e irónico ( como é o dos ingleses! ) laborado pela inteligência, culta, vivida e informada, constituem os episódios reflexivos de todas as páginas do livro.

É bom realçar que Barry Hatton apresenta-se neste seu livro sem máscara, pois é o homem-jornalista  na sua figura mais concreta e realista, que se apresenta diante do leitor. Reside aqui a grandíssima importância do livro de …..: a não existência de fixionismos cronistas.

Partindo que Barry Hatton só tenha vivido e trabalhado em Lisboa, leva-nos a pensar que no interior da alma deste inglês existe uma forte curiosidade em conhecer o destino  da nossa história e as coisas  concretas e banais da nossa cultura popular, mesmo que o narrador tenha  em conta a sua consciência individual, aprendida no convívio diário com as pessoas vulgares e na consulta de obras antigas em algumas bibliotecas lisboetas. Isto significa que …é um amante das coisas do espírito, a sua paixão pela cultura portuguesa, o seu fino conhecimento das nossas novas gerações, bem como deixa transparecer o seu bom gosto  na apreciação de tudo o que vê diariamente nas ruas e nos bastidores da nossa cosmopolita capital.

OS PORTUGUESES é um livro a ser lido e relido por todas as gerações que ocupam este nosso Portugal provinciano!

 

 

 

La música es el corazón de la vida.

 

Por ella habla el amor; sin ella no hay bien posible

 

Y con ella todo es hermoso.

 

Franz Liszt

 

Raquel Ramírez Barquero, mezzosoprano y una de las mejores voces de Costa Rica, nació en San José el 14 de agosto 1972, y su temprana partida, el 6 de enero del 2010, nos ha llamado a revalorar su legado en el canto lírico costarricense. En el devenir de su carrera fue calificada como una voz sin límites, que llevó al máximo esplendor el dominio vocal, la interpretación y el dominio escénico, con méritos reconocidos nacional e internacionalmente.

 

Raquel desde muy joven eligió como forma de vida el canto, e inició su formación académica y artística en el Conservatorio Castella para luego formalizar su especialidad en canto en la Universidad de Costa Rica, lo que le llevó a ser la directora del coro “Heredia Canta” del Centro de Estudios Generales de la Universidad Nacional y de la Cátedra de Canto de la Universidad de Costa Rica. Como profesora se dedicó a enseñar lo que consideró sublime, el canto, convirtiéndolo en su modus vivendi.

 

Entre sus múltiples interpretaciones se encuentran: “Réquiem” Op.9 de Duruflé, “El Mesías” de Haendel, “Gloria” de Vivaldi, “Rigoletto” de Verdi, “El barbero de Sevilla” de Rossini entre muchos otros, así como la “Carmen” de Bizet (Mercedes), “Don Giovanni” de Mozart (Doña Elvira), “Falstaff” (Mistress Quicly), además de cantar en los montajes escénicos de Stefano Poda “La isla de los Cipreses”, “Lacrimosa”, en el estreno mundial del musical “Rasur” de Carman Moore y en la zarzuela “Luisa Fernanda” (Luisa). En la interpretación del Lieder podemos hacer referencia, entre otros, a Franz Schubert, Robert Schumann, Fanny Mendelsohn, Clara Schumann, Josefin Lang, “Canciones de Madagascar” de Ravel y “Cuatro canciones serias” de Brahms entre otros.

 

Durante su carrera participó como solista con orquesta, con distintos ensambles de música de cámara en importantes auditorios, teatros y salas de conciertos en California, Cuba, Puerto Rico, México, Guatemala, Nicaragua, Panamá, Costa Rica, Colombia, Venezuela, Perú y Barcelona (España).

 

Además de la belleza de su voz, Raquel se destacó por su belleza interior, de un espíritu noble, siempre tenaz y lleno de paz.

 

Nunca perdió de vista su procedencia concatenando su legado artístico con su rol de hija, hermana y madre.

 

Por el lado materno, perteneciente a una familia de cantantes, con “objetividad” me resulta imposible precisar la diferencia material y transcendental de la belleza de su voz con su belleza personal, lo que equivale decir, que entre ellas lo único en que difieren es el espacio y el momento donde enfocaba su empeño, una en la cotidianeidad, en su entorno más íntimo y la otra sobre el escenario, resplandeciente e imponente, como una diva.

 

En este sentido, la relación que existe entre el canto y su sensibilidad constituye un binomio perfecto, atractivo, que favoreció a Raquel en todo su quehacer artístico, propiciando relaciones con grandes figuras del canto lírico más allá de nuestras fronteras. Esa sensibilidad también le permitió compartir sueños y esperanzas con jóvenes, procedentes de todos los sectores de nuestra sociedad, hacia un pleno desarrollo de su potencial artístico.

 

Asimismo, la fortaleza de su espíritu la conjugó con su talento, convirtiéndose en una persona apasionada con lo que hacía. Desde muy joven despertó en ella el deseo irresistible de llegar a triunfar en el canto y tomada la decisión de una vez y para siempre supo llevar su carrera con consistencia, disciplina, inteligencia y dedicación. Enfocada en lo que quería, sin ninguna determinación materna o familiar, establecimos una disciplina en el trabajo técnico-vocal que posteriormente seguiría perfeccionando con Zamira Barquero, su tía.

 

En esos momentos, la práctica vocal llegó a constituirse en una necesidad para el desarrollo de su talento, logró un timbre vocal propio, que la convirtió realmente en una de las grandes figuras del canto nacional.

 

Es importante enfatizar sus logros en el ámbito nacional e internacional, siendo el canto lírico un medio artístico difícil y exigente, de pocas oportunidades para muchos, por lo que sus éxitos en el escenario son admirables y dignos de recordar.

 

La pérdida de esta gran voz es insustituible e insuperable y la convierte en un ícono en la historia del canto en Costa Rica.

 

Amelia Barquero Trejos. Profesora de canto y madre de la mezzosoprano Raquel Ramírez Barquero

 

 

 

As mulheres na Roma Antiga

 

Nem todas as mulheres experimentam os mesmos sentimentos. Encontrareis mil almas com mil maneiras diferentes. Para as conquistar, empregai mil maneiras. A mesma terra não produz todas as coisas: tal convém à vinha, tal à oliveira; aqui despontarão cereais em abundância. Há nos corações tantos caracteres diferentes, quantos rostos há no mundo.

«Cabeça de Minerva em mármore – séc. I d.C.

  Museu da Comunidade Concelhia da Batalha »

 «O homem prudente acomodar-se-á a estes inumeráveis caracteres; novo Proteu, tão depressa se diluirá em ondas fluidas para logo ser um leão, uma árvore, um javali de eriçadas cerdas. Os peixes apanham-se aqui com o arpão, ali com o anzol, acolá com as redes puxadas pela corda estendida. E o mesmo método não convirá a todas as idades: uma corça velha descobrirá a armadilha de mais longe; se te mostrares experiente junto de uma noviça, demasiado petulante junto de uma recatada, ela desconfiará que a vais tornar infeliz. Assim é que a mulher que às vezes teme entregar-se a um homem honesto, caiu vergonhosamente nos braços de alguém que a não merece».

Ovídio, in «A Arte de Amar»

 «Feio é o campo sem erva e o arbusto sem folhas e a cabeça sem cabelo»

«Há quem, à luz que alumia os longos serões de inverno, abique archotes com um ferro acerado, enaquanto a esposa, que suaviza com o canto o seu labor, passeia no tear o pente de som harmonioso, ou coze ao lume o doce mosto, e escuma com um ramo o líquido que ferve no tacho.

Pelo meio do dia se ceifa a messe dourada; à hora do calor se malham na eira os trigos que o sol tostou»

(Virgílio, As Geórgicas: 290-295)

Sim, hei-de regressar um dia à Mulher em Roma, mas por hoje fica aqui apenas, para terminar a semana, um texto que ofereci à «Cidade das Mulheres» e que me fez relembrar que tenho que rematar o tema.

 Roma é uma sociedade ancestralmente uma sociedade patriarcal. À cabeça de cada grupo estava um pater familias que exercia o seu poder até à morte, podendo decidir da vida ou morte dos seus filhos. É só ele que pode participar na vida política, nas assembleias, no senado, nas magistraturas, e no âmbito familiar, era o homem que presidia e assumia juridicamente a função predoninante, ou seja, para todos os efeitos, comandava a casa.

 Pelo casamento, coniunctio maris et feminae,  ou seja «a união de um homem e uma mulher» a mulher passava a depender da família do marido, ficando submetida a um poder familiar semelhante ao que tinha em casa antes do matrimónio, pois o esposo podia também decidir da sua vida.

A mulher entrava na esfera familiar do marido «como se de uma filha se tratasse, com todas as implicações daí decorrentes, nomeadamente a de se constituir com heres suus, isto é, de se tornar sua herdeira directa. Era, na esfera jurídica, como uma irmã dos seus próprios filhos» (Amílcar Guerra, op. cit.).

 No entanto, em Roma as mulheres ocupavam uma posição de maior destaque do que acontecia na Grécia Antiga, em particular em Atenas, pois Esparta parece ter-lhe dado maior autonomia.

«Numa visão geral, o homem apresenta-se normalmente como o chefe de família, o único elemento que desenvolve uma actividade pública (estritamente política ou não), por oposição à domina, a «senhora da casa» (domus) cujo «poder» se restringiria a esse âmbito particular. E, de uma forma geral, não restam dúvidas de que a sociedade romana se centrava na figura do homem» (Amílcar Guerra, op. cit. p: 16).Quando casada, era, de facto “senhora da casa”, a domina, não sendo, contudo, reclusa nos aposentos das mulheres, Geniceu, como acontecia na Grécia Antiga.

Por concessão do marido ela assumia o governo da casa (cura) e passava a ter direito às chaves do cofre-forte. A mulher é, por excelência a materfamilia ou matrona. Tomava também conta dos escravos, omnipresentes em casa,  e participava das refeições com o marido, como se pode verificar no Banquete, saía (usando a “stola matronalis”), tinha acesso aos tribunais  e participava nos espectáculos públicos, sendo, por isso, criticada por Juvenal e pelo cristão Tertuliano, pois assumia uma presença pública não se cingindo às actividades domésticas ou aos tempos livres entre bordados

Vale a pena, apenas a título de curiosidade conhecer o texto de  Claudiano que nos retrata Prosérpina que « (…) lavrava com a agulha a série dos elementos e o trono paterno (…) bordava com que regra a mãe natureza ordenou a antiga confusão e como os elementos se dispuseram nos lugares próprios: o que é leve para o alto é conduzido, no meio caiem as coisas mais pesadas, tornou-se o ar incandescente, o fogo ergueu-se para o céu, ondeou o mar, ficou suspensa a terra. E não havia apenas uma cor: com o ouro iluminou as estrelas, derramou as águas com púrpura. Com as pedras preciosas ergue um litoral, fios em relevo dão engenhosamente fora a fingidas ondas».

 

Claudiano, «O Rapto de Prosérpina

Agulhas e alfinetes de cabelo em osso, Sepultura de Galla, Ruínas Romanas de Tróia, MNA

Por casamento — justum matrimonium —, sancionado pela lei e pela religião, processava-se a transferência da mulher do controle (potestas) do pai, Pater Familias que exercia a Res Familiaris, para o de seu marido (manus).

 O casamento tomava assim a forma de “Coemptio”, “uma modalidade simbólica de compra com o consentimento da noiva. Ele também podia consumar-se mediante o usus, se a mulher vivesse com o marido durante um ano sem ausentar-se por mais de três noites” .

 Mas Roma não é um mundo estanque e imutável e a condição da muher vai-se alterando ao longo do tempo. Com o crescimento de Roma, a mulher foi gradualmente adquirindo autonomia, podendo inclusivamente participar da herança dos bens paternos, sendo sabido que, a partir do século II a.C., é notório um processo de emancipação soicial e jurídica que se manifesta quer no casamento, no divórcio, nas heranças e na própria manutenção do seu nome de família.

Usando as palavras de Amílcar Guerra «Sem que possa atribuir a esse facto uma relevância especial, a verdade é que a mulher não só não perdia o seu nome de solteira, como nunca alterava, por casamento. Mantinha, por isso, na regra mais geral, o nome da gens (comum a toda a sua família alargada, de qualquer modo o da via masculina) e o seu cognomen que a individualiza nesse âmbito. Todavia, a preponderância masculina leva a que ela não transmita, por norma, o nomen gentilicum» p: 109.

 Em Roma, no período imperial foram-se abandonando gradualmente as formas mais antigas de casamento e adoptou-se uma na qual a mulher permanecia sob a tutela de seu pai, e retinha na prática o direito à gestão de seus bens, havendo muitas mulheres ricas, disfrutando do seu património e dedicando-se aos negócios.

 As aristocratas replicam, de algum modo, o orgulho dos pais, a casa dos quais podem regressar em caso de divórcio, e conservam a sua riqueza própria, apesar do casamento, mantendo a capacidade de poder testar os seus bens.

 O divórcio era aceite na sociedade romana e o casamento chegou a ser até impopular na Época Imperial, sendo estas as palavras de Cecílio Metelo “Se pudéssemos passar sem uma esposa, romanos, todos evitaríamos os inconvenientes, mas como a natureza dispôs que não podemos viver confortavelmente sem ela, devemos ter em vista nosso bem-estar permanente e não o prazer de um momento” (Suetônio, Vida dos Doze Césares, “Augusto”, 89).

 Muitas das alterações sentidas na sociedade romana devem-se às sucessivas guerras e aos longos períodos de ausência dos maridos, fruto do expansionismo romano, que permitiu a ascensão do papel da mulher.

 No entanto, os recenseamentos omitem as mulheres, sendo apenas contabilizadas as herdeiras.

 Se bem que a generalidade das meninas romanas recebesse apenas uma instrução básica, pois a sua função primordial era prepararem-se para ser esposas e mães, houve muitos exemplos de mulheres que exerceram influentes profissões e que dirigiram negócios lucrativos. Há também inúmeros exemplos de mulheres versadas em Literatura.

 Até determinada altura, a toga era o elemento básico do vestuário, quer feminino, quer masculino, ao ponto de Virgílio na Eneida (I, 282) chamar aos Romanos «os senhores do mundo, o povo da toga».

 No entanto, ele foi-se sofisticando e, já durante a República, só os jovens e as cortesãs usam toga. As matronas utilizavam sobre a stola (túnica ou vestido comprido) a palla (grande mantilha pregueada que, ao contrário da toga, cobria os dois ombros).

 As mulheres de condição mais elevada usavam tecidos ricos bordados e importados das várias partes do império.

 O rosto era embelezado e os cabelos tratados e penteados de diferentes formas, também dependendo das épocas e respectivas modas, se bem que em público tivessem o costume de cobrir a cabeça.

Um diadema, parcialmente oculto por véu, indica que se trata de um membro da família imperial que não é possível identificar com segurança, embora apresente semelhanças com o retrato de Lívia, mulher do imperador Augusto. Criptopórtico de Aeminium, Museu Nacional Machado de Castro. Foi aqui utilizada a descrição ofocial da peça

“Em Roma, o cabelo e o seu arranjo eram considerados um elemento fundamental do atractivo de uma mulher, assim como um sinal da sua idade, posição social e função pública”, (Bruno Ruiz-Nicoli in Rostos de Roma. Évora: Museu de Évora, 2010, p. 48), sendo os penteados de Época Imperial caracterizados por uma enorme exuberância, sobretudo a partir da Dinastia julio-claudiana e que atinge o auge na época falviana e no reinado de Trajano que, de algum modo,  contrastando com a contenção verificada na Época de Augusto que se filia na tradição helenística.

Segundo o autor latino do século II d.C. Luciano «as mulheres dedicam a maior parte dos seus esforços à trança dos seus cabelos» Amores, 38-41.

As mulheres também recorriam a colorações, sendo comum o uso da henna importada do Oriente e socorriam-se de extensões ou perucas para os casos de insuficiência de cabelos

Assim nos diz o moralista Tertuliano no seu «A Moda Feminina/Os Espectáculos»:

«Vejo que algumas de vós que pintam os cabelos com açafrão chegam a envergonhar-se da sua pátria, de não terem nascido na Germância ou na Gália. Trocam, assim, a Pátria pela cabeleira. Coisa ruim, coisa péssima a si mesmas pressagiam com a sua cabeça da cor do fogo».Retrato feminino. «Rostos de Roma». Museu Arqueológico de Madrid.

Os caracóis, por usa vez, obtinham-se com o recurso ao calamistrum, um instrumento metálico que se aquecia ao lume de forma a obter os efeitos desejados.

Para prender os cabelos usavam alfinetes, os acus crinalis.

Do lado esquerdo, fragmento de pulseira em pasta vítrea. Museu Municipal de Santiago do Cacém.

Eram usados múltiplos adereços, desde anéis, muitas vezes com pedras, colares e pingentes, brincos, pulseiras, bracetes e diademas, valendo a pena, em Portugal, entre tantos outros, conhecer o acervo do Museu de Conímbriga.

Objectos de adorno romanos. British Museum. Fotografia Filomena Barata

Objectos em osso provenientes de escavações efectuadas na Rua de Burgos, Évora. Destaco as agulhas e o fragmento de pente por se tratarem de objectos de adorno.

Espelho romano. Museu Nacional de Arqueologia.

As mulheres não dispensavam os espelhos nem prenestinas, ou seja, os cofres em bronze que continham os acessórios de embelezamento feminino, nem os seus perfumes e unguentos.A propósito dos cuidados femininos, diz-nos ainda no século II Tertuliano «De facto, embora não se deva acusar a beleza – a qual é a graça do corpo, o acabamento da modelação divina, um agradável vestimento da alma – ela haverá, no entanto, que ser temida, nem que seja por causa dos ultrajes e das violências daqueles que andam atrás dela» (p: 57).

« A noção romana de integridade moral da mulher desenvolveu-se em função da noção da propriedade pessoal, e a castidade feminina (implícita na virtude matronal) tornou-se parte integrante da posse de um bem físico (…)»

 Num estudo actualmente em curso sobre as representações de mulheres em mosaicos romanos, coordenado por María Luz Neirape, Universidade Carlos III de Madrid, (UC3M), integrado num projecto mais vasto “Sociedad y economía en los mosaicos hispanorromanos II”, del Programa Nacional de Humanidades de la Comisión Interministerial de Ciencia y Tecnología (CICYT), dado a conhecer por José dÉncarnação à comunidade científica através do Portal Archport, tenta-se analisar as figurações femininas nos mosaicos romanos e o impacto que tinham no imaginário dos estereotipos romanos.

Citando a partir do Archport «En los mosaicos romanos aparecen numerosas representaciones femeninas. La mayoría son de inspiración mitológica – diosas, heroínas y otras protagonistas de un sinfín de leyendas – aunque también se documentan otras de mujeres de carne y hueso, probablemente dominae, sus hijas, doncellas y sirvientes. “Lo más significativo de estas representaciones son los diferentes papeles que reflejan y su contribución a la construcción de determinados estereotipos, no sólo en el mundo romano sino en el transcurso de la historia hasta la actualidad”, destaca Luz Neira, Profesora Titular de Historia Antigua del Departamento de Humanidades: Historia, Geografía y Arte e investigadora del Instituto de Cultura y Tecnología de la UC3M.Los papeles de las mujeres que aparecen en los mosaicos se pueden clasificar en tres grandes grupos, según los investigadores. En primer lugar, se pueden encontrar los papeles de esposa, madre e hija que reflejan la fidelidad, la preocupación por los hijos y la obediencia sin oposición a los padres (ejemplos positivos en la época), aunque también se documentan representaciones de conductas opuestas en un sentido aleccionador que parecen aludir a las temibles consecuencias de quienes así se comportan. En segundo lugar, otras representaciones evocan a partir del desnudo el erotismo e incluso, frente a la unión civilizada en el marco del matrimonio, la unión salvaje, que garantiza placer y disfrute. En tercer y último lugar, algunas representaciones mitológicas parecen reflejar una alusión a una sensibilidad diferente, como el caso de determinadas heroínas dispuestas a todo antes de caer en brazos de un varón, aunque sea un dios, o el de las amazonas practicando la caza y compitiendo con héroes de gran celebridad. “Resulta curioso comprobar – indica la profesora Luz Neira – cómo en muchas de estas representaciones, con independencia de su papel, se incide en la figura femenina como causante de males y guerras, siguiendo una tradición que, referida ya por el poeta Hesíodo en el siglo VII a.C., se remonta al mito de Pandora”. Se pueden encontrar numerosos ejemplos gráficos de este tipo en el libro publicado recientemente bajo la dirección y coordinación científica de Luz Neira, Representaciones de mujeres en los mosaicos romanos y su impacto en el imaginario de estereotipos femeninos (Ed. Creaciones Vincent Gabrielle, 2011). Desde una perspectiva que rehúye la consideración de la imagen como mera ilustración, esta obra aborda el análisis y el debate sobre los diversos papeles de las mujeres que aparecen reflejados en la musivaria romana, “descartando la idea trasnochada acerca de la utilización inconsciente de arquetipos y modelos, carente de significación histórica”. El volumen cuenta con la participación de prestigiosos investigadores españoles y extranjeros con numerosos estudios sobre el tema.

 

 

 

Vias Romanas em Portugal

 

 

Introdução ao Sistema Viário Romano

 

--------------------------------------------------------------------------------

 A rede viária romana é a maior obra de engenharia da antiguidade em Portugal. Apesar do seu levantamento ter atraído diversos estudiosos, continuamos com mais incertezas do que certezas, pelo que os itinerários propostos são em grande medida conjecturais. Assim, os itinerários aqui publicados tentam fazer uma compilação do conhecimento actual sobre o tema pelo estão constantemente a ser revistos à medida que novos trabalhos de investigação são publicados. ver Histórico de alterações.

 

 Dificuldades

 De entre os problemas encontrados para o seu estudo salientam-se os seguintes: •A vastidão e dispersão geográfica da rede viária, cobrindo a quase totalidade do território português.

 •A incerteza quanto à origem destas calçadas devido às sucessivas reparações ao longo dos últimos 2.000 anos.

•O abandono e destruição a que estão votados estes vestígios arqueológicos.

 

Estado actual

 O maior problema na definição dos itinerários é saber como «encaixam» os múltiplos troços espalhados pelo país no vasto sistema viário romano do qual ainda só se conhece um pequena parte. Para além das vias principais mencionadas no Itinerário de Antonino, existiam uma grande quantidade de outras vias que interligavam civitates, vici e portus. Aliás, foi esta teia de comunicações que permitiu o grande desenvolvimento económico durante a época de domínio romano e mostra bem como uma rede viária bem planeada pode potenciar a riqueza de uma região, criando assim um padrão de desenvolvimento em território nacional que subsiste em grande parte até aos dias de hoje.

 

Outros vestígios importantes

 Ao longo dos Itinerários são indicados os vestígios e indícios da antiga via como miliários e mansiones, mas também se indicam outros vestígios directamente relacionados com a via como villae, necrópoles, castros romanizados, explorações mineiras e agrícolas, etc, já que frequentemente estes vestígios estão associados à passagem da via na sua proximidade:

 •As villae, mais que uma habitação, são focos de desenvolvimento económico que necessitam de vias de escoamento para os seus produtos, quer para as cidades, quer para portos a fim de serem exportados Além disso algumas das villae mencionadas seriam a própria mansio de apoio à estrada.

•As necrópoles eram frequentemente localizadas ao longo da estrada romana, contíguas à via, nas saída das cidades, como é caso da necrópole de Lethes em Ossonoba (Faro), longe dos vivos, assegurando assim a salubridade pública, mas mantendo o mundo dos mortos em permanente contacto com o dia-a-dia do mundo dos vivos.

•As explorações mineiras eram apoiadas por uma rede complexa de vias secundárias que permitiam o escoamento do minério até às vias principais ou, o que é mais provável, seguindo por uma via secundária para o porto fluvial mais próximo, onde seria embarcado e transportado rio abaixo até ao litoral, onde finalmente era exportado para todo o império.

 

Sobre as Estradas

 

 A rede de estradas dividia-se em Viae Publicae (também chamadas de Militares ou Consulares) que formavam a rede principal que interligava todo o Império Romano, correspondendo nos dias de hoje as nossas estradas nacionais, as Viae Vicinales, estradas secundárias que ligavam os povoados às grandes vias e as Viae Privatae ou Agrari, caminhos agrícolas ou de acesso privado.

 

 Nada melhor que seguir a explicação Siculus Flaccus, cônsul romano, na sua obra «De condicionibus agrorum»:

 «As vias não têm um único estatuto. Existem as Viae Publicae; que são construídas com fundos públicos, recebendo o nome do seu promotor. O Curator Viarum era responsável pela supervisão da via cuja construção era adjudicada a empreiteiros. Para a manutenção de algumas delas é fixada uma determinada soma aos proprietários em função da via em causa. Em contrapartida as Viae Vicinales, partindo das Viae Publicae, servem os campos ou ligam a outras Viae Publicae. São construídas noutras modalidades, pelos responsáveis regionais que, em geral, exigem aos proprietários os trabalhos de manutenção.»

 Ler online in «De condicionibus agrorum» Cap. XIX.

 

 Um Sistema Viário

 O Cursus Publicus é assim um sistema totalmente hierarquizado, planeado para cobrir todo um território, (é sabido que já na época existia um sistema de distribuição postal que só viria a ser novamente implantado em 1520 com a criação do cargo do Correio-mor, instituindo assim o «serviço público» de correios em Portugal), e apoiado numa rede de estações de apoio aos viajantes, desde as chamadas mutationes, pequenas estações de muda de montadas e condutores, separadas por 10-12 milhas (15-18 km), às chamadas mansiones, albergarias onde os viandantes poderiam reabastecer, saciar a fome e pernoitar. Estas mansiones estavam estrategicamente distribuídas de modo a proporcionar alimentação e repouso no fim de cada etapa do caminho que em média rondariam um pouco menos de 30 milhas (44 km); por curiosidade refira-se que este valor é muito próximo do utilizado entre estações de serviço das nossas actuais auto-estradas. E por fim as stationes que dispunham de guarnição militar para garantir a segurança e o controlo rede viária em locais perigosos ou de passagem obrigatória pelo que eram muitas vezes fortificadas.

 

 Após o fim do Império

 Com o fim do período romano, o trânsito dissemina-se por uma infinidade de caminhos secundários sem grandes artérias que o canalizem e concentrem. Os grandes trajectos que ligavam as principais cidades da península ibérica caem em desuso, ficando toda a rede de estradas segmentada em rotas mais curtas. É também aqui que começam as sucessivas alterações, processo que dura até hoje. Perdida que estava a noção de conjunto, a rede foi evoluindo de uma forma natural, sem planeamento, criando novas rotas e abrindo caminhos aqui e além reutilizando troços das antigas vias imperiais, à medida que surgiam novos focos populacionais e uma nova ordem administrativa do país começava a tomar forma durante o período Tardo-Romana e Alto-Medieval. Com as invasões muçulmanas, o fénomeno acentua-se com novas obras de restauro da via romana e mesmo a construção de novas vias, mas é claro hoje que as chamadas Estradas Mouriscas, assim designadas na Idade Média esquecida que estava a sua origem romana, correm na sua maioria pelo leito da antiga via pelo as referências em documentos medievais à «Via Mourisca» são fortes indícios de aí ter passado também a antiga via romana.

 

Da Idade Média à Idade Moderna

 Este emaranhado de Estradas perdurou pela Idade Média com sucessivos restauros ainda bem visíveis por todo o território nacional, com renovação da calçada, construção de pontes e abertura de novas estradas, formando uma rede viária que ainda hoje é visível na nossa rede de estradas. A rede viária só viria a ser reconstruída numa óptica romana a partir de meados do século XIX, com as estradas reais, recuperando a antiga lógica do caminho romano, ou seja, criando grandes trajectos, assegurando a sua manutenção e segurança e retomando o conceito das mansiones através da criação das mala-postas. As antigas Estradas Reais seguiam frequentemente o traçado antigo da via romana. Merece referência, pela sua importância na história da rede viária portuguesa, a obra de Jozé Diogo Mascarenhas Neto , «Methodo para construir as estradas em Portugal», editada no Porto em 1790 que lança as bases do sistema viário nacional a partir dos conceitos romanos.

 

No século XX

 Só nos anos 30 do século passado com o notável trabalho da JAE é que foi possível converter esta rede num sistema rodoviário uniforme, com padrões modernos de circulação e melhor sinalização através da recuperação do conceito de Miliário com os Marcos Quilométricos. Ainda hoje se podem ver muitos destes marcos nas estradas portuguesas, mas infelizmente a maioria já foi arrancada pelo que hoje voltamos a perder a noção do quilómetro nas estradas secundárias. Mas a totalidade dos conceitos introduzidos pela rede viária romana só vieram a ser integralmente aplicados com a construção da rede de auto-estradas, iniciada nos anos 60, mas que só viria a ser completada nos anos 90 com a entrada de Portugal na CEE. Enfim, demoramos quase 2000 anos a recuperar o método de construir de estradas, como aliás quase toda a engenharia romana, no entanto, é inquietante perceber que a tecnologia de construção sempre esteve aqui. Séculos de barbárie não conseguiram destruir este legado e hoje que aprendemos o que ele significa estamos a ponto de o destruir.

 

Nem todo o caminho de lajes de pedra é romano

 Aliás muitas das vias nem sequer utilizam lajes, dependendo do clima da região, dos materiais existentes na proximidade da via, da topologia do terreno e principalmente, da organização que está por detrás da sua construção.

 Talvez esta ideia tenha surgido porque nas ruas das cidades romanas, era frequente a utilização de lajes como camada final para melhorar a salubridade pública, facilitando a sua limpeza. Daqui se concluiu erradamente que toda a via romana teria que ser coberta a lajes de pedra calçada. Na realidade não há a certeza que a via romana fosse alguma vez construída com pedra calçada; Como todas as vias romanas foram construídas para veículos com rodados, este pavimento é naturalmente impróprio para a circulação de veículos com rodados a grande velocidade, pelo que se supõe ( ver artigos de Isaac Moreno Galo) que na realidade, as vias tinham um pavimento compactado, liso, suportado por uma forte estrutura.

 A tradição histórica de que todas as vias romanas eram calçadas com lajes de pedra e exemplo maior da técnica de construção romana de estradas é vista hoje como uma excepção no contexto do sistema viário romano que procurava a solução mais eficiente em termos económicos e funcionais.

 

 O uso do pavimento em lajes pedra

 Sempre que as condições do terreno assim o exigiam, (subidas, montanha, etc), foi utilizada uma camada final em lajes de pedra, mas como a maior parte das calçadas que ainda resistem são de origem medieval, ainda hoje existe esta incerteza quanto à camada final da via romana. Pelo menos sabemos que o facto de ser em calçada, nada diz sobre a origem romana do caminho. Também é possível que ao longo dos séculos este pavimento tenha a pouco e pouco desaparecido, deixando a descoberto somente a estrutura da estrada conhecida por stratal de onde deriva a palavra estrada.

 

 Como identificar sinais de romanidade?

 Caminhos estreitos e com grandes declives não são habitualmente romanos. Isto só acontece para vencer obstáculos como rios em troços de montanha; de resto tem que se ver pelo menos algumas características que mostram que a origem do traçado é romano, como um alinhamento perfeito, curvas com arcos de curvatura correctas, uma utilização subtil dos próprios acidentes de terreno (como pedras), em resumo, características que demonstram a utilização de matemática e instrumentos de medida de precisão na sua construção, marcas indubitavelmente romanas. Ver artigo de William Ramsay.

 

Técnicas Construtivas

 A sua construção obedecia aos mesmos princípios, mas com grande variedade de soluções e materiais em função do local de construção; o esquema seguinte indica uma das estruturas possíveis:

 

fossae e sulci - leito terraplenado e sulcos laterais para escoamento de água.

stratumen - camada inicial ou fundação com grandes pedras irregulares ligadas por uma argamassa.

rudus - camada de cascalho, ou fragmentos de tijolo, e uma camada de cal hidráulica bem pisada.

nucleus - argamassa de gravilha, ou areia grossa, e cal preparada a quente em camadas regulares.

stratum ou summa crusta - uma camada aplanada de pedra poligonal de granito ou quartzo.

 e eventualmente uma camada final, lisa e suave feita de cal, areia e cimento para rodados.

 Ver artigo de Adam Pawluk.

 

A discussão continua...

 O facto de um caminho antigo ser em calçada nada garante quanto à sua origem romana, na realidade a maior parte das calçadas que vemos hoje são construções medievais, mas algumas de entre elas terão sido construídas sobre a antiga via romana, recalcando o seu anterior traçado e reutilizando os materiais da antiga via. A verdade é que hoje sabemos que via romana era construída procurando a solução mais eficiente em termos económicos e funcionais, adaptando a engenharia de construção às condições no terreno e do clima envolvente, recorrendo por regra aos materiais existentes nas proximidades da via. A utilização de um revestimento em pedra calçada estaria reservada para as zonas declivosas e com forte precipitação de modo a preservar a sua integridade estrutural durante os invernos chuvosos e facilitar a passagem de carros com rodados. Estes factos podem ser observados nas diferentes soluções construtivas adoptadas no norte e no sul de Portugal: Enquanto que no Alentejo, as vias são em geral em terra batida sobre uma estrutura de rudus relativamente simples, no norte do país, prevalecem os grandes troços calçados por vezes com importantes estruturas de suporte para melhor resistirem às intempéries e permitir um traçado em altitude sobre encostas abruptas. Esta discussão sobre a caracterização das vias continua...

 

Os termos «Via» & «Calçada» nos itinerários

 Nos itinerários os termos Via & Calçada significam: •VIA - todo o caminho na rota da antiga via romana, seja em terra batida, calçada em pedra ou por estrada moderna.

•CALÇADA - todo o caminho com possível origem romana ainda com vestígios de pavimento antigo.

 

Sobre os Marcos Miliários

 

 Os miliários encontrados ao longo do trajecto são a principal evidência da passagem da via. Ao contrário de pontes e calçadas, não há dúvida quanto à sua origem romana, mas muitos estão deslocados da sua posição original, outros muito danificados, potenciando erros e aumentando as dúvidas sobre a verdadeira rota de passagem da via romana. As suas inscrições são uma fonte crucial para entender o sistema viário romano ao indicar o ponto de partida e as milhas percorridas ou, por vezes referindo os trabalhos de reparação efectuados na via, como é caso do miliário deslocado para o Solar de Bertiandos em Ponte de Lima (na imagem) na frase «vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt».

 

Sendo um reflexo do momento histórico durante o qual foram esculpidos, também neles é notória a deterioração de toda a organização do império à medida que este caminhava para o seu fim. É evidente a degradação das técnicas utilizadas quando comparamos os magníficos marcos miliários do tempo de Augusto e Adriano que integravam as grandes viae militares, com os marcos toscamente esculpidos do fim do império espalhados por uma infinidade de variantes. As sucessivas alterações políticas e administrativas, com a fundação de novas civitates e logo novos pontos de partida para a contagem das milhas, os caput viae, levam a que hoje se possa encontrar numa mesma via miliários com indicação a dois caput viae diferentes como é o caso da Via XVII que liga Braga a Chaves onde tanto há miliários indicando a distância a Braga como outros que indicam a distância a Chaves. Outro sinal destas alterações, aparecem em alguns miliários cuja marcação de milhas indica a distância, não a cidades importantes mas a fronteiras ou limites territoriais, mostrando que a rede viária estava agora a ser gerida por governos provinciais, mais preocupados com o seu território do que com a sua integração no vasto império.

 

Sobre as Pontes

 

 Ao longo dos milhares de quilómetros de vias espalhadas pelo país, existiam um grande número de pontes romanas. Infelizmente a maioria já está destruída, umas pela acção do tempo e das intempéries, outras, a maioria, destruídas propositadamente pelo homem, quer por ignorância, quer pelas sucessivas guerras e invasões que assolaram o nosso território. Assim, muitas das estruturas ditas «romanas» são na realidade toscas reconstruções efectuadas na Idade Média, ou mesmo na Idade Moderna, eventualmente em cima dos alicerces originais.

 

 O número de pontes ditas «romanas» varia muito em função dos critérios adoptados para a sua classificação e é um assunto muito pouco consensual entre os investigadores. A largura e horizontalidade do tabuleiro, a simetria do arcos, as pedras almofadadas e as marcas de fórfex são algumas das características apontadas para certificar a sua origem romana, mas é sabido que nem todas as obras romanas seguiam estritamente este padrão pelo que se torna muito difícil atestar da sua cronologia. Assim a classificação das pontes tenta separar entre pontes com nítidos indícios romanos, quer pelas técnicas construtivas usadas quer pela reutilização de materiais romanos na sua construção, respectivamente «Pontes Romanas» e Pontes «Romano-Medievais», das numerosas pontes ditas «romanas» sem que nada o suporte além de estarem inseridas na provável rota de itinerários romanos. •PONTE ROMANA, construção ou reconstrução mantendo o desenho original;

•PONTE ROMANO-MEDIEVAL, reconstrução medieval sobre fundações romanas;

 •PONTE ROMANO?-MEDIEVAL, ponte medieval, sem vestígios romanos, mas no alinhamento da rota romana.

 

As grandes pontes romanas em Portugal

 Apesar do abandono e quase por milagre em Portugal sobrevivem quatro pontes romanas de grande dimensão que mantêm a traça original, apesar de terem sofrido reparações posteriores:

 

 

 

Todas estão em perfeitas condições rodoviárias e com duas vias de circulação, ainda hoje suportam o tráfego moderno. (tragicamente não se pode dizer o mesmo de algumas pontes modernas...). Como ainda hoje estão integradas na rede nacional de estradas, o viajante menos avisado poderá já ter passado por elas sem se aperceber da sua antiguidade. É o caso da desconhecida Ponte da Pedra, perto de Torre de Dona Chama, concelho de Mirandela, que nem sequer tem uma placa indicando que a sua construção é romana. Todas receberam no entanto alterações, quase sempre pouco felizes como a alteração das guardas, dos pisos (são estradas nacionais...) até ao cimentar dos arcos como na recente intervenção na Ponte de Segura. Todas elas apresentam também fortes evidências da sua origem romana como a horizontalidade, a simetria, a modularidade construtiva e as marcas de fórfex. Ver vídeo sobre a Ponte Romana de Chaves.

 

 

 Outras pontes em Portugal

 Para além destas obras grandiosas, existe um conjunto de pequenas pontes romanas espalhadas pelo país que também merecem ser destacadas. A maioria está ao abandono, apesar de não haver dúvidas quanto à sua origem romana. Nestas pequenas pontes também é possível observar a excelente técnica de construção romana pelo que são monumentos que deveriam receber a atenção dos responsáveis pela protecção do património:

 

 Duas pontes de um só arco inseridas no Itinerário XVII entre Braga e Astorga:

 

Ponte Romana de S. Lourenço, à saída de Chaves.

 

Ponte Romana do Arquinho em Possacos, Valpaços.

 

e várias outras espalhadas pelo país como por exemplo:

 

Ponte Romana do Arco em Vreia de Jales servindo a exploração mineira de Três Minas.

 

 

Ponte Romana da Bobadela junto ao cemitério da aldeia, antiga civitas da região de Oliveira do Hospital.

 

 

 Técnicas Construtivas

 Muitas das obras eram levadas a cabo pelos legionários. Isto exigia a presença de engenheiros integrados nas legiões, transportando aos quatros cantos do mundo conhecido o saber da antiguidade e sendo por isso capazes de planear e construir obras em regiões estranhas e inóspitas, separadas por centenas de milhas, com uma enorme variedade de materiais e num curto espaço de tempo. Com a solidificação da pax romana as grandes obras públicas começaram a ser construídas pelas autoridades civis. Assim muitas outras questões interessantes se levantam, como sejam o desvendar da organização e métodos aplicados na sua construção sobre os quais ainda pouco sabemos. Todo o conhecimento de então foi entretanto perdido pelo homem, numa travessia do deserto que só viria a ser recuperado com o recente e súbito desenvolvimento tecnológico do século XX, se bem que muitos dos segredos construtivos continuem ainda por desvendar. Devido à sua durabilidade, as pontes romanas construídas em pedra são as únicas que chegaram até aos nossos dias, mas é um facto histórico que muitas das pontes romanas foram construídas em madeira (Pons Roboreus), assentes em pilares (Pons Sublicius). Infelizmente os vestígios dessas pontes são extremamente raros pelo que se torna difícil desvendar as técnicas utilizadas na sua construção. Sabemos que a madeira seria usada nas travessias mais acidentadas e quando se pretendia uma construção em tempo recorde. Por exemplo, em A Guerra das Gálias, Júlio César refere a construção de uma ponte em madeira sobre o rio Reno em 10 dias (!). Em Portugal não sabe se existiam pontes deste tipo, embora se possa suspeitar da sua existência em algumas travessias onde não temos vestígios de qualquer ponte em pedra apesar de aí passar seguramente a via romana, mas nestes casos é mais provável que a travessia se fizesse por barcas, um sistema que perdurou até ao século XX.

 

Uma cartilha de construção

 Espalhadas pela Europa e Norte de África, estas obras mostram uma cartilha de construção comum, traduzindo os conhecimentos da época que nos seus princípios gerais, tem permanecido inalterada até aos dias de hoje. Da surpreendente Ponte de Alcântara sobre o rio Tejo, próximo da fronteira Luso-Espanhola de Castelo Branco, à incrível Pont du Gard, ponte-aqueduto sobre o rio Gard em Nimes, passando pela Ponte di Nona, na Via Prenestina em Roma.

 

Puente de Alcântara, Espanha.    Ponti di Nona, Itália.       Pont du Gard, França.

 

 

Partindo de um único módulo base, um arco de volta perfeita assente em dois pilares, era possível construir pontes nos mais variados terrenos, com duas vias, perfeitamente planas e pavimentadas para tráfego rodado. Pegando nesse módulo é possível alterar a dimensão do arco e do pilar de modo a ajustar-se ao local, mas mantendo as proporções entre ambos e assim garantindo a sua robustez sem comprometer a sua horizontalidade.

 

 Ponte de Alcântara

 

 Esta técnica pode ser observada na Ponte de Alcântara que é sem dúvida o monumento mais importante da rede viária que sobreviveu até aos nossos dias. Para nossa sorte a ponte é facilmente acessível a partir de Portugal porque está localizada junto à fronteira Luso-Espanhola de Segura, a 20 km de Castelo Branco.

 

 •variando o número de arcos obtém-se a extensão necessária.

 

 

As Marcas de Fórfex

 

Uma das características mais relevantes para atestar a origem romana destas pontes são as Marcas de Fórfex. Estas são pequenas cavidades em lados opostos dos blocos de pedra, permitiam a entrada do fórfex, ou tenaz, da grua mecânica para levantamento e colocação em posição dos blocos usados na construção da ponte.

 

 

 A aplicação de tecnologia avançada, recorrendo a maquinaria pesada, permitia erguer uma ponte com grande rapidez com um número limitado de homens. A velha tradição do uso massivo de mão-de-obra escrava não tem cabimento à luz do que sabemos hoje. Assim muitas outras questões interessantes se levantam, como sejam o desvendar da organização e métodos aplicados na sua construção.

 

Que futuro para a tecnologia romana

 A tecnologia romana de construção de pontes guarda ainda muitos segredos por desvendar porque para além da eficácia óbvia da suas obras, como a durabilidade e a usabilidade, a sua eficiência é no entanto ainda mais surpreendente porque os meios utlizados são bastante reduzidos em face dos resultados, com métodos como a modularidade, a utilização de materiais locais e retirando a energia movente da força motriz dos rios, alimentando assim a maquinaria de apoio à construção. Todo este conhecimento foi entretanto perdido pelo homem, numa travessia do deserto que só viria a terminar nos nossos dias com o recente e súbito desenvolvimento tecnológico. No entanto, o modelo energeticamente eficiente da tecnologia romana continua a ser um verdadeira solução de sustentabilidade que nos poderá ser muito útil no futuro.

 

Os documentos

 

 Das fontes originais resta:

 

O Itinerário de Antonino (Itinerarium Antonini) é sem dúvida o documento mais importante para o estudo das vias romanas. Trata-se de uma compilação de itinerários entre as principais cidades do império indicando a sequência de estações de paragem ao longo da via e indicando as distâncias em milhas entre elas. Estas estações ou mansiones localizavam-se na berma da via para apoio aos viandantes pelo que nem sempre correspondem a povoados importantes, ao contrário das descrições das civitates encontradas noutros documentos como em Plínio, Estrabão e Mela) pois também existiam mansiones em zonas mais despovoadas. Dessa forma algumas das estações indicadas eram travessias de rios (como a estação Ad Atrum flumen, a oriente de Évora) ou pontes importantes (como a Ponte Neviae dos itinerários Braga-Astorga) ou próximo de pequenos vici que por essa razão, ainda hoje não conhecemos a sua localização. De facto, hoje sabemos que algumas destas estações estavam próximas de pequenos povoados, mas junto à via pelo que a localização exacta destas estações é muito difícil. (as mutationes são aparentemente ignoradas). A versão que chegou até nós é uma cópia medieval do original escrito no séc. III d.C. O seu estudo tem levantado sérias dúvidas sobre a exactidão das estações e distâncias mencionadas, sendo provável que os copistas tenham cometido erros na sua transcrição ou até introduzido correcções segundo as suas interpretações. A edição mais conhecida do itinerário foi publicado em Berlin no ano de 1848 pelos editores Gustav Parthey e Moritz Pinder com o título «Itinerarium Antonini Augusti et Hierosolymitanum»pode ser lida aqui.

 

O Corpo de Inscrições Latinas (Corpus Inscriptionum Latinarum ou CIL) é uma compilação de inscrições latinas iniciada pelo historiador alemão Theodor Mommsen em 1857. Este pediu ao seu discípulo, o epigrafista alemão Emil Hübner, para viajar para a Hispânia afim de fazer o levantamento relativo a esta região. Como resultado dessa viagem que decorreu de Março de 1860 a Outubro de 1861, é publicado em 1869 o Volume II do CIL designado por Inscriptiones Hispaniae Latinae ou CIL II. Posteriormente, em 1871, Hübner publica o Noticias archeologicas de Portugal (ver aqui em pdf - 9,8 Mb) A descoberta de novas inscrições levou Hübner a fazer mais três viagens na década de 80 das quais resultariam a publicação do Supplementum em 1892. No Corpus Inscriptionum Latinarum são referidos os miliários conhecidos na época, alguns dos quais já desaparecidos, pelo que esta obra constitui um documento crucial no levantamento da rede viária romana.

 

 A Corografia de Pompónio Mela (Pomponii Melae) foi escrita no ano 43 a.C. com o título Uma Descrição do Mundo (De Situ Orbis) sendo também conhecida por De Chorographia. Sendo originário da vizinha Baética, Mela descreve algumas cidades da Lusitânia no capítulo Hispaniae Ora Exterior. Ver aqui o seu mapa-múndi.

 

A História Natural ( Naturalis Historiae) de Caio Plínio o Velho (Caius Plinius Secundus), obra primordial em 37 livros, onde se descrevem as principais características geográficas das províncias do império romano, enumerando povos, cidades e rios. Não há referências à rede viária mas a indicação das fronteiras e respectivas distâncias, permite-nos deduzir a localização de algumas estações viárias e a sua articulação. Ler em Latim no site de Lacus Curtius e uma tradução para Inglês do site Perseus. Ver também a tradução para italiano de Lodouico Domenichi na biblioteca da FLUL; Em relação ao território português podemos ler uma breve descrição sobre o noroeste da Hispânia (Livro IV - Cap. 34) e um capítulo sobre a Lusitânia (Livro IV - Cap. 35), além de muitas outras referências que foram profundamente estudadas por Amílcar Guerra na sua obra «Plínio-o-Velho e a Lusitânia» (ver bibliografia). Nesse capítulo apresenta a seguinte descrição da Lusitânia:

 

 Começa por uma descrição geral «Universa provincia dividitur in conventus tres, Emeritensem, Pacensem, Scalabitanum, tota populorum XLV, in quibus coloniae sunt quinque, municipium civium Romanorum, Latii antiqui III, stipendiaria XXXVI. coloniae Augusta Emerita, Anae fluvio adposita, Metellinensis, Pacensis, Norbensis Caesarina cognomine; contributa sunt in eam Castra Servilia, Castra Caecilia. quinta est Scalabis quae Praesidium Iulium vocatur. municipium civium Romanorum Olisipo, Felicitas Iulia cognominatum. oppida veteris Latii Ebora, quod item Liberalitas Iulia, et Myrtilis ac Salacia, quae dixmu»(«Toda a província divide-se em três circunscrições, Emeritense, Pacense e Escabilitano, totalizando 45 povoações, entre as quais 5 são colónias, um é município com cidadania Romana, 3 detêm os antigos direitos Latinos e 26 são tributárias. As colónias são Augusta Emerita, situada junto do rio Guadiana, Metallinum, Beja e Cáceres, cognominada de Cæsariana. A quinta colónia é Scallabis, também chamada de Præsidium Julium. Lisboa, cognominada de Felicitas Julia, é Município com cidadania romana. As cidades com os antigos direitos Latinos são Évora, também chamada de Liberalitas Iulia, Mértola e Alcácer, já mencionadas anteriormente.»)

 

Segue-se uma extensa, mas não exaustiva lista de populi e civitates da Lusitânia, «Stipendiariorum quos nominare non pigeat» («entre os tributários que merecem ser mencionados estão os) «Augustobrigenses, Aeminienses, Aranditani, Arabricenses, Balsenses, Caesarobrigenses, Caperenses, Caurienses, Colarni, Cibilitani, Concordienses, Elbocori, Interannienses, Lancienses, Mirobrigenses qui Celtici cognominantur, Medubrigenses qui Plumbari, Ocelenses, Turduli qui Bardili et Tapori», cujas capitais e limites territoriais continua ainda em parte por decifrar. Ver abaixo listagem de povos romanos.

 

A Cosmografia do Anónimo de Ravena (Ravennatis Anonymi Cosmographia), obra em cinco volumes escrita no séc. VII d.C. por um desconhecido monge do Mosteiro de Ravena, provavelmente a partir de um original romano do qual se desconhece o paradeiro. O documento enumera as cidades e povoados existentes em cada região do império e apesar de não indicar as distâncias entre si é possível fazer um paralelismo entre a sequência com que são listadas com a sequência de estações viárias apresentadas no Itinerário de Antonino pelo que se torna um documento muito importante para o estudo das vias romanas. Ver aqui uma reconstrução do seu mapa-múndi.

 

 A Geografia (Geographia) de Cláudio Ptolomeu (Claudius Ptolemaeus) escrito no séc. II d.C., contendo as coordenadas geográficas das cidades e rios do mundo conhecido da época, incluindo a Lusitânia e a província Tarraconense. Ver aqui uma reconstituição de um mapa-múndi e de um mapa da Hispânia baseado nas suas coordenadas.

 

 A Geografia (Geographia) de Estrabão (Strabo), obra em 17 Livros, escrita no ano 17 d.C. Em 1878 Gabriel Pereira publicou uma tradução em «Descrição da Península Ibérica Livro 3º da Geografia de Strabão». Ver aqui a reconstituição do seu mapa-múndi.

 

 O Papiro de Peutinger ou Tabula Peutingeriana é uma cópia de um mapa romano com 7 m de comprimento efectuada em 1265 por um monge alsaciano e descoberto em 1508 por Konrad Peutinger (1465-1547) em Viena. A partir daí tomou o seu nome e passou a ser chamada de Tabula Peutingeriana. Segundo Konrad Miller que fez a primeira edição moderna em 1887, o mapa teria sido baseado num mapa-múndi de Castorius (séc. IV) sem muita fundamentação. Infelizmente o mapa não dispõe de dados sobre o território português pois falta a primeira folha onde estaria representada a Península Ibérica e a parte mais ocidental das Ilhas Britânicas. Estando mais exposta ao uso, esta primeira folha papiro acabou por chegar ao século XVI já irremediavelmente danificada. (ver aqui a hipotética reconstituição de Konrad Miller).

 

 O Itinerário de Barro de Astorga ou Tabellae de Astorga é um conjunto de quatro placas de argila, em exposição no Museu Arqueológico das Astúrias em Oviedo, contendo cada uma um itinerário da Hispânia romana, dos quais só uma contém um itinerário que passa em território nacional, a Via Asturicam ad Bracaramna Tábua IV,. Apesar da sua autenticidade ter sido sempre muito contestada, alguns historiadores como Antonio García Bellido e Albert Tranoy sustentam a sua autenticidade. Ver trabalho de Antonio García y Bellido, publicado em 1975

 

 O Itinerarium Gaditanum ou Itinerário de Gades, gravado no séc. I d.C. em quatro vasos de prata cilíndricos, chamados Vasos Apolinares por terem sido descobertos em 1852 no lago das termas Aquae Apollinares em Vicarello, perto de Roma, descreve a rota entre esta cidade e Gaditana, a actual Cádiz, pelo que também não se refere ao território Português.

 

 O De architectura ou Tratado de Arquitectura, escrito por Marcus Vitruvius Pollio, é sem dúvida o livro mais importante sobre tecnologia romana que chegou até nós. Obra escrita em dez volumes no primeiro século da nossa era. Infelizmente o autor não se refere especificamente à construção de vias, embora num capítulo sobre pavimentos aborde alguns dos princípios construtivos comuns à construção de estradas. (Ler aqui a versão original em Latim, uma tradução para Inglês ou esta tradução para Castelhano)

 

Para um maior aprofundamento do tema arquitectura e da engenharia romana ver o trabalho de Isaac Moreno Gallo.

 

Novo Curiosamente, um obra tão importante para o mundo cotemporâneo esteve sem edição em Português até 2007, ano em que Justino Maciel publicou a sua excelente tradução. - ver aqui notícia.

 

O Papiro de Artemidoro é um rolo de 2,5 m do séc. I a.C. descoberto em 1994 em Antaiopolis no alto Egipto e que apresenta um mapa da Península Ibérica, mas infelizmente não existe qualquer legenda que revele o nome dos rios, estradas e cidades nele representadas. Tornou-se assim na carta geográfica mais antiga que se conhece da antiguidade e claro também a mais antiga representação da Península Ibérica. O papiro contém também uma transcrição em grego do prólogo do Livro II da monumental obra em 11 volumes do geógrafo grego Artemidoro de Éfeso, intitulada Geographoumena hoje desaparecida e que apenas se conhecia por citação de outros autores posteriores como Estrabão. Neste texto é apresentada uma descrição geográfica da Hispânia, percorrendo os principais pontos do périplo marítimo pelo que as distâncias são apresentadas em stadia. Ver a leitura do texto feita por Luis Fraga da Silva

 

 

 O Portugaliae Monumenta Historica (PMH) é uma compilação de documentos históricos organizada por Alexandre Herculano e publicada pela Academia Real das Ciências de Lisboa em quatro grandes tomos entre 1856 e 1888, incluindo uma colecção de 952 documentos do século IX ao XII recolhidos nos cartórios conventuais do país, os «Cartularios», agrupados sobre o título de Diplomata et Chartae (DC), contendo variadíssimas informações com relevância para o estudo da viação romana porque neles há muitas referências a velhas estradas em expressões como Karraria Antiqua, Via Antiqua ou Via Mourisca.

publicado por luiscatina às 18:20

Dezembro 08 2011

 

Catina Mundi Dezembro 2011

Dezembro 09 2011

BOLETÍM CULTURAL

 CATINA MUNDI


 

  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

  Casa México- Aljuriça (Portugal)

   Casa de Mexico, casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

 

            

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

 

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são.                       ( António Aleixo)

“ Há tantos burros mandando/ Em  homens de inteligência/ Que as vezes fico pensando/ Que a burrice e uma ciência “    ( Antonio Aleixo )

Arre burro, arre burro, arre burro…………….  ( B. Costa )

“ Ao refugiar-me nos livros aprendi a fugir do mal sem o experimentar”

                                                                              Camilo C. Branco

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

                                                                               Platão

 "A leitura para mim sempre foi uma fonte de prazer, e gostaria que isso fosse uma coisa generalizada."      "Um país se faz com homens e com livros"

Monteiro Lobato

                          

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.

www.gandrasmexicocostarica.blog.sapo.pt

 

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo esencial de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.  Dicha publicación llega a los cuatro rincones del mundo  por InterNet.

 

 

 

 

Catina Mundi recorda Matilde Rosa Araújo, a escritora que revestiu as páginas dos seus livros com perfume de rosas silvestres para as crianças dos quatro cantos do mundo.(1921-2010 )

Nunca e tarde para prestar homenagem  a quatro ilustres  e talentosas figuras do nosso Pais  que deixaram marcas no Mexico.  São elas: Joao RodriguesCabrilho ou Juan Rodriguez  Cabrillo, Beatriz Costa, Fidelino de Souza Figueiredo e Joaquim de Carvalho Montezuma.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EDITORIAL

 

 

*NOTA:   Deve ler-se Estocolmo e não OSLO.

 

 

 

 

 

 

 

 

Lecciones de literatura

Por Luisa Bonilla

 

La Editorial Limusa publicó un libro titulado Literatura hispanoamericana. Se trata de un libro de texto que deberá servir para que los estudiantes de preparatoria y sus maestros finjan durante un año que les interesa leer.

En un país que se afana laboriosamente en la formación de lectores, es muy simpático que  la invitación a hacerlo se exprese en párrafos como los que siguen, copiados tal cual: 

En el Perú, César Vallejo representa la fuerza de las nuevas estéticas fincada en una poesía de tonos dramáticos como dramática fue la vida misma del poeta, desterrado por sus ideas políticas, son éstas, parte fundamental de sus temáticas.  

A Juana de Ibarborou la vemos crecer, madurar y envejecer a lo largo de sus libros de poemas porque ella es el eje central de su poesía.

Alfonsina Storni es un alma convulsa y apasionada. En ella confluyen sentimientos encontrados; el amor y el rechazo al hombre, la necesidad del varón y el orgullo de mujer que se opone a la sumisión crean una poesía que atrae precisamente por la angustia que la contradicción ofrece. Su vida terminó en un cansancio infinito y en una búsqueda obsesiva de la muerte, se suicidó metiéndose al mar.

La nueva realidad social [posterior a la revolución] necesitaba una forma de expresión representativa de sus nuevas perspectivas. Una de esas perspectivas fue el pueblo, la clase menos favorecida surge a la literatura en forma tridimensional.

Confieso que he vivido es desde su título, una declaración de principios porque efectivamente la obra de Neruda refleja eso, un caudal de experiencias de vida que son las que dan intensidad a su obra.

Octavio Paz es un poeta exigente que se obliga así mismo mucho más allá de un instante de inspiración; pretende vivir con intensidad la experiencia poética para recuperar la totalidad de ella. El hombre, Adán expulsado del Paraíso, busca la reconciliación de su cuerpo con su alma y de ésta con Dios a través de la poesía; y como el vehículo de la poesía es la palabra, en ella cifra Paz la magia y el encanto de lo poético.

El futuro no existe, ni en la novela Pedro Páramo ni en los cuentos de El llano en llamas porque la narrativa de Rulfo es fatalista. Presenta a una sociedad corrompida por la ambición, el sexo, la miseria, la guerra, la impiedad y la traición, por eso es un mundo irredento, degradado socialmente. El mundo de Rulfo no sólo es México, es la sociedad contemporánea en general.

El libro es de la autoría de la Dra. Lourdes Franco Bagnouls, coordinadora del “Seminario de Edición Crítica de Textos” del Instituto de Investigaciones Filológicas de la UNAM y miembro del Sistema Nacional de Investigadores (SNI).

¿Se puede no ser fatalista? 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AMÉRICA PRÉ COLOMBIANA - POVOS DA MESOAMÉRICA

Por História História Nota: 

 

Resumo

Maias:

 

A civilização Maia ocupava as planícies de Iucatã, quase toda a Guatemala e o ocidente de Honduras. Principais cidades: Palenque, Copan e Tical.

A organização política era baseada em cidadesestados e não como um Império.

A teocracia era a base do regime político onde o líder (Halach Uinic), que era responsável pela política externa e interna.

A sociedade Maia constituíase como uma sociedade de classes onde a elite dominante, de caráter hereditário (militares e sacerdotes), exercia seu poder sobre camponeses que viviam em estado de servidão coletiva.

O comércio era prolífero nos centros urbanos, sendo o comerciante muito respeitado na sociedade.

Sociedade dividida em: Imperador, sacerdotes, nobreza, comerciantes, guerreiros, artesãos, escravos e camponeses.

A religião e a arquitetura canalizavam toda a produção cultural.

O “Império” Maia entra em decadência a partir do século X e é conquistado definitivamente em 1546.

 

Astecas:

 

Localização geográfica: América Central, planalto do México.

Principais cidades: Tenochtitlan (capital) e Tlalecoco.

A sociedade era composta por: Imperador, sacerdotes, guerreiros, comerciantes, artesãos, camponeses e escravos.

Agricultura como base da economia, havendo um comercio de importância.

Produtos agrícolas: milho, feijão, algodão, tomate e tabaco.

A terra era coletiva e o camponês pagava seus impostos com produtos cultivados e com serviços prestados ao Estado.

Existia a escravidão por dívida ou apresamento em guerra.

A mulher ocupava um posto subalterno na sociedade sendo permitida a poligamia.

As guerras possuíam além de um motivo político, um motivo religioso.

O sistema tributário das comunidades conquistadas era frágil devido a não incorporação dessas pelo Império.

O calendário asteca possuía um ciclo que se findava a cada 52 anos; um desses ciclos coincidiu com a chegada dos espanhóis.

 

Tarefa:

 

1 Em relação a escravidão nas civilizações précolombianas

podemos afirmar que;

 

a) Os Astecas viam a escravidão como uma forma barbara de relação social.

b) A purificação da alma ocorria pelo castigo do escravo faltoso.

c) Para os Maias o não pagamento de uma dívida poderia ser punido com a escravidão do devedor.

d) Para os Astecas o escravo era uma mercadoria de troca comum nas relações comerciais.

e) O prisioneiro de guerra era submetido a escravidão somente na civilização Maia.

2 - Na sociedade asteca a religião estava presente em muitos aspectos da vida cotidiana. Diferente das sociedades européias os astecas desenvolveram práticas que pareciam estranhas e até mesmo bárbaras para os olhos dos “civilizados”. Indique a alternativa falsa quanto à religiosidade asteca:

 

a) A bebida alcóolica era usada exclusivamente pelos sacerdotes em cerimonias religiosas, aquele que consumisse tal bebida, sem autorização previa, poderia ser punido com a morte.

b) O alimento, por sua escassez, era considerado não só importante mas sagrado, sendo que sua consagração fazia parte dos rituais religiosos.

c) O Imperador asteca era visto como um deus para a população, seu poder era divino e suas decisões supremas.

d) Para os astecas a mulher era sagrada, símbolo da fertilidade e da vida.

e) A guerra possuía a função de captura de indivídu  os, que seriam usados para o sacrifício humano em festejos e consagrações religiosas.

 

Tarefa Complementar:

1(FATEC–2001) Com relação ao comércio desenvolvido pelos astecas podemos destacar que:

 

 

a) Estes contavam com várias estradas utilizadas no comércio feito por caravanas de lhamas, no deslocamento de soldados e mensageiros.

b) Em seus mercados existiam fiscais que verificavam se os pesos e medidas eram falsos e se as mercadorias eram de boa qualidade.

c) Embora ocorresse a permuta era comum a utilização de sementes de cacau ou lingotes de cobre como moeda.

d) Os comerciantes, também chamados de “pochtecas” por serem espiões, não possuíam nenhum privilégio, sendo considerados uma classe inferiorizada.

e) A cidade de Tenochtitlãn, apesar de uma vida urbana muito movimentada, não possuía um centro comercial ativo.

 

2 ­ "Os guerreiros constituíam um dos grupos mais importantes na sociedade asteca. No início, eram

 

escolhidos entre os indivíduos mais corajosos e valentes do povo. Com o tempo, entretanto, a função de guerreiro começou a ser passada de pai para filho, e apenas algumas famílias, privilegiadas, mantiveram o direito de ter guerreiros entre os seus membros."

(KARNAL, Leandro. A CONQUISTA DO MÉXICO. São Paulo: FTD, 1996. p. 13.)

 

O texto faz referência à sociedade asteca, no século XV, a

qual era:

a) guerreira e sacerdotal, formada de uma elite política que governava com tirania a massa de trabalhadores escravos negros.

b) igualitária e guerreira, não reconhecendo outra autoridade senão a sacerdotal, que também era guerreira.

c) comunal, com estruturas complexas, sendo dirigida por um Estado que contava com um aparelho administrativo, judiciário e militar.

d) hierarquizada e guerreira, visto que o Imperador era, ao mesmo tempo, o general do exército asteca e o sumo pontífice sacerdotal.

e) igualitária, guerreira e sacerdotal: todo guerreiro era um sacerdote e todo sacerdote era um guerreiro.

 

3 ­ (UNICAMP1994)

a) A respeito dos Astecas, comente as características urbanas de Tenochtitlán.

b) Por que foi fundamental para os espanhóis construir a cidade do México sobre Tenochtitlán?

 

 

Por: AngloVinci

publicado por luiscatina às 16:50

Novembro 09 2011

BOLETÍM CULTURAL

 CATINA MUNDI


  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

  Casa México- Aljuriça (Portugal)

   Casa de Mexico, casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

 

             

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

 

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são.                       ( António Aleixo)

“ Há tantos burros mandando/ Em  homens de inteligência/ Que as vezes fico pensando/ Que a burrice e uma ciência “    ( Antonio Aleixo )

Arre burro, arre burro, arre burro…………….  ( B. Costa )

“ Ao refugiar-me nos livros aprendi a fugir do mal sem o experimentar”

                                                                              Camilo C. Branco

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

                                                                               Platão

 "A leitura para mim sempre foi uma fonte de prazer, e gostaria que isso fosse uma coisa generalizada."      "Um país se faz com homens e com livros"

Monteiro Lobato

                           

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR. 

www.gandrasmexicocostarica.blog.sapo.pt

 

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo esencial de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.  Dicha publicación llega a los cuatro rincones del mundo  por InterNet.

 

 

 

 

Catina Mundi recorda Matilde Rosa Araújo, a escritora que revestiu as páginas dos seus livros com perfume de rosas silvestres para as crianças dos quatro cantos do mundo.(1921-2010 )

Nunca e tarde para prestar homenagem  a quatro ilustres  e talentosas figuras do nosso Pais  que deixaram marcas no Mexico.  São elas: Joao RodriguesCabrilho ou Juan Rodriguez  Cabrillo, Beatriz Costa, Fidelino de Souza Figueiredo e Joaquim de Carvalho Montezuma.

 

EDITORIAL

 

Cantai por Portugal

 

Miguel Sousa Tavares diz que Portugal é um País subdesenvolvido com grande défice de cultura. A destruição do nosso património natural e histórico, um pouco por todo o lado, e quase sempre, de origem interesseira, criminosa e compadria, vem afirmar o pensamento crítico-social do literato lisbonense.

Os nossos bosques primários e secundários  estão cada vez mais comprometidos com as agressões lucrativas e impulsivas do Homo Destructor.  Os fogos do passado Verão ameaçaram aldeias e destruíram os haveres de muitos camponeses que ainda praticam uma agricultura de sobrevivência  por esse Portugal  adentro. Todos os anos é mesma sina assassina: chega o Verão, nasce o medo e o sofrimento em todas as aldeolas montanhesas deste reino chamuscado!

As nossas Leis para nadam servem e os Tribunais são brandos com os criminosos e brutos com os inocentes. Os juízes têm pouca cultura geral, pouca experiência de vida e  não  lêem livros  escritos por  grandes vultos da Literatura Universal: Mario Vargas Llosa, Octavio Paz,  Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Miguel de Unamuno, J. J. Rousseau, José Martí, Jorge Luis Borges. A nossa Democracia  não funciona  devido a tanta impunidade, tanta ignorância.

Portugal, a Suiça Ibérica, revela grande inépcia para proteger a Mãe Natureza. Há muita falta de sensibilidade  para preservar a nossa flora e fauna, incluindo os sensíveis ecossistemas. As áreas ardidas de matas, pinhais e eucaliptais nestes últimos anos  virão certamente por em risco todo o equilíbrio ecológico do território. Os nossos políticos de São Bento são gente com pouca categoria, e levam séculos a tomar medidas concretas e responsáveis para para proteger o património florestal e defender os camponeses que vivem do bosque.

No presente século XXI, a erosão já mostra, em algumas regiões do nosso território, sinais negativos: solos improdutivos e falta de humidade. Na região Gândara/Bairrada  ainda não se nota grande alteração da destruição da cobertura vegetal. Caso a nossa  Justiça não comece a julgar e condenar  todos aqueles que cometem crimes contra a  Mãe Natureza, a destruição de bosques primários e secundários, e das paisagens empobrecerá o oxigénio puro que respiramos e anunciará a desertificação geral. Não devemos esquecer-nos que as árvores são a maior fábrica de oxigénio natural que existe no nosso planeta.

Portugal está pobre sob vários aspectos. Vivemos uma crise de valores, uma crise económica, crise de liderança. Vivemos num reino do ter e não do ser: Se tenho, existo; se não tenho, não existo. Este não é o novo Portugal democrático , onde se ignoram os Direitos e as Leis.  E à medida que os dias se vão transformando em semanas, as  semanas em meses  e ao meses em anos , este é o Portugal libertino que deixa lágrimas e  cicatrizes na Alma do bom povo lusíada.

Vai-te Portugal!

 

 

 

 

Biodiversidade e funcionamento dos ecossistemas

O termo biodiversidade é hoje em dia amplamente utilizado por cientistas, políticos e opinião pública em geral. Existe a ideia generalizada de que a preservação da diversidade biológica é benéfica para a humanidade. Um dos argumentos mais usados na defesa e preservação da biodiversidade é o argumento utilitário. A variedade de formas de vida é fonte de alimentos ou produtos necessários à sobrevivência da humanidade. O desenvolvimento de vacinas, antibióticos ou outros medicamentos, por exemplo, está dependente da existência de diversidade biológica. E mesmo que actualmente existam recursos biológicos que não tenham uso conhecido, deverão mesmo assim ser preservados como opção para uso futuro. O tratamento para determinada doença incurável hoje em dia, por exemplo, poderá resultar da descoberta de um produto derivado de uma planta que actualmente não tem utilização. Outros argumentos, frequentemente usados para justificar a preservação da diversidade biológica, são de carácter ético e filosófico. Este tipo de argumentação defende que as espécies têm valor intrínseco, apenas pelo facto de existirem, independentemente do uso ou benefícios directos que delas possam derivar. A diversidade biológica é fonte de inspiração artística, cultural ou científica e também por estas razões deverá ser preservada. Há espécies animais ou vegetais que são também escolhidas para símbolos de organizações e países. O peneireiro-cinzento, símbolo da Liga de Protecção da Natureza ou o panda, símbolo do World Fund for Nature por exemplo, são espécies emblemáticas.



A comunidade científica defende que a preservação da diversidade biológica é fundamental para o funcionamento dos ecossistemas. Por exemplo, os ciclos da água e do ar, a reciclagem de nutrientes, estão dependentes da existência da variedade de espécies. Existem várias hipóteses que relacionam o número de espécies com a funcionalidade do ecossistema. A hipótese nula defende que o funcionamento do ecossistema é independente do número de espécies nele presente. Isto é, a presença de um número mais elevado de espécies no ecossistema não torna mais eficiente, por exemplo, a reciclagem de nutrientes. Em contrapartida, outras hipóteses assumem que todas as espécies desempenham um papel importante e que existe uma relação positiva entre o número de espécies e a funcionalidade do ecossistema. Há autores (os norte-americanos Ehrlich e Ehrlich) que comparam as espécies aos parafusos da asa de um avião no que denominam por hipótese "rivet": existe um determinado número de parafusos que pode ser desenroscado antes que alguma coisa grave aconteça à asa e eventualmente o avião caia. Cada espécie desempenha um papel e o conjunto de todas as espécies é essencial à manutenção e funcionamento do ecossistema. Outros autores argumentam que as espécies estão organizadas em grupos funcionais ou seja, grupos que desempenham funções particulares no ecossistema. É o caso, por exemplo, das plantas como as leguminosas, capazes de fixar o azoto atmosférico. Desde que pelo menos uma espécie representante de cada grupo funcional esteja presente, a identidade e o número total de espécies presentes no ecossistema perde importância. Esta hipótese é frequentemente denominada por hipótese da redundância. Estas hipóteses foram sobretudo pensadas para condições ambientes "estáveis". Mudanças cada vez mais rápidas nas formas de uso e a previsão de alterações de clima levaram à formulação da hipótese do seguro ("insurance hypothesis"). Esta hipótese considera que embora possam existir actualmente espécies com funções semelhantes (e redundantes), no futuro e sob conjunturas diferentes (alterações climáticas, por exemplo) estas mesmas espécies poderão vir a desempenhar funções únicas no ecossistema. Por esta razão, e como medida de segurança, todas as espécies devem ser preservadas.

 

 

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=186235971458008&set=a.185908821490723.47112.100002148207249&type=1&theater

publicado por luiscatina às 16:15

Outubro 11 2011

BOLETÍM CULTURAL

 CATINA MUNDI


  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

  Casa México- Aljuriça (Portugal)

   Casa de Mexico, casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

 

             

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

 

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são.                       ( António Aleixo)

“ Há tantos burros mandando/ Em  homens de inteligência/ Que as vezes fico pensando/ Que a burrice e uma ciência “    ( Antonio Aleixo )

 “ Ao refugiar-me nos livros aprendi a fugir do mal sem o experimentar”

                                                                              Camilo C. Branco

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

                                                                               Platão

 "A leitura para mim sempre foi uma fonte de prazer, e gostaria que isso fosse uma coisa generalizada."      "Um país se faz com homens e com livros"

Monteiro Lobato

                           

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.  (GANDRASMEXICOCOSTARICA.BLOGS.SAPO.PT)

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo esencial de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.  Dicha publicación llega a los cuatro rincones del mundo  por Internet.

 

 

 

 

Catina Mundi recorda Matilde Rosa Araújo, a escritora que revestiu as páginas dos seus livros com perfume de rosas silvestres para as crianças dos quatro cantos do mundo. (1921-2010 )

Nunca e tarde para prestar homenagem  a quatro ilustres  e talentosas figuras do nosso Pais  que deixaram marcas no Mexico.  São elas:  João Rodrigues Cabrilho ou Juan Rodriguez  Cabrillo, Beatriz Costa, Fidelino de Souza Figueiredo e Joaquim de Carvalho Montezuma.

 

 

 

 

 

 

Editorial

 


Viver e penar na Gândara

 

Estes dias de calor outonal tórrido estão a prejudicar penosamente a vida de todos aqueles mortais que vivem da terra e necessitam de preparar as parcelas  de terras sementeiras para nabais e  couvais. Na Gândara litorânea a água é uma bênção abençoada e regalada: alimenta os aquíferos, húmida as valas e aduba a terra como nenhum fertilizante químico. Porém, na sequência de tanto calor e pouca chuva, nas valas corre pouca água os poços de rega estão a secar a cada dia que passa. O atraso das chuvas outonais arruinou os olivais e  está agora  a arruinar a produção de frutos citrinos . É uma situação calamitosa que prevê um futuro negro para a agricultura de subsistência em toda a região gandareza.

Deus queira que não voltem os tempos negros dos anos 50, em que muitas famílias gandaresas se alimentavam de cardos, leitarigas e saramagos para não morrer de fome. Lembro-me dos meus tempos de menino que em nossa casa só se comia, a cada dia,  sopa de couve com feijão seco e batatas cozidas com meia sardinha escalada. Carne de  galinha caseira somente pelo Natal e pela Pascoa. Hoje, os nossos filhos e netos abusam da carne, por isso correm para os postos de saúde e hospitais com diabetes, colesterol e intoxicações alimentares. Pudera! O nosso organismo é água e não ferro.  O ser humano sofre muito por ignorância!...

A senda da história agrícola da Gândara está gravada nas obras de Carlos de Oliveira, contada  com as vivas e sentimentalizadas emoções de quem de perto  sentiu na alma as penosas lides nos desbravados campos desta nossa desconhecida Gândara.

 

 

 

Carlos de Oliveira

 

Nome: Carlos Alberto Serra de Oliveira

Nascimento: 10-8-1921, Belém do Pará, Brasil

Morte: 1-7-1981, Lisboa

 

Poeta e romancista, veio para Portugal com dois anos de idade. Até à sua partida para Coimbra, onde se licenciaria em Ciências Histórico-Filosóficas, a região da Gândara, terra árida e pobre, onde o pai exerceu clínica, marcou profundamente a sua formação, vindo a constituir o cenário privilegiado da sua produção romanesca e poética. A sua estreia literária, na poesia, com Turismo, em 1942, e, no romance, com A Casa na Duna, em 1943, editados, respetivamente, pelas coleções "Novo Cancioneiro" e "Novos Prosadores", coleções consideradas ambas marcos no processo de afirmação da estética neorrealista, inscreve-o numa tradição literária que, na senda de Afonso Duarte (o "Mestre") ou Miguel Torga, conjuga, temática e formalmente, elementos populares e rurais com uma postura de modernidade. Colaborou, entre outras publicações, com Vértice, Seara Nova, Altitude, Portucale ou Cadernos do Meio-Dia. Segundo Manuel Gusmão, gerada no neorrealismo, a poesia de Carlos de Oliveira evoluiu em conexão com as várias tendências que marcaram a poesia portuguesa desde os anos 50 e até aos movimentos afirmados após os anos 60, num processo que apontaria para uma expressão onde "a poesia vai assumindo explicitamente a consciência de si como um trabalho específico, vai desagregando o discursivismo anterior, vai encontrando, na fragmentação e na descontinuidade e, ao mesmo tempo, no construtivismo interno, o tempo histórico da nossa contemporaneidade poética" (GUSMÃO, Manuel - A Poesia de Carlos de Oliveira, Lisboa, Ed. Comunicação, 1981, p. 25). O mesmo crítico divide a produção poética de Carlos de Oliveira em duas fases distintas, embora caracterizadas por certa unidade. Num primeiro momento, que englobaria as obras publicadas até Terra da Harmonia e Ave Solar, a escrita de Carlos Oliveira é marcada pela relação com uma tradição literária, popular e culta, clássica e moderna, numa relação pautada, a nível formal, pelo recurso a formas técnicas firmadas nesta tradição, embora com preferência pelo longo poema narrativo; e, a nível enunciativo, pela correlação entre o sujeito poético e a entidade coletiva ("Acusam-me de mágoa e desalento, / como se toda a pena dos meus versos / não fosse carne vossa, homens dispersos, / e a minha dor a tua, pensamento." ("Colheita Perdida", in Poesias). Ao mesmo tempo, esse conjunto aponta já para a recorrência de elementos que integram o mundo inorgânico, mineral e cósmico, apresentando uma rede de imagens que se organiza "por uma série de tensões dialéticas entre a realidade e o sonho (o apelo) de uma nova realidade, entre a vida e a morte, entre a esperança e o desespero" (GUSMÃO, Manuel, op. cit., p. 66), numa tentativa ainda de perceber "o que no real é fator de imobilidade (e logo de prolongamento da miséria, da estagnação), fator de decadência" ou fator, raiz, esperança de movimento e de transformação (id. ibi., p. 67). A segunda fase da sua poesia é pautada por uma "procura intensificada da depuração e da concentração expressiva "(id. ibi., p. 68), tendência que se reflete no "rigor de construção", no estilo mais elíptico e substantivo, mais "minucioso na escolha e ordenação das palavras" (id., ibi., p. 69), sendo que "a menor e regular dimensão dos poemas ou dos seus fragmentos-unidades internas, no caso dos poemas 'compostos', facilitam e produzem uma mais intensa tensão rítmica e expressiva interna". Neste momento, marcado por certo pendor auto-reflexivo, "o poema agudiza a consciência de si como trabalho específico sobre materiais próprios e com instrumentos próprios" (id. ibi., p. 70), num privilégio da relação "poesia-escrita", em detrimento da relação "poesia-voz"; ao mesmo tempo que o sujeito poético, privilegiando as referências ao mundo mineral e mineralizado, integra um "processo de 'apagamento'" (id., ibi., p. 72): "Se o poema / analisasse / a própria oscilação / interior, / cristalizasse / um outro movimento / mais subtil, / o da estrutura / em que se geram / milénios depois / estas imaginárias / flores calcárias, / acharia / o seu micro-rigor" ('Estalactite', in Micropaisagem). Muitos destes traços de caracterização sobre a evolução da estética poética de Carlos de Oliveira transparecem também na escrita romanesca, estabelecendo também, sem pôr em causa o seu empenhamento, em romances como Uma Casa na Duna, Pequenos Burgueses ou Uma Abelha na Chuva, uma abertura relativamente a certos modelos técnico-narrativos que o neorrealismo inicial tinha postergado, como o uso do monólogo interior e da focalização interna, a individualização da personagem (sem recusar o seu carácter de tipo social), ou a intrusão do discurso do narrador. Sintetizando, no volume O Aprendiz de Feiticeiro, muitas das reflexões sobre a sua postura estética, enumera do seguinte modo os aspetos que o definem como escritor: "a) o meu ponto de partida, como romancista e poeta, é a realidade que me cerca; tenho de equacioná-la em função do passado, do presente e do futuro; e, noutro plano, em função das suas características nacionais ou locais; b) o processo para a transpor em termos literários está sujeito a um condicionamento semelhante ao dela e até ao condicionamento dela [...]; c) é essencial porém não esquecer estas duas coisas: a realidade cria em si mesma os germes da transformação; o processo consiste em [...] captá-los e desenvolvê-los num sentido autenticamente moderno; d) não concebo uma literatura intemporal, nem fora de certo espaço geográfico, social, linguístico; quer dizer, não a vejo inteiramente desligada das condições de tempo, de lugar; [...] o processo, para ter alguma validez, necessita portanto de atender às circunstâncias de época e de país, precisa de ser atual e português; f) não pode ignorar [...] a tradição literária, culta e popular [...]; g) por outro lado, sempre se fez ao longo da história literária aquilo a que chamarei 'transfusão cultural', isto é, emigração de ideias, homens, formas, estéticas, de país para país" (O Aprendiz de Feiticeiro, Lisboa, Dom Quixote, 1971, pp. 93-94). Escritor que não desistiu de ligar todos os seus pensamentos "ao mundo comum, quotidiano: os objetos, a paisagem, os homens." (ibi., p. 35), e que sempre entendeu "mal a incompatibilidade entre uma ideia ou uma imagem e a busca das palavras que as tornam cintilantes." (ibi., p. 90), na sua obra avultam, em suma, dois traços maiores, o "trabalho oficinal, trabalho que consiste quase sempre em alcançar um texto muito despojado e deduzido de si mesmo, o que [...] obriga por vezes a transformá-lo numa meditação sobre o seu próprio desenvolvimento." (ibi., p. 268), o que conflui tendencialmente num sentido profundo da "brevidade"; e uma problemática unitária: a da "imagem", já que, "mais do que informarem o sentido vital da poesia e de toda a obra de Carlos de Oliveira, as imagens constituem o mais constante corpo teórico e temático da sua obra", seja pelo carácter simbólico ou exegético-divinatório assumido pela descrição, seja globalmente por um "processo total da inscrição imagem / palavra" segundo o "modelo da cifra" (cf. BRANDÃO, Fiama Hasse Pais, "Nexos sobre a obra de Carlos de Oliveira", in Colóquio /Letras, n.º 26, julho de 1975, p. 64).

 

 

 

O significado dos fósseis


 

O primeiro contato do homem com a paleontologia foi através dos fósseis. Organismos preservados ou “esculpidos” nas rochas intrigavam quem os achava. Ao longo do tempo muitas explicações foram dadas Para explicar o que eram os fósseis e como eles vieram parar ali. Acontece que muitas dessas explicações apareciam na forma de lendas ou mitologia. Na China, por exemplo, ossos fossilizados de mamíferos primitivos, incluindo nosso ancestral Homo erectus eram frequentemente confundidos com ossos de dragões e usados como afrodisíacos ou na medicina. No ocidente a presença de organismos petrificados no alto das montanhas era tidos como prova do dilúvio bíblico.

 

O grego Xenofonte (540-480 a.C.) reconheceu que algumas conchas encontradas nas rochas eram de animais marinhos, indicando que o continente já deveria ter sido mar. As escolas aristotélicas e neolatônicas de filosofia defendiam a ideia de que objetos petrificados deveriam crescer no interior da terra para lembrar organismos vivos. Para os neoplatônicos deveria haver afinidades entre o vivo e o petrificado e, por isso, eram semelhantes. Para os aristotélicos as sementes dos organismos vivos entravam na terra e geravam objetos parecidos com eles. Mas o próprio Aristóteles observou semelhança entre as conchas petrificadas e aquelas que ele via na praia e sugeriu que os fósseis um dia foram organismos vivos. Durante a idade média os fósseis foram discutidos por Avicena (alquimista árabe, 981-1037) propondo como animais teriam ido parar dentro das rochas. Ele modificou uma ideia de Aristóteles que havia explicado tal fato como sendo causado por exalações de vapor. A modificação de

 

Avicena resultou na teoria dos fluídos petrificados (succus lapidificatus), a qual foi melhor elaborada por Albert de Saxony no século 14 e foi aceita por muitos naturalistas até o século 16. A explicação de Avicena foi a seguinte:

 

"If what is said concerning the petrifaction of animals and plants is true, the cause of this (phenomenon) is a powerful mineralizing and petrifying virtue which arises in certain stony spots, or emanates suddenly from the earth during earthquake and subsidences, and petrifies whatever comes into contact with it. As a matter of fact, the petrifaction of the bodies of plants and animals is not more extraordinary than the transformation of waters.” (Se o que é dito sobre a petrificação de animais e plantas é verdade, a causa disso é um poderoso agente de mineralização e petrificação que atinge certos locais rochosos, ou emana repentinamente da terra durante terremotos e subsidências, e petrifica o que entrar em contato com ele. De fato, a petrificação de corpos de plantas e animais não é mais extraordinário do que a transformação das águas.)

 

O naturalista chinês Shen Kuo (1031-1095) usou fósseis em várias ocasiões. Inicialmente analisou fósseis marinhos encontrados em montanhas para sugerir processos geológicos que levantassem a crosta do planeta ao longo do tempo. Por outro lado, analisando bambu petrificado concluiu sobre variação do clima no passado.

 

Como resultado de um esforço comum no século 16, naturalistas começaram a fazer grandes coleções de fósseis. Contudo, muitos deles não reconheciam os fósseis como restos de organismos vivos. A palavra fóssil significa algo que deve ser desenterrado e, conforme essa definição indica, o termo foi aplicado para uma grande variedade de “pedras” e objetos similares sem se importar se eles teriam uma origem orgânica. Escritores famosos do século 16 como Conrad Gesner e Georg Bauer (Agricola) (alemão, químico, séculos 15-16) estavam mais interessados em classificá-los por suas propriedades físicas e místicas do que determinar sua origem. Em seu livro “Metalurgia”, Agricola coloca os princípios que serviriam, mais tarde, para a moderna geologia e paleontologia.

 

Visões mais específicas de fósseis surgiram durante o Renascimento. Leonardo da Vinci (1452-1519), concordando com a opinião de Aristóteles e outros, também fez referência aos fósseis concluindo que algumas conchas petrificadas eram restos de animais marinhos. Apontou, ainda, desacordo entre o uso da narrativa do dilúvio bíblico como explicação para a origem dos fósseis.

 

 *Duna Fóssil perto do lugar de Zambujal, Cadima

 

 

*Há milhões de anos o mar invadia a Gandara litorânea. Foto: Fósseies encontrados na zona de Zambujal, Cadima

 

 

 

 

 

Cavaleiros da Ordem do Infante Dom Henrique


 

Exmo. Sr. Presidente da República, Dr. Aníbal Cavaco Silva :  O meu nome é Catarina Patrício, sou licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, fiz Mestrado em Antropologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sou doutoranda em Ciências da Comunicação também pela FCSH-UNL, projecto de investigação "Dissuasão Visual: Arte, Cinema, Cronopolítica e Guerra em Directo" distinguido com uma bolsa de doutoramento individual da Fundação para a Ciência e Tecnologia. A convite do meu orientador, lecciono uma cadeira numa Universidade. Tenho 30 anos.

Não sinto qualquer orgulho na selecção de futebol nacional. Não fiquei tão pouco impressionada... O futebol é o actual ópio do povo que a política subrepticiamente procura sempre exponenciar. A atribuição da condecoração de Cavaleiro da Ordem do Infante Dom Henrique a jogadores de futebol nada tem que ver com "a visão de mundo" (weltanschauung) que Aquele português tinha. A conquista do povo português não é no relvado. Sinto orgulho no meu percurso, tenho trabalhado muito e só agora vejo alguns resultados. Como é que acha que me sinto quando vejo condecorado um jogador de futebol? Depois de tanto trabalho e investimento financeiro em estudos?!! Absolutamente indignada.

Sinto orgulho em muitos dos professores que tive, tanto no ensino secundário como no superior. Sinto orgulho em tantos pensadores e teóricos portugueses que Vossa Excelência deveria condecorar. Essas pessoas sim são brilhantes, são um bom exemplo para o país... fizeram-me e ainda fazem querer ser sempre melhor. Tenho orgulho nos meus jovens colegas de doutoramento pela sua persistência nos estudos, um caminho tortuoso cujos resultados jamais são imediatos, isto numa contemporaneidade que sublinha a imediaticidade. Tenho orgulho até em muitos dos meus alunos, que trabalham durante o dia e com afinco estudam à noite....

 

São tantos os portugueses a condecorar...

 

E o Senhor Presidente da República condecorou com a distinção de Cavaleiro da Ordem do Infante Dom Henrique jogadores de futebol... e que alcançaram o segundo lugar... que exemplo são para a nação? Carros de luxo, vidas repletas de vaidades... que exemplo são?!

Apresento-lhe os meus melhores cumprimentos,

Catarina                (*) Artigo publicado no semanário Notícias do Douro

 

  • É uma vergonhosa vergonha o Presidente da  República  Portuguesa condecorar jogadores de futebol e outros tais. " O autor do blog"
* NOTA: O Prof. Cidalino Madaleno publicou no quinzenário AuriNegra  de 28 de outubro 2011 um artigo de opinião, titulado VOZES DE BURRO... sobre o affaire da condercoração  da Ordem do Infante Dom Henrique a jogadores de futebol.
publicado por luiscatina às 19:44

Setembro 02 2011

BOLETÍM CULTURAL

CATINA MUNDI


Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

Casa México- Aljuriça (Portugal)

Casa de Mexico, casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

(O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

 

             

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

 

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são.                       ( António Aleixo)

“ Há tantos burros mandando/ Em  homens de inteligência/ Que as vezes fico pensando/ Que a burrice e uma ciência “    ( Antonio Aleixo )

Arre burro, arre burro, arre burro…………….  ( B. Costa )

“ Ao refugiar-me nos livros aprendi a fugir do mal sem o experimentar”

                                                                              Camilo C. Branco

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

                                                                               Platão

 "A leitura para mim sempre foi uma fonte de prazer, e gostaria que isso fosse uma coisa generalizada."      "Um país se faz com homens e com livros"

Monteiro Lobato

                           

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR. 

www.gandrasmexicocostarica.blog.sapo.pt

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo esencial de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.  Dicha publicación llega a los cuatro rincones del mundo  por InterNet.

 

 

 

 

Catina Mundi recorda Matilde Rosa Araújo, a escritora que revestiu as páginas dos seus livros com perfume de rosas silvestres para as crianças dos quatro cantos do mundo.(1921-2010 )

Nunca e tarde para prestar homenagem  a quatro ilustres  e talentosas figuras do nosso Pais  que deixaram marcas no Mexico.  São elas: Joao RodriguesCabrilho ou Juan Rodriguez  Cabrillo, Beatriz Costa, Fidelino de Souza Figueiredo e Joaquim de Carvalho Montezuma.

Casa México convida-o, leitor a visitar Cadima ( antiga Catina romana) através das fotos que colocámos nesta página e que  constituem o reconhecimento da importância da actual  Cadima e da sua história.

O caminho dos moleiros—percurso pedestre com inicio em  Aljuriça  prolongando-se por atalhos de natureza silvestre até  às Fervenças.

 

 

 

 

Editorial

 



Figuras Ilustres de Cadima


Aristides Salvador ( Quinta da Corga 1888- 1980 )

 

Aristides Salvador foi um mortal que viveu grande parte da sua vida  na quinta da Corga, dedicando-se á agricultura, à apicultura e ao ensino público. Na sua juventude viajara por alguns países da Europa Central.

Homem do seu tempo, muito solitário, pouco conversador, nas seus labores e passeios diários fazia-se transportar numa caleche  puxada por um só cavalo, muito parecida às existentes na cidade de Nova Orleães, Estado da Luisiana( EUA).

Aristides Salvador  licenciara-se em Agranomia. Defensor das causas e dos direitos dos de abaixo, sendo, em certo grau, contra a ideologia salazarista, prova de que era um cadimense puro, valente e simples como as ovelhas que apascentavam na sua quinta!.

Ainda que este ilustre cadimense   não simpatizásse muito com Salazar, não deixou de merecer a confiança e o respeito do povo e dos homens de posses daqueles tempos terríveis , tendo tido o  glorioso mérito de ser eleito presidente de Junta da Freguesia de Cadima, e convidado para leccionar francês no antigo colégio Infante de Sagres, em Cantanhede.

A  casa onde vivera continua de pé, não tendo características algumas da arquitectura tradicional portuguesa de princípios de século XX. A planta da casa apalaçada fora desenhada pelo saudoso  arquitecto Amoroso Lopes, que  mostra traços da arquitectura colonial  norte-americana.

De visita ao Estado da Luisiana, antigo território pertencente à França, notei que os palacetes existentes nos arredores de Nova Orleães  mostravam no seu aspecto exterior uma determinada tipologia de cantaria muito parecida à existente na  casa da quinta da Corga. É de imaginar que o dr. Aristides Salvador e o  arquitecto Amoroso Lopes tenham copiado o modelo da casa de alguma revista inglesa ou americana.

Presentemente, a quinta da Corga apresenta um cenário de abandono total, excluindo apenas  a casa que fora restaurada  há poucos anos pelo seu novo proprietário.

A quinta da corga   chegou a ser uma das  propriedades muralhadas de maior dimensão em toda a freguesia de Cadima, tendo durante a Segunda Guerra Mundial matado a fome a muitíssimas famílias camponesas dos lugarejos vizinhos de Aljuriça, Cabeça Alta, Corga, Cadima, Taboeira e Porto do Sobreiro.

 

 

 * Dr. Aristides em Paris em 1929.                               * Casa senhorial onde vivera Aristides Salvador

 

 

 

Valorando la Música Paraguaya

 

  


VICTORINO ABENTE Y LAGO

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=USrSGaBHLUI&feature=player_detailpage (Musica Paraguaia (youtube)

 

 

 

Nació el 2 de Junio de 1846, en el pueblo de Mugia, cerca del puerto de La Coruña, provincia de Galicia, España. Hijo del Doctor, Médico, Don Leandro Abente y Doña Manuela de Lago. Sus abuelos paternos fueron Don Isidro Abente y Doña María Chans, siendo sus abuelos maternos Don Vicente de Lago y Doña Isidora Díaz.

 

A fines de 1866, a los 20 años de edad, salió de España, por no querer seguir la carrera eclesiástica; se embarcó en barco que se dirigía a América, sin saber dónde mismo, llegó a Cuba, donde permaneció poco más de dos meses.

 

Su idea, llegar a América del Sur y de allí al Paraguay. En Cuba embarcóse rumbo hacia aquel sitio y como carecía de dinero para abonar su pasaje, se empleó como lavaplatos. Así llegó a Buenos Aires en los primeros meses de 1867. Como no podía viajar al Paraguay, por encontrarse en guerra, buscó y halló un empleo en un almacén de un compatriota.

 

Estando allí trabajando, publicó en un diario porteño, su primera poesía en América, titulada "A BUENOS AIRES" y poco después el soneto "A MI MADRE". La publicación de estas poesías, atrajo la atención del Señor Lezama, rico comerciante español radicado en la capital argentina y que en ese entonces era el proveedor general del ejército argentino en campaña contra el Paraguay. Este señor lo buscó y lo contrató como secretario.

 

En Marzo de 1869, cuando los aliados ocupaban Asunción, el señor Abente vino a nuestra ciudad con la proveeduría argentina, llegando en los momentos más difíciles de la Asunción, donde todo era desolación y miseria, saqueada y vejada por los soldados argentinos y brasileros. Poco después el Comandante argentino pretendió obligarlo a escribir en un periódico que aparecería en esos días, defendiendo los intereses argentinos contra el Paraguay y contra el Mariscal López. Abente se negó rotundamente y por cuyo motivo fue despedido de su empleo.

 

Por recomendación de un médico español, amigo suyo, fue a establecerse en la casa de la viuda del coronel polaco Luis Mywskozki, que había muerto en Curupayty, en defensa del Paraguay; allí vivió una larga temporada casándose con la hija mayor, Isabel.

 

Abente ya quedó radicado para siempre en Asunción. Colaboró en varios periódicos de la capital, publicando en varios de ellos un gran número de poesías de distinta índole. Se radicó en Areguá en 1918 ó 1919, donde falleció su esposa en 1931, volviendo a Asunción, en casa de su hija mayor Doña Manuela Abente de Samaniego, situada entonces en calle Tacuarí casi 25 de Mayo.

 

Realizó dos viajes a España, en 1884 y en 1907, con intenciones de radicarse allá, pero la nostalgia del Paraguay y su cariño a esta su nueva patria, lo obligaron a volver, ya para no salir más de nuestro país. Tuvo la felicidad de ver triunfante al Paraguay en su guerra contra Bolivia, falleció el 22 de Diciembre de 1935.

 

 

 

Ortografía es cortesía


Don Jean-Jacques Rousseau fue un tanto incómodo, de ubicación asaz difícil, como ese florero azul eléctrico, con geranios fucsias de plástico, que nos regala un sobrino aquejado de estética maligna. Uno no sabe dónde poner aquel florero pues todo lugar huye de él como si el mal gusto fuese la causa de la expansión del universo. Hay floreros que se parecen a los milagros en que son imposibles, pero existen.

Don Jean-Jacques Rousseau fue un tanto incómodo, de ubicación asaz difícil, como ese florero azul eléctrico, con geranios fucsias de plástico, que nos regala un sobrino aquejado de estética maligna. Uno no sabe dónde poner aquel florero pues todo lugar huye de él como si el mal gusto fuese la causa de la expansión del universo. Hay floreros que se parecen a los milagros en que son imposibles, pero existen.

Monsieur Rousseau era maledicente y murmurante, capcioso y caprichoso, malpensado como un psicoanálisis, y tan incordio que su complejo de persecución no quería alcanzarlo. La cortesía no estaba entre sus muchos talentos, según juraban sus enemigos. Los recuerdos de los enemigos convierten a los héroes en personas.

Pese a sus rarezas de una antigua arcadia que no hubo, Rousseau lanzó, en el absolutismo, preguntas que solo se responden con la democracia. Pueden tenerse malos modales y buenas ideas –pero su conjunción no es muy agradecible –.

Debido a su común amor por la filosofía, Rousseau conoció al plácido escocés David Hume. La amistad –o lo que fuere– duró poco: debido a “la paranoia de Rousseau” , este rompió acremente con el afable David (Alfred Ayer: Hume).Quizá por esa mala experiencia, Hume formuló después un elogio de “los buenos modales: un tipo de moralidad menor, concebida para facilitar la vida en común”Así consta en su Investigación sobre los principios de la moral (37), libro que –de paso sea dicho – torna a Hume en elfilósofo de la ética del siglo XXI pues él basó los impulsos morales en las emociones: los seres humanos somos éticos porque la compasión nace con nosotros; y lo confirman hoy la neurobiología y la inteligencia emocional. El gregarismo nos es natural y traza normas (ayudar, no mentir, no matar...) impresas en el cerebro como emociones innatas (Marc Hauser: La mente moral, I).

Entre esas normas está la cortesía, como un velo sutil que cubre el trato. La cortesía es tan “inútil” que su persistencia sería imposible si no fuese necesaria para convivir.

Alguien pregunta aún para qué sirve la ortografía. Si no fuese necesaria para comprendernos por escrito, sería siempre indispensable para tratarnos como gente. Al fin y al cabo, la cortesía es un adorno indispensable de la civilización.

El Mono Vestido

El conde Lucanor escuchó a Patronio narrar la historia de los tres pícaros que engañaron a los súbditos de un reino haciéndoles creer que las ropas que vestiría el monarca habían sido fabricadas de magníficas telas que solo podían ver aquellos que eran hijos legítimos. Al mirar las supuestas telas y no verlas, el rey se juzgó a sí mismo como bastardo. Temeroso de perder su trono, siguió la corriente y accedió a ponerse aquellos “hermosos vestidos” para la fiesta. (1834-1860), mexicana hipertricótica.

“Ataviado” con las prendas delatoras, el rey desfiló ante los ojos atónitos de sus súbditos, los que, al verlo “como Dios lo trajo al mundo”, también fingieron asombro para no revelar la vergüenza de ser hijos ilegítimos. Finalmente, “un negro, palafrenero del rey, que no tenía honra que perder, se acercó al rey y le dijo: ‘Señor, a mí me da lo mismo que me tengáis por hijo de mi padre o de otro cualquiera, y por eso os digo que o yo soy ciego o vais desnudo’”.

Ese cuento, escrito en el siglo XIV por el Infante Juan Manuel, fue fusilado 500 años después, y sin pagar derechos de autor, por Hans Christian Andersen en su parábola El traje nuevo del emperador. Ambos relatos demuestran los peligros del engaño y la vanidad mediante el dilema de exhibirse desnudo, y plantean la moraleja de que en un campo nudista “no solo se desnudan los cuerpos, sino también las almas”.

Primeros indicios. Las causas primigenias del uso de la ropa se han vinculado con las inclemencias del tiempo, pero la realidad es que se ignora cuándo apareció el primer “mono vestido”. Se han descubierto tejidos en sitios arqueológicos de Kostenki (Rusia) y agujas en varios lugares de la República de Georgia que datan respectivamente de 30.000 y 36.000 años

Los abalorios de marfil atados a los pies de esqueletos de 28.000 años de antigüedad, hallados en Sunghir (Rusia), son la prueba más antigua de la existencia de zapatos. Sin embargo, el antropólogo Erik Trinkaus descubrió que, en los cromañones y los humanos posteriores a 40.000 años, los cuatro dedos pequeños del pie se habían reducido de tamaño e indicaban menos agarre con respecto a los pies de sus ancestros, lo que supone una adaptación debido al uso de zapatos.

Por otro lado, el hábitat de las tres variedades de piojos de los humanos sugiere que la ropa empezó a usarse mucho antes. Uno de ellos, llamado Pthirus pubis, relacionado con el piojo del gorila, habita el pelo púbico y se trasmite por contacto sexual. Las otras dos variedades son el piojo del pelo de la cabeza (capitis) y el de la ropa (corporis), los que pertenecen a la misma especie Pediculus humanus, emparentada con el piojo del chimpancé.

Los primeros análisis evolutivos de los piojos sugirieron que el de la ropa se derivó del de la cabeza hace unos 100.000 años. Posteriormente se planteó que el origen más probable del piojo de la ropa databa de hace 500.000 años. Estos plazos corresponden a las migraciones que hicieron Homo erectus y después Homo sapiens desde África a las regiones más templadas y frías de Europa y Asia. Es probable que, en ese entonces, algunos piojos de la cabeza, habituados a un clima cálido, al “morirse de frío” se hayan adaptado a vivir en las ropas que abrigaban a los lampiños cuerpos.Cuestión de piel. Sin embargo, para vestirse hay que saberse desnudo. Por tanto, el origen de la ropa podría rastrearse a la génesis de una piel sin pelo, al aumento del tamaño del cerebro y al control del fuego. Lo anterior concuerda con Homo erectus –el que, con un cerebro cercano a los 1.000 cc, dominó el fuego hace unos 800.000 años– y con el análisis evolutivo del grupo de genes ligados MC1R, que controlan el color de la piel.

divergencia del grupo de genes MC1R indica que la tez negra se originó hace unos 1,2 millones de años con H. erectus, presuntamente para proteger a la piel desnuda de los rayos del Sol. La piel blanca de algunos humanos corresponde a una reversión adaptativa para la síntesis adecuada de vitamina D por los rayos del Sol.

Se ignoran las razones por las que el ser humano evolucionó a tener una piel lampiña. Algunos han propuesto que la carencia de pelo corporal es una consecuencia de la conservación de rasgos juveniles en el adulto (neotenia). Otros han formulado la idea de que ancestros humanos evolucionaron a una existencia semiacuática tropical, y de que la piel sin pelo corresponde a una adaptación a este tipo de vida.

Otra hipótesis sugerente señala que la “desnudez humana” es producto de la selección de las preferencias sexuales que se inclinaron por parejas con poco pelo corporal y más pelo en la cabeza.

Una tesis sostenida por muchos antropólogos propone que la piel lampiña evolucionó con Homo ergaster en África, hace unos 1,6 millones de años, como un sistema de enfriamiento para contrarrestar las altas temperaturas que genera el cuerpo humano en el clima tropical donde surgió.

Glándulas. Los humanos poseen unas 600 glándulas ecrinas generadoras de sudor acuoso por centímetro cuadrado de piel, las que pueden secretar hasta 10 litros de agua por día. El sudor, a flor de piel sin pelo, se evapora fácilmente favoreciendo el enfriamiento del cuerpo. Por el contrario, la mayoría de los mamíferos provistos de pelo poseen muchas glándulas apocrinas productoras de aceites y feromonas, y pocas ecrinas. Por esto, los perros no sudan y se enfrían mediante el jadeo.

En los humanos, las glándulas apocrinas se concentran en las axilas, el perineo y el pubis. Generan lubricación y los olores propios de estas partes que parecen tener influencia en el comportamiento sexual, por lo que permanecieron hirsutas. Es probable que el pelo de la cabeza se haya seleccionado como símbolo de dimorfismo sexual y de adaptación de la posición erguida para prevenir que el Sol “queme el coco”.

En su célebre libro El mono desnudo (1967) y en otros posteriores, Desmond Morris advierte de las consecuencias evolutivas que tiene para los humanos ser erguidos y estar apenas cubiertos por un exiguo vello.

Inhibición. En comparación con las 282 especies de monos existentes, los humanos –además de poseer el cerebro más voluminoso y el pene más grande– tienen una piel lampiña altamente erógena y un cuerpo que expone de manera franca los órganos sexuales, nalgas y pechos. De acuerdo con Morris, todo lo anterior hace que los humanos, además de ser los más inteligentes, también sean los monos “más sexis”.

Antes de la explosión demográfica ocurrida hace unos 12.000 años, la desnudez pudo haberse exhibido de manera franca entre los miembros de un mismo clan. En estos grupos, todos se conocían, por lo que las señales sexuales debieron de ser poco diversas e inhibidas por las relaciones cercanas de parentesco. En un mundo atiborrado de gente, el número de señales sexuales enviadas entre personas ajenas y desnudas sería tan intenso que la humanidad estaría tentada a una crisis de desenfreno. Parece entonces que una de las funciones de la ropa es la de resguardar a los cuerpos de miradas “imprudentes”.

Como contrapunto existe la moda del vestido, la que, dependiendo de los vaivenes, propone sensuales ropajes, reprueba estilos e implanta símbolos de condición social. No en balde, el poeta alemán Heinrich Heine, contemporáneo de Andersen, apunta: “Bien mirados, todos nos ocultamos, completamente desnudos, en los vestidos que usamos”.

 

 

 

La Suiza Empugnada…


Tres cuartos de siglo atrás, al aproximarse la Navidad de 1935, empezó a circular un folleto del escritor cartaginés Mario Sancho titulado Costa Rica, Suiza centroamericana. Lejos de ser un opúsculo dedicado a exaltar lo costarricense, denunciaba la miseria y la explotación que padecían los sectores populares, señalaba la corrupción que prevalecía en la administración pública, y enfatizaba que “todo lo demás es cuento. Cuento la libertad, cuento la democracia”.

 

los gobiernos promovían el alcoholismo en el pueblo, asunto sugerido en esta caricatura de las fiestas populares de 1936 publicada en La Semana Cómica el 2 de enero de 1937, página 1.

+ MULTIMEDIA

 

Para comprender el origen de este folleto, conviene destacar que está constituido por dos partes. La primera, y menos radical, había sido publicada tres años antes, en diciembre de 1932, en Repertorio Americano, la célebre revista cultural dirigida por Joaquín García Monge. La segunda, dominada por la crítica implacable ya indicada, fue elaborada en 1935. ¿A qué obedeció esta radicalización en el enfoque de Sancho?

 

 

Detrás del telón radiante. En su artículo de 1932, Sancho se concentró en denunciar la falta de cultura y de sensibilidad social de las “clases altas” costarricenses, y presentó dicho texto como el “capítulo de un libro en preparación”. Sin embargo, no hay indicios de que Sancho haya continuado con la elaboración de esa supuesta obra. De hecho, el análisis de la producción intelectual de Sancho, entre 1933 y 1934, muestra que no perseveró en el proyecto de criticar a la sociedad costarricense; más bien, se ocupó de temas de carácter literario.

 

En este contexto, en marzo de 1935, un periodista guatemalteco exiliado en San José, Clemente Marroquín Rojas, publicó, en La Prensa Libre, un ensayo en cuatro partes titulado “Tras del telón radiante, la miseria”. Debido al escándalo que provocó, algunas personas –en particular, inspectores escolares– solicitaron al gobierno, entonces presidido por Ricardo Jiménez, que expulsara al autor de ese texto.

 

Según Marroquín Rojas, el prestigio internacional de que gozaba Costa Rica por ser un país culto, democrático y civilizado, era inmerecido, y para demostrar esa proposición consideró varios temas polémicos: entre otros, las deficiencias del sistema educativo, la crisis que experimentaba la familia (en particular por el incremento de los divorcios), el control del Estado por una oligarquía, la mendicidad y la delincuencia infantil y juvenil, la pobreza de la mayoría de la población y la prostitución del electorado por los políticos.

 

Próximo a dejar el país, Marroquín Rojas explicó que se sentía obligado a decirles a los costarricenses varias verdades sobre su sociedad. Con este propósito publicó su explosivo ensayo, el cual dedicó a “cuatro personas a quienes atribuyo una clara visión [']. Son ellos Mario Sancho, Rafael Ángel Calderón Guardia, Otilio Ulate y Ricardo Moreno Cañas”.

 

 

Sancho responde. La información por ahora disponible sugiere que Marroquín Rojas se inspiró –entre otros textos– en el artículo de Sancho de 1932, y que amplió, diversificó y radicalizó sus puntos de vista; incluso, se adelantó en la utilización irónica de la comparación con Suiza, al referirse a Costa Rica como la “Suiza americana”.

 

Se comprende así que el escritor cartaginés, en una carta que circuló en La Prensa Libre del 9 de marzo de 1935, respondiera a la dedicatoria con una pregunta que a la vez afirmaba su precedencia en la crítica a la sociedad costarricense: “¿Qué ha dicho usted que no sea la verdad pura y desnuda y que antes no hayamos dicho nosotros?”.

 

Al confrontar el artículo de Sancho de 1932 con el ensayo de Marroquín Rojas resulta aún más clara la tensión presente en la pregunta anterior ya que temas como la desigualdad social y la pobreza, la corrupción electoral y el control oligárquico del Estado, no figuran en el texto del intelectual cartaginés.

 

Por tanto, la segunda parte de Costa Rica, Suiza centroamericana parece haber sido escrita por Sancho como una forma de recobrar el liderazgo en la crítica a la sociedad costarricense. Con este fin, elaboró su ensayo con un esmerado estilo literario, que superaba la prosa –más informativa que poética– de Marroquín Rojas; además, modificó el énfasis de su exposición en un sentido decisivo.

 

El periodista guatemalteco destacó que los indicadores más visibles del descalabro moral que padecía Costa Rica eran el adulterio, el divorcio, la desintegración familiar y la prostitución. En contraste, Sancho dejó de lado esos temas, vinculados con la sexualidad y el cuerpo, que objetaban directamente el honor de las mujeres costarricenses, y asoció la crisis con la corrupción política y los privilegios de los acaudalados.

 

De esa manera, el escritor cartaginés desplazó el eje del debate de lo privado a lo público, y de la problemática de la sexualidad a la de clase.

 

 

Impactos e ironías. Poco se conoce hasta ahora de cuál fue el impacto que tuvo la publicación del folleto de Sancho en 1935. No obstante, es claro que su crítica virulenta y totalizadora de la Costa Rica de esa época se convirtió en una de las principales fuentes ideológicas de los jóvenes que fundaron en 1940 el Centro para el Estudio de los Problemas Nacionales (origen de la futura intelectualidad del Partido Liberación Nacional).

 

Así, ese opúsculo alimentó, de manera decisiva, la utopía de redimir y refundar la república, que los vencedores de la guerra civil de 1948 trataron de llevar a la práctica a partir de ese año.

 

Irónicamente, el final de ese conflicto armado supuso la persecución y la ilegalización del Partido Comunista, cuyas fuertes críticas a la sociedad costarricense, durante el período 1931-1935, parecen haber contribuido a radicalizar el enfoque de Mario Sancho (y probablemente también la perspectiva de Marroquín Rojas, pese a que este era definidamente anticomunista).

 

De esa manera, los comunistas, impulsores iniciales de objeciones indiscriminadas a la Costa Rica de inicios de la década de 1930, contribuyeron a alimentar la utopía de quienes luego serían sus principales adversarios políticos.

 

Asimismo, resulta irónico que Mario Sancho radicalizara su crítica a la sociedad costarricense por la misma época en la que el Partido Comunista –en parte como respuesta a los cambios experimentados por el comunismo internacional– empezaba a moderar sus puntos de vista, a seguir una política orientada a lograr reformas socialmente orientadas por medios legales e institucionales, y a defender la democracia.

 

Sin duda, la mayor ironía de todas es que Sancho no sólo fracasó en reconocer los logros sociales, políticos y culturales de la Costa Rica de su época, sino que tampoco se percató de que, para enfrentar la crisis de 1930, el país había empezado a poner en práctica un conjunto de nuevas políticas sociales muy parecidas a las que el gobierno de Franklin Delano Roosevelt impulsaba en los Estados Unidos.

 

En 1939, también en Repertorio Americano, la joven escritora Yolanda Oreamuno –por entonces muy cercana al Partido Comunista– publicó un artículo titulado “El ambiente tico y los mitos tropicales”, en el que, desde una perspectiva distinta de la de Sancho, ironizó sobre las debilidades de la democracia costarricense, a la que definió como una “demoperfectocracia”.

 

En ambos casos, sus objeciones, faltas de un útil enfoque comparativo, dejaron de lado el hecho de que Costa Rica era, por entonces, una de las pocas sociedades verdaderamente democráticas del planeta, hasta el punto de que tal condición podía ser impugnada públicamente por su propia ciudadanía.

 

Historia

Pasión por los gallos

Ricos y pobres Las galleras fueron un espacio público y legal de convivencia en la Costa Rica del siglo XIX

 

A decir verdad, las peleas de gallos son un espectáculo público de orígenes muy antiguos. En China se tienen registros de estos juegos de hace más de 2.500 años. Petronio, célebre escritor romano, mencionó torneos que se efectuaban en las diversas provincias del imperio hacia el siglo I de nuestra era.

 

del 10 de diciembre de 1885 incluyó anuncios de venta de gallos.

+ MULTIMEDIA

 

A su vez, en su Historia general y natural de las Indias, el cronista español Gonzalo Fernández de Oviedo describe el ingreso de gallos de pelea, traídos por conquistadores ibéricos a tierras americanas a partir del siglo XVI.

 

Como resultado de la presencia española en nuestro continente, las peleas de gallos se constituyeron en una práctica cotidiana durante el largo período colonial, que en Centroamérica terminó oficialmente en 1821. Así pues, los espectáculos desarrollados en las galleras durante el siglo XIX en Costa Rica fueron un legado colonial de manifestaciones populares.

 

Gallos y galleras. Las peleas entre plumíferos eran un asunto aceptado y normado en forma explícita en Costa Rica desde inicios de la Colonia. explícita en Costa Rica desde inicios de la Colonia. Esto se desprende de la revisión de la prensa. Tal es el caso del Boletín Oficial, periódico cuyo número 51, del 12 de diciembre de 1854, anunciaba: “No habiendo tenido efecto ayer, el remate de derecho de GALLERA, por ser día de fiesta, se señala de nuevo con aquel fin el sábado inmediato 16 del corriente, en cuyo dia á las doce de la mañana se hará remate en la Sala Municipal y por la base de quinientos pesos”.

 

Aquel anuncio evidencia que existía una costumbre institucionalizada en torno a las peleas de gallos en la capital. Se ofrece la impresión de que, al ser esta una actividad regulada por el gobierno, la adjudicación del remate implicaba el privilegio de tener la exclusividad de la explotación del negocio, al menos en la ciudad capital.

 

Un año después, el Boletín Oficial del 1.º de diciembre de 1855 anunciaba un nuevo remate: “Estando al concluirse el término por que se remató de derecho de la Gallera de esta ciudad, se avisa de nuevo a las personas que quieran arrendar por un año aquel establecimiento: que el dia 14 del próximo Diciembre, tendrá lugar en la oficina de Gobernación, no admitiéndose propuesta que baje de seiscientos pesos fijados por la ley”.

 

Ese comunicado muestra detalles interesantes; así, se adjudicaba durante un año el derecho de explotación de la gallera en la capital; además, se subía un 20% en costo del remate, alza que sugiere una apreciable rentabilidad.

 

La prensa también mostraba otra faceta del negocio de las peleas de gallos: la venta de animales.

 

El Boletín Oficial del 13 de octubre de 1855 destacaba: “40 GALLOS MUY FINOS, la mitad servible para pelear ya, la otra mitad entre dos meses –se venden en la hacienda Tacares cerca de Alajuela. El que quiera comprarlos sea en junta ó al menudeo véase con el dueño en la dicha hacienda”.

 

Un comunicado interesante en otro órgano escrito mostraba la venta de dichos animales y de accesorios necesarios para peleas. Al respecto, La Gaceta (nº. 258, del 10 de diciembre de 1885) subrayaba lo siguiente: “A LOS AFICIONADOS A LOS GALLOS. Gerardo Vargas tiene 16 gallos entre ellos 6 de picada, selectos. Tiene también navajas experimentadas, que puede vender, ambas cosas a modico precio”.

 

De lo expresado se deriva que la crianza y la venta de gallos para juegos de pelea constituía una actividad lucrativa nada despreciable.

 

En la mayoría de los enfrentamientos, el gallo derrotado perdía la vida, y, en otros tantos, el vencedor terminaba hiriéndose de forma accidental con las filosas navajas adheridas a sus patas. En consecuencia, resultaba indispensable tener animales de reserva para las justas que debían librarse.

 

 

 

Mirada foránea. Wilhem Marr, germano que pasó por Costa Rica en 1853, dejó interesantes impresiones en un texto llamado Viaje a Centroamérica, publicado en Alemania en 1863.

 

Sobre los juegos de gallos, Marr afirmó que “los adversarios toman sus puestos de combate y saltan el uno sobre el otro, luchando con picos y espuelas. Como los dos pelean con una navaja atada en la pata, la victoria o la derrota dependen a menudo de la casualidad”.

 

El viajero europeo también dejó una descripción sobre el ambiente de las galleras: “El local estaba atestado de individuos de todas las clases sociales. Ahí se encontraba un señor de pequeña estatura y cara llena y astuta, vestido de frac negro y pantalones amarillos de casimir. Era el jefe de Estado, don Juan Rafael Mora”.

 

Marr además destacó la presencia de José María Castro Madriz, quien había precedido a Mora en el poder y con el que este tenía relaciones poco amistosas.

 

Asimismo, el visitante mencionó que asiduo a las galleras y a las apuestas era también José Joaquín Mora, hermano del gobernante y uno de sus hombres de confianza en materia de política.

 

Marr dejó una severa crítica sobre el vínculo del gobernante con esos juegos: “El presidente no tiene el menor escrúpulo en apostar sus pesos contra los del último peón. El juego de gallos lo absorbe todo”.

 

Con un tono sarcástico, Wilhem Marr añadió: “Es una dicha que los hombres de Costa Rica no sean tan belicosos como sus gallos porque, si no, el equilibrio político del mundo podría verse gravemente comprometido”.

 

A juzgar por la información que brindaba la prensa, y considerando las opiniones de Wilhem Marr, las galleras fueron, a mediados del siglo XIX, un escenario de pasiones compartidas por ricos y pobres y... perfectamente legal.

 

 

 

 

Amor Errante

 

Los conocedores del idioma afirman que los nombres y los apellidos que toman denominaciones de flores, plantas, árboles y animales, demuestran un origen judío sefardita. Carmen Naranjo quizás provenga de algunos de aquellos que hubieron de salir, por mandato de los reyes Católicos, en exilio a los países del Mediterráneo y aun a América, en busca de nuevos horizontes.

 

 

Don Sebastián, padre de Carmen, vino de las islas Canarias. ¿Podría también haber algo de sefardita en esa familia que dichosamente plantó su simiente en Costa Rica?

 

 

Su mismo nombre nos remite a los rincones líricos de Asia. El nombre “Carmen” proviene del árabe y significa “casa con huerto o jardín”; su apellido, “Naranjo”, árbol originario de Asia, fue importado a España por los árabes y ambos vocablos, “nárang” y “narang”, aparecen en los diccionarios árabes y persas.

 

En Poesía escogida, algunos poemas son inéditos; otros, publicados en revistas o periódicos, y algunos, incluso, en poemarios editados en el extranjero o en libros que circularon poco en nuestro país.

 

 

Esos poemas tienen gran valor histórico y sentimental y son muy válidos dentro de los momentos que vive nuestra América.

 

 

De su libro Canción de la ternura se han escogido hermosos ejemplos de su quehacer lírico.

 

Por esta antología transitan también figuras entrañables de su libro En esta tierra redonda y plana, y aparecen el eximio nicaragüense Rubén Darío, la poetisa hondureña Clementina Suárez, María Kautz (compañera del gran poeta nicaragüense José Coronel Urtecho) y la inefable artista costarricense Dinorah Bolandi.

 

 

También está su autorretrato, que pinta despiadadamente lo que Carmen siente y piensa de sí misma.

 

 

Más adelante viene “Compañeros”, respuesta que dio en 1976 a los empleados de la cultura que desfilaron hacia la Casa Presidencial solicitando a don Daniel Oduber rechazar la renuncia que Carmen, entonces Ministra de Cultura, había presentado.

 

 

Su canto a los gitanos es una plegaria de amor a los errantes, maestros del engaño y la adulación, esos seres sin fronteras.

 

 

Carmen cabalga, briosa, sobre la poesía de García Lorca (“La casada infiel”) para darnos “La dulce violencia”, en un juego moderno de abandonos y miradas amorosas.

 

 

La poetisa rememora ternuras y evoca la seda de las caritas infantiles en “Un hombre, una mujer y un niño”. La musicalidad de esta poesía y la belleza de sus palabras trasuntan un dejo de hermandad.

 

 

Su poema geográfico y sentimental “América” es siempre actual pues no estamos exentos de tropiezos, y la esperanza fallida o el huracán de codicia vuelven a encender en sangre y en dolor a la pobre América, tan bella y tan radiante, pero tan expuesta a injusticias.

 

 

Carmen Naranjo nos habla de América, pero también de sí misma. Ella se encuentra en el vértice de esta tierra fecunda y a veces hostil, pero a la vez amante' América, donde el Sol sale para todos. Carmen se conduele también de nuestros vecinos, los que sufren la presencia de armas y botas militares que huellan las flores y los corazones.

 

 

La ternura de Carmen Naranjo se refleja en los dos poemas que cierran esta antología y que provienen de ese libro precioso titulado Hacia tu isla, publicado en 1966, que recoge el sentir de una mujer que mira hacia el pasado y enarbola la presea que sus progenitores le pasaron.

 

 

 

 

Con la literatura como un árbol de naranjo plantado en su interior, Carmen nació en 1928. A partir de la década de los años 50, junto con otros escritores, ella aparece con ensayos analíticos acerca del costarricense.

 

Ha escrito cuentos, novelas, teatro y poesía, y ha recibido numerosos premios y distinciones en Costa Rica y en el exterior. Es Premio Nacional de Cultura Magón. Carmen Naranjo reside en Olo, una finca en Tambor de Alajuela, con sus fieles compañeras Gracia y Belleza, donde disfruta del clima, de los atardeceres, del afecto de amistades y familiares que la visitan, y continúa dando su aporte intelectual en la conducción de talleres literarios privados.

 

 

Avatares políticos del pantalón

Larga conquista Un libro francés reseña la evolución de una prenda que simboliza la igualdad sexual

 

 

Luisa Corradini La Nación, Argentina. GDA@nacion.com 06:06 p.m. 08/01/2011

 

En 1972, una joven consejera técnica de Edgar Faure, entonces ministro francés de Asuntos Sociales, intentó entregar un mensaje a su jefe, que se encontraba en el hemiciclo de la Cámara de Diputados, pero el ujier le prohibió la entrada debido a su vestimenta. “Si mi pantalón le molesta, me lo saco ahora mismo”, contestó la interesada, que fue autorizada a penetrar de inmediato en ese templo de la democracia.

 

 

Esa anécdota, evocada por su protagonista –la actual ministra de Justicia, Michèlle Alliot-Marie–, prueba que, hace apenas 40 años, a pesar de la invención del tailleur-pantalón, de Yves Saint-Laurent, esa prenda afrontaba graves dificultades para entrar en la cabeza de los hombres cuando era llevada por las mujeres.

 

Durante mucho tiempo, el pantalón representó un problema tanto para los hombres como para las mujeres. Sobre todo, fue instrumento de conflicto en su calidad de atributo del poder masculino.

 

En 1920, cuando los dirigentes del movimiento socialista francés reprochaban a su camarada Madeleine Pelletier que llevara cabello corto y pantalón viril, esa gran figura del feminismo radical respondía invariablemente: “Mi vestimenta dice al hombre: ‘Yo soy tu igual’”.

 

Es fácil deducirlo: la cuestión del pantalón fue un problema eminentemente político.

 

En su reciente libro Una historia política del pantalón, Christine Bard, investigadora de la sociología de sexos, relata esa epopeya femenina.

 

 

No todo fue feminismo. Christine Bard señala que la popularización del pantalón a lo largo del siglo XX no fue sólo producto de la lucha por la igualdad de sexos. Otros factores también influyeron: la banalización de las actividades deportivas, el higienismo, la preocupación por proteger el cuerpo de las mujeres y el aumento del trabajo femenino, que se aceleró al final de cada una de las guerras mundiales.

 

“Tampoco se puede olvidar la vanguardia artística: pintoras, cantantes, actrices, escritoras, modelos y mundanas de un París-Lesbos, donde los idilios sáficos habían dejado de ocultarse”, precisa Bard.

 

Otro elemento nuevo vino a generalizar aún más la utilización del pantalón y a activar la controversia sobre su emancipación desde fines del siglo XIX: la democratización de la bicicleta.

 

A fines del siglo XIX, el historiador Christopher Thompson consideró a las ciclistas “el tercer sexo”.

 

“Es verdad que el desarrollo del ciclismo ha hecho dar al sexo femenino un paso importante en el camino de su emancipación, pero también es verdad que el pantalón o la falda muy corta, recientemente inauguradas por las cyclewomen, les da una fisonomía hasta ahora desconocida”, escribió Thompson en 1896.

 

“Esta revolución en la ropa podría tener moralmente una consecuencia muy grave. Por primera vez, sin que la ley pueda garantizar al hombre el monopolio, la mujer le disputa el atributo masculino por excelencia: el pantalón”, añnadió.

 

Los portentosos terremotos en la sociedad que provocaron las dos guerras mundiales fueron decisivos para el avance del pantalón. Su uso se extendió a todos los sectores de la sociedad por razones prácticas: a las fábricas, a las fuerzas armadas y a la calle.

 

Flamante ciudadana estadounidense, la cantante alemana Marlene Dietrich vestía diferentes uniformes en cada uno de sus viajes y en escena, durante sus giras que animaban a las tropas aliadas.

 

La misma princesa Isabel de Inglaterra se dejó fotografiar con un pantalón del Auxiliar Patriotic Service, mientras aparentaba cambiar un neumático.

 

Poco años después, en Francia, Jean Seberg, Brigitte Bardot y Françoise Sagan se transformarían en símbolos de la liberación sexual y en iconos de la modernidad.

 

“En plena Guerra Fría, el pantalón se inscribió claramente en el campo de la libertad, mientras que, en la Unión Soviética, la voluntad igualitaria y la hostilidad a una moda ‘burguesa’ sirvieron de pretexto al rechazo de esa excentricidad”, anota Bard.

 

Vestimenta tabú para las autoridades soviéticas, el pantalón estuvo, sin embargo, presente en los desfiles de moda de todos los países del Este controlados por Moscú.

 

Si bien se popularizó en las ciudades alrededor de 1970, las viejas generaciones soviéticas nunca llegaron a aceptar el pantalón femenino.

 

 

Persistentes enemigos. A pesar de esos avances, el pantalón siguió contando con acérrimos enemigos a lo largo del siglo XX.

 

La Iglesia, históricamente obsesiva en cuanto a las apariencias, multiplicó sus condenas entre las dos guerras. En octubre de 1919, el papa Benedicto XV declaró: “Es un deber grave y urgente condenar las exageraciones de la moda. Nacidas de la corrupción de quienes las lanzan, esas toilettes inapropiadas son uno de los fermentos más poderosos de la corrupción de la moral”.

 

El catolicismo practicante estigmatizaba las frivolidades, los trajes de playa y de deporte, el maquillaje, las joyas, los escotes impúdicos, los vestidos cortos de 1925, los brazos desnudos, las danzas modernas, el “mal teatro” y el “mal cine”.

 

“Está prohibido prohibir”, decían los muros de París en mayo de 1968. Sin embargo, si bien la ordenanza napoleónica de 1800 había caído en el olvido, la prohibición del uso del pantalón femenino nunca fue derogada y sigue rigurosamente vigente en Francia.

 

 

Después de la rebelión estudiantil del 68, las jovencitas siguieron teniendo prohibido ir con pantalón al colegio secundario. Solo estaba autorizado empleárselo en los días de mucho frío.

 

Profesora en el prestigioso liceo Henri IV de París, Colette Cosnier relata hoy un episodio que la marcó cuando el director la reprendió porque vestía un pantalón un día de frío glacial.

 

–Pero, señor director, ¿a partir de cuántos grados bajo cero puedo venir en pantalón?– le dijo.

 

–No lo sé. Yo siempre me pongo uno.

 

Contrariamente a lo que se podría suponer en el mundo occidental, donde el respeto por la libertad y el libre albedrío son el fundamento de la sociedad, aún hoy los uniformes son la norma (en los restaurantes, la seguridad o el transporte) y los empleadores suelen exigir una “correcta presentación”.

 

En el Viejo Continente, ni la Convención Europea de Derechos Humanos ni la Carta de Derechos Fundamentales del Ciudadano evocan la libertad para vestirse.

 

Todavía hoy, hay mujeres en ciertos países de Europa y en los Estados Unidos que son despedidas por vestirse con pantalón.

 

No hay duda de que la apreciación de lo que podría llamarse “una vestimenta apropiada” es uno de los terrenos donde el abuso de poder del empleador puede ejercerse con más facilidad.

 

Sin embargo, a pesar de todos los esfuerzos por contenerlo, el pantalón progresó inexorablemente. La moda fue su vector privilegiado y la que le otorgó sus letras de nobleza.

 

Hoy, el mundo profesional lo acepta mucho más fácilmente, aun cuando la falda sigue siendo casi obligatoria en ciertos actos públicos o sociales.

 

Christine Bard reconoce que no es fácil hallar estadísticas para cifrar esa vertiginosa evolución. Sin embargo, entre 1971 y 1972, incluido en la categoría “prendas de deporte”, las mujeres mayores de 14 años habían comprado en Francia unos 12.400 pantalones por año.

 

Diez años después, ese rubro había aumentado a 2,7 millones. En 1984, las mujeres francesas utilizaron 17 millones de pantalones. Por primera vez en su historia, y sin distinción de sexos, el pantalón fue ese año la prenda más vendida.

 

Sin embargo, aún quedan bolsones de resistencia en los cuales el pantalón simboliza el rechazo a la igualdad de sexos. No en vano, el medio más refractario fue el político, incluso en la actualidad.

 

A pesar de la igualdad de derechos políticos entre ambos sexos, proclamados alrededor de 1900 en Europa, las mujeres siguieron moviéndose en un medio extremadamente masculino y sus diferencias físicas y vestimentarias fueron siempre un problema que las obligó a “administrar", como lo ilustra perfectamente la anécdota que comienza esta nota.

 

En 1976, Alice Saunier-Seïté provocó un escándalo de grandes proporciones cuando asistió a su presentación oficial como secretaria de Estado de Enseñanza Universitaria, y el entonces primer ministro Jacques Chirac, estupefacto, descubrió que llevaba pantalones.

 

El jefe del gobierno francés solicitó de inmediato a su jefe de gabinete, Jérôme Monod, que informara a la rebelde que, vestida así, “degradaba su función y la imagen de Francia”.

 

Aquella fue una terrible misión para Monod, hombre de maneras exquisitas, a quien la interesada respondió: “Si se trata de mis pantalones, diga al primer ministro que estoy obligada a esconder mis piernas, ¡porque son horribles!”.

 

Chistine Bard recuerda que la historia clásica de toda prenda pone de relieve tres funciones: el adorno, el pudor y la protección. Con el tiempo, esa historia sumó una cuarta función a las precedentes: la simbólica. En el caso del pantalón –afirma la autora–, seguir el hilo conductor de su evolución fue lo mismo que acompañar la evolución de un sexo, situándola en el plano político.

 

Cada episodio de esa epopeya demuestra hasta qué punto la batalla del pantalón pone en crisis no sólo el universalismo democrático, tal como fue pensado por sus teóricos masculinos.

 

El empleo del pantalón también objeta el movimiento feminista en sí mismo, siempre atravesado por enfrentamientos entre defensoras del orgullo femenino y partidarias de la indiferenciación sexual, entre las que rechazan la virilización y las adeptas de un feminismo con escote.

 

Todas esas batallas terminaron por demostrar que el combate político es también un combate cultural, y hasta qué punto la conquista de una auténtica ciudadanía femenina exigía también –y antes que nada– una verdadera revolución de las apariencias.

 

 

 DEUSES GREGOS

 

Também os gregos antigos diziam que seus deuses tinham as mesmas paixões, defeitos e qualidades dos homens, por isso estavam sempre envolvidos em aventuras, características que definem o sentido da palavra mitologia, do ponto de vista da fabulosa história dos deuses, semideuses e heróis da Antiguidade greco-romana. Os próprios gregos moldaram seus deuses e, ao contrário das outras mitologias, tinham deuses humanizados, fazendo do céu um ambiente familiar. As divindades principais habitavam o Monte Olimpo e formavam a corte de ZEUS (Júpiter), o deus supremo. Além das muitas divindades secundárias, havia também os semideuses, deuses ilegítimos, filhos de deuses com mortais, que por isso dependiam dos deuses. Dentro desses conceitos religiosos bem diversificados, cabia uma verdadeira democracia de pensamentos, desde os materialistas até os que acreditavam no julgamento após a morte. Esta evolução ocorreu durante cerca de 25 séculos, desde o segundo milênio a. C., até o fechamento das escolas pagãs pelo imperador bizantino Justiniano (329). A enorme abrangência da mitologia grega, vai desde os primeiros deuses e as sangrentas guerras de Tróia e Tebas, a histórias como à infância de HERMES e o sofrimento de DEMÉTER por PERSÉFONE. Seus deuses representavam forças e fenômenos da natureza e também impulsos e paixões humanas. Moravam no Monte Olimpo e de lá controlavam tudo o que se passava entre os mortais. O Panteão Grego incluía semideuses, heróis e inúmeras entidades, como os sátiros e ninfas, espíritos dos bosques, das águas ou das flores.

A Mitologia Grega se tornou completamente desenvolvida em torno do VIII-VII século a. C., quando três coleções clássicas de mitos surgiram: a Teogonia de Hesíodo e a Illiada e a Odisséia, ambas de Homero. Embora os primeiros dados existentes sobre a religião grega partam dessas lendas, é possível rastrear a evolução de crenças antecedentes. No início da filosofia grega, no século VI a. C., enquanto alguns pensadores, como Heráclito, os Sofistas e Aristófanes, ironizavam as crenças populares, outros, como Platão e Aristóteles, desenvolviam conceitos científicos sobre a divindade, porém isso não afetava a religiosidade popular, especialmente evidenciada nos festejos tradicionais. Segundo as crenças gregas, no princípio havia um grande vazio chamado Caos e todas as coisas estavam mistas umas às outras. Sobre esta confusão reinava a Noite ou Nyx e em algum momento surgiu o Érebo ou Inferno, de um lugar desconhecido deste reinado.  O Destino, as Moiras/Parcas, divindades cegas, nascidas do Caos e da Noite, eram quem estabeleciam tudo, inclusive os deuses estavam submetidos a elas. Mas ainda havia apenas o silêncio e o vazio até que nasceu Amor, produzindo um início de ordem. Da união de Érebo e Noite nasceram Éter, a luz celestial, e Dia ou Hélios, e então apareceu a terra, a mãe universal chamada de GAIA. GAIA, por si só, gerou URANO, o Céu, e ele próprio se uniria para gerarem os 12 Titãs, dentre eles Mnemósine, Atlas, Oceano, RÉIA e CRONOS, o mais novo de todos, os Ciclopes e os Hecatônquiros. Segundo a mitologia grega, quando GAIA deu origem aos Titãs, eles fizeram das montanhas gregas, inclusive as do Monte Olimpo, seus tronos, pois eram tão grandes que mal cabiam na crosta terrestre. Os Titãs, eram liderados por CRONOS (Saturno) que desposou RÉIA (Cibele) e entre seus filhos estava ZEUS (Júpiter), que destronou seu pai, e tornou-se senhor dos deuses. Organizou os olímpianos, uma plêiade de doze deuses principais que habitavam o Monte Olimpo, sucessores dos Titãs, formando uma sociedade que era classificada quanto à autoridade e poder. Ele deu o mar a POSEIDON e o inferno a HADES, seus irmãos, e passou a reinar do Monte Olimpo. Os Titãs revoltaram-se contra os deuses e tentaram alcançar o céu, mas foram fulminados por ZEUS.

Os olímpicos eram ZEUS, AFRODITE, APOLO, ARES, ARTÊMIS, ATENA, DEMÉTER, HEFESTO, HERA, HERMES, HÉSTIA e POSEIDON, sendo ZEUS (Júpiter) o chefe, senhor de todos os estados, o pai espiritual dos todos os mortais e imortais. HERA (Juno), sua esposa, era a rainha do paraíso e a guardiã do casamento. HEFESTO  ou HEFAÍSTO (Vulcano), deus do fogo e das artes manuais. APOLO (Febo) era o deus da luz, da poesia e da música e ARES (Marte) o deus da guerra. ATENA (Minerva), deusa da sabedoria e da guerra, ARTÊMIS (Diana), deusa da caça e dos animais selvagens, AFRODITE (Vênus), deusa do amor, HÉSTIA (Vesta), deusa do coração e da chama sagrada, e DEMÉTER (Ceres) a deusa da agricultura. HERMES (Mercúrio) era o mensageiro dos deuses e senhor das ciências e das invenções, e POSSEIDON (Netuno) o senhor dos mares e oceanos que, junto com sua esposa ANFITRITE, originou um grupo de deuses do mar menos importantes, como as Nereidas e Tritão.

Embora HADES (Plutão), irmão de ZEUS e deus dos infernos, fosse um deus importante dentro do pensamento religioso grego, geralmente não era considerado um olimpiano. Governava o sombrio mundo subterrâneo com sua esposa PERSÉFONE (Proserpina ou Cora), um lugar escuro e triste, nas profundezas da  terra, povoado pelos espíritos das pessoas que morriam. Outro Deus que originalmente não era tão admirado mas com o tempo tornou-se um dos mais populares, foi DIONÍSIO (Baco), deus do pão e do vinho e do prazer. A ele os gregos devotavam muitos festivais, inclusive os de encenações teatrais. Freqüentemente era acompanhado por um exército de deuses fantásticos, incluindo centauros e ninfas. Os CENTAUROS tinham a cabeça e o torso humanos e o corpo de cavalo. As belas e charmosas ninfas assombravam os bosques e florestas. Outros Deuses e Titãs menores e de importância também entre os romanos foram: ALOADES: os gigantes que desafiaram o Olimpo, EIRENE (Pax): a personificação da paz para os gregos e romanos; EOS (Aurora): a deusa que anunciava à Terra a chegada do Sol; EROS (Amor): notável pela história de seu amor pela mortal Psique; GAIA a deusa Mãe primordial, geradora de todos os deuses, a deusa-terra; HERMAFRODITA: o filho de HERMES (Mercúrio) e AFRODITE (Vênus);HIPERION, o titã-Sol; NIKE (Victoria): a deusa grega da vitória; PANDORA: doadora de talentos divinos ou de todos os males da humanidade; PROMETEU: defensor do bem estar dos homens; TÂNATOS: o deus da morte; TÊMIS (Justitia): a deusa da Justiça; SELENE (também Diana): uma das deusas da tríade da Lua; PÃ (Fauno ou Silvano): deus das florestas; ASCLÉPIO (Esculápio), deus greco-romano da medicina; TÉTIS: a titânida e a neta, uma Nereida mãe de AQUILES; NINFAS: guardadoras da natureza; MOIRAS (Parcas): as deusas responsáveis pelos destinos dos deuses e homens; as MUSAS: representantes das artes e das ciências, invocada pelos poetas em busca de inspiração e sucesso. E mais ADÔNIS, CRONOS (Saturno), comandante dos Titãs, HÉLIO, deus-sol e o olho do mundo, e URANO, a personificação do céu.

Além dos Deuses também eram importantes dentro do complexo mitológico os Heróis como AQUILES, HÉRCULES, JASÃO, PERSEU, TESEU e ULISSES, os animais mitológicos CENTAURO, HARPIAS, PÉGASO e QUIMERA e as lendas de ARIADNE, MEDÉIA e SÍSIFO.

 

publicado por luiscatina às 19:20

Agosto 04 2011

BOLETÍM CULTURAL

 CATINA MUNDI

 

 

 

 


  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

  Casa México-- Aljuriça  (Portugal)

   Casa de Mexico,  casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

 

             

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

 

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são.                       ( António Aleixo)

“ Há tantos burros mandando/ Em  homens de inteligência/ Que as vezes fico pensando/ Que a burrice e uma ciência “    ( Antonio Aleixo )

Arre burro, arre burro, arre burro…………….  ( B. Costa )

“ Ao refugiar-me nos livros aprendi a fugir do mal sem o experimentar”

                                                                              Camilo C. Branco

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

                                                                               Platão

 "A leitura para mim sempre foi uma fonte de prazer, e gostaria que isso fosse uma coisa generalizada."      "Um país se faz com homens e com livros"

Monteiro Lobato

                           

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.  (GANDRASMEXICOCOSTARICA.BLOGS.SAPO.PT)

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo essencial  de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.

 

 

Catina Mundi recorda Matilde Rosa Araújo, a escritora que revestiu as páginas dos seus livros com perfume de rosas silvestres para as crianças dos quatro cantos do mundo.(1921-2010 )

Nunca e tarde para prestar homenagem  a quatro ilustres  e talentosas figuras do nosso Pais  que deixaram marcas no Mexico.  São elas: Joao RodriguesCabrilho ou Juan Rodriguez  Cabrillo, Beatriz Costa, Fidelino de Souza Figueiredo e Joaquim de Carvalho Montezuma.

 

EDITORIAL

 

PELOS CAMINHOS DA GÂNDARA ROMANA

 

Não muito longe da Quinta de Santo Amaro, na freguesia de Cadima, está situado o Sítio de Pelício  onde já foram encontrados vestígios arqueológicos de origem romana. Que eu saiba, este importante sítio da nossa região nunca foi  objecto  de trabalhos profundos  de investigação arqueológica. No Sítio de Pelício  podiam-se ver  nos anos 80 vestígios de construções. Na década de sessenta, Manuel dos Santos, já falecido, natural de Casal- Cadima, encontrara uma moeda de ouro romana, um tear e um machado de pedra. Este “ aprendiz de arqueólogo” conhecia  como  ninguém o património arqueológico romano da freguesia de Cadima!

Existem muitas incertezas sobre a utilidade de ocupação romana neste sítio  um tanto distante de Conímbriga. O  mais provável é que talvez tivesse como finalidade principal alojar um Acampamento Militar?

Temos visitado oPelício, e o seu  estado  actual está completamente descaracterizado: quase toda a área  do sítio que há anos se via coberta de pinheiros e vegetação silvestre secundária é presentemente decorada de vinhedos a perder de vista! Os  vestígios  romanos  do primeiro século depois de cristo-- ou antes todavia--foram todos por água abaixo…

Para saber mais sobre Sítio de Pelício e Catina, consultar a volumosa obra de investigação arqueológica “ Gândara Antiga “,  de João Reigota.

Seria de bastante  interesse  regional e local que alguém ligado à investigação arqueológica providenciasse uma minuciosa pesquisa no referido sítio para conhecer melhor a presença romana na freguesia de Cadima ( antiga Catina-  de catinus ).

É de direito e dever de todos os cidadãos  preservar,  defender e valorizar o património cultural.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fosseis na Gândara


 

Nota:  Nos pinhais e vinhedos limítrofes aos lugarejos de Zambujal e Fornos  é possível encontrar fósseis marinhos ( amonites, bibalves ) do cretáceo ( período da era mesozóica ), o que prova que o mar cobriu toda esta zona há milhões de anos . Guardamos  alguns objectos marinhos ( amonites, bibalves, ostras ) de interesse paleontológico.

 

Paleontologia

 

 

Fósseis de Trilobitas

 

A Paleontologia (do grego palaiós, antigo + óntos, ser + lógos, estudo) é a ciência natural que estuda a vida do passado da Terra e o seu desenvolvimento ao longo do tempo geológico, bem como os processos de integração da informação biológica no registo geológico, isto é, a formação dos fósseis.

 

A vida na Terra surgiu há aproximadamente 3,8 mil milhões (bilhões no Brasil) de anos e, desde então, restos de animais e vegetais ou evidências de suas actividades ficaram preservados nas rochas. Estes restos e evidências são denominados fósseis e constituem o objecto de estudo da Paleontologia.

 

A Paleontologia desempenha um papel importante nos dias de hoje. Já não é a ciência hermética, restrita aos cientistas e universidades. Todos se interessam pela história da Terra e dos seus habitantes durante o passado geológico, para melhor conhecerem as suas origens.

 

O objecto imediato de estudo da Paleontologia são os fósseis, pois são eles que, na actualidade, encerram a informação sobre o passado geológico do planeta Terra. Por isso, se diz frequentemente que a Paleontologia é, simplesmente, a ciência que estuda os fósseis. Contudo, esta é uma definição redutora, que limita o alcance da Paleontologia, pois os seus objectivos fundamentais não se restringem ao estudo dos restos fossilizados dos organismos do passado. A Paleontologia não procura apenas estudar os fósseis, procura também, com base neles, entre outros aspectos, conhecer a vida do passado geológico da Terra.

 

Uma vez que os fósseis são objectos geológicos com origem em organismos do passado, a Paleontologia é a disciplina científica que estabelece a ligação entre as ciências geológicas e as ciências biológicas. Conhecimentos acerca da Geografia são de suma importância para a paleontologia, entre outros, através desta pode-se relacionar o posicionamento e distribuição dos dados colectados pelo globo.Índice [esconder]

Importância

 

A informação sobre a vida do passado geológico (como eram os organismos do passado, como viviam, como interagiam com o meio, como evoluiu a vida ao longo do tempo) está contida nos fósseis e na sua relação com as rochas e os contextos geológicos em que ocorrem. O mundo biológico que hoje conhecemos é o resultado de milhares de milhões de anos de evolução. Assim, só estudando paleontologicamente o registo fóssil - o registo da vida na Terra - é possível entender e explicar a diversidade, a afinidade e a distribuição geográfica dos grupos biológicos actuais. E este tipo de estudo, tornou-se viável, através dos trabalhos de Georges Cuvier, que mediante à aplicação de suas leis da Anatomia Comparada, comprovou o fenómeno da extinção e da sucessão biótica. Ao possibilitar as reconstruções paleontológicas de seres que apresentavam seu registo fóssil fragmentado, por exemplo um único osso, Georges Cuvier, abriu caminho para posteriores elaborações de seqüências evolutivas, que deram suporte às teorias sobre a evolução orgânica.[1].

 

Com base no princípio de que "o presente é a chave do passado", enunciado por Charles Lyell, partindo do conhecimento dos seres vivos actuais e ainda de seu estudo biológico, é possível extrapolar-se muita informação sobre os organismos do passado, como o modo de vida, tipo trófico, de locomoção e de reprodução, entre outros, e isso é fundamental para o estudo e a compreensão dos fósseis.

 

A partir dos fósseis, uma vez que eles são vestígios de organismos de grupos biológicos do passado que surgiram e se extinguiram em épocas definidas da história da Terra, pode fazer-se a datação relativa das rochas em que ocorrem e estabelecer correlações (isto é, comparações cronológicas, temporais) entre rochas de locais distantes que apresentem o mesmo conteúdo fossilífero. O estudo dos fósseis e a sua utilização como indicadores de idade das rochas são imprescindíveis, por exemplo, para a prospecção e exploração de recursos geológicos tão importantes como o carvão e o petróleo.

da Terra. A Tafonomia estuda a integração da informação biológica no registo geológico, ou seja, a formação dos fósseis e das jazidas fossilíferas e do registo paleontológico e a Biocronologia estuda o desenvolvimento temporal (a cronologia) dos eventos paleobiológicos, bem como as relações temporais entre entidades paleobiológicas (os organismos do passado) e/ou tafonómicas (os fósseis).

É no seio da Paleobiologia que se insere a Paleozoologia, o estudo dos fósseis de animais, e a Paleobotânica, o estudo dos fósseis de plantas. Basicamente, qualquer disciplina biológica aplicada aos organismos do passado geológico, por via do estudo dos fósseis, constitui uma subdisciplina paleobiológica: Paleozoologia, Paleobotânica, Paleoecologia (que estuda os ecossistemas do passado), Paleoanatomia, Paleoneurologia, etc.

.

Diferença da Arqueologia

 

Os arqueólogos diferenciam-se dos paleontólogos porque não trabalham com restos de seres vivos - é uma ciência social. Um arqueólogo estuda as culturas e os modos de vida humana do passado a partir da análise de vestígios materiais. Um paleontólogo, entre outras coisas, é um biólogo ou geólogo, e estuda restos ou vestígios de diversas formas de vida (animal, vegetal, etc.) através da análise do que restou delas e da sua actividade biológica: pisadas, coprólitos, bioturbações, fósseis ósseos, etc.

 

A paleontologia estuda todos os organismos que viveram na Terra, incluindo a evolução primata-homem, mas não o ser humano como o conhecemos hoje, pois o estudo e seguimento da vida antropo-cultural se restringe a disciplinas ligadas à arqueologia, à paleoantropologia, à biologia e à medicina. Normalmente, a paleontologia estuda organismos mortos há mais de 11.000 anos; quando os vestígios ou restos possuem menos de 11.000 anos, são denominados de subfósseis. De uma maneira muito simplificada, um paleontólogo estuda os restos ou vestígios de seres vivos desde o início da vida na Terra até há cerca de 10000 anos, incluindo os restos de hominídeos.

 

 

 

Era do gelo  ou idade do gelo

 

O termo era do gelo (também idade do gelo, período glacial ou era glacial) é utilizado para designar um período geológico de longa duração de diminuição da temperatura na superfície e atmosfera terrestres, resultando na expansão dos mantos de gelo continentais e polares bem como dos glaciares alpinos. Ao longo de uma era do gelo prolongada ocorrem períodos com clima extra frio designados glaciações. Em termos glaciológicos, o termo era do gelo implica a presença de extensos mantos de gelo tanto no hemisfério norte como no hemisfério sul,[1] e segundo esta definição encontramo-nos ainda numa era do gelo (pois tanto o manto de gelo da Groenlândia como o manto de gelo antártico ainda existem).

 

Coloquialmente, quando se fala dos últimos milhões de anos, "a" era do gelo refere-se ao mais recente período mais frio com extensos mantos de gelo sobre a América do Norte e Eurásia: neste sentido, a era do gelo mais recente atingiu o seu ponto alto durante o último máximo glacial há cerca de 20 000 anos.

 

Origem da teoria

 

A ideia de que os glaciares do passado haviam sido bastante mais extensos que os actuais era algo percebido pelos habitantes das regiões alpinas da Europa: Imbrie e Imbrie (1979) citam um lenhador de nome Jean-Pierre Perraudin[3] falando a Jean de Charpentier sobre a antiga extensão do glaciar Grimsel nos Alpes Suíços[4]. Macdougal (2004) afirma que o primeiro a ter tal ideia terá sido um engenheiro suíço de chamado Ignaz Venetz[5], mas não foi apenas uma pessoa que teve esta ideia.[6] Entre 1825 e 1833, Charpentier juntou evidências que apoiavam o conceito. EM 1836, Charpentier, Venetz e Karl Friedrich Schimper convenceram Louis Agassiz, e Agassiz publicou a hipótese no seu livro Étude sur les glaciers (Estudo sobre os glaciares) de 1840[7].Segundo Macdougal (2004), Charpentier e Venetz não concordavam com as ideias de Agassiz que ampliou o trabalho deles afirmando que a maioria dos continentes haviam antes estado cobertos de gelo.

 

Neste momento inicial do conhecimento, o que estava a ser estudado eram os períodos glaciais das últimas centenas de milhares de anos, durante a era do gelo actual. A existência de eras do gelo antigas era ainda desconhecida.

 

Evidências de eras glaciais

 

Existem três tipos principais de evidências de eras glaciais: geológicas, químicas e paleontológicas.

Geológicas: as evidências geológicas ocorrem sob formas variadas, incluindo abrasão, arranque e pulverização de rochas, morenas de glaciares, drumlins, vales glaciares, e a deposição de sedimentos glaciares e blocos erráticos. Glaciações sucessivas tendem a distorcer e apagar evidências geológicas, tornando-as difíceis de interpretar.

Químicas: este tipo de evidências consiste sobretudo de variações nas proporções de isótopos em fósseis presentes em sedimentos e rochas sedimentares, testemunhos de sedimentos marinhos, e para os períodos glaciais mais recentes, testemunhos de gelo. Uma vez que água contendo isótopos mais pesados tem um maior calor de evaporação, a sua proporção diminui em condições mais frias[8]. Tal facto permite a construção de um registo de temperaturas. Porém, esta evidência pode ser afectada por outros factores registados pelas proporções isotópicas; por exemplo, uma extinção em massa aumenta a proporção de isótopos mais leves nos sedimentos e no gelo porque os processos biológicos usam preferencialmente isótopos mais leves, portanto uma redução da biomassa terrestre ou oceânica resulta num deslocamento repentino e biologicamente induzido do equilíbrio isotópico no sentido de existirem maiores proporções de isótopos mais leves disponíveis para deposição.

Paleontológicas: estas evidências consistem em alterações na distribuição geográfica dos fósseis. Durante um período glacial os organismos adaptados às temperaturas mais baixas espalham-se por latitudes mais baixas e organismos que preferem condições mais quentes tornam-se extintos ou são empurrados para latitudes mais baixas. Esta evidência é também difícil de interpretar porque requer (1) sequências de sedimentos cobrindo um longo período de tempo, em várias latitudes e que sejam facilmente correlacionáveis; (2) organismos antigos que sobrevivem durante vários milhões de anos sem alterações e cujas preferências térmicas sejam facilmente diagnosticadas; e (3) a descoberta de fósseis relevantes, o que requer muita sorte.

 

Apesar das dificuldades, as análises de testemunhos de gelo e de sedimentos oceânicos, mostrou a existência de períodos glaciais e interglaciais ao longo dos últimos milhões de anos. Estas análises confirmam ainda a ligação entre eras do gelo e fenómenos da crusta continental como morenas, drumlins e blocos erráticos. Assim, os fenómenos da crusta continental são aceites como boa evidência de eras do gelo anteriores quando são encontrados em camadas criadas muito antes do período de tempo do qual estão disponíveis testemunhos de gelo e de sedimentos oceânicos.

 

 

 

                             México típico

 

publicado por luiscatina às 18:25

mais sobre mim
Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO