Fevereiro 09 2013

BOLETÍM CULTURAL

CATINA MUNDI

 

 

 

  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

  Casa México-- Aljuriça  (Portugal)

   Casa de Mexico,  casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

       

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

                         

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.  (GANDRASMEXICOCOSTARICA.BLOGS.SAPO.PT)

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo essencial  de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.

 

 

Catina Mundi recorda Matilde Rosa Araújo, a escritora que revestiu as páginas dos seus livros com perfume de rosas silvestres para as crianças dos quatro cantos do mundo.(1921-2010 )

Nunca e tarde para prestar homenagem  a quatro ilustres  e talentosas figuras do nosso Pais  que deixaram marcas no Mexico.  São elas: Joao RodriguesCabrilho ou Juan Rodriguez  Cabrillo, Beatriz Costa, Fidelino de Souza Figueiredo e Joaquim de Carvalho Montezuma.

 

Universidade de Coimbra

A ratificação da fundação da Universidade de Coimbra realizou-se a 1 de Março de 1290, através de diploma régio emitido por D. Dinis, Rei de Portugal.

Deste modo, Coimbra possui o mais antigo estabelecimento de ensino superior em Portugal, apesar de, durante toda a Idade Média, os estudos universitários terem oscilado entre esta cidade e Lisboa.

No ano de 1537, o rei D. João III transferiu definitivamente a Universidade para a Lusa-Atenas, consolidando assim a tradição escolar anterior da cidade e afirmando, ao mesmo tempo, a sua autonomia.

Situado no topo de uma colina, o Paço da Alcáçova – antigo palácio medieval onde permaneciam os reis durante a sua estadia em Coimbra – foi o edifício eleito para acolher a Universidade de Coimbra, vindo a sofrer obras de remodelação nos reinados de D. Manuel I eD. João III.

Deste modo, Coimbra crescia à sombra da sua Universidade de Coimbra, ao mesmo tempo que os edifícios escolares eram objeto de reformas nos séculos XVII e XVIII.

 


Características da Universidade de Coimbra
 

A Porta Férrea, que estabelece o acesso ao pátio das escolas, integra alegorias que se referem às faculdades de Medicina e de Leis no exterior e às faculdades de Teologia e Cânones no interior, para além de estátuas dos reis que as estabeleceram, D. Dinis e D. João III, e ainda figura da Sapiência que coroa todo este conjunto.

No lado esquerdo da fachada encontra-se o Colégio de S. Pedro, uma construção maneirista de linhas simples que foi edificada sobre os antigos aposentos palacianos dos Infantes, servindo até 1834 como albergue dos candidatos às diversas faculdades.

 

Universidade de Coimbra (Autor: Alves Gaspar)

Universidade de Coimbra (Autor: Alves Gaspar)

A partir de 1855, uma parte das suas instalações da Universidade de Coimbra serviu como aposentos da família real e como residência dos diversos reitores.

Entrando no Pátio das Escolas vemos, ao lado direito, a Via Latina, no centro da qual se ergue uma escadaria nobre conducente a um corpo porticado e rematado por frontão triangular.

Nesse espaço destaca-se um retábulo escultórico em pedra, obra do escultor francês Claude Laprade e executada em 1701.

Através da Via Latina podemos aceder à Reitoria e às suas dependências, reformuladas, na sua maior parte, na Reforma Pombalina de 1773, durante o reitorado de D. Francisco de Lemos. Por via também se pode chegar à Sala dos Capelos, lugar onde costumam decorrer as mais significativas cerimónias da vida académica.

Esta sala ocupa o espaço do antigo salão nobre do paço manuelino, edificado por Marcos Pires durante a segunda década do século XVI. Na galeria superior do salão podemos observar grandes telas com todos os reis de Portugal, pintados, até D. João IV, por Carlos Falch. Os restantes foram pintados por diversos artistas nacionais.

De volta à Via Latina, caminhamos em direção à área das antigas salas de aula, dispostas em torno de um claustro de dois pisos. Estas ocuparam as antigas instalações do paço da rainha.

Um dos ex-libris da cidade de Coimbra é a Torre da Universidade de Coimbra, que foi erguida num dos ângulos do Pátio das Escolas. Na continuidade da torre encontramos a Capela de S. Miguel, um templo de estilo manuelino que ocupa a área de um oratório do paço medieval.

O seu portal nobre é uma composição manuelina naturalista, de arco polilobado e colunas torsas, onde se encontram inseridos símbolos relativos à “crucificação” de Cristo e à heráldica de D. Manuel I.

No átrio interno da capela encontramos a entrada de uma dependência que foi convertida em Museu de Arte Sacra e onde se podem admirar algumas das melhores obras de ourivesaria, paramentaria e pintura pertencentes ao acervo deste estabelecimento universitário.

Na continuidade da Capela de S. Miguel ergue-se a magnífica Livraria da Universidade de Coimbra, mais conhecida como Biblioteca Joanina, um empreendimento barroco concretizado entre 1717 e 1728, sob o patrocínio de D. João V.


Portal da Capela de S. Miguel, no Paço da Universidade (Autor: Alves Gaspar)

O imponente interior barroco reparte-se por três salas quadrangulares, divididas por arcos de volta perfeita, onde podemos ver emblemas universitários em talha dourada, sobrepujados por coroa real de D. João V.

Mas, mais importante do que a riqueza dos materiais e do requinte artístico da decoração barroca, a Biblioteca Joanina possui também alguns dos mais raros e importantes livros existentes em fundos bibliográficos nacionais, podendo-se assim dizer que é, sem sombra de dúvidas, um verdadeiro templo artístico consagrado ao saber humano.

Ainda hoje, no nosso país, quando se fala em Universidade vem-nos logo à mente a Universidade de Coimbra – a mãe do ensino superior em Portugal.

COIMBRA  BREVE   HISTÓRIA

  

Coimbra é uma cidade cheia de história e tradições; os seus mais antigos vestígios remontam à época de dominação romana.

Edifícios de carácter religioso, civil, cultural, militar, jardins e parques, lembram passadas épocas de grandeza e também quantas horas de amargura. Capital política do jovem reino português ao tempo dos nossos primeiros monarcas, foi simultaneamente o seu primeiro grande centro cultural, logo com a escola monástica de Santa Cruz, depois com a Universidade fundada por D. Dinis em 1290 em Lisboa, e para aqui transferida em 1537; dela destacamos a Biblioteca Joanina, de estilo Barroco construída em 1717 contendo cerca de 500000 obras dos séculos XII a XIX, privilegiando as temáticas de Direito, Filosofia e Teologia; a Capela de S. Miguel, fachada de estilo Manuelino foi construída entre 1517 e 1522; a Sala  dos Capelos, de meados do século XVII é o palco das mais importantes cerimónias Académicas; a Torre em estilo Barroco Mafrense erigida entre 1728 e 1733, tem 34 metros de altura e o seu signo é conhecido entre estudantes pela “Cabra”; a Porta Férrea, entrada nobre do edifício principal, data de 1634, maneirista de corrente popular.

 Limitando o perímetro urbano há três zonas que merecem ser visita. A primeira é a Quinta das Lágrimas, onde Camões quis colocar a morte trágica de Inês de Castro; outro, já o lendário Choupal, ao longo do Mondego; finalmente numa posição sobranceira à cidade, a mata de Vale de Canas.

Mondego, rio onde a cidade de Coimbra se espelha, outrora tantas e tantas vezes cantado pelos poetas, entre eles Camões que fez dele um rio de devoção e lembrança, nasce na Serra da Estrela para desaguar na cidade da Figueira da Foz depois de percorrer 232 Kms.

Os monumentos conimbricenses mais significativos, pertencem ao periodo medieval; é o caso da Sé Velha, a mis importante das igrejas Românicas portuguesas. Foi construída a partir de 1162 por arquitectos que haviam trabalhado em Santiago de Compostela; o Clausto é gótico e o mais antigo de Portugal.

Igreja de Santiago, do último quartel do século XII, é também de estilo românico e foi grandemente influenciada pelo estilo da Sé.

Da época gótica é o convento de Santa Clara a Velha, o mais importante testemunho. Foi fundado no final do XIII e gozou de especial protecção da Rainha Santa Isabel que aí passou parte da sua vida; devido às cheias do rio, foi abandonado em 1677, e o seu restauro está em fase de conclusão.

Mosteiro de Santa Cruz, fundado em 1131 e grandemente reformado ao longo da história, possui a Sala do Capítulo e Corpo da igreja da Segunda metade do século XVI, o Claustro Manuelino de 1517, o Pálpito, considerado uma obra prima do Renascimento, datado de 1521 e nela estão sepultados D. Afonso Henriques (primeiro rei de Portugal) e D. Sancho I.

De 1570 data o início das obras do grande Aqueduto dos Arcos do Jardim, que mais tarde seria acabado por Filipe Tércio, arquitecto de grande importância.

Nos arredores de Condeixa, confinando com a aldeia de Condeixa-a-Velha, fica a grande estação arqueológica de Conímbriga, maravilhosa cidade romana de veraneio que ainda hoje seduz pelos seus mosaicos e jardins.

A vida quotidiana de Coimbra é também um dos seus grandes motivos de interesse, pois a grande massa estudantil torna-a alegre e agitada; inesquecível é aQueima das Fitas, festa organizada pelos estudantes universitários, que tem o seu ponto alto com o cortejo dos quartanistas, onde escolares e citadinos se unem em desbordante alegria.

 De dois em dois anos, nos anos pares, nos primeiros dias de Julho, realizam-se as grandes festas da Rainha Santa, englobando manifestações religiosas, culturais e diversões públicas.

Realiza-se também em Coimbra a secular tradição de uma feira de cariz rural, que se efectua no dia 23 de cada mês.

O artesanato regional é variado destacando-se a louça de Coimbra e as tapeçarias e colchas decorativas de Sobral de Ceira e Almalaguês. Quanto à cozinha regional muito haveria para dizer, salientando-se a Chanfana (carne de cabra assada em vinho tinto), as arrufadas, os pastéis de Santa Clara e os manjares brancos.

   

COIMBRA

DOIS MIL ANOS DE HISTÓRIA

 A cidade que hoje é Coimbra, teve o seu primeiro núcleo de povoamento no cimo da colina da Alta. A posição estratégica e dominante para isso concorreu, mas não menos de considerar seria a encruzilhada de caminhos, pois o local era ponto de passagem quase obrigatória, entre o Norte e o Sul.

Se não faltam conjecturas quanto à ocupação pré-histórica deste sítio privilegiado, é na época romana que começam as certezas. O povoado de Aeminium – nome romano de Coimbra – tornou-se uma cidade com seu centro vital no fórum, construído sobre larga plataforma apoiada em espectacular criptopórtico.

O perímetro da urbe não seria muito grande, nem mesmo ocuparia a superfície que mais tarde as muralhas medievais ou tardo-romanas vieram a definir.

As invasões bárbaras trouxeram a perturbação. Álanos, Suevos e Visigodos dominaram a cidade. Mas os Visigodos, já meio romanizados, restabeleceram o equilíbrio e a prosperidade. Emínio cresce de importância, torna-se capital regional e sede de bispado de Conímbriga, apagando para sempre o prestígio da cidade vizinha e rival, cujo nome acabou por usurpar.

711 trouxe os Muçulmanos à Península e trouxe-os também a Coimbra, onde assentaram arraias e permitiram que a vida continuasse a decorrer com normalidade, mediante o pagamento de uma contribuição. A sua permanência valorizou a região  com a introdução de novas sementes, árvores, novos processos de cultura e de exploração do solo. Muitas terras dos arredores os recordam nos seus nomes: Alcarraques, Arrifana, Alcabideque, Arzila, Almalaguês...A reconquista cristã definitiva teve lugar em 1064, sob a chefia de Fernando magno, rei de Leão, e após um assédio de meio ano, Coimbra torna-se a capital de um vasto condado cujo território se estende desde o Douro até à fronteira sarracena, tendo o mar como limite ocidental. O seu governo foi entregue ao moçarabe Sesnando, que praticou uma notável política de valorização económica e de povoamento.

Coimbra era uma cidade florescente quando o conde D. Henrique e a rainha D. Teresa dela fizeram a sua residência predilecta.

D. Afonso Henriques fez dela o centro das suas incursões contra moirama.

A história de Coimbra é indissociável da de Portugal, sobretudo durante a primeira dinastia. Nesta cidade nasceram D. Sancho I, D. Afonso II, D. Sancho II, D. Afonso III, D. Afonso IV, D. Pedro I e D. Fernando. Aqui se gizaram os planos de grandes lutas nacionais, contra a mourama ou contra a nobreza e o clero.

Coimbra do românico e do gótico ergueu templos que permaneceram e são o orgulho da cidade – Sé Velha, Santiago, S. Salvador, Santa Clara-a-Velha -; arrancou da pedra de Ançã, pela mão dos seus estatuários, mil imagens expostas à veneração dos fiéis durante séculos e levadas a paragens longínquas.

O século XVI trouxe a Coimbra a instalação definitiva de Estudos Gerais, ponto de partida de grandes transformações. A par da instituição oficial, inúmeros colégios universitários se fundaram na cidade, a expensas das diversas ordens religiosas, para alojarem os seus membros que aqui vinham em busca do saber e dos graus académicos.

A sua obra capital foi, porém a abertura da Rua da Sofia, a mais nobre e de maior renome em Portugal até ao século XVIII, ainda hoje urna das melhores artérias de Coimbra. Sofia significava saber, ciência, e de facto aí se concentrou grande número de colégios.

 Os burgos vizinhos de Celas e Santa Clara, que se haviam formado à sombra dos mosteiros, desenvolveram-se também.

Este surto de novas ruas e construções foi acompanhado por um salto espectacular do número de habitantes. Dos 5200 que eram em 1527 passou-se para 10000 em 1570. O aumento não se deve apenas aos estudantes vindos para a cidade, mas igualmente a todo um conjunto novo de pessoas ocupadas em prestação de serviços necessários à permanência de mestres e alunos.

O rosto de Coimbra quinhentista irá manter-se com poucas alterações até finais do século XIX.

Uma pequena excepção: as reformas operadas pelo Marquês de Pombal que levaram ao desaparecimento do castelo, à criação do Jardim Botânico e rasgaram a praça que hoje tem o seu nome.

A extinção das ordens religiosas em 1834 em muito contribuiu também para alterar o viver citadino. Basta dizer que as casa religiosas, incluindo conventos, mosteiros e colégios das respectivas ordens, prefaziam em Coimbra o número de 33.

  O desenvolvimento da pequena burguesia, os começos da industrialização vão possibilitar o crescimento da cidade. Em 1867 inaugura-se o Mercado D. Pedro V. É o começo da urbanização da Quinta de Santa Cruz, cujo fundo do vale se viu transformado, a partir de 1889, na mais larga e bela das vias da nova Coimbra, a Avenida Sá da Bandeira. Ao cimo, planeou-se a grande Praça de D. Luís (agora da República), para onde se rasgaram ruas convergentes. Constroem-se moradias elegantes para uma classe pequeno-burguesa e capitalista que assim afirma o seu gosto e aspirações.

Neste século XX, Coimbra aí está, herdeira de um passado a que não pode voltar costas sob pena de deixar de ser ela própria, crescendo entre desiquilíbrios nem sempre fáceis de resolver, por vezes à custa do sacrifício do seu património histórico.

A Alta essa sofreu o mais rude golpe que uma cidade pode sofrer, a destruição quase completa, para se edificarem os novos edifícios universitários. Foi como se os bombardeamentos de uma guerra que andava por outras paragens se tivessem repercutido em Coimbra.

As demolições iniciaram-se em 1943 e em lugar das ruas cheias de história, vida, tradição e poesia, casas de bom porte e colégios, levantou-se a frieza hierática e esquadriada das novas faculdades.

O burgo de Santa Clara é outro polo de desenvolvimento, onde se estabelecem indústrias, desde finais do século XVIII.

Santa Clara constituiu o primeiro núcleo de industrialização de Coimbra, numa segunda fase preferiu-se a zona da Estação-Velha; mais  modernamente as novas indústrias tendem a estabelecer-se junto à estrada de Lisboa.

Ao presente Coimbra é uma cidade que não pára de se estender, envolvendo no seu seio lugarejos dispersos da periferia. Sítios que não há muitos anos eram terrenos de cultivo, povoados rurais, são hoje casas e ruas. O Calhabé liga-se ao Tovim; as quintas da Bela Vista, das Flores ou o Pinhal de Marrocos fazem a sua entrada na cidade; o mesmo acontece com a zona da Estação Velha, onde locais distantes como o Loreto ou o Ingote se candidataram...

 

 SÉ VELHA 

A primeira pedra da construção afonsina foi lançada em 1162 e deveu-se á acção do Bispo D. Miguel Salomão, tendo-se iniciado o culto regular em 1184.

O projecto do templo é da autoria do mestre Roberto. Era um arquitecto de origem francesa que, vivendo em Lisboa, veio a Coimbra quatro vezes para fiscalizar as obras e ver se o plano era correctamente posto em prática. A direcção local das obras foi assegurada por Mestre Bernardo.

Até 1772, o templo serviu de Sé Episcopal, ano da transferência para a igreja do extinto Colégio de Jesus. A partir de 1816, passou a desempenhar as Funções de sede de Paróquia.

 O seu estilo integra-se no ROMÂNICO COIMBRÃO  da  segunda fase, isto é, o afonsino. O seu autor terá sido influenciado pelas igrejas de peregrinação de Caminho de Santiago.

O exterior é de forma paralelipipédica, o que lhe confera um ar de grande robuste. A decoração da porta tem influência islãmica. O janelão colocado sobre esta porta tem a mesma estrutura que ela, embora com menor desenvolvimento.

O coroamento geral é feito por AMEIAS de função e tipo defensivo.

 Na fachada lateral esquerda, abrem-se outras duas portas.

A primeira é a famosa PORTA ESPECIOSA que data da década de trinta do século XVI; é uma das obras mais importantes de João de Ruão. O seu tipo é o dos grandes arcos triunfais do renascimento italiano.

A Segunda porta é a dedicada a Santa Clara e fica no topo do transepto.

O plano interior da igreja organiza-se do seguinte modo: três naves de largura e altura desiguais, sendo a central a de maiores dimensões; o corpo divide-se em cinco tramos; a nave principal está coberta por uma abóbada de berços  e as secundárias por abóbadas de arestas; tem, ainda, um cruzeiro com uma torre lanterna gótica. Sobre as naves laterais existe uma larga galeria.

 O retábulo principal é de madeira dourada e policromada, tendo sido executado pelos escultores Flamengos Olivier de Gand e Jean de Ipres, nos anos seguintes aos de 1898.

 A absidíola de lado direito foi reformada no século XVI, para albergar a capela do Sacramento. Esta é coberta por uma elegante cúpula quartelada e, no seu retábulo figuram as estátuas de Cristo e dos dez Apóstolos, no plano superior, e dos Evangelistas, da Virgem e de outro Santo, no inferior, que engloba ainda o Sacrário.

Esta obra foi executada por João Ruão, em 1566. Todo o conjunto da Capela é uma autentica manifestação de espírito contra-reformista. O estilo, decorativo e arquitectónico é MANEIRISTA.

 O retábulo do outro absidíolo é da inovação de S. Pedro, de tipo Coimbrão da primeira renascença, podendo atribuir-se a Nicolau Chantaréne.

Esta capela foi remodelada para servir de capela funerária do Bispo D. Jorge de Almeida que aí viria a ser enterrado em campa rasa.

As paredes das naves laterais têm arcos-capelas, de 1636, que englobam pinturas em tela, de nível e estilo maneirista, datáveis, também, de meados do século XVII.


Os Povos Ameríndios

 

Quando chegaram ao continente americano, os conquistadores europeus encontraram povos que, embora possuíssem certa unidade étnica, apresentavam enormes diferenças sociais e culturais. A dispersão geográfica e os contextos históricos diversos faziam com que civilizações complexas em todos os aspectos (como os astecas e os incas) coexistissem com tribos nômades de organização e modo de vida muito simples (como os peles-vermelhas), e até com comunidades primitivas de características ainda do mesolítico (como a maior parte dos índios brasileiros).
São chamados de ameríndios quase todos os representantes daqueles povos que já existiam nas Américas antes dos descobrimentos do século XVI e da colonização européia. A exceção indiscutível são os esquimós, de traços étnicos estritamente mongólicos e que têm seu habitat tanto nas costas árticas da América quanto na Ásia.

A antiga divisão da espécie humana em quatro raças - brancos, negros, amarelos e vermelhos -, que teve longa tradição de uso na Europa, tornou-se obsoleta depois de importantes contribuições da antropologia contemporânea. Os povos ameríndios, que eram classificados como de raça vermelha, na verdade têm parentesco étnico com os habitantes do leste e do sudeste asiáticos. Fica claro, atualmente, que a denominação "peles-vermelhas", usada pelos exploradores europeus, deve-se à tinta vermelha com que os primeiros nativos da América por eles encontrados pintavam o rosto.

Embora todos os povos ameríndios sejam essencialmente mongolóides, há grandes diferenças de traços físicos entre uns e outros, às vezes no mesmo subcontinente. A estatura varia entre baixa-mediana e alta, sendo geralmente alta entre os índios das pradarias da América do Norte e os patagões do extremo meridional da América do Sul, e baixa ou mediana na maioria dos outros casos (1,55 a 1,60m em média entre os maias e outros povos centro-americanos, 1,70 a 1,74m entre os yumas e certos índios das pradarias da América do Norte, 1,68 a 1,80m entre os patagões).

Outras características notórias dos ameríndios é a tendência a terem as mãos e os pés pequenos, a cintura pouco marcada, a coloração da pele geralmente pardo-amarelada (embora em alguns casos chegue ao amarelo quase branco), o cabelo preto e escorrido, pouca pilosidade facial e corporal. Não é comum a calvície ou cabelos brancos. O rosto, de modo geral, é largo: as populações ameríndias são braquicéfalas, exceto alguns grupos do leste da América do Norte e das selvas amazônicas, predominantemente mesocéfalos, ou os fueguinos e uru-chipayas, quase dolicocéfalos. O nariz é carnudo e as maçãs do rosto, acentuadas. Os olhos, de um castanho ora mais claro, ora escuro, nem sempre apresentam nos adultos o característico formato mongólico.

O fator sangüíneo MN é mais comum entre os ameríndios que em qualquer outro grupo racial. Apesar de haver na Ásia os maiores índices do mundo de grupo sangüíneo B, este se mostra raro nas populações ameríndias, assim como o A, que só apresenta alguma incidência na América do Norte.

De acordo com os indícios ora disponíveis e pesquisados, o povoamento da América teve início entre 40000 e 20000 a.C., quando viajantes procedentes da Ásia atravessaram o atual estreito de Bering no fim da glaciação de Würm, ocasião em que o nível do oceano era mais baixo e o Alasca se ligava à Sibéria por uma nesga de terra firme. Há sinais de que a ocupação humana se deu de norte a sul do continente, ao longo de 200 séculos. Entre 10000 e 5000 a.C., navegadores vindos do atual Japão, do Sudeste Asiático e da Polinésia teriam chegado casualmente às costas americanas do Pacífico, o que explicaria a excelente cerâmica do sítio arqueológico de Valdívia, no Equador. Essa cerâmica, que surgiu ao redor de 3000 a.C., assemelha-se à jômon, do neolítico, nas ilhas nipônicas. Por volta do ano 1000 da era cristã, viajantes escandinavos parecem ter chegado, por sua vez, às costas da Terra Nova e do Labrador.

Há controvérsias, entre antropólogos americanos e europeus, estes acompanhados por latino-americanos, sobre se as culturas ameríndias se desenvolveram autonomamente (opinião dos primeiros) ou sob influência desses contatos com povos de origens tão distantes. Os argumentos utilizados são igualmente discutíveis. As diferenças de traços entre diversos grupos de povoadores ameríndios constituem outro motivo de muitas hipóteses ainda não esclarecidas. O certo é que asiáticos pré-mongolóides e mongolóides chegaram em várias levas, até mais ou menos 10000 a.C. A diversidade de habitats do continente e o isolamento de muitos grupos entre si são também fatores que podem explicar as discrepâncias existentes, conforme as adaptações que se fizeram necessárias: os índios do planalto boliviano, por exemplo, têm a caixa torácica muito maior que a dos litorâneos, resultado indiscutível de sua adaptação à atmosfera rarefeita em que têm de viver.


 


América Central

 

A região antropológica da América Central estende-se pelo centro e sul do México de hoje e pelos países centro-americanos até a Costa Rica. Essa área compreende grande variedade de zonas climáticas e ecológicas, podendo-se afirmar que fosse povoada desde tempos pré-históricos, embora a principal concentração humana ocorresse nos vales do México, Oaxaca, Jalisco e Guatemala.

Eram muito variadas as características dos povos da América Central, que falavam centenas de línguas. Todos, no entanto, possuíam uma série de componentes culturais comuns: constantes arquitetônicas -- pirâmides escalonadas, quadras para jogos rituais de péla --, calendário, registros históricos, complexa religião em que quase sempre havia um deus da chuva e um herói civilizador, notável desenvolvimento urbano, rígida estratificação social e uma agricultura baseada no complexo milho-feijão-pimenta-abóbora.

Na América Central a revolução neolítica teve início entre 5000 e 4000 a.C., mas foi por volta de 3500 que, paralelamente a certo resfriamento do clima e aumento das chuvas, passaram a ser cultivadas as espécies que ainda constituem a base da alimentação do homem centro-americano. Nos começos do segundo milênio havia povoados de grupos sedentários, cuja subsistência dependia fundamentalmente da agricultura.
Período pré-clássico. Deu-se o nome de período de formação, ou pré-clássico, àquele que transcorreu aproximadamente de 1500 a.C. até o início da era cristã. Foi nesse período que o homem centro-americano se tornou sedentário, desenvolvendo técnicas agrícolas de grande complexidade, aprendendo a cerâmica e a tecelagem, criando as primeiras cidades.

A civilização olmeca surgiu em meados do século XII a.C., na planície junto ao litoral do golfo do México. Embora esse povo ainda seja mal conhecido, sabe-se que tinha sacerdotes e classes sociais bem definidas, centros cerimoniais e de culto. Os olmecas já conheciam o calendário e a numeração e praticavam o jogo da péla, elementos culturais que se tornariam característicos de todas as civilizações centro-americanas. Possuíam ainda grande domínio da expressão artística, como se pode apreciar nas enormes cabeças esculpidas na pedra e em estatuetas de jade. Encontraram-se importantes depósitos arqueológicos: La Venta, grande centro religioso, e Tres Zapotes, importante núcleo populacional, ambos na parte sul do golfo do México.

Do começo da era cristã até o século X, as civilizações centro-americanas tiveram seu período clássico, alcançando excelente desenvolvimento artístico e urbano.

A partir do final do século IV da era cristã, desenvolveu-se no vale do México a primeira das grandes civilizações centro-americanas do período clássico. O povo que construiu Teotihuacan dominou a totalidade do vale, e sua influência cultural -- e talvez seu controle político -- chegou até a atual Guatemala. Suas edificações arrolam-se entre os mais empolgantes vestígios de civilizações antigas ainda existentes no mundo. A destruição de Teotihuacan parece ter-se dado no ano 650, mas só em torno de 900 a cidade veio a ser tomada pelos toltecas.

Aparentadas em muitos traços com a civilização teotihuacana e, por conseguinte, com a olmeca, foram as de El Tajín, na costa do golfo do México, e de Monte Albán, em Oaxaca, que também não chegaram ao princípio do século X.

Durante o período clássico desenvolveu-se a civilização dos maias, a mais original e avançada da América Central -- e também uma das que encerram maiores mistérios. De início, sua área geográfica limitava-se ao pequeno planalto da Guatemala, mas depois estendeu-se ao de Chiapas e à península de Yucatán.

Em sua origem, os maias não constituíam uma civilização urbana. Dependiam da agricultura de subsistência em glebas isoladas, que após algumas colheitas se empobreciam, impondo constante procura de novas terras. Tais circunstâncias econômicas não propiciavam a criação de centros urbanos. Estes, no entanto, surgiram em torno dos templos cerimoniais, construídos no alto de pequenas colinas. É provável que o sistema de cultura agrícola, que esgotava as terras, tenha sido a causa do súbito desaparecimento das cidades, que depois de abandonadas sem razão aparente, eram cuidadosamente recobertas de terra e reedificadas em outro lugar.

O tipo físico dos maias é ainda hoje facilmente reconhecível. Comparando-o ao dos povos vizinhos, nota-se que têm cabeça em geral mais arredondada, o nariz mais proeminente e o rosto mais chato.
Período pós-clássico. O período clássico acabou abruptamente por volta do século X, devido, ao que se crê, a invasões de povos provenientes do norte. Teve início em seguida o chamado período pós-clássico, em que prosseguiu a tendência ao desenvolvimento de grandes cidades e se acentuou um significativo traço guerreiro, tanto nos costumes como na religião. Os antigos deuses da chuva passaram a concorrer com os deuses da guerra e tornaram-se comuns sacrifícios humanos para saciar a sede divina. Os povos tolteca e asteca, que se sucederam, ocuparam grandes territórios a partir do vale do México. Por ocasião da chegada dos espanhóis, a confederação asteca estava no apogeu de seu poder, e a conquista truncou subitamente uma civilização em pleno florescimento.

Índios centro-americanos hoje. A mestiçagem generalizou-se nos diversos países da América Central. Entretanto, há ainda núcleos indígenas mais ou menos puros na região, caracterizados pelo uso de seus idiomas e pelas comunidades que formam. Entre as numerosas línguas que existiram na área, as extintas seriam em maior número que as ainda faladas, mas só no México se utiliza uma meia centena delas, com destaque para as dos grupos uto-asteca e maia, seguidas pelo otomi, o zapoteca e o mixteco. Como no México, em todos os atuais países centro-americanos há uma parte da população, maior ou menor, que se exprime em idiomas autóctones, sendo representativa a parcela dos que desconhecem o espanhol.
Só muito recentemente as comunidades indígenas da região passaram a introduzir em sua agricultura algumas técnicas modernas. De modo geral, continuam a ocupar e usar a terra extensivamente, acrescentando ao milho e feijão a cana-de-açúcar, o café e o arroz.

O habitat é bastante variável, porém são mais comuns as aldeias com um núcleo central, praça onde ficam a igreja e a administração, e se realizam feiras semanais. A casa, dependendo do lugar, ora é apenas choupana de palha, ora, como em Yucatán, tem paredes de tijolos e teto de palha, um cômodo apenas e a cozinha, quase nenhum mobiliário; para dormir, as pessoas usam redes e esteiras.

A cerâmica e a cestaria representam o artesanato mais constante, embora em muitos casos este tenha sido descaracterizado pela semi-industrialização. Acontece o mesmo com a tecelagem, conquanto ainda se empregue o tear artesanal. Nas planícies os homens vestem camisas e calças brancas, de algodão, e sandálias; as mulheres, blusa, saia, com freqüência um xale que recorda a presença espanhola. Nas montanhas, o poncho de lã completa o vestuário.

O autogoverno das comunidades indígenas regula suas questões internas, inclusive de divisão do trabalho, e nem sempre é reconhecido pelos estados nacionais. As comunidades, não obstante o padrão de vida muito modesto, valorizam as despesas de celebração, as vestimentas e as refeições festivas, depois das colheitas. Para estas últimas, como para os produtos artesanais indígenas, os pequenos mercados são essenciais. Finalmente, a religião é quase sempre sincrética, mesclando ritos e costumes autóctones às crenças e cerimônias cristãs.

É conhecido o equívoco que esteve na origem do termo «índios», desde a viagem de Cristóvão Colombo, em 1492, ao atingir as Antilhas , convencido que tinha alcançado a Índia. Mas equívoco, ou não, já quando Colombo se encontrou com os primeiros selvagens das terras que acabara de descobrir, descreveu-os de modo muito semelhante ao de Pero Vaz de Caminha, sentindo que tinha encontrado o «Paraíso Terrestre», «(...) andan todos desnudos como su madre los parió, y también las mugeres, aunque no vide más de una afrto moça, y todos los que yo vi eran todos mançebos, que ninguno vide de edad de más de XXX anos, muy bien hechos, de muy fermosos cuerpos e muy buenas caras, los cabellos gruessos cuasi como sedas de cola de cavallos e cortos. (...) Ellos todos a una mano son de buena estatura de grandeza y buenos gestos, bien hechos.» (cf. Cristóvão Colombo, Textos e Documentos completos, Madrid, 1982, p. 30-31).

O problema da origem dos habitantes do continente americano tem sido um tema polémico desde as primeiras descrições desses povos. Já numa obra do século XVI, de 1576, um humanista lusitano, Pero de Magalhães de Gândavo sugeria que os «brasis» tinham origem asiática, comparando as suas fisionomias com a dos chineses, «(...) estes índios são de cor baça e cabelo corredio: têm o rosto amassado e algumas feições dele à maneira de chins...» (inHistória da Provincia de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil, Lisboa, 1576).

Muitos milénios antes deste contacto dos Espanhóis e dos Portugueses com os povos ameríndios, o continente americano já estava habitado. As datas das ocupações mais antigas, as rotas e condições de migração e a proveniência das populações são ainda sujeitas a controvérsia. Pode-se, no entanto, afirmar que o homem ameríndio não é autóctone; no território brasileiro, como no resto do continente americano, não há nenhum indício de formas anatomicamente anteriores ao Homo Sapiens aparecido no Velho Continente.

Os «senhores da Terra» que as tripulações cabralinas avistaram no trecho da Terra de Vera Cruz eram os Tupiniquin, grupo tribal pertencente ao ramo Tupi da grande família Tupi-Guarani. Esta será segundo a maioria das teses, originária da Amazónia. 

O padre Fernão Cardim menciona, num dos seus Tratados a existência de muitos e variados povos indígenas. «Em toda esta província há muitas e varias nações de diferentes línguas, porém uma é a principal que compreende dez nações de Índios: estes vivem na costa do mar, e em uma grande corda do sertão, porém são todos estes de uma só língua ainda que em algumas palavras discrepam e esta é a que entendem os Portugueses; é fácil, e elegante, e suave e copiosa, a dificuldade dela está em ter muitas composições...» (in Tratado da terra e gente do Brasil, Lisboa, CNCDP, 1997, p. 192-207).

Segundo uma proposta de reconstrução das migrações da família Tupi-Guarani, uma das sete que constituía o tronco linguístico Macro-Tupi, o grande processo de expansão dessa família terá ocorrido há cerca de 2500 anos, numa área situada entre os rios Madeira e Xingu, na margem direita do Amazonas (cf. Jorge Couto e Max Justo Guedes, O Descobrimento do Brasil,Lisboa, CNCDP, 1998, p. 19-21).

Crescimento demográfico e episódicos surtos de desertificação terão impelido os Tupi-Guarani a procurar nichos ecológicos mais favoráveis, e através dos cursos dos rios Madeira e Guaporé, terão chegado, por volta do início da presente Era, às bacias do sistema fluvial Paraguai-Uruguai, de onde terão irradiado para Leste, dividindo-se em dois ramos, os Tupi e os Guarani, e mais tarde em vários subgrupos.

Em 1500, os Tupi ocupavam a larga maioria da costa entre o Ceará e a Cananeia, actual São Paulo, e os Guarani, estabelecidos exclusivamente a sul do Trópico de Capricórnio, dominavam o litorial situado entre Cananeia e a Lagoa dos Patos (Rio Grande do Sul), além de importantes regiões no sertão.

Estas sociedades eram semi-sedentárias, ou seja, comunidades de horticultores-caçadores-recolectores-pescadores que baseavam o seu modo de subsistência no cultivo intensivo de raízes, sobretudo da mandioca, sem recurso à utilização do arado ou de adubos que são característicos da agricultura sedentária, na caça, na pesca, na colecta de animais, vegetais e matérias-primas, adoptando um padrão cultural que é designado de «cultura da floresta tropical».

Adoptaram normalmente padrões de estabelecimento modestos, construindo núcleos pequenos e dispersos, que eram condicionados pelas condições de subsistência e, na medida em que, a permanência das populações num local era temporária, cerca de três a quatro anos, a precaridade da instalação determinava, naturalmente, o tipo de materiais utilizados na edificação das habitações, como a madeira, cipós e folhas de árvore para as coberturas. 

Nas sociedades ameríndias vigorava além da divisão etária, a divisão sexual do trabalho, em que os homens executavam tarefas que implicavam esforço intenso, assim como actividades arriscadas. Às mulheres competiam os trabalhos produtivos, de recolecção, domésticos e de apoio nas expedições guerreiras terrestres ou marítimas. Estavam organizados em famílias extensas, constituídas por famílias nucleares ligadas entre si por laços de parentesco e subordinadas ao patriarca da oca: o murubixaba, o principal.

A nível familiar os Ameríndios admitiam e praticavam a poligamia, ainda que só um reduzido número de indivíduos, sobretudo os mais importantes de cada taba, como o chefe, o feiticeiro e os grandes guerreiros, é que dispunham de várias mulheres, que era um sinal de prestígio. O casamento podia ser endogâmico ou exogâmico, conforme era realizado entre membros da mesma aldeia ou de povoações diferentes.

Nas sociedades Tupi-Guarani, o complexo guerra-vingança-antropofagia desempenhava um papel fundamental, sendo a guerra a sua instituição fundamental, mas sendo a antropofagia uma prática corrente entre os Ameríndios. Esta prática era, em termos antropológicos, parte indissociável da guerra endémica entre grupos tupi e uma prática corrente de algumas sociedades ameríndias, particularmente junto dos potiguares, caetés, tupinambás, tupiniquins e tamoios.

Considerou-se, durante anos, que os povos ameríndios não acreditavam em deuses, mas segundo o testemunho dos cronistas e viajantes quinhentistas e seiscentistas, sabe-se que existia um sistema de crenças e não uma religião organizada segundo os parâmetros conhecidos.

A visão cosmológica dos Tupi-Guarani não atribuía a formação do Universo a um ser supremo, concebendo esse processo como resultante de sucessivas acções parciais e incompletas. Acreditavam ainda em vários seres sobrenaturais, demónios, génios da floresta, espíritos que habitavam os bosques, os lugares escuros, além dos que habitavam a água. Entre as várias crenças, os caraíbas falavam nas suas andanças na «terra-sem-mal», que era um lugar de abundância, de ausência de labuta, da imortalidade, mas sobretudo da guerra e do canibalismo. Era o paraíso para os heróis, os guerreiros que se notabilizaram em façanhas guerreiras. Um paraíso terrestre, um lugar de abundância, onde não era preciso trabalhar, onde a juventude era eterna e onde existia a imortalidade. E, já durante a colonização era a procura de uma terra onde não fossem escravizados e dominados pelos europeus. Os Tupi-Guarani fugiam das epidemias, das doenças e da escravização.


 


Trabalhos sobre as espécies vegetais e animais de Miróbriga

http://www.portugalromano.com



Brasil  
Quem eram os povos ameríndios
É conhecido o equívoco que esteve na origem do termo «índios», desde a viagem de Cristóvão Colombo, em 1492, ao atingir as Antilhas , convencido que tinha alcançado a Índia. Mas equívoco, ou não, já quando Colombo se encontrou com os primeiros selvagens das terras que acabara de descobrir, descreveu-os de modo muito semelhante ao de Pero Vaz de Caminha, sentindo que tinha encontrado o «Paraíso Terrestre», «(...) andan todos desnudos como su madre los parió, y también las mugeres, aunque no vide más de una afrto moça, y todos los que yo vi eran todos mançebos, que ninguno vide de edad de más de XXX anos, muy bien hechos, de muy fermosos cuerpos e muy buenas caras, los cabellos gruessos cuasi como sedas de cola de cavallos e cortos. (...) Ellos todos a una mano son de buena estatura de grandeza y buenos gestos, bien hechos.» (cf. Cristóvão Colombo, Textos e Documentos completos, Madrid, 1982, p. 30-31).

O problema da origem dos habitantes do continente americano tem sido um tema polémico desde as primeiras descrições desses povos. Já numa obra do século XVI, de 1576, um humanista lusitano, Pero de Magalhães de Gândavo sugeria que os «brasis» tinham origem asiática, comparando as suas fisionomias com a dos chineses, «(...) estes índios são de cor baça e cabelo corredio: têm o rosto amassado e algumas feições dele à maneira de chins...» (inHistória da Provincia de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil, Lisboa, 1576).

Muitos milénios antes deste contacto dos Espanhóis e dos Portugueses com os povos ameríndios, o continente americano já estava habitado. As datas das ocupações mais antigas, as rotas e condições de migração e a proveniência das populações são ainda sujeitas a controvérsia. Pode-se, no entanto, afirmar que o homem ameríndio não é autóctone; no território brasileiro, como no resto do continente americano, não há nenhum indício de formas anatomicamente anteriores ao Homo Sapiens aparecido no Velho Continente.

Os «senhores da Terra» que as tripulações cabralinas avistaram no trecho da Terra de Vera Cruz eram os Tupiniquin, grupo tribal pertencente ao ramo Tupi da grande família Tupi-Guarani. Esta
publicado por luiscatina às 15:20