Outubro 04 2010

BOLETÍM CULTURAL

 CATINA MUNDI

  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica 

  Casa México-Aljuriça(Portugal)

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

 

             

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica y Hispanoamérica es esta publicación mensual…

* As quadras humaníssimas do poeta Aleixo abrem as páginas deste boletim

* Porque o mundo me empurrou/ Caí na lama, e então/ Tomei-lhe a cor, mas não sou/ A lama que muitos são.                       ( António Aleixo)

“ Há tantos burros mandando/ Em  homens de inteligência/ Que as vezes fico pensando/ Que a burrice e uma ciência “    ( Antonio Aleixo )

“ Ao refugiar-me nos livros aprendi a fugir do mal sem o experimentar”

                                                                              Camilo C. Branco

*“Procurando o bem para os nossos semelhantes encontramos o nosso”

                                                                               Platão

 

                          

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.  (GANDRASMEXICOCOSTARICA.BLOGS.SAPO.PT)

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo esencial de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.  Dicha publicación llegara a los cuatro rincones del mundo via air mail e  InterNet

 

 

 

 

Catina Mundi recorda a indigena costarricense Joana Briones( 1916-2010) e Matilde Rosa Araújo, a escritora potuguesa que revestiu as páginas dos seus livros com perfume de rosas silvestres para as crianças dos quatro cantos do mundo.(1921-2010 )

 

 

EDITORIAL

 

 

 SOMOS UNS POBRES COITADOS… QUANDO  PODEMOS  SER UMA SEGUNDA SUISSA

 

 

“ Governar uma Familia e quase tão difícil quanto governar todo um reino”                 Montaigne

 

Num futuro próximo Portugal poderá ter a sua população provinciana a morrer de fome como já acontece  em quase todos os países da África Central e da América Latina, devido às drásticas medidas de austeridade propostas pelo governo de Sócrates  a-causa da grave crise financeira internacional.

Somos um pequeno reino com oito séculos de História e milhentas estórias gravadas em papel desde os descobrimentos até aos nossos dias; e para as contar com maestria  irónica-erudita temos o Prof. Doutor José Hermano  Saraiva.

Não fiquem dúvidas de que Portugal é o país mais atrasado e pobre da U.E., e a igualdade de oportunidades é apenas um mito. Quem não tiver “cunhas” nunca levantará cabeça nem terá um bom emprego. Os filhos dos pobres terão apenas um caminho a seguir para  fugir da miséria: emigrar para  países ricos, cujas sociedades são mais igualitárias, prósperas  e cultas.

De que nos vale ter uma Democracia participativa se na realidade dos factos sociais somos um país mais típico do chamado Terceiro Mundo do que de um país desenvolvido da Europa meridional. Salazar desejava que o povo não devia, não precisava de aprender a ler, e apenas  saber contar  até dez. Logo a seguir ao 25 de Abril de 1954, os governos provisórios e eleitos por votos do Zé povinho deveriam ter-se preocupado em dar a toda a população um ensino  de bom nível para alfabetizar , preparar e qualificar toda uma população analfabeta e demi-analfabeta. Um país sem gente educada e preparada nunca sai da sepa torta…Por isso é que os governos dos países nórdicos europeus gastam mais dinheiro em educação  do que em auto-estradas , tgvs e aeroportos.Eles sabem que garantir um boa educação  a todos os seus cidadãos cria bem-estar, riqueza e igualdade de oportunidades. A Democracia portuguesa ainda não amadoreceu.  A imaturidade política não permite que tenhamos uma democracia madura como a que sentem e vivem os povos dos países ricos da U.E.

Se fôssemos um país organizado, desenvolvido, preocupado com os valores morais e culturais, seriamos, sem dúvida, uma segunda Suissa. No século XVIII, a Suissa era mais pobre que Portugal, e em pouco mais de duzentos anos tornou-se uma potência económica. A sua principal economia é o sector financeiro, o  turismo e a indústria relojoeira. Depois vêm os productos lácteos da Nestlé e a construção de motores diesel para petroleiros, navios de cruzeiro e iates. Portugal tem todas as condições naturais e patrimoniais para ser uma super potência em turismo. Depois temos o mar para explorar, vasta apenas usar a cabeça e criar recursos tecnológicos apropriados para tirar proveitosos proveitos da nossa imensa costa  e do fundo do mar.

Conclusão: Portugal tem mesmo que apostar na exploração do mar e do turismo para que não caia na bancarota . Se os nossos políticos não lutarem  futuramente por construir um país culto, dinamico, desborucra  tico,  cairemos, certamente, no abismo. Neste momento habitamos um jardim onde so crescem pragas.

   Em Portugal quanto mais a riqueza aumenta, mais a pobreza da classe camponesa  engorda.       

 

 

        

 

ELEIÇÕES NO BRASIL SÃO PARA BRINCAR AOS PALHACINHOS

 

O POVO BRASILEIRO É O POVO MAIS CULTO E CIVILIZADO DO MUNDO OCIDENTAL…

VEJAM BEM QUE FOI ELEITO UM PALHAÇO ANALFABETO ( O POPULAR TIRIRICA )PARA DEPUTADO FEDERAL, quando em PORTUGAL , um pequeno reino onde sobram cérebros , é preciso fazer provas escritas para conseguir  um simples  lugar na função pública a varrer ruas, lavar carros ou regar hortas biológicas; e até são publicadas no DIÁRIO da REPÚBLICA. Assim, sim! Portugal orgulhar-se-á  de ter  os jornaleiros mais bem preparados da U.E.--- Viva a República! Viva Portugal!

 

 

 

   A RIQUEZA E POBREZA DAS NAÇOES

 

 

Esta é uma obra de grande fôlego que procura saber porque "são algumas tão ricas e outras tão pobres". Num registo fulgurante, David S. Landes oferece explicações pessoais e polémicas para uma das principais questões da actualidade.

Escreve David S. Landes que "o mundo está dividido em três espécies de nações: aquelas em que as pessoas gastam rios de dinheiro para não aumentar de peso, aquelas em que as pessoas comem para viver e aquelas em que as pessoas não sabem de onde virá a próxima refeição". Segue-se a pergunta, porquê? Habituados que estamos a densas análises de natureza sociológica e económica, a inextrincáveis antologias de dados e séries de conjunturas e estruturas, a teorias da dependência ou dominação, do imperialismo ou do neocolonialismo, a debates conceptuais sobre a natureza das vantagens comparativas, sobre mais Estado e menos Estado, podemos ter dificuldades em aceitar como válida uma terceira via na análise que rejeite "complexas combinações históricas para se ajustar a esquemas simples e claros". Essa é, porém, a atitude que David S. Landes, professor emérito da Universidade de Harvard, recupera de Alexander Gershenkron e aplica na máxima intensidade na sua obra "A Riqueza e a Pobreza das Nações — Porque são algumas tão ricas e outras tão pobres".

Para muitos, a leitura do trabalho do historiador norte-americano pode parecer por isso um exercício superficial, ideologicamente optimista e eurocêntrico, pouco científico porque faz a apologia do sucesso meritocrático liberal (a discreta alusão à obra clássica de Adam Smith, "A Riqueza das Nações", não é inocente) e da presumível superioridade moral do cristianismo na sua versão mais rígida, o calvinismo protestante, para a criação de economias avançadas. A relação causal, mecânica, entre o sucesso de algumas nações e o substracto cultural que o determina aparecerá também a muitos leitores como uma visão simplista da realidade, a preto e branco, e por isso insuficiente para explicar as causas da pobreza e da riqueza.

Pode efectivamente parecer assim, mas mesmo os que preferem a iluminação de Braudel ou a densidade de Hobsbawm vão por certo encontrar nesta obra o prazer da grande História. Landes corre o risco de simplificar o objecto da sua análise a uma única tese, polémica como qualquer outra, mas defende-a sem preconceitos, explica-a com fundamento e sintetiza as suas principais linhas de força com opiniões contundentes e exemplos abundantes. Ao querer abarcar mais de mil anos da Humanidade num só fôlego, Landes faz-nos regressar a uma atitude para com a História que o pós-modernismo comprometeu na sua visão reducionista, parcelar, do passado das sociedades humanas. Tudo isto é embrulhado numa prosa vigorosa e por vezes brilhante e num estilo que deliberadamente privilegia o leitor comum em detrimento da erudição académica.

Para o autor, a força motriz da transformação que conduziu ao mundo actual foi a Europa, principalmente depois de "uma longa maturação multicentenária (1000-1500)" que "assentava numa revolução económica e numa transformação de todo o processo de produzir, adquirir e gastar como não se via desde a chamada revolução neolítica". No final do processo, o "mundo de Adam Smith ganha forma". Definitivamente. A partir daí, instala-se a desigualdade no planeta. "Há 250 anos a diferença entre o mais rico e o mais pobre seria de 1 para 5", mas hoje a "diferença entre Suíça e Moçambique é de 400 para 1".

A Europa impôs-se ao mundo através de um modelo social que privilegiava o trabalho, a abertura intelectual e a paixão pela descoberta, defende o historiador. Durante o período de maturação medieval, os europeus inventaram os óculos, manufacturaram o papel, descobriram o relógio e, como consequência, a noção da produtividade, aplicaram a pólvora em canhões destruidores. Aconteceu assim "a invenção da invenção". Mas por que é que tudo aconteceu na Europa e não na China, que tinha descoberto a pólvora e o papel, por exemplo? Citando o sinólogo Etienne Balazs, Landes diz que a China não deu o passo decisivo "devido ao sufocante controlo estatal". E também porque aos chineses "faltava visão ampla, capacidade de enfoque e, sobretudo, curiosidade" e "não eram motivados pela cobiça e pela paixão".

O contrário, precisamente, dos portugueses, que merecem na obra de Landes um amplo destaque: "A façanha portuguesa é testemunha do seu espírito empreendedor e força, da sua fé religiosa e entusiasmo; da sua capacidade para mobilizar e explorar os conhecimentos e as técnicas mais recentes. Nenhum chauvinismo tolo; o pragmatismo em primeiro lugar." Foi isso que esteve na origem do fulgor dos primeiros séculos da Expansão. Foi uma atitude contrária que remeteu o país para o isolamento e a pobreza. "Em 1506 Lisboa viu o seu primeiro pogrom, que deixou um saldo de 2000 'cristãos-novos' mortos. Desde então, a vida intelectual e científica de Portugal desceu a um abismo de intolerância, fanatismo e pureza de sangue." Em Espanha o processo foi diferente, mas o resultado o mesmo: para os nossos vizinhos, "a abertura do mundo foi um convite à riqueza, pompa e ostentação". O sucedido leva Landes a, mais uma vez, manifestar o seu puritanismo moral: "Lendo esta história poder-se-ia extrair a moral de que o dinheiro fácil é mau para as pessoas."

 

 

                               POBREZA E RIQUEZA

 

 

“Riqueza e a Pobreza das Nações”. Em seu conteúdo, David elenca uma série de motivos pelos quais algumas nações são tão ricas e outras tão pobres. Embora o autor não apresente nenhum tipo de solução mágica, tirada da manga, para resolver definitivamente o problema, suas argumentações são lógicas e estão bem fundamentadas em fatos reais. Ele diz, por exemplo, que vivemos num mundo de fortes desigualdades e diversidades, o qual está dividido em três tipos de nações: aquelas em que as pessoas gastam rios de dinheiro para não engordar; aquelas em que as pessoas comem para viver; e aquelas cuja população não sabe de onde virá a próxima refeição. A seguir, alguns trechos pontuais em que aborda a crua realidade: “Hoje, o grande desafio e ameaça é o abismo em matéria de riqueza e saúde que separa os ricos dos pobres. O tamanho desse abismo, entre ricos e pobres, é formado pela diferença em termos de renda percápita entre a mais rica nação industrial, a Suíça, e o mais pobre país não-industrial, Moçambique, é de cerca de 400 para 1. Há 250 anos, esse hiato entre o mais rico e o mais pobre era, talvez, de 5 para 1, e a diferença entre a Europa e o sul Asiático (China e Índia) andava, em torno de 2 para 1”.

Continuando em sua análise, o autor tenta explicar que é falsa a ideia de que o enriquecimento de alguns países só acontece mediante o empobrecimento de outros. Defende a tese de que os países ricos terão que, necessariamente, ajudar os países pobres. “Se eles (os países pobres) não podem ganhar exportando mercadorias, passarão a exportar gente. Em suma, a riqueza é um ímã irresistível; e a pobreza um agente de contaminação potencialmente violento.” Landes acha, também, que as nações do ocidente prosperaram cedo porque optaram pelo modelo de sociedade aberta, concentrada na produtividade do trabalho e nas novas tecnologias, enquanto que os países do lado oriental ainda continuam presos a tradições milenares, crenças, superstições, mitologias, culto a divindades e restrições de natureza religiosas.

 

O socialismo, o liberalismo, a pobreza e a desigualdade

 

Confesso que sempre tive dificuldade para entender por que os socialistas (e simpatizantes) consideram a desigualdade econômica um problema social mais sério do que a pobreza. Para mim, que sou um liberal clássico convicto, o problema social maior é a pobreza. Se eu fosse pobre, e não tivesse um boa renda (um bom emprego ou uma empresa rentável), uma boa casa, um bom carro, dinheiro para comprar o que gosto de comer e beber, para viajar, para comprar livros, CDs, DVDs, etc., minha vida seria bem miserável. O fato de que eu tenho essas coisas, mas Bill Gates as tem numa proporção um bilhão de vezes maior do que a minha, não me incomoda em absolutamente nada.  Por isso, para mim, e para os liberais em geral, o problema social mais sério que existe é a pobreza — a pobreza, digamos, absoluta, não relativa, porque esse negócio de pobreza relativa nada mais é do que a questão da desigualdade econômica com outro nome.

Admito que só descobri ontem (19 de maio de 2006) por que é que os socialistas (e simpatizantes) consideram a desigualdade econômica um problema social mais sério do que a pobreza — e o descobri lendo aquele que eu considero o Paulo Coelho da academia socializante (explico o termo "socializante" mais adiante): Pedro Demo. O prolífico Pedro Demo é até um bom argumentador. Mas é ingênuo: abre demais o jogo. Outros autores socialistas (ou simpatizantes) talvez não argumentem tão bem quanto ele, mas certamente são mais hábeis nas artes de esconder o jogo, de obscurecer, ofuscar, obnubilar...

No que segue, quando eu falar em Socialismo, é ao Socialismo pós débâcle do Comunismo que estarei me referindo; quando falar em socialistas, é às viúvas do Comunismo que estarei fazendo referência. Considero os sociais democratas viúvas um pouco mais distantes do Comunismo: talvez viúvas que só se tornaram viúvas depois de já estarem vivendo em regime de separação de corpos com o falecido — mas mesmo assim em bons termos, tanto que insistem em aplicar o rótulo "esquerda" tanto às viúvas, propriamente ditas, como a si próprias. Por isso uso o termo "socializante": um socializante é um socialista, propriamente dito, ou um social-democrata, ou seja, um simpatizante do socialismo (que, entretanto, aparenta ter certa vergonha de alguns radicalismos históricos e até mesmo contemporâneos dos socialistas: a briga entre o PSDB e o PT é análoga à implicância da ex-mulher com a atual.

No seu livro A Pobreza da Pobreza, que comprei ontem na livraria da Universidade de Brasília que existe no aeroporto de Brasília, Pedro Demo deixa escancarada a estratégia dos socializantes. Aqui vou dar a minha leitura do que ele pensa (e o que ele pensa ele diz — algo que, aqui entre nós, considero um grande mérito).

Mas nem mesmo Pedro Demo diz tudo aquilo que ele sabe com todas as palavras — até a ingenuidade dele tem limites. Fica evidente em seu livro que ele claramente sabe (mas se recusa a dizer) que a pobreza (pobreza no sentido econômico do termo — mais adiante ficará claro porque tenho de fazer essa ressalva) é um problema plenamente solúvel, pelo menos em sociedades liberais — vale dizer, em sociedades que, do ponto de vista econômico, são claramente capitalistas. Tanto o problema da pobreza é solúvel que já foi solucionado em um grande número de países que adotam um regime político liberal e uma economia de livre mercado (o Capitalismo) e está sendo solucionado em outros, que resolveram adotar o Liberalismo um pouco tardiamente.

Nos Estados Unidos, por exemplo, só há pobreza porque os socializantes continuam redefinindo os critérios de pobreza que se aplicam lá. Para a África, por exemplo, pobre é quem vive com menos de dois dólares por dia (i.e., com menos de 60 dólares por mês) — havendo, segundo dizem, quem viva com menos de um dólar por dia no Sub-Saara. Nos EUA, porém, onde, a usar o mesmo critério adotado para a África, não existe pobre, os socializantes (que lá se chamam de liberais, para enganar os trouxas) redefiniram o critério de pobreza. Pobre nos EUA é o indivíduo que vive, em média, com menos de 400 dólares por mês (o nível de pobreza é, no momento, 1.600 dólares por mês para uma família de marido, mulher e dois filhos). Na Suíça, qualquer que seja o critério de pobreza adotado (desde não ad hoc), não há pobreza. Os portugueses que são trabalhadores migrantes lá, são, às vezes, considerados pobres pelos suíços. Mas os portugueses, eles mesmos, se consideram riquíssimos com os francos suíços que recebem — e que, levados para a casa, finda a temporada turística, dá para eles viverem sem trabalhar até a temporada seguinte. (Nunca me esqueço do que me disse um bell boy português em Genebra, quando carregava minhas malas para o meu quarto no Hotel Suisse: "Meu senhor, aqui na Suíça temos tantos portugueses que um dia certamente ainda vamos controlar essa terra". Que Deus não o ouça: os suíços vêm controlando o seu magnífico país tão bem, há tantos anos!)

Não é necessário ficar apresentando evidência de que a pobreza é um problema resolvido em países desenvolvidos (vale dizer: em países de economia de mercado, em países capitalistas) e em processo de resolução em países emergentes que não têm vergonha de seu Capitalismo. Pedro Demo sabe disso. Tanto que ele diz em seu livro (e isso ele diz clara e explicitamente) que a pobreza (que ele chama de econômica) não é o problema social mais importante. O problema social mais importante, segundo o gênio de Brasília, é o que ele chama de "pobreza política" — que, segundo ele, aflige até mesmo os ricos (economicamente falando).

 

 

 

               A SUIÇA DE ONTEM E DE HOJE

 

Não existem muitas pessoas para as quais eu alegremente tiraria meu chapéu nesse mundo.  O povo suíço, porém, está nesse seleto grupo.  Em um oceano de despotismo, essas pessoas conseguiram manter uma ilha de liberdade - mesmo no auge da moderna era do estado maximamente intrusivo.

Fazer um tour pela Suíça é uma experiência reveladora para um cidadão comum - especialmente para um britânico como eu.  Repetidas vezes em minhas conversas por lá - ou mesmo quando lido com pessoas que utilizam o sistema bancário de lá, que já moraram lá, ou que apenas vão pra lá de férias -, as conclusões que tiro são as mesmas: tudo na Suíça é como nos melhores países, só que melhor.  É praticamente o único país da Europa onde as coisas realmente funcionam e são feitas como deveriam, com o mínimo de alvoroço e precisamente no tempo estimado.

Os trens de segunda classe, por exemplo, são melhores na Suíça do que muitos trens de primeira classe no Reino Unido.  Em geral, não sou fã de transportes de massa, mas na Suíça a maioria desses serviços é feito por empresas privadas - algo que faz perfeito sentido, quando se considera o terreno e o clima.  E é um enorme prazer utilizá-los, não apenas por causa da alta qualidade dos trens e do cenário, mas por causa da quase completa ausência de pessoas rudes - não se vê absolutamente nenhum elemento "maltrapilho".

Os britânicos, por exemplo, estão cercados por maltrapilhos - algo que francamente faz com que qualquer uso do transporte público seja indesejável não apenas ideologicamente, mas também socialmente.  Esse assunto surgiu enquanto eu estava num barco no meio do Lago de Genebra, em uma conversa com um sueco que estava de férias com sua família.  Ele alegou - já tendo vivido tanto no Reino Unido quanto na Suécia - que as coisas eram ainda piores em seu país.  Eu ainda acho difícil de acreditar, mas após numerosos exemplos de ambos os lados, nós meio que declaramos um empate.

Uma história de liberdade

Os burocratas da União Européia os odeiam.  Os suíços não só estão fora da União Européia, como também representam o oposto daquela agenda centralizadora que combina, de cima a baixo, elementos comunistas e nazistas.  A Suíça só aderiu a ONU há sete anos, e mesmo assim pela margem mínima de votos.  Escolha qualquer área da sociedade e você verá que os suíços fazem tudo à sua distinta maneira - sempre com a liberdade como pré-requisito.

Os corpos de bombeiros são um exemplo - geridos por voluntários locais na maioria dos lugares fora das grandes cidades.  Os únicos outros lugares que eu sei ter esse tipo de serviço público voluntário são algumas pequenas cidades dos EUA. 

Armas e as forças armadas são outro exemplo.  As armas estão por todos os lados - e o crime não está em lugar algum.  Com efeito, eles têm ao menos duas das mais pacíficas cidades do mundo - de acordo com várias autoridades online.  Zurique inclusive tem um feriado de meio dia em outubro, para celebrar o torneio do "garoto atirador", no qual há uma feira em estilo americano em que jovens garotos - e garotas também - competem em uma disputa de tiro ao alvo com fuzis de assalto.  

A milícia defensiva dos suíços foi temida até mesmo por Hitler, e até hoje tem se mantido onde tem de ficar - em casa -, sem sair patrulhando estrepitosamente o mundo, assassinando pessoas inocentes que porventura se pusessem em seu caminho.  Curiosamente os suíços conseguiram se manter protegidos sem ter de recorrer a guerras preventivas e sem ter de dizimar famílias ao redor do mundo.

E há os bancos suíços, aquele bastião que guarda algo como um terço da riqueza privada transnacional.  A posição suíça quanto ao sigilo bancário é melhor descrita como sendo de neutralidade, nessa constante guerra dos estados contra seus cidadãos - com inclinações em favor dos cidadãos oprimidos.

Se há alguém no mundo a quem eu confiaria meu dinheiro, esse alguém seria um dos bancos privados suíços, que não são incorporados e são de responsabilidade ilimitada.  Se eu tivesse de escolher qualquer outro tipo de banco, a Suíça ainda estaria no topo da lista, mesmo considerando alguns países da América do Sul e Central que possuem, ao menos no papel, sigilos mais robustos.

Toda essa riqueza confiada aos bancos suíços certamente não se deve ao governo, e mesmo os banqueiros são meramente beneficiários de um ambiente inteiramente resultante de um distinto traço de liberdade que viceja dentro do povo suíço.  Isso vem desde muito antes da lendária rebelião promovida por Guilherme Tell no século XIV.  Se os detalhes dessa lenda são mitos ou não, sua popularidade reflete o tradicional espírito de luta do povo suíço quando se trata das imposições feitas pelo estado.

Política e impostos

A política suíça é interessante por ser bastante descentralizada.  Já ouvi dizer inclusive que a confederação suíça serviu de modelo para a criação dos Estados Unidos.  Nas eleições locais - que podem ser realizadas tanto dentro das dependências da prefeitura do vilarejo como ao ar livre - a votação é feita simplesmente pelo método de se levantar as mãos.  Em 1978, o Cantão de Jura chegou de fato a se separar da jurisdição de Berna e, tecnicamente, de toda a Suíça.  Mais tarde, a região sul do cantão optou por continuar fazendo parte de Berna, o que significa que há duas regiões políticas distintas dentro de um mesmo cantão.

Isso só pôde acontecer porque a Suíça não é de fato um só país, mas uma confederação de "cantões" amplamente autônomos - 26 ao todo -, sendo que esses cantões competem entre si para ver qual fornece o ambiente tributário mais propício aos negócios.  Uma visita ao site comparis.ch mostra que uma das opções que o povo suíço tem é a de escolher a quantidade de impostos que vão pagar.

Como um exemplo, o cantão de Obwalden tinha uma das mais altas alíquotas de impostos da Suíça, mas a concorrência forçou sua redução para uma alíquota única de 10% - embora os cantões Zug e Schwyz sejam os mais conhecidos por seus baixos impostos.  No sul, os cantões Vaud, Genebra e Ticino são os que atualmente possuem as menores alíquotas.  Ademais, é perfeitamente possível para qualquer pessoa razoavelmente rica fazer um acordo especial com um cantão e conseguir uma alíquota bem mais baixa.  Com efeito, quanto mais rico, melhor - a ausência de inveja social, e toda a politicagem por ela gerada, é algo atípico e notável.

Há também anistias ocasionais para impostos que não foram pagos.  As quantias evadidas são na realidade menores em termos percentuais do que aquelas sonegadas nos muito mais opressivos países vizinhos.  Isso só pode ser por causa das alíquotas mais baixas, de uma prestação de contas em nível mais local, e de métodos de coleta menos violentos, o que gera menos ressentimento e menos motivação para resistência.  Sonegações, se descobertas, podem gerar uma ação civil um tanto desconfortável, mas não é um crime.

O inimigo interior

É fato que em anos recentes o estado federal tem feito transgressões sem precedentes.  Isso também significa que agora existe uma classe significativa de funcionários públicos federais - e aí jaz a real ameaça às liberdades dos suíços.  Além das costumeiras motivações bisbilhoteiras, há uma infiltração de ambiciosos elementos pró-União Européia dentro do sistema.   

Por exemplo, como os suíços não estão dispostos a abrir mão de suas armas, já há alguns políticos que agora estão atrás de suas munições.  Se eles lograrem êxito, haverá uma mudança no equilíbrio do poder: este deixará o povo suíço e irá para o estado, como ocorreu já há muito em outros países europeus.

Ademais, com o completo abandono legal do ouro como lastro ao franco suíço há uma década - embora a implementação tenha começado de fato há apenas 5 anos, com o apoio da direita -, os tentáculos do banco central e sua elite estão se difundindo amplamente.  Também se espalhando para todos os cantos está a sua estupidez (ou conspiração, como queira) - como pode ser visto nos maciços empréstimos de risco feitos ao Leste Europeu com esse "dinheiro" recém-criado.

Mas o establishment tem ao menos sido restringido pelo descentralizado sistema suíço, e os políticos não têm a mesma liberdade irrestrita que seus colegas desfrutam em outros países.  Além do mais, eles sempre podem ser contidos pelo poderoso mecanismo do referendo.

O referendo suíço não é uma ferramenta de ditadores como ocorre em outros países, nos quais o estado escolhe e formula a pergunta da maneira mais vantajosa possível, e, após uma derrota, convoca novamente o mesmo referendo, não sossegando enquanto não o obtiver o resultado que quer.  É verdade que o referendo tem o potencial de ser uma ferramenta "majoritária", mas um referendo suíço pode ser iniciado por qualquer cidadão que consiga levantar as 50.000 assinaturas necessárias.

Exceto a possibilidade de os cantões incorrerem em secessão, é nesse mecanismo de referendo - bem como a intimidação gerada por sua simples ameaça - que está a real esperança para a Suíça; pois mesmo sendo menos extremados que em outros países, os partidos suíços acabaram caindo na armadilha do falso paradigma de esquerda-direita.

Esquerda, direita, centro

A centro-esquerda manteve as limitadas rédeas do poder na Suíça desde os anos 1950, contando com uma simbólica representação da direita.  A esquerda pode até ter algumas virtudes, mas possui muitos defeitos.  Um deles é a expansão e a intrusão do estado em assuntos financeiros - especificamente, tributação.

Foi a esquerda, portanto, que recentemente provocou ampla indignação entre o povo suíço ao dar a impressão de que iria enfraquecer ou mesmo revogar o sigilo bancário suíço.  Raramente uma linguagem tão forte foi utilizada pelos membros do Parlamento, e raramente, se alguma vez, palavras como "traição" foram dirigidas aos políticos em um jornal de grande circulação - como o La Liberté, do Cantão Friburgo.

O povo suíço se manteve firmemente a favor do sigilo bancário - talvez 75% dele - e, dentro da Suíça, mesmo o coletor de impostos não pode violar essa regra.  Entretanto, de alguma forma, para a total perplexidade dos estatistas de todo o mundo, a Suíça ainda sobrevive e o faz sendo um dos mais ricos, mais abençoados e mais pacíficos países do mundo.

A direita de fato possui em seus quadros alguns intolerantes mais fanáticos (ao passo que a esquerda possui uma melhor camuflagem), mas ela também possui alguns membros que se mantêm resolutos em questões críticas.  E a direita está em ascensão - algo que é bem vindo nem que seja como contrapeso, apesar das inevitáveis tendências de nacionalismo, arregimentação e autoritarismo que a acompanham.

Felizmente o povo suíço tem frequentemente rejeitado os excessos tanto da esquerda quanto da direita, embora eles ainda não tenham conseguido desfrutar a completa liberdade que almejam.  De modo geral, por exemplo, eles querem ser gentis com seus vizinhos europeus e geralmente não molestam os estrangeiros que vivem no país - mas também não querem que outros países ou culturas venham lhes ditar ordens.

Começa a reação adversa

Tal foi o caso em dias recentes, após a França ter tentado utilizar detalhes roubados de contas bancárias do HSBC de Genebra para colocar pressão sobre a Suíça.  Por causa disso, um acordo de compartilhamento de informações tributárias, que já estava programado, foi adiado indefinidamente.  Que assim fique permanentemente.  Hans Rudolph Merz, o encolhido Primeiro Ministro/Ministro das Finanças que estava promovendo essa traição, foi forçado a mudar radicalmente de postura - caso contrário seu partido teria de enfrentar a ira dos eleitores nas eleições vindouras.

Mas eis o ponto principal: nenhum dos recentes acordos de compartilhamento de informações foi aprovado pelo Parlamento suíço e tampouco foram testados nas cortes suíças.  Muitos elementos envolvidos na derrocada do UBS (cujo gerente descobriu-se ser um informante do governo americano) eram certamente ilegais, e na sexta-feira passada, dia 8 de janeiro, um tribunal suíço assim sentenciou, punindo os infratores pelo crime de passar informações sigilosos de clientes para os governos dos EUA e da França.

Não bastasse tudo isso, a ala jovem do Partido do Povo Suíço (SVP), em conjunto com um pequeno partido do Cantão de Ticino (onde se fala italiano), está ativamente coletando assinaturas para fazer um referendo sobre essa questão do sigilo bancário quebrado.

Melhor de tudo: uma recente pesquisa mostrou que, quanto mais a Suíça é assediada e intimidada a acabar com seu sigilo bancário, mais fervorosamente o povo suíço passa a defendê-lo. 

Foram políticos e funcionários públicos, e não o povo suíço, que traíram os correntistas que confiaram na Suíça.  A menos que o Parlamento, os juízes e os tribunais façam o mesmo - e que o povo apóie tudo em um referendo -, não creio que o sigilo bancário suíço esteja morto.

Mesmo no atual estado das coisas - com novos acordos de compartilhamento de informações -, se um correntista conseguir manter sua conta secreta, os suíços também o farão.  Esses acordos, embora deploráveis, não compartilham informações automaticamente - um governo estrangeiro teria primeiro que obter os detalhes da conta bancária, e então apresentar um pedido específico de informação acrescido de evidências suficientes.  O titular da conta também pode recorrer junto às autoridades suíças.

Mas assim como seus queijos, o sigilo bancário da Suíça possui alguns furos, o que significa que medidas de privacidade são absolutamente necessárias para contê-los.  Uma concessão do governo suíço às chantagens estrangeiras ocorreu ainda na década de 1990: o fim das contas anônimas.  Se estas ainda estivessem em vigência, ninguém se preocuparia com roubo de dados.  Porém, como os eventos confirmaram, o registro levou ao confisco - nesse caso, de riqueza.  Outras questões de privacidade incluem as transferências bancárias estrangeiras e as transações com cartões internacionais, as quais, sem as devidas precauções, podem revelar detalhes bancários para que todo o mundo possa ver.

Para tudo tem-se um jeito

Mas contas numeradas ou sob pseudônimos ainda são possíveis, bem como arranjos corporativos, de truste ou nominais - com segundos passaportes também sendo muito úteis.  Com tais medidas ainda operantes, o principal risco à privacidade está no registro do histórico do cliente.  Caso não sejam adotadas medidas que assegurem a privacidade total no uso da internet, o usuário pode deixar um rastro que não apenas contém o nome do banco, mas que também pode levar à porta do titular da conta.  Companhias telefônicas (exceto talvez celulares descartáveis) e mesmo os correios (é melhor pedir para as cartas serem entregues e guardadas no banco) agora são delatores em potencial.

Além dessas medidas de privacidade a serem adotadas pelo cliente, todo o resto agora depende daquelas 7,7 milhões de pessoas nos Alpes, cujos ancestrais afugentaram até mesmo os nazistas.  Só o tempo irá dizer se a atual geração sofreu uma lavagem cerebral suficiente para se render.  Não creio.

Torçamos para que eles possam resistir - muita riqueza privada depende da Suíça como um lugar seguro para onde se pode fugir.  E o povo suíço será testado novamente - as concessões anteriores tornaram isso uma certeza.  É como se curvar ao valentão da escola.

Mas é de se esperar que haja uma oposição em 2010.  Políticos e burocratas submissos ao estado, à União Européia e aos globalistas membros dos bancos centrais mundiais irão tentar arrefecer os suíços por meio de alguma retórica cosmética e manipuladora.  Mas tenhamos a esperança de que haja uma grande reação contrária.

A última vez em que o sistema bancário suíço foi atacado com tamanha intensidade foi na década de 1930, quando a França tentou praticamente arrombar as contas bancárias, no que foi seguida pelos nazistas.  Foi nessa época que o atual sigilo bancário foi erigido em lei sob pena de prisão caso infringido.  Foi nos anos posteriores que a Suíça se tornou um dos países mais ricos em termos per capita do mundo - tendo como sustentáculo econômico o sólido sistema bancário e a respeitada qualidade de seus produtos, desejados por uma rica clientela mundial.  

É uma geração diferente a que existe hoje, e eu jamais ponho toda a minha fé nas pessoas - principalmente porque elas são humanas.  Mas se eu tivesse de confiar em um grupo de pessoas, todas no mesmo lugar ao mesmo tempo - com um gordo rolo de dinheiro, barras de ouro ou certificados de ouro -, esse grupo ainda teria de ser os suíços.

Uma resolução e uma conclusão

Espero que muitos leitores resolvam em 2010 abrir algum tipo de conta bancária na Suíça - nem que seja para irritar seus respectivos governos ou para criar uma cortina de fumaça sobre os outros correntistas.  Comece de preferência com uma conta pequena, preferivelmente uma local e não num banco multinacional - talvez em um banco cantonal.  Mantenha-a grande o suficiente para ser respeitável e pequena o suficiente para não ser legalmente delatável (10.000 dólares nos EUA), ou apenas um pouquinho acima disso, só para trazer um pouco de emoção.

No pior de todos os cenários, no caso extremamente improvável de uma investigação, você pode se divertir travando uma batalha aguerrida contra os coletores de impostos - e jocosamente decidir se ou quando entregar os pontos, após os burocratas terem gasto muito tempo e energia em troca de pouco ou nada.  Então faça mais um favor aos outros membros da raça humana e abra outra conta.

Porém, seguindo precauções básicas, não há motivos para que isso aconteça.  E se, como eu espero, os suíços fizeram algumas correções na situação atual, você terá um bastião da propriedade privada, uma fortaleza muito segura e útil para ser usada no futuro. ( crónica de um de um caminhante que andou de aventuras por essa montanhosa e  rica suíça )

 

 

AFIANDO A LINGUA COSCUVILHANDO

 

 

Descartes disse: “Penso, logo existo”; esta maxima significa que uma pessoa so pensa enquanto tem vida, porque depois de morta já não pensa nada.

Tres séculos depois, Jose Ortega y Gasset, ao referir-se ao tema da identidade, setenciou a inícios do século XX: “ Eu sou eu e minha circustancia”; Jose Ortega refere-se espaço físico,histórico e social.

Jose Engenieros, na sua obra maestra” El Hombre Mediocre”ensaio filosófico sobre a mediocridade que marca as sociedades modernas: “ Muitos nascem, poucos vivem”. Ingenieros quer dizer que poucos mortais sabem sentir e viver a vida nesta breve passagem por este jardim cheio de armadilhas e perigos.

J. J. Rousseau, filosofo e escritor do iluminismo dotado de excepcionais qualidades de inteligência e de imaginação, citou: “ O homem nasce livre, mas em toda a parte( em todos os lugares ) esta acorrentado”; um povo e oprimido deixa de ser livre. O homem nasce inocente mas a sociedade  corrompe-o. O egoísmo e  a inveja  roubam liberdade ao ser humano.

O povo português  e sedento de coscuvilhice, vive acorrentado de seus vícios coscuvilheteiros que consistem em criticar, em mal-dizer  acerca de tudo e todos: divino e humano. Um ilustre pensador austríaco ( Ludwig Wittgnenstein)  retratou miniciosamente  estes personagens que passam metade da sua vida a enxovalhar, a sujar a alma de muita gente honrada, que não liga a palavreado calunioso. O filosofo austríaco gravou no papel: “ Do que não se sabe e melhor não falar”.E dizer que so devemos falar daquilo que sabemos.Mas, infelizmente, o povo não sabe o que diz,e tão-pouco entende a linguagem e pensamentos dos filósofos.

 

 

Ludwig Josef Johann Wittgenstein foi um pensador da modernidade, filósofo da matemática, integrante do Círculo de Viena e contribuiu para a renovação da Lógica na década de 1920, sendo considerado um dos pais da filosofia analítica.

Herdeiro de uma das maiores fortunas austríacas, estudou engenharia em Berlim e Manchester. Mais tarde interessou-se pela lógica matemática e estudou com Bertrand Russel entre 1912 e 1913, em Cambridge. Entre 1913 e 1914 viveu na Noruega dedicando-se ao estudo da lógica.

Quando começou a Primeira Guerra Mundial, em 1914, alistou-se no exército austríaco e foi enviado para a linha da frente na Rússia e na Itália. Em novembro de 1918 foi feito prisioneiro pelos italianos, sendo libertado em agosto do ano seguinte. Durante este período escreveu "Tratado Lógico-Filosófico", publicado em 1921 em alemão e traduzido em inglês no ano seguinte. Numa primeira leitura, poderia parecer que essa obra pretende acabar com a ética, a filosofia e a religião, tudo aquilo que estaria desprovido de sentido. Mas numa leitura mais atenta, descobrimos um pensador que procura preservar o mistério da vida.

Após ter sido libertado, Wittgenstein resolveu desfazer-se da fortuna que herdara em 1913, em virtude da morte de seu pai. Entre 1919 e 1926 tornou-se professor de uma modesta escola primária de província. Finda esta experiência de professor primário, inicia outra, a de jardineiro (1926), envolvendo-se depois na construção de uma casa para uma das suas irmãs (1929).

No final dos anos vinte volta dedicar-se à filosofia, ingressando em 1929 na Universidade de Cambridge, recebendo neste ano o grau de doutor com base na sua obra publicada em 1921. A partir de 1930 Wittgenstein inicia então uma nova fase na sua filosofia, e que será consagrada na sua obra intitulada "Investigações Filosóficas", publicada postumamente (1953).

Devido à sua origem judaica, Wittgenstein e a sua família foram vítimas da perseguição nazista, perdendo grande parte dos seus bens. Em 1939 naturalizou-se cidadão britânico, ocupando uma cátedra em Cambrigde. Durante II Guerra Mundial (1939-1945) trabalhou como voluntário num Hospital em Londres. Depois da Guerra, demitiu-se da Universidade, passando a viver entre a Irlanda, Oxford e Cambridge.Faleceu em 1951 na casa do seu médico e amigo Dr. Bevan.

 

 

PORTUGAL, UN SIGLO DE REPUBLICA

Historia de Portugal siglo XX:

 

Caída de la monarquía:
La mala administración, la corrupción y la falta de voluntad de reforma conducen a la caída de la monarquía. Se produce un levantamiento ideológicamente republicano y dirigido por oficiales de la marina y del ejército. El rey Carlos I (1889-1908) asiste al crecimiento de la oposición republicana, la carencia de industria y la baja producción agrícola que apenas mantiene a una población de 4 millones. Los intelectuales más relevantes se alinean en su contra (Arriaga, Teófilo Braga, Bernardino Machado, Sidonio Paes). El 1 de febrero de 1908 son asesinados el rey y el príncipe heredero Luis Felipe. Manuel II conserva al dictatorial primer ministro João Franco, que concede a los trabajadores descanso dominical y pensiones de invalidez y jubilación. Las elecciones del 28 de agosto de 1910 dan una abrumadora mayoría republicana. En la lucha con regimientos leales a la corona mueren cerca de 100 soldados.

República (5 octubre 1910):
El gobierno revolucionario proclama la república (5 octubre). Declara la abolición de la nobleza y la secularización de los monasterios. La dinastía Braganza, en el gobierno desde 1641, es desterrada del país y Manuel II huye a Gibraltar. El erudito Joaquim Teófilo Fernandes Braga toma posesión del cargo de primer ministro y es elegido presidente del estado (15 octubre). Se establecen libertades democráticas y la condición legal familiar de las mujeres se iguala a la de los hombres. Se produce la separación entre Iglesia y estado. A pesar de la gran altura de los personajes que a través de la política buscan la estabilización, ésta no se consigue. Las constantes tensiones internas habían impedido un reforzamiento de la nueva forma de estado. La rivalidad entre partidos, a menudo implacable, así como la constante agitación antigubernamental de los círculos monárquicos y de la derecha habían puesto a menudo a la república al borde de la ruptura. A ello había que añadir el constante empeoramiento de la situación económica de un país eminentemente agrícola. El déficit interior aumentaba de forma dramática.

Entrada en la Primera Guerra Mundial (1917):
El Partido Democrático defendía la entrada de Portugal en el conflicto. El argumento más utilizado fue que aquella era la única vía para defender las colonias; se sabía que en 1913 había estado preparado para la firma un pacto secreto entre Inglaterra y Alemania por el cual ambas potencias se dividían el ultramar portugués, en dos partes iguales. La guerra había dejado en suspenso su ejecución, pero el vencedor, independientemente de quien fuese, había de quedarse con las do mitades. Además de esta razón existía el deseo de alinear al país en el contexto europeo, lo que era necesario, según se pensaba, para el progreso nacional. Pero en la base de los debates había irreductibles elementos ideológicos: las izquierdas estaban a favor de los aliados, que decían representar la causa de la libertad, las derechas estaban a favor de los alemanes, que se indentificaban con la autoridad y el orden. La implantación popular del Partido Democrático era tan fuerte que el proyecto de entrar en una guerra en el extranjero no provocó grandes resistencias. Las dificultades a vencer fueron más externas que internas: Inglaterra no atmitía que Portugal invocase la alianza inglesa como motivo para su entrada en la guerra. Si Portugal quería entrar en la guerra debía ser por su propia cuenta, no a causa de la alianza. El asunto se resolvió en 1916 con el apresamiento de unos barcos alemanes. Al comenzar la guerra, cerca de setenta naves mercantes alemanas, sorprendidas en alta mar, fueron a refugiarse al Tajo, puerto neutral, donde contaban con escapar del apresamiento por parte de la escuadra inglesa, pero Inglaterra tuvo necesidad de barcos y pidió a Portugal que se apoderase de ellos para ponerlos a su servicio. Así se hizo y, tal y como se esperaba, Alemania declaró la guerra. Dos divisiones con cincuenta y cinco mil hombres fueron enviadas a Francia a principios de 1917, y allí se mantuvieron hasta el armisticio, en noviembre de 1918. otras fuerzas fueron enviadas a Angola y Mozambique, que tenían fronteras con colonias alemanas, y fueron invadidas; la guerra tomó en aquellas tierras aspectos más graves para Portugal, con cerca de cinco mil muertos. Aquello dio a los portugueses el derecho a estar con los vencedores en la conferencia de paz, y obtener el reconocimiento de sus posesiones africanas, además de compartir las fuertes indemnizaciones de guerra (las reparaciones) que los alemanes tuvieron que pagar a los aliados

António de Oliveira Salazar (1889-1970):
Salazar es nombrado ministro de Finanzas (1928) a los 39 años de edad. Era el presidente de la Unión Nacional, fundada en 1930, cuyo programa prevé la formación de un sistema de partido único, conservador y autoritario, en el que se asigna un papel a cada clase y cada grupo social en el seno de la sociedad portuguesa. El presidente Antonio Oscar de Fragoso Carmona, lo nombra primer ministro (5 de julio de 1932). Salazar anuncia su intención de gobernar Portugal con mano firme, sanear la economía y devolver al país el papel que merece en política exterior, como corresponde a su grandeza histórica. Con la proclamación de la constitución autoritaria de 1933, Salazar consiguió mayores prerrogativas, comportándose durante los siguientes treinta años como un dictador. Se apresuró a reconocer en 1938 el gobierno de Franco, con quien firmaría en 1942 el Pacto Ibérico, por el que Portugal y España acordaban cuestiones militares y declaraban su neutralidad en la II Guerra Mundial. Ferviente católico, firmó un Concordato con el Vaticano por el que devolvía las propiedades confiscadas a la Iglesia por el anterior gobierno portugués (1942). Impuso un modelo de sindicato que eliminaba la posibilidad de la protesta de la clase trabajadora. Suprimió el derecho de huelga y de libertad de prensa y al anuló la oposición política con la ayuda de su Policía de Seguridad (PIDE). La economía mantuvo una moderada prosperidad pero se bloqueó rígidamente el cambio social y político en el país. Detentó el cargo de primer ministro hasta 1968, año en que sufrió un ataque de apoplejía y por el que fue sustituido en su cargo de presidente del Consejo de Ministros por Marcelo Caetano, hecho que se le ocultó durante los dos años restantes de vida. Murió, el 27 de julio de 1970, en Lisboa.

Marcelo Caetano (1906-1980):
Desde 1929 fue asesor próximo Salazar en sus dos etapas de ministro de Finanzas y más tarde cuando Salazar se convirtió en presidente del Consejo de Ministros. Desarrolló un papel importante en el régimen de Salazar, redactando la Constitución de 1933 y otros documentos legales que establecían las bases del nuevo régimen. Otros cargos que ocupó fueron los de ministro de Colonias (1944-1947), presidente de la Cámara Corporativa (1949-1955) y ministro adjunto de la Presidencia del Consejo (1955-1958). En 1959 se retiró de la política y pasó a ser rector de la Universidad de Lisboa. Tras la incapacidad de Salazar (1968) fue nombrado presidente del Consejo de Ministros. Al principio liberalizó el sistema; se admitió la oposición en el Parlamento y se reformaron algunos artículos de la Constitución. Pero la elevada inflación continuó quedando fuera de su control, aumentaron las críticas y su política exterior no tuvo éxito. En 1974 el Ejército le derrocó en un golpe de Estado y le exilió a Madeira. Se trasladó a Brasil, donde fue nombrado director del Instituto de Derecho Comparado de la Universidad de Gama Filho, donde continuó hasta su muerte (que tuvo lugar en Río de Janeiro), aunque en 1978 el presidente Ramalho Eanes le había indultado.

Revolución de los claveles (25 abril 1974):
El opositor Movimiento de las Fuerzas Armadas derroca el gobierno del presidente Marcelo José das Neves Alves Caetano y convoca al general Antonio Sebastiao Ribeiro de Spínola, general en jefe del ejército y ex gobernador de la Guinea Portuguesa, para dirigir la junta revolucionaria. Los tanques son recibidos con entusiasmo desbordante, por parte de la población, a su entrada en la capital. Hasta el mediodía, el traspaso de poder se consuma sin oposición por parte de las unidades del ejército fieles al gobierno. En una declaración pública efectuada en la noche del mismo día, la Junta Militar declara su intención de poner en marcha un "programa de salvación nacional que restablezca los derechos civiles que le fueron usurpados al pueblo portugués". Así termina la dictadura derechista instaurada por el predecesor de Caetano, Salazar, a partir de la constitución de 1933. Los oficiales golpistas pretenden acabar con la represión política interna y cambiar la política colonial. Desde 1961, Portugal intenta mantener sus colonias con el uso de las armas. En opinión de muchos militares, esta lucha contra los movimientos independentistas, que cada vez son más fuertes, es iútil. El jefe de la junta, Spínola, ya es conocido desde hace tiempo por su postura crítica ante la política de Caetano en Africa. Las acciones militares en las colonias portuguesas le cuestan mucho dinero al país más pobre de Europa occidental y ya se han cobrado hasta la fecha 8.000 vidas. Spínola aboga en favor de una solución política. La junta, que únicamente pretende gobernar hasta la celebración de las primeras elecciones libres, libera a los presos políticos pocos días después del golpe. Por primera vez en muchos años, los periódicos salen a la calle sin censura. El secretario general del Partido Socialista, Mário Soares, regresa de su exilio en París. En 1976, en virtud de una nueva constitución, Portugal se convierte en una república y, en 1986, entra a formar parte de la Comunidad Europea.

Descolonización:
El mantenimiento del imperio colonial se prolongó largo tiempo debido a la estrecha y sumisa relación con Gran Bretaña. Seguía plenamente vigente el Tratado de Methwen (27/12/1703) que convirtió al país a su vez en un colonia económica. El 24 de septiembre de 1904 las tropas portuguesas intentan mediante acciones militares, someter a los nativos de Angola y Mozambique. Las posesiones de la potencia colonial más antigua se limitan a unas pocas ciudades, el litoral y algunas zonas poco extensas y sufren una derrota ante los cuamato que le cuesta la vida a 305 soldados lusos.

Después de la Segunda Guerra Mundial, las grandes potencias vencedoras hicieron incluir en la Carta de las Naciones Unidas la declaración formal del derecho de todos los pueblos a la autodeterminación. Los colonizadores europeos reconocieron la independencia política de sus antiguas colonias y encontraron formas de sustituir su antigua tutela por sistemas de cooperación económica y técnica, a través de los cuales continuaron protegiendo sus intereses. El gobierno portugués vio en aquel interés de los grandes por la independencia de los pequeños una maniobra que tenía por objeto la redistribución en beneficio suyo de las áreas de influencia y fuentes de materias primas de los países africanos y asiáticos. De este modo, se rechazó el alinearse con el movimiento de descolonización, y se sostuvo la tesis de que Portugal era un Estado pluricontinental [bajo el lema de Portugal não é um país pequeño] y plurirracial, modelado por varios siglos de evolución histórica, no siendo los territorios fuera de Europa verdaderas colonias, sino parcelas integrantes del territorio nacional, y como tal inalienables. Este punto de vista se apoyaba en el derecho constitucional portugués, pero no logró obtener la aprobación de la opinión internacional, que entendía que los territorios a los que el Gobierno portugués llamaba provincias ultramarinas eran verdaderas colonias. de este modo, el punto de vista portugués fue primero objeto de advertencias y luego de condenas cada vez más conminatorias en la Asamblea General de la ONU. El primer conflicto grave tuvo lugar a propósito de los últimos vestigios de la presencia portuguesa en la India, las ciudades de Goa, Damán y Diu. La Unión India pretendía poner fin a la soberanía portuguesa y, después de algunos años de presiones, acabó por invadir con su ejército aquellas ciudades (1961). La protección internacional contra la agresión militar, con la que contaba el Gobierno portugués, no funcionó. (Hermano Saraiva)

Desde 1961 los habitantes africanos de Guinea Portuguesa llevan a cabo una guerra de guerrillas contra el dominio colonial portugués. Spínola es destituido (14 de marzo) por pronunciarse en favor de la autonomía de las colonias. El 10 de septiembre de 1974 el gobierno concede la independencia absoluta a la que fuera la primera colonia portuguesa en Africa, que toma el nombre de Guinea Bissau. El proceso de descolonización se inicia además en las restantes provincias africanas bajo dominio portugués: Mozambique, Angola, Sao Tomé y Príncipe e islas de Cabo Verde.

 

Gastão Cruz en Montevideo


En el ámbito del programa “País Ibero-americano Portugal”, el poeta y ensayista Gastão Cruz ofreció, el pasado 1 de Junio, una conferencia a los alumnos y profesores de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación de la Universidad de la República, en Montevideo. En la mencionada conferencia intitulada “Poéticas Portuguesas del Siglo XX”, Gastón Cruz analizó diversos poemas de poetas representativos del siglo XX portugués, como Fernando Pessoa, Carlos de Oliveira, Helberto Hélder y Sophia de Mello Breyner Andresen, entre otros. El público presente tuvo además la oportunidad de escuchar algunos de los textos, declamados por actores portugueses y cuyo trabajo puede ser apreciado en la antología poética “Ao Longe os Barcos de Flores”, organizada por Gastão Cruz. El 4 de Junio, en el Centro Cultural de España, el poeta habló de su poesía, incluyéndola en los diversos movimientos literarios posteriores a la década de 60.

 

5 de octubre

Muchas cosas han pasado los “5 de octubre”. Se emprendieron largas expediciones, se impulsaron revolucionarios procesos de cambio y mejora, se atravesó desde el aire un mar, se presentaron libros, se entregaron dos premios Nobel de la Paz... Y, también ese día, nació en Chile una persona (una viajera) auténtica, genuina, única.  

Fue un 5 de octubre. Vasco de Gama puso rumbo a Portugal desde la India (1498). Se introdujo en Francia el nuevo calendario revolucionario (1793). Se proclamó la República portuguesa (1910). Roland Garros efectuó la primera travesía aérea del mar mediterráneo volando desde Frejus (al sur de Francia) hasta Bizerta (Túnez) (1913). Se presentó la nueva Gramática de la Real Academia Española (1928). El líder polaco Lech Walesa consiguió el Premio Nobel de la Paz (1983). Y poco después, el Dalai Lama, Tenzin Gyatso, líder religioso y político del Tibet, fue distinguido con otro Premio Nobel de la Paz (1989)...

 

Algo más pasó un 5 de octubre. En el alargado y estrecho Chile, alguien emprendió un difícil viaje, un largo camino por este “extraño” planeta. Y ese alguien (ella) nos enseñó que las mejores batallas son aquellas que saben perdidas de antemano. Nos habló de “deseos”, de “voluntad”, de “actos” y de “destino”.

 

 

publicado por luiscatina às 19:44

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