Maio 02 2010

B

OLETÍM CULTURAL

 CATINA MUNDI

  Casa México-Aljuriça(Portugal)

( O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima )

             

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica y Hispanoamérica es esta publicación mensual…

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são. (A. Aleixo)

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

           ( Platão )        

 

                          

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.  (GANDRASMEXICOCOSTARICA.BLOGS.SAPO.PT)

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo esencial de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.  Dicha publicación llegara a los cuatro rincones del mundo via air mail e  InterNet

 

 

 

 

E DITORIAL

Uma nova São Diego em Cantanhede

 

Basta sonhar na real Villa de D. António Luiz de Menezes para sentir uma  profunda emoção pela moderna e desenvolvida cidade de Cantanhede. Num futuro próximo, estudantes e cientistas de todo o mundo poderão ser atraídos em larga escala até à BIOCANT  de Cantanhede- que é a capital da Gândara- para realizar estudos e  trabalhos de investigação no campo da biotecnologia.

O sonho comanda a vida. A visão o futuro. As raízes da monárquica Villa de Cantanhede levam mais de quatro séculos crescendo, fecundadas  numa aposta pelo crescimento económico e desenvolvimento educacional , e com uma estrutura ideal que, certamente, irá oferecer  grande interesse na internacionalização da educação superior. O ano de 2010 é a data milagrosa para a presidência  da C.M.C. tomar decisões vigorosas e visionárias  no que diz respeito à BIOCANT, e fazer da cidade de Cantanhede uma nova São  Diego  gandareza.

Seria injusto não mencionar neste escrito  o nome dum grande navegador-explorador  português, que a História de Portugal desconhece, devido à sua ligação a Espanha , oriundo da aldeola de Lapela, Montalegre, João Rodrigues Cabrilho (ou Juan Rodriguez  Cabrillo em castelhano ) , e que em 1542  descobriu o que é hoje a Baixa  Califórnia  mexicana, e  desenbarcou em São Diego  em 1542. Em 1939, foi  erigida uma estátua em pedra calcária para perpetuar a sua memória em terras ameríndias.

Tenho um sentimento de esperança pela BIOCANT, pela razão singular de ver Cantanhede  numa posição estratégica em pleno coração da Beira Litoral, entre centros de ensino  superior como Coimbra, Aveiro e  Figueira da Foz.

Neste momento  já há universidades e centros de investigação  do Novo Mundo com os olhos postos na BIOCANT; são  empresas de pesquisa  sedentas de conhecimento e ciência aplicada.

Actividades paralelas à investigação biológica e celular poderão desenvolver-se  grandemente, especialmente aquelas ligadas ao debate académico, ao intercâmbio do conhecimento científico,  em congressos, conferências e reuniões de trabalho- e  ao  Golf ( um tipo de desporto bem caro) -,  entre outras actividades de carácter  académico.

Resumindo e concluindo, como resultados imediatos está  o fortalecimento da indústria  de serviços existente, incluído o turismo  cultural, rural-paisagístico  e  gastronómico ,  e o desenvolvimento  de novas  opções com a criação de novos postos de emprego e recursos. Cantanhede tem potências e qualidades,  escondidas ainda , para se tornar  no coração da Gândara  a cidade do saber!.

 Nota:   Os leitores do I.C. que tenham interesse em saber mais sobre a vida aventureira de João Rodrigues Cabrilho, poderão  consultar a mais recente biografia  editada pela  C.M. de Montalegre  em 2008.


O herói Barrosão

No próximo dia 9 de Dezembro, as Jornadas Culturais do “Notícias de Barroso” vão incidir sobre o grande herói de Quinhentos que descobriu a Costa da Califórnia, João Rodrigues Cabrilho.

A evocação pretende levar mais conhecimentos a todos os barrosões sobre a vida deste extraordinário Herói que, além de notável combatente e marinheiro, se distinguiu como insigne navegador e até como notável jornalista. Ele, pela forma como descreveu a sua arriscada e grande viagem aos reis de Espanha, poderá e deverá ser considerado o primeiro jornalista do Novo Mundo. É pois também justo relevar esta sua faceta de homem da comunicação que, naqueles tempos, se exercia duma forma muito mais difícil que nos dias de hoje.

Por outra lado, João Rodrigues Cabrilho é dentre todos o herói mais ignorado daquela época áurea dos descobrimentos. Tanto em Portugal como em Espanha, João Rodrigues Cabrilho raramente é mencionado como figura de grande relevo. Em Espanha ainda se compreende porque está científicamente provado que ele era português e em Portugal porque outras figuras notáveis (felizmente são muitos os heróis portugueses de Quinhentos) ocupam o seu lugar. Portanto, há aqui uma obrigação acrescida dos portugueses em geral e dos barrosões em particular de lembrar a memória de João Rodrigues. Valha-nos o facto da comunidade de S. Diego da Califórnia, Estados Unidos da América, todos os anos, em finais de Setembro, comemorar a chegada de Cabrilho à baía desta linda cidade com um programa de âmbito nacional e de grandiosa espectacularidade. Portugal, Espanha, México, para além dos Estados Unidos fazem-se representar nessas comemorações americanas.

A pessoa por nós escolhida para falar sobre o herói das terras de Barroso é o Dr. João Soares Tavares, um investigador com obra de mérito e consagrada. Apesar de beirão, ele vem, mais uma vez, demonstrar com novos dados que João Rodrigues Cabrilho é de Lapela, de Cabril. Aliás, como será do conhecimento geral, hoje por hoje, e ao contrário de há duas ou três décadas atrás, ninguém contesta a naturalidade barrosã de João Rodrigues.

Contamos que na sessão compareçam os montalegrenses e os barrosões em geral para tomarem mais conhecimento da nossa história barrosã. É que lembrar os feitos dos nossos heróis e apontá-los como exemplo aos mais jovens é tarefa obrigatória de todos porque só deste modo se conseguirá uma sociedade mais justa e com mais autoestima.

Carvalho de Moura

Inn Notícias de Barroso, de 27 de Dezembro de 2007.

 

 

*Numa grande entrevista ao jornal  O MIRANTE  de Santarem, o dr. Bagão Felix( que é um Homem importante na nossa cultura ) diz que é necessário falar a verdade aos portugueses e partilhar os sacrifícios. O actual modelo económico está esgotado e só há um caminho: preparar melhor as gerações mais novas e exportar mais, ou produzir internamente mais para evitar importações. Gastamos mais do que aquilo que produzimos.

                                       

*A Madre Tereza de Calcuta empreendeu uma  acção de grande  mérito em prol dos hindús esquecidos. A sua larga vida foi toda de florida vivência em fraternidade franciscana. Vicente Ferrer, um castelhano burguês, desprendeu-se da vida galante  espanhola e rumou, nos anos 50, para a India para amparar e educar as crianças órfãs. Como  o irmão Francisco de Assís se encontrou com o leproso, o irmão Vicente Ferrer encontrou-se com os anjinhos doentes e esfomeados, carentes de tudo. Aqui pela Gândara gandareza- nas redondezas de Catina e de Ançã- também há irmãos e irmãs que dão exemplos concretos do silêncio e da pobreza na vida de Francisco e de Vicente. A dedicação destes dois irmãos gandarezes é creadora de admiração e respeito de parte deste humilde cidadão catinense que sabe que nada sabe…

Estes nossos caridosos irmãos dedicam-se à prática do bem, expondo assim a sua vida em proveito do próximo. Que DEUS os abençoe  estes franciscanos gandarezes, e dê inteligência aos pobres de espírito para que aprendam a não apanhar espinhos mas sim a espalhar alegrias por ondem passem. Se há uma virtude no mundo a que devemos sempre “ pescar “, é a alegria. Escutai irmãos o Hino da Alegria( ou Ode a alegria ), de Beethoven!

  • A chave da felicidade está dentro de nós. Por este Portugal adentro quantas crianças ricas não há, tristes e deprimidas, ao lado de Play stacions e luxuosos brinquedos; quantas crianças pobrezinhas, felizes como príncipes, com uma bola e uma bicicleta! A  Clave ( não a clave de sol ) está dentro do nosso coração. É o coração que dá a medida da alegria!

·       Diego de Avendaño

De Wikipedia, a enciclopedia livre

Diego de Avendaño (Segovia, 1594 - † ?), foi um teólogo, jurista e filósofo hispano-peruano. Seu magnum opus, o Thesaurus Indicus, é uma obra monumental que reflete as ideias jurídicas, filosóficas e religiosas imperantes na sociedade colonial hispanoamericana do século XVII.

Biografia

Diego de Avendaño nasceu em Segovia em 1594. Muito cedo emigrou a Sudamérica, para ser educado com os jesuitas, com quem permaneceria pelo resto de sua vida. Sendo um homem de personalidade ambigua, as recolecciones que sobre ele se realizaram têm permanecido obscuras. Vários de seus biógrafos consideraram-no um homem muito piedoso, enquanto outros assinalaram suas perspectivas tiránicas. Sua  ambigüedad manifestava-se sobretudo em algumas contradições a ou longo de sua obra, onde, se por uma parte se esforçava em defender aos indígenas, por outra impunha sobre eles abusos próprios do colonialismo. Pode dizer-se o mesmo com respeito a sua atitude em torno da escravatura de africanos: se, por uma parte, considerava a trata-a de escravos ilícita, por outra parte recorria a argumentos relativamente comuns em sua época, para salvaguardar a instituição da escravatura.

Desenvolveu uma vasta obra que trata sobre diversos temas, se especializando nos referidos à teología, jurisprudencia, sistemas políticos convenientes e sobre a História da Europa]] e as Índias. Avendaño foi bem conhecido por seu intenso sentimento españolista, o qual não deixaria de se refletir em toda sua obra. Apesar de que nunca regressou a sua terra natal, sempre a levou consigo, e os pontos de vista expostos em sua obra elaboram uma visão privilegiada de seu país de procedência.

Não obstante, o longo tempo que passou em sua terra adoptiva permitiu a Avendaño desenvolver um sentimento de intimidem com o Peru. Assim, sua obra está moldada como um esforço por atender a maneira em que os assuntos políticos de sua nova terra deveriam ser manejados. O mesmo pode dizer-se de seu afinidad para com os jesuitas, a ordem à que permaneceu fiel pelo resto de sua vida. Foi professor de Teología e Reitor do Colégio Máximo de San Pablo de Lima, inspirador dos Seminários de problemas de Moral Prática, que se levavam a cabo em um princípio uma vez à semana e mais tarde duas vezes à semana, os seminários continuaram ininterruptamente por duzentos anos neste Colégio de jesuitas de Lima.

 

Farinha de Trigo, Açúcar e cocaína

Tirando o atraso e aproveitando sites que visitei neste final de ano, o blog a Menina do Dedo Verde, de Carol Daemon, é lindo….Muita informação a respeito de alimentação.

Um artigo interessante que tirei de lá foi  Farinha de trigo, açúcar e cocaína
por Denis Russo

Se um dia alguém resolver erigir um monumento em praça pública às boas intenções frustradas do pensamento científico, podia ser uma estátua monumental de um prato cheio de pó branco. Assim homenagearíamos de uma só vez três enganos cientificistas: a FARINHA DE TRIGO REFINADA, o AÇÚCAR BRANCO e a COCAÍNA. Três pós acéticos e quase idênticos, três frutos do pensamento que dominou o último século e meio: o reducionismo científico. Três matadores de gente.

Não é por acaso que os três são tão parecidos. Todos eles são o resultado de um processo de “refino” de uma planta – trigo, cana e coca. Refino! Soa quase como ironia usar essa palavra chique para definir um processo que, em termos mais precisos, deveria chamar-se “linchamento vegetal” ou algo assim. Basicamente se submete a planta a todos os tipos de maus-tratos imagináveis: esmagamento entre dois cilindros de aço, fogo, cortes de navalha, ataques com ácido. Até que tenha-se destruído ou separado toda a planta menos a sua “essência”. No caso do trigo e a da cana, o carboidrato puro, pura energia. No caso da coca, algo bem diferente, mas que parece igual. Não a energia que move as coisas do carboidrato, mas a sensação de energia ilimitada, injetada diretamente nas células do cérebro.
Começou-se a refinar trigo, cana e coca mais ou menos na mesma época, na segunda metade do século 19, com mais intensidade por volta de 1870. No livro (que recomendo muitíssimo) “Em Defesa da Comida”, o jornalista Michael Pollan conta como a tal “cultura ocidental” adorou a novidade. Os cientistas ficaram em êxtase, porque acreditavam que o modo de compreender o universo é dividi-lo em pequenos pedacinhos e estudar um pedacinho de cada vez (esse é o tal reducionismo científico). Nada melhor para eles, então, do que estudar apenas o que importa nas plantas, e não aquele lixo inútil – fibras, minerais, vitaminas e outras sujeiras. Os capitalistas industriais também curtiram de montão. Um pó refinado é super lucrativo, muito fácil de produzir em quantidades imensas, praticamente não estraga, pode ser transportado a longuíssimas distâncias. A indústria de junk food floresceu e sua grana financiou as pesquisas dos cientistas, que, animadíssimos, queriam mais.

  • Democracia y clases medias

La democracia en América Latina está siendo amenazada desde varios “cuarteles”. Si bien nunca como ahora ha habido tantos Gobiernos surgidos de elecciones populares y competidas, mediante votaciones libres y garantías razonables de limpieza electoral, han surgido otras amenazas: a la independencia de los poderes Judicial y Legislativo; a la libertad de comunicación.

La cooptación del Ejército o su regreso como “árbitro” del poder” (Honduras) y el empleo de recursos y medios desde “el poder” para intimidar a personas o sectores específicos; la difusión de ideas sobre “nuevas formas de democracia” que eliminan o restan valor a algunos de los pilares de la democracia republicana y “extrañas alianzas”, son también serias amenazas a los avances democráticos.

Estas amenazas se explican, en parte, por el debilitamiento y transformación sufridos por la clase media como resultado de cambios económicos en las tres últimas décadas. Y pasan de amenazas a calamidad, cuando no se les enfrenta a fondo, según la historia de cada país. Cambios en clase media. En Costa Rica, la composición de la clase media ha variado profundamente. Más recientemente, el sistema político ha venido sufriendo el embate de este fenómeno de estrechamiento de acceso a posiciones de decisión política de algunos sectores medios.

Estos dos fenómenos, actuando simultáneamente, agudizan la necesidad de introducir cambios para evitar que, por la vía de reducir oportunidades a la clase media, se ahogue la democracia.

Hasta los años ochentas del siglo XX, nuestra clase media tenía origen principalmente en las oportunidades creadas directamente por el Estado, ya fuera por medio de empleos o de formas de protección económica. Eso que Marx llamó la “pequeña burguesía”; es decir, pequeña empresa (artesanal, comercial, industrial) no constituía la mayor proporción de nuestras clases medias y por ello, los análisis marxistas minimizaban, equivocándose, el papel de este sector social.

La integración al mercado internacional, la reducción de la participación directa del Estado en la economía y la irrupción de sectores profesionalmente educados y ligados a las nuevas tecnologías, cambian la composición relativa de la clase media, incluyendo una “pequeña burguesía” dinámica, dedicada a los servicios, tanto tecnológicos como turísticos y profesionales en general. Este subsector de pequeños empresarios, irrumpe ahora con más fuerza en la economía, pero carece de la motivación (o fuerza) suficiente y los mecanismos de incorporación al sistema político.

Por otra parte, sectores académicos, ligados a la investigación y a la difusión de los nuevos conocimientos, así como a la dialéctica del debate, compiten con grupos menos educados por los escasos puestos de elección popular o designación política, en una población creciente, lo cual ha reducido más que proporcionalmente sus probabilidades de acceso a la representación política y a los cargos de decisión del Estado. Con alguna frecuencia, esto los radicaliza. Todo lo anterior tiende a crear una barrera (o tapón) cada vez mayor para la incorporación de los ciudadanos a cargos públicos de relevancia, con lo cual se desperdicia mucho talento social.

Lamentablemente, este no es el juicio que hacen la mayoría de los ciudadanos que, igual que en casi todos los países (y justificadamente a veces), ven en la función pública y en los políticos, gente que solo quiere disfrutar de “las mieles del poder” sin cumplir una función social fundamental. Para “el público” (como lo llamaba Don Pepe) hay “demasiados diputados, demasiados ministros”.

Como la democracia es un bien público, “la gente” no quiere pagar por ella. Los datos y análisis indican, sin embargo, que a pesar de errores, vicios y otros males, la función de gobierno, vista en perspectiva de largo plazo, ha sido muy beneficiosa y exitosa en Costa Rica. La función de velar por “lo de todos” es inherente a la sociedad.

Pero el sistema requiere oxigenarse. Si bien el resultado de las últimas elecciones le dio un espaldarazo a nuestro sistema y los electores le echaron un balde de agua fría a los extremistas de todos los pelajes y a los predicadores del apocalipsis, cuantas más oportunidades y éxito tenga el país en su desarrollo socioeconómico, más debe velarse para que los más capaces, con vocación y compromiso, accedan a la acción política y al Gobierno.

Los excesos del pasado se han superado y las vacunas contra “el botellismo” deben aplicarse.

La meritocracia no es solo asunto de capacidad intelectual, también puede serlo de vocación y compromiso, siempre que haya honradez. Para no caer en Gobiernos de élites o de mediocres, la sociedad debe dar el valor debido al ejercicio de lo público. La calidad del Gobierno es esencial para el progreso económico y social, como lo demuestran tantos países.

Este periódico en un editorial y en algún comentario, señaló, valientemente, la necesidad de mejorar la remuneración de los ministros. Es un punto importante. Pero algo similar debe analizarse en otros cargos.

También debe pensarse en revisar (aumentar) el número de diputados y la forma de elegirlos (¿combinar listas provinciales y nacionales? ¿Elección directa?), al tiempo que se reduce el número y funciones de los asesores legislativos.

 

No cinquentenário da morte de Teixeira de

Pascoaes (1877-1952)

Antônio Cândido Franco

Universidade de Évora

Teixeira de Pascoaes revelou-se, ainda na adolescência, em livros como Belo (1896-1897) ou Sempre

(1898), um poeta marcado pelo moderno, tal como este fora entendido, na poesia portuguesa

imediatamente anterior, por poetas como Antero de Quental, Guerra Junqueiro ou Gomes Leal. Estes

três poetas, marcados pela reacção contra o carácter emotivo da arte, manifestam uma tendência crítica e

social muito agressiva, congénere da do primeiro Eça de Queirós, mas visam, além dela, a uma

alternativa do espírito. Nenhum deles se limita a fazer o juízo do passivo; todos interrogam, com ele,

uma possibilidade de libertação.

Ao lado desta tradição poética do moderno, inaugurada por Antero com a publicação das Odes

Modernas (1865), uma outra, menos dramática, menos inquieta e profunda, ainda que por vezes

formalmente mais brilhante e perfeita, desabrochou na poesia portuguesa finissecular com as poéticas de

Cesário Verde e sobretudo de Eugénio de Castro e Camilo Pessanha.

Teixeira de Pascoaes, como poeta revelado entre 1896 e 1900, poucas ou nenhumas afinidades

mostra com esta última tendência. Toda a significação dos seus poemas iniciais se joga numa ânsia de

dramatização do mundo, que revolve muito mais as profundidades revulsivas do discurso que os seus

elementos de superfície. O que, desde logo, nos aparece como surpreendente na poesia de Teixeira de

Pascoaes é a metáfora material, a analogia das partes separadas ou contrárias, a recomposição

imaginativa e paradoxal do mundo dividido, nunca a rima ou a métrica, que alguns (pensando em

Cesário, Eugénio e Pessanha) diriam só banal. As imperfeições de forma são nesta poesia compensadas

por uma prodigiosa expressão da imaginação; a uma forma correcta, ela prefere uma expressão sublime,

ainda que torrencial e obscura.

Na poesia de Pascoaes, como de resto na de Antero ou de Junqueiro, não está em jogo uma

questão de primor técnico ou de elegância formal, mas de criação e videntismo. O poeta para Teixeira de

Pascoaes é aquele que cria ou vê, que cria ou vê o invisível, e não o que inventa ou constrói com um

saber mecânico. A sublime significação do poema não está no verso enquanto arte, mas na condensação

verbal do desconhecido. Aquilo que separa Pascoaes de Pessanha, ou noutro registo Junqueiro de

Cesário, é aquilo que faz a diferença entre Rimbaud e Moréas.

O espírito moderno, com a extensa cadeia de livros que Pascoaes foi publicando entre 1896 e

1912, consolidou-se em Portugal como uma expressão do invisível e não como uma questão de arte ou

de correcção de forma. Expressão do invisível queria dizer para Pascoaes, como de resto para Rimbaud,

condensação do mundo espiritual ou diluição do mundo material. Foi este entendimento da finalidade do

poema como imaginação da dissolução material do mundo ou da sua coagulação espiritual que salvou o

verso na moderna poesia portuguesa de ser apenas um ornamento formal inofensivo, que era o risco

duma tradição lírica entendida na linha de Cesário, Eugénio ou Pessanha.

Com livros como Vida Etérea (1906), As Sombras (1907), Senhora da Noite (1909), Marános

(1911) ou Regresso ao Paraíso (1912), Pascoaes deu ao verso em língua portuguesa uma plasticidade

única na condensação verbal do desconhecido, apresentando-o, no seguimento de Antero e Junqueiro,

como inteiramente adequado à criação ou ao aparecimento do invisível.

A poesia saudosista de Teixeira de Pascoaes trouxe assim, entre 1896 e 1912, à poesia portuguesa,

um alto sentido visionário e desenvolveu, à luz bifronte da saudade, um forte propósito catártico, numa

tensa argumentação especulativa, de tipo analógico, em que os grandes pares de opostos (vida-morte,

luz-trevas, espírito-matéria) nos aparecem expressos em termos de complementaridades retóricas.

 

Teixeira de Pascoaes

Teixeira de Pascoaes produziu a partir da experiência existencial da saudade - presente de forma vaga e imprecisa nos seus primeiros textos em verso - uma reflexão, a que subjaz o princípio fundamental de que o ser manifesta uma condição saudosa. Do Ser ao ser, processa-se uma verdadeira queda ontológica, uma cisão existencial, manifestando o mundo, na sua condição decaída, um "pathos universal". Da condição saudosa de ser resulta pois uma condição dolorosa do mesmo ser. Dor de privação, dor de saudade, consciência da finitude, de imperfeição, de insuficiência ôntica.
A experiência da dor pelo homem saudoso, é simultaneamente individual e universal. Por ela o homem–poeta entende o mundo como "uma eterna recordação", percebendo a realidade como evocadora de uma outra realidade mais real que aquela.

A condição dramática da existência manifesta-se assim numa permanente tensão entre Ser e existir. O homem existe num primeiro nível de dignidade ontológica, partilhando pelo corpo o mundo da matéria, e vive pelo espírito. A vida é pois uma eterna aspiração à ultrapassagem da realidade material. A alienação é a situação que resulta da impossibilidade de o homem ser, verdadeiramente. Dividido entre assumir-se como puro espírito ou pura matéria, o homem não é nem pode ser verdadeiramente, oscilando eternamente entre uma e outra condição.

A saudade pascoaesiana transcende assim o mero sentimento individual, para assumir uma dimensão ontológica e metafísica. Na mesma medida em que todo o Universo "é a expressão cósmica da saudade" enquanto " infinita lembrança da esperança", a saudade psicológica, individual, assume, enquanto o homem partilha a condição do mundo, uma dimensão metafísica. Enquanto o homem como ser finito e imperfeito aspira à perfeição de ser, a saudade assume uma dimensão ontológica.

A saudade encarada do ponto de vista existencial leva o autor a conceber a natureza como sagrada, uma vez que a saudade do mundo é também saudade de Deus, de um Deus presente nas próprias coisas. É a divindade que se apropria de si mesma na evolução da natureza, pelo que Pascoaes postula a sacralização da mesma natureza. Deus existe antes e independentemente do homem; no entanto a vida, confere-lha o próprio homem.

O pensamento de Teixeira de Pascoaes manifesta assim, uma particular forma de religiosidade, que provém desde logo desta presença de Deus na natureza e da sua evidenciação nela. O autor concebe uma ordem na natureza, um princípio teleológico alheio ao acaso que deixa supor uma inteligência ordenadora que presida às transformações da realidade. Todo o esforço humano será para penetrar o Mistério da vida e do cosmos.

Deveremos referir ainda, que Pascoaes manifesta uma evidente preocupação com a natureza das relações do homem com a paisagem que o envolve, podendo mesmo considerar-se que há profundas preocupações ecológicas na sua obra. A sacralização da natureza de que falamos, determina uma relação de profundo respeito do homem pela paisagem e o cuidado com a sua preservação. Perpassa na sua obra um desencanto com o progresso que deveremos no entanto contextualizar. Trata-se da recusa de um progresso descaracterizador da natureza.

Sensivelmente de 1910 a 1919, Teixeira de Pascoaes teoriza o saudosismo, pensamento que desenvolve no âmbito do movimento da "Renascença portuguesa", de cujo órgão oficial, "A Águia," foi director. O saudosismo acaba por designar o movimento de cunho lusitanista estruturado em torno à questão da saudade portuguesa .Particularmente influenciado pelo momento político que se vivia em Portugal com o advento da República, e condicionado ainda, pela persistente crise que afectava a sociedade e a cultura nacionais, o pensador de Amarante desenvolve uma particular atenção às características particulares diferenciadoras do "génio lusitano", considerando a necessidade de preservar a identidade nacional, pela promoção do encontro de Portugal com a suas próprias raízes. O génio português encontra a sua síntese na saudade lusíada, que, não obstante ser um sentimento cósmico encontra num povo caracteristicamente saudosista a sua expressão mais apurada. Apenas a palavra portuguesa,"saudade", permite revelar algo da sua natureza essencialmente misteriosa, pelo que o autor parece esquecer o conceito universalista de saudade, para evidenciar o seu carácter intraduzível, e conceber mesmo uma teoria ortográfica cujo axioma fundamental determinava a necessidade de fazer corresponder a ortografia das palavras ao seu perfil psicológico. Para o autor "as palavras são seres" e nessa circunstância possuem um perfil físico e outro psicológico, que deverão estar em harmonia ao apresentar-se na sua forma gráfica.

O saudosismo manifesta ainda um caracter messiânico e profético aceitando Pascoaes o advento de uma nova "era lusíada".

A tese da exclusividade lusa da saudade provocou as mais desencontradas reacções, sendo de realçar o enfrentamento que teve lugar entre o núcleo Saudosista e o Seareiro, provocando tensões evidentes entre Pascoaes ele próprio, e António Sérgio, reflectidas na importante polémica que ambos mantiveram. Não deveremos esquecer, porém, que a saudade portuguesa manifesta uma ligação clara à saudade universal. Se existe uma saudade portuguesa, é porque existe igualmente a saudade experienciada por outros povos. Refira-se no entanto, que o autor não foi suficientemente explícito nesta questão, particularmente durante o período em que se envolveu no movimento da "Renascença Portuguesa".

De destacar ainda que a ontologia monista e panteísta perfilhada por Teixeira de Pascoaes, concebendo que "tudo está em tudo", e que a inteligibilidade dos seres particulares se estrutura na referência ao todo de que fazem parte, determina que também a saudade lusíada encontre a sua origem na saudade universal apenas podendo por ela ser compreendida.

A saudade é uma via para o conhecimento: por ela abre-se uma via para uma mundividencia, uma concepção geral da existência. O "pensamento poético" de Teixeira de Pascoaes é a expressão da possibilidade de conhecimento que se abre pela via da saudade. O conhecimento poético é simultaneamente estético, metafísico e ontológico: estético porque o que lhe é próprio se conhece pelo sentimento, metafísico e ontológico porque o seu horizonte é o da verdade que manifesta um caracter transcendente.

BIBLIOGRAFIA

1-De Teixeira de Pascoaes

1895-Embryões (poesia)
1896-Belo (poesia)-1ª parte
1897-Belo-2ª parte
1898-À Minha Alma e Sempre (poesia)
1899-Profecia (poesia) - em colaboração com Afonso Lopes Vieira
1901-À Ventura (poesia)
1903-Jesús e Pan (poesia)
1904-Para a Luz (poesia)
1906-Vida Etérea (poesia)
1907-As Sombras (poesia)
1909-Senhora da Noite (poesia)
1911-Marânus (poesia)
1912-Regresso ao Paraíso (poesia). Elegias (poesia; O Espírito Lusitano e o Saudosismo (conferência)
1913-O Doido e a Morte (poesia); O Génio português na sua expressão filosófica poética e religiosa (Conferência)
1914-Verbo Escuro (Aforismos); A Era Lusíada (conferência)
1915-A Arte de Ser Português (prosa didáctica)
1916-A Beira Num Relâmpago (prosa)
1919-Os Poetas Lusíadas (conjunto de conferências proferidas na Catalunha)
1921-O Bailado (prosa filosófica) e Cantos Indecisos (poesia)
1922-Conferência e A Caridade (conferência)
1923-A Nossa Fome (prosa filosófica)
1924-A Elegia do Amor (verso) e O pobre Tolo
1925-D. Carlos (poesia); Cânticos (poesia); Sonetos
1926-Jesús Cristo em Lisboa (peça de teatro escrita em colaboração com Raul Brandão)
1928-Livro de Memórias (prosa autobiográfica)
1934-S.Paulo (biografia romanceada)
1936-S. Jerónimo e a Trovoada (biografia romanceada)
1937-O Homem Universal (prosa filosófica)
1940-Napoleão (biografia romanceada)
1942-Camilo Castelo Branco O Penitente (biografia romanceada); Duplo Passeio (prosa)
1945-Santo Agostinho (biografia romanceada)
1949-Versos Pobres
1950-Duas conferências em defesa da paz *

 Saudosismo


Movimento literário, essencialmente poético, que se insere na actividade da sociedade portuense «Renascença Portuguesa», fundada por Jaime Cortesão, Álvaro Pinto, Teixeira de Pascoaes e Leonardo Coimbra, e cujo órgão foi a revista A Águia (1910-1932), propriedade dessa sociedade a partir de 1912 (início da 2.ª série). Nessa data, passaram a ser directores da revista (respectivamente literário, artístico e científico) Teixeira de Pascoaes, António Carneiro e José de Magalhães. O Saudosismo, no sentido estrito, é uma atitude perante a vida que, segundo Pascoaes e muitos outros, constitui feição típica da literatura portuguesa, tanto culta como popular, logo traço definidor da «alma nacional». Essa atitude interpretou-a o autor de Marânus atribuindo à saudade amplas dimensões e profundo significado, arvorando-a mesmo em princípio enformador dum ressurgimento pátrio. A atmosfera mental portuguesa estava então impregnada do idealismo e do nacionalista tradicionalista que se haviam desenhado na última década do séc. XIX e de que Alberto Oliveira fora um primeiro doutrinador. Segundo Joel Serrão, a ideação de Sampaio Bruno exposta em O Encoberto (1904), em que se debruça sobre a decadência dos povos peninsulares, «exerceu influência decisiva, conquanto difusa (como é timbre do esoterismo) nas ideias-forças da 'Renascença Portuguesa' (1912) e constituiu, possivelmente, um dos impulsos iniciais do saudosismo». A «Renascença Portuguesa» congregou muitos espíritos animados do desejo de, agindo no plano da cultura, promover a reconstrução do país, minado pelas dissenções políticas que a instituição da República não viera sanar.

A maioria dos colaboradores d' A Águia aceitou Pascoaes como seu mentor, quer dizer, aderiu ao Saudosismo, perfilhou a doutrina formulada por Pascoaes no limiar do 1.º volume da 2.ª série. A Pátria - diz ele - anda tacteando no caos. «É preciso, portanto, chamar a nossa Raça desperta à sua própria realidade essencial, ao sentido da sua própria vida, para que ela saiba quem é e o que deseja. E então poderá realizar a sua obra de perfeição social, de amor e de justiça, e poderá gritar entre os Povos: Renasci!» Ora aquela «realidade essencial» consiste na Saudade maiusculada: «A Saudade é o próprio sangue espiritual da Raça; o seu estigma divino, o seu perfil eterno. Claro que é a saudade no seu sentido profundo, verdadeiro, essencial, isto é, o sentimento-ideia, a emoção reflectida onde tudo o que existe, corpo e alma, dor e alegria, amor e desejo, terra e céu, atinge a sua unidade divina». Está assim determinado o rumo da «Renascença Portuguesa»: «continuarei sempre a afirmar que o movimento da Renascença Portuguesa se faz e fará dentro da Saudade revelada, a qual se ergue à altura duma Religião, duma Filosofia e duma Política, portanto. Dentro dela, Portugal, sem deixar de ser Portugal, poderá realizar os maiores progressos de qualquer natureza». Sem claramente nos dizer como tais ideias se vinculam à Saudade, Pascoaes preconiza um Portugal agrário, uma organização municipalista e uma Igreja independente. Leonardo Coimbra dá-lhe inteiro apoio; vê em Pascoaes o Profeta; a propósito do Deus infante cujo advento se anuncia no Regresso ao Paraíso, escreve euforicamente: «Olhai a sua melancolia feita de vida e não de morte, é a melancolia da Saudade, que é tão-só a concentração do Espírito apreendendo-se no drama da sua essência. É D. Sebastião que volta! [...] Alvorece a nova religião, a alma portuguesa vai possuir-se em Deus». O próprio Pascoaes identifica o Saudosismo com um sebastianismo esclarecido, revelado pelos novos poetas. Jaime Cortesão igualmente procura no passado, nas fontes genuínas da nacionalidade, a inspiração para um futuro de grandeza renovada; as suas palavras vibram dum optimismo messiânico: a Árvore da Raça «tem de entranhar bem as raízes na Terra-Mãe, banhar-se na seiva original e então os ramos subirão a perder de vista e as naus da aventura, instrumento do nosso Destino, hão-de ir no Céu à descoberta das certezas divinas». Colaborando n' A Águia com uma série de artigos sobre «A Nova Poesia Portuguesa», o jovem Fernando Pessoa afirma que os poetas saudosistas anunciam o pensamento da «futura civilização europeia» - um transcendentalismo panteísta -, e que portanto essa futura civilização europeia será «uma civilização lusitana». Deve estar para muito breve - acrescenta profeticamente - o aparecimento do poeta supremo da nossa raça e, ousando tirara a verdadeira conclusão que se nos impõe [...], o poeta supremo da Europa, de todos os tempos [...] e a nossa grande raça partirá em busca de uma Índia nova, que não existe no espaço, em naus que são construídas 'daquilo de que os sonhos são feitos'. E o seu verdadeiro e supremo destino, de que a obra dos navegadores foi o obscuro e carnal ante-remedo, realizar-se-á divinamente». O futuro vate da Mensagem integra-se, como se vê, no clima de exaltação sebastianista dos poetas d' A Águia. É mais um patriota místico, pronto a embarcar para o reino da Quimera, embora adivinhemos por detrás desta atitude uma deliberação mental.

Claro está, enquanto doutrina político-social (tal como Pascoaes a expõe em vários escritos, designadamente a Arte de Ser Português), o Saudosismo não podia satisfazer os espíritos com exigência de positividade e articulação lógica. Em breve António Sérgio e Raul Proença, sócios da «Renascença Portuguesa», manifestaram o seu desacordo, travando o primeiro correspondência polémica com Pascoaes nas colunas d' A Águia. Temperamentos inconciliáveis, falavam linguagens diversas. Sérgio acusou Pascoaes dum pensamento demasiado utópico e passadista, fechado num lusitanismo xenófobo, provinciano, incompatível com o moderno espírito europeu. O idealismo do poeta d' As Sombras desprezava o progresso técnico, substimava as realidades económicas, atribuía imaginosamente a um estado de alma deprimente, passivo, virtualidades construtivas. O que era preciso era cortar com a tradição nacional de isolamento sonhador, paralisante. A tese de Sérgio «é que o progresso moral dum povo está dependente do seu progresso económico». Em resumo, no seu entender, o Saudosismo não passava de nova manifestação do « temperamento fantasista, impulsivo, inconsistente, - por uns classificado de idealista e por outros de retórico -, que nos formou a velha sina de conquistadores e aventureiros, retardatários da Cavalaria». Esta primeira dissidência havia de conduzir ao aparecimento da Seara Nova.

[...]

Nas colunas d' A Águia encontramos lado a lado poetas já feitos, com individualidades marcadas: um Teixeira de Pascoaes, um António Correia de Oliveira, um Afonso Lopes Vieira. Define-os em conjunto um neo-romantismo espiritualista e lusitanizante que se compraz em evocar tradições e em cantar a terra portuguesa; os dois primeiros exprimem uma religiosidade vagamente panteísta, são visionários de tom profético, de «verbo escuro», enquanto Lopes Vieira parece menos «inspirado», cultiva como esteta consciente, de forma límpida, trabalhada, um neogarrettismo professo; a sua intuição de homem culto leva-o a glosar temas e formas típicos da História, da lenda, da literatura culta e popular.

[...]

Todos estes poetas se podem definir como neo-românticos (descontando o esmero estético de Lopes Vieira e o modernismo ou modernidade de Afonso Duarte, ambos artistas muito conscientes): são intuitivos,  expansivos, exclamativos, inclinados à oratória; oscilam entre o historicismo e o popularismo; dos românticos e dos simbolistas herdam o gosto da paisagem crepuscular e outoniça, confundida com estados de alma saudosos; mesmo quando evocam a terra da infância (o Marão de Pascoaes, o Alentejo de Mário Beirão), imaterializam, transfiguram os lugares, povoam-nos de sombras e de espectros, embebem-nos de alma. Fernando Pessoa observa que, para os saudosistas, «matéria e espírito são [...] reais e irreais ao mesmo tempo»; que eles operam ao mesmo tempo a cada passo a «materialização do espírito» e a «espiritualização da matéria». E cita como exemplos típicos os versos de Pascoaes «A folha que tombava / Era alma que subia», e expressões como «choupos de alma» de J. Cortesão. Afonso Duarte fala em «tardes de alma», «êxtases de árvores», «crepúsculo de mágoa» - imagens que logo lembram o autor de Marânus. É um espaço subjectivo, o indefinido, o ausente, o que fica «para além», que estes poetas tentam sugerir. «Há paisagens que são almas rezando» - lemos em Augusto Casimiro. «Tarde absorta», «longes moribundos», «um íntimo sorriso / De além de ti» - escreve Mário Beirão. Visão mística, animista, da Natureza, em que tudo se esfuma em vagos anseios, quimeras, vida etérea, «verbo etéreo»- É este o lado mais propriamente saudosista (em certa medida «escolar», sob a égide de Pascoaes) dos poetas d' A Águia. A par disto, o bucolismo, o folclorismo, certo alor sentimental. Quanto à linguagem poética, um regresso: herdeiros do Junqueiro d' Os Simples e das Orações, ligados também ao romantismo neogarrettista de Nobre, os saudosistas pouco aproveitaram da experiência formal do Simbolismo; preferem uma expressão mais tradicional, mais clássica, o «verso escultural» de Pascoaes; não se demoram num esforço de análise do subconsciente, são muito menos modernos e europeus que os poetas - afinal contemporâneos - do Orpheu. Daí o desentendimento entre Pascoaes e F. Pessoa, que cedo abandonou A Águia, onde o seu espírito renovador se sentia constrangido.

Como tentativa de interpretação da chamada «psique nacional», o Saudosismo deu relevo, com mais penetração e insistência do que nunca, ao complexo de valores espirituais de que a saudade é portadora e à sua importância como traço definidor. Na definição de Pascoaes, o carácter saudoso portruguês realiza a harminia mais perfeita entre o paganismo e o cristianismo, a Presença e a Ausência, a Alegria e a Tristeza - mas harmonia instável, dinâmica, sempre a fazer-se, princípio de permanente renovação. A Saudade é, pois, segundo o poeta, muito mais que o estado sentimental a que se refere o conceito corrente; pela vivência desse estado e pela reflexão exercida sobre ele, Pascoaes elevou-se a uma concepção geral do Homem e do mundo, concepção de raiz portuguesa mas de alcance universal - a mensagem lusíada. Pela saudade, o Homem reage, responde à sua situação concreta no mundo. Sofre a dor de ser imperfeito, a nostalgia da pura vida anímica, a «divina saudade» ou saudade de Deus que Pascoaes assinala já em Fr. Agostinho da Cruz. Realiza o ausente por obra e graça da imaginação; inventa Deus. «O homem, em virtude do seu poder saudosista, de lembrança e esperança, eleva-se da própria miséria e contingência à contemplação do reino espiritual, onde as coisas e os seres divagam em perfeita imagem divina» (Arte de Ser Português, p. 155). Naturalmente, aqueles que, nos últimos anos, dando primazia ao pensamento intuitivo criador de mitos («quanto mais poeta mais filósofo»), procuram fundamentar uma filosofia genuinamente portuguesa, ou galaico-portuguesa, destinada a projectar no mundo os dois povos irmãos, encontram no Saudosismo grande riqueza de sugestões e uma preciosa linha de rumo.

Latino-América; Hispano-América; Ibero-América

Por considerar erróneamente que las expresiones tradicionales obedecen a consignas del régimen anterior, hemos visto tambien cómo se intenta enviar al baúl de los trastos otras palabras como Hispanidad o la más entrañable expresión formada por dos términos aparentemente contradictorios como es la Madre Patria. La palabra Hispanidad, se debe al sacerdote español don Zacarías de Vizcarra que en un artículo publicado en «El Eco de España», en Buenos Aries para conmemorar el «Día de la Raza», proponía llamar «Día de la Hispanidad». La difusión del vocablo corrió a cargo del propio Maeztu en su obra titulada, precisamente, Defensa de la Hispanidad, en donde dice que hispánicos son todos los pueblos que deben la civilización o el ser a los pueblos hispanos de la Península. Hispanidad es el concepto que a todos los abarca. Y aporta los testimonios de Camoens: «Unha gente fortissima de Espaha llama en «Os Lusiadas» (canto I, estrofa XXXI); del humanista André de Resende, que dice «Hispani omnes sumus», en frase que elogia Carolina Michaëlis de Vasconcelos. De Almeida Garret cuando afirmaba: «Somos Hispanos, e devemos chamar Hispanos a quantos habitamos a Peninsula hispánica». Y el más expresivo de Ricardo Jorge, que ha dicho: «Chámese Hispania a peninsula, hispano ao seu habitante ondequer que demore, hispánico ao que he diz respeito». Más recientemente, el Director del Instituto Camoens en Lisboa, con ocasión de una intervención en la Casa de América, decía que Portugal forma parte de la Lusofonía, con Brasil y los cinco paises africanos más Goa, y de la Hispanidad. La poetisa portuguesa Natalia Correia, nacida en Azores, escribió un libro cuyo título reza así: Todos somos españoles.

La Defensa de la Hispanidad de Maeztu, tiene en la América Hispana aparte de la resonancia poética de Rubén Darío o de Pablo Antonio Cuadra, el acompañamiento de José Enrique Rodó, Barreda Laos, Gustavo Kosting, Carlos Lacalle, Jaime Eizaguirre, Enrique Corominas, Juan Carlos Goyeneche y Oswaldo Lira, entre otros, para todos los cuales «la unidad hispanoamericana procede de España y luego la comprende con el nombre de Hispanidad». En España, el doce de octubre de cada año se celebra el Día de la Hispanidad. Tambien se prescinde de la expresión Madre Patria por extrañas razones, entre ellas la de que no gusta a los americanos. Pues no desagrada, por lo menos, a Andrés Bello, quien en su Resumen de la Historia de Venezuela escribe: «Los conquistadores y los conquistados, reunidos por una lengua y una religión en una sola familia, vieron prosperar el sudor común con que regaban en beneficio de la Madre patria una tierra tiranizada hasta entonces por el monopolio de la Holanda». Y el colombiano Liévano Aguirre, al narrar la reunión que vencedores y vencidos celebraron tras la batalla de Ayacucho, dice que en ella se puso de relieve el verdadero vínculo que en el futuro habría de unir a la Madre Patria y a sus hijos del Nuevo Mundo: la hidalguía del carácter español, que los americanos llevaban en la sangre. El ex-Gobernador de Puerto Rico, Rafael hernández Colón, recuerda en la Casa de América que José de Diego, Presidente de la Cámara de Diputados de Puerto Rico, pronunció una conferencia en el Ateneo de Madrid en mayo de 1916, y en el diario ABC publicó un artículo en el curso de cual afirmaba que él, hijo de un soldado de Asturias, había cruzado el Océano por venir a la Madre tierra de España. Y César Leante, dice en «Cuadernos Hispanoamericanos», con referencia a Cuba que no siempre marchó todo sobre ruedas en las relaciones culturales entre la Madre Patria y su último retoño americano. Y en términos parecidos, el norteamericano Allan J. Kuethe. En julio de 1984 se celebró en la Universidad Internacional Menéndez Pelayo, de Santander un Seminario sobre Iberoamérica y la crisis financiera internacional y en su intervención, Hernán Cubillos Sallato, Vicepresidente del Banco de Crédito e Inversiones de Chile, dijo: «Vengo de Chile, el país Iberoamericano que geográficamente está más distante de esta Madre Patria».

En conclusión, nos parecen muy atinadas las precisiones que propone Guillermo Díaz Plaja, al distinguir:

  • LATINO-AMERICA comprende todas aquellas zonas pobladas del Nuevo Continente cuya cultura proviene de la Europa Latina, en lo que se distinguen de los que proceden de la Europa Sajona. Así, dice, serán latinoamericanos los habitantes del Canadá y la Guayana francesa, Haití y algunos Estados de la Unión, como Luisiana, Texas, California, etc.
  • IBEROAMERICA comprende aquellos países que, colonizados por España y Portugal, conservan orgullosamente tal origen, aunque a veces renieguen de él, pero sin aceptar la paternidad indígena; tales son Brasil y los que hemos dado en llamar
  • HISPANOAMERICA, con cuya hermosa expresión, agradable para todo buen nacido español, comprendemos el área restringida de los que, descendientes de nuestros compatriotas, que emigraron, hablan y rezan en nuestra lengua. En cualquier caso, concluye Díaz Plaja, es más  perdonable llamar hispano a un portugués que decir que Argentina y Chile forman el cono Sur de Latinoamerica.

Será difícil convencer a algunos extranjeros, franceses especialmente, para que acepten que LATINOAMERICA, IBEROAMERICA e HISPANOAMERICA no son vocablos sinónimos, ya que cada uno de ellos tiene su propio significado y alcance. Pero es de esperar que los españoles, conociendo el origen de los mismos y, sobre todo, la segunda intención de alguno de ellos, pongan un especial interés en precisar su adecuado uso, dejando al margen posiciones falsamente progresistas que, en el fondo, muestran un evidente deseo de mostrarse como un neoafrancesado cuando no un inexcusable ignorante de la Historia. (Enviado por M.Martí)

 

 

 

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publicado por luiscatina às 12:13

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