Agosto 23 2013

BOLETÍM CULTURAL

CATINA MUNDI

 

 

LA FINALIDAD DE ESTE BOLETÍN, BIEN DEFINIDA EN SU PROPIO TITULO , OBEDECE MÁS A UN SENTIMIENTO DE PATRIOTISMO CULTURAL QUE DE INTERÉS MATERIAL.

 

  Boletim de letras, ideias, diálogos e crítica

  Casa México-- Aljuriça  (Portugal)

   Casa de Mexico,  casa de la cultura, donde los libros son la verdadera Universidad.

  (O primeiro Boletim electrónico publicado na Freguesia de Cadima para o Mundo)

 

       

…Para las niñas y  niños de Portugal, México, Costa Rica,  Hispanoamérica e America Portugueza es esta publicación mensual…

                         

PUBLICAÇÃO  MENSAL, em  PORTUGUÊS e CASTELHANO,  QUE TEM  COMO  OBJECTIVO A PUBLICAÇÃO DE TRADUÇÕES DE TEXTOS DE AUTORES  PORTUGUESES, CASTELHANOS E LATINO-AMERICANOS, RESENHAS DE PUBLICAÇÕES RECENTES  E PASSADAS E NOTÍCIAS SOBRE EVENTOS CULTURAIS D’AQUÉM E D’ALÉM MAR.  (GANDRASMEXICOCOSTARICA.BLOGS.SAPO.PT)

Presentación

Boletín de periocidad mensual  aparece en septiembre de 2009  como fruto del amor por las letras luso-mexicanas. El objectivo essencial  de Casa  México  es coadyuvar  en la promoción y en la difusión de las literaturas clásica y contemporânea.

 

 

Catina Mundi recorda Matilde Rosa Araújo, a escritora que revestiu as páginas dos seus livros com perfume de rosas silvestres para as crianças dos quatro cantos do mundo.(1921-2010 )

Nunca e tarde para prestar homenagem  a quatro ilustres  e talentosas figuras do nosso Pais  que deixaram marcas no Mexico.  São elas: Joao RodriguesCabrilho ou Juan Rodriguez  Cabrillo, Beatriz Costa, Fidelino de Souza Figueiredo e Joaquim de Carvalho Montezuma.

 

 

 

"Medo" explica segredos por revelar sobre descolonização de Angola - investigadora

"Acho que há medo de tocar nestes assuntos. Há medo de afrontar os militares, os políticos, mesmo que estejam mortos", afirmou a jornalista e doutoranda em História no Instituto de Ciências Sociais, em Lisboa, autora do livro que será lançado na quinta-feira.

O jornalismo deu-lhe "muito calo" para a escrita "rápida" e a linguagem "fluida", método que advoga. "Se os historiadores querem arranjar leitores e ter público, têm que escrever como os jornalistas, porque, hoje em dia, não se pode perder tempo com floreados e agradecimentos. Não, os factos são estes, as interpretações ficam a vosso cargo", aconselhou.

Alexandra Marques não nasceu em Angola e não tem qualquer ligação a África, mas aceitou a sugestão de um professor para tratar em tese o tema "polémico" dos retornados.

Começou à procura de documentação em "fontes primárias que comprovassem" o que se passou em Angola e Moçambique, do 25 de Abril de 1974 até às independências. Foi aí que tropeçou nos "fundos militares", dispersos por várias instituições, alguns dos quais recentemente desclassificados e ainda "completamente virgens".

A autora estranhou que, por exemplo, ainda ninguém tenha explorado o fundo privado António Belo, no Centro de Documentação 25 de Abril "há já alguns anos".

Em Portugal vigora o "hábito de as famílias ou os secretários das comissões guardarem as atas, levarem-nas para casa e não as entregarem a arquivos públicos", o que impediu o acesso ao espólio de Rosa Coutinho e limitou a consulta a "duas a três pastas" do de Melo Antunes.

Apesar disso, Alexandra Marques disse ter descoberto "bastantes" segredos, mas confessou que "não estava à espera de encontrar tantas revelações".

Por exemplo, chegou à conclusão que, não tendo assim ficado "escrito" no Acordo do Alvor, "os ministros que fossem indicados por Portugal para o futuro governo de transição tinham que ter aval prévio (...) dos movimentos de libertação" -- aval com que "Melo Antunes concordou".

Mas "uma coisa de que realmente não fazia ideia" é que o então ministro dos Negócios Estrangeiros Melo Antunes foi a Luanda para tentar "convencer os comandantes operacionais a barrarem a reentrada da FNLA [Frente Nacional de Libertação de Angola]" na cidade.

O livro também desfaz "mitos", assinalou. Um deles é o de que Mário Soares e Almeida Santos "defenderam a realização de eleições em Angola antes da independência", como têm defendido alguns historiadores.

"Não é verdade. Nunca defenderam, sempre acharam disparatado, porque não havia tradição (...) nem durante o regime salazarista, nem durante o marcelismo, o Estado Novo nunca esteve preocupado em preparar Angola para um regime democrático", contrapôs. Ao contrário, Mário Soares e Almeida Santos acreditavam que, se houvesse eleições, "acabava tudo aos tiros".

Na descolonização portuguesa, "cada caso foi um caso", mas em Angola o processo foi "mais complexo e difícil", e esteve "sempre ligado ao português". Quando Portugal "vira à esquerda", a 11 de março de 1975, em Angola "a ala mais esquerdista do MFA [Movimento das Forças Armadas] também é reforçada", com reflexos "em vários acontecimentos", realçou a autora.

Alexandra Marques procurou produzir "algo novo" e não limitar-se a citar trabalho já feito. Simultaneamente, quis homenagear os milicianos que estavam nos quartéis e fizeram relatórios de "minúcia e clareza" e "relatos emotivos".

O livro "Os segredos da descolonização de Angola" é lançado na quinta-feira, às 18:30, na Fnac do Colombo, com as intervenções dos generais Heitor Almendra e Pedro Pezarat Correia e do coronel José Vilalobos Filipe.

 

 

O tempo que nos corre nas veias

 

Há tempos falava de História fazendo alusão a uma frase de William Faulkner «o passado nunca passa» do livro Palmeira Bravas.
Diz-nos António Rosa Mendes que «O passado nunca passa precisamente porque os seres humanos não têm Natureza, tem História. Nós somos feitos de passado, somos o resumo daquilo que está para trás de nós e, portanto, aquilo que está para trás de nós não passa na medida em que nós incorporamos todas essas experiências do passado. O que sucede é que frequentemente nós somos muito ingratos em relação àqueles que nos antecederam e que construíram este mundo que nós herdamos. A nossa condição de humanos é sermos herdeiros. Portanto somos feitos de tempo. Pelas nossas veias não circula só o sangue, circula também o tempo. A nossa matéria é o tempo e nessa medida se queremos sinais de orientação em relação ao futuro temos que nos apoderar do passado».

A Identidade
Frei João de São José diz que «Há neste reino do Algarve muitas cousas notáveis e maravilhosas e tão particulares dele só, que não se acham em outro algum…». O livro quarto da «Corografia do Reino do Algarve» trata das particularidades do reino e marca o princípio de uma consciência de diferenciação da região. «O Frei João de São José, diz António Rosa Mendes, escreveu a sua Corografia sobre o Algarve em 1577, em plena época do Renascimento e essa memória consagra a identidade e a especificidade da região. Não sei se temos sempre presente que o nome Algarve é anterior ao nome de Portugal. Algarve é uma palavra de origem árabe que significava o ocidente. O ocidente do Al Andaluz, que é o nome que os mouros deram à Península Ibérica, era toda esta faixa atlântica que depois se veio a circunscrever no Algarve. Por outro lado o Algarve tem uma configuração perfeitamente demarcada no território português. Não é algo de artificial, ninguém pode dizer onde começa o Alentejo ou as Beiras, há sempre zonas de indefinição, há sempre uma grande incerteza porque Portugal é um país que não tem regiões. A não ser uma única região que é precisamente o Algarve desde logo demarcado por traços naturais muito nítidos. O Algarve separado do Alentejo por uma serra ríspida, pouco elevada mas bastante cavada e dificilmente transponível. Durante séculos apenas os almocreves com as suas bestas é que cruzavam aquela serra. É já dos nossos dias a auto-estrada que liga o Algarve a Lisboa. Portanto a região sempre foi muito demarcada de Portugal por essa serrania a norte, pela costa atlântica, também ela escarpada e pouco convidativa a ocidente, pelo rio Guadiana a leste, fronteira natural e depois também política com a Andaluzia, e a sul o Atlântico mediterrâneo.
Esta plataforma do mar ao sul foi essencial para a abertura de Portugal ao mar Mediterrâneo. Talvez nem sempre se sublinhe como é devido que o reino de Portugal não teria sobrevivido sem o Algarve.
Quando nos finais de Março de 1249 o rei D. Afonso III veio assenhorear-se do Algarve isso foi vital para a sobrevivência de Portugal enquanto reino independente porque a região também era disputado por Castela e é evidente que se a fronteira sul também ficasse limitada por Castela dificilmente o nosso país teria sobrevivido como país independente e acabaria caindo, como caíram todas as outras regiões da Península Ibérica, sobre a dominação do centralismo castelhano. Portanto o Algarve sempre foi estrategicamente vital para Portugal porque permitiu o acesso ao Mediterrâneo, ao golfo Luso-hispano-morroquino. O Algarve sempre teve uma relação de grande complementaridade com a Andaluzia embora nós hoje não nos apercebamos disso mas o comércio entre as duas margens do Guadiana foi muito intenso e quando digo comércio não falo apenas em termos económicos mas também no que concerne a fluxos de populações.
A história serve-nos para poder diagnosticar o presente e nesse sentido acho lamentável que o Algarve e Portugal não aproveitem o magnífico edifício do consulado que temos em Sevilha e que constituiria uma excelente sede para exposições e para os nossos empresários poderem promover a sua oferta perante o mercado andaluz e incrementar assim essas relações intensíssimas que são históricas com a Andaluzia.
Tudo isto para dizer que o Algarve tem uma identidade perfeitamente definida. O rei Dom Afonso III assim que no Tratado de Badajoz, em 1267, o rei Alfonso X de Castela reconheceu a soberania portuguesa sobre o Algarve, passou a intitular-se rei de Portugal e do Algarve. Apesar de não ter estruturas políticas o Algarve passou a constituir um reino à parte que figurou até à implantação da República».

Uma História do Algarve
Apesar dessa especificidade histórica e cultural ainda não se escreveu uma História do Algarve. «É uma situação que só se deve atribuir à lamentável negligência a que temos remetido o nosso passado. Ao pouco cultivo que temos feito dele. Ao autêntico genocídio cultural a que temos sido submetidos mormente nos últimos trinta ou quarenta anos desde a invasão turística massificada. Atenção isto não é uma alegação contra o Turismo. Falo do turismo predador, destruidor. Mas as culpas também se devem atribuir em primeira linha aos próprios algarvios. Não podemos estar à espera que outros venham fazer uma História do Algarve.
A História tem que ser realizada de uma forma sistemática, as investigações têm que ser conduzidas de uma forma organizada e isso não tem sucedido. Uma História do Algarve tem que ser orientada cientificamente e só há trinta anos existe no Algarve uma universidade. A História do Algarve está por fazer e até ao momento tem vivido de esforços individuais. Há dois anos criei aqui na Universidade do Algarve o primeiro Mestrado em História do Algarve. Já anteriormente através do professor Joaquim Romero Magalhães, que como é sabido é o principal especialista em história do Algarve, formamos uma equipa e um primeiro esboço do que será uma História do Algarve. Entretanto têm vindo a lume subsídios avulsos de grande valia importantíssimos para a História do Algarve de investigadores que trabalham por sua conta. Neste momento já estamos em condições de fazer uma grande síntese e partir para uma História do Algarve. Eu estou confiante que nos próximos anos lograremos esse objectivo e essa História do Algarve será seguramente um elemento de capital importância para a preservação da identidade algarvia.
Para uma estimativa geográfica dos autores e das obras que definem a perspectiva que temos da história do Algarve o historiador, actual director da Biblioteca Central da Universidade da Algarve, considera incontornáveis os contributos individuais de Joaquim Romero Magalhães, «quer no Algarve Económico do século XVI quer no Algarve Económico dos séculos XVII e XVIII, duas obras complementares em que nos traça um panorama do Algarve na época da Modernidade. Por outro lado há cerca de dez anos surgiu uma tentativa de visão global «O Algarve da antiguidade aos nossos dias: elementos para a sua história» coordenado pela Doutora Maria da Graça Maia Marques com a colaboração de vários autores. É uma obra desigual mas de importante consulta. Por outro lado há outros autores contemporâneos que têm dado subsídios importante desde o professor Vilhena Mesquita passando por outros já falecidos como o Alberto Iria. De qualquer modo obras que necessitam ainda de ser sistematizadas, abrem pista de investigação que precisam de ser prosseguidas e daí referirmos que a História do Algarve exige uma equipa a trabalhar de acordo com um plano estabelecido que faça investigações de forma a suprir as muitas lacunas na historiografia referente ao Algarve e que possa fazer uma síntese coerente da história da região.
No mestrado em história do Algarve que dirijo há alunos que estão já a preparar as suas dissertações e que conto venham a ser também importantes contributos. Lamentavelmente existem poucos recursos, esta actividade não é devidamente valorizada, não se considera que a História seja absolutamente crucial como instrumento para nós compreendermos o mundo em que vivemos e portanto daí as dificuldades em concretizar estes planos».

350 Anos de Trevas
Pretendem alguns estudiosos explicar o atraso e algum atavismo das elites algarvias, do qual a inexistência de uma História do Algarve seria exemplo, com a incorporação tardia do Algarve no reino de Portugal. Rosa Mendes entende que «não se tem sublinhado o que foi o terrível ostracismo cultural a que o Algarve foi votado. É sabido que foi em Faro, no ano 1487, que o primeiro livro impresso em Portugal foi dado aos prelos na oficina judaica de Samuel Gacon, isso aconteceu repare-se logo nos primórdios da invenção da imprensa. É sabido que o aparecimento do livro foi a maior revolução cultural da história, o livro que é o grande condensador e o grande veículo de transmissão das ideias, o grande veículo da constituição do espírito crítico em que o leitor em diálogo com a palavra escrita é levado a formular o seu próprio pensamento. O Algarve, em Faro, foi pioneiro na introdução da imprensa em Portugal simplesmente dez anos depois implantou-se a intolerância no país. As minorias étnico-religiosas foram expulsas, refiro-me aos judeus e aos mouros, ou obrigados pela força a converter-se e no Algarve aconteceu uma tremenda desgraça cujo preço nós ainda continuaremos a pagar. Durante os séculos XVI, XVII, XVIII e a primeira metade do século XIX não houve imprensa no Algarve. Isto é uma catástrofe em termos culturais. No Algarve não havia onde imprimir livros. Não havia livros. Os poucos livros que existiam iam-se buscar a Lisboa ou a Sevilha. Eram contadas as pessoas que sabiam ler, menos ainda as que sabiam escrever e isso fez com que o Algarve há cem anos atrás tivesse uma taxa de analfabetismo ainda superior àquela que o resto do país apresentava. Acima dos oitenta por cento. Esta circunstância só sublinha a marginalidade do Algarve. Se Portugal é a periferia da Europa o Algarve era a periferia da periferia. Evidentemente não se recupera esse atraso sociocultural em trinta e poucos anos de democracia.
Se a tipografia de Samuel Gacon tem continuado aqui em Faro ou se se têm multiplicado nós teríamos, e a história não é apenas aquilo que foi é também aquilo que poderia ter sido, nós teríamos tido livros e autores. A nossa história teria sido muito diferente daquela que foi. É preciso não esquecer que é durante esses séculos em que nós não tivemos livros que a Europa descola do resto do mundo. É a época da revolução filosófica e científica, é a época das «Luzes», em que o conhecimento se expande, em que nasce a ciência moderna e nós ficamos à margem de tudo isso.
Paradoxalmente a esse silêncio intelectual o século XX, foi um século de especial florescimento literário e intelectual. Logo a abrir o século podemos recensear a aventura futurista que se acolheu nas páginas do jornal «O Heraldo», a edição dos Cadernos do Meio-Dia, o movimento da Poesia 61. A consagração de poetas como Ramos Rosa, Casimiro de Brito, Gastão Cruz, ou Nuno Júdice, de escritoras como Lídia Jorge para só falarmos dos contemporâneos.
«Temos ainda outras figuras como o Dr. Francisco Fernandes Lopes, um sábio, um humanista, um enciclopedista, um homem que tem uma obra extraordinária e apesar de ter vivido em entre Olhão onde nasceu e Faro onde foi professor no liceu a sua obra credencia-o como uma das figuras intelectuais mais importantes do século XX. As figuras referidas só nos levam a reflectir como é que foi possível surgirem essas figuras num ambiente cultural letárgico como é o algarvio. Só nos suscita ainda uma maior admiração por essas pessoas que lograram superar a estreiteza e o acanhado da vida cultural algarvia. No século XVIII, Damião António de Lemos Faria e Castro, um fidalgo que viveu no edifício onde hoje está instalado o Clube Farense, na rua de Stº. António, e que foi um incansável escritor, redigiu uma aula da Nobreza Lusitana, uma espécie de enciclopédia com a qual ele pretendia educar a nossa Nobreza, e escreveu a primeira História de Portugal seguida em vinte tomos, esse homem que viveu sempre em Faro no fim da vida desabafa numa carta ao Bispo Cenáculo, que era uma espécie de Ministro da Cultura do Marquês de Pombal, «Vossa Reverendíssima sabe o que é viver nos estreitos âmbitos e acanhados limites deste Reino do Algarve».
Reino em que no século XVIII o Faria e Castro não encontrava pessoas para uma tertúlia. Faria e Castro que quando quis imprimir os seus livros teve de se deslocar a Sevilha e outros a Lisboa.
Essas figuras destacaram-se pelo seu esforço hercúleo, pelo seu esforço pessoal o que nos leva a supor que se o ambiente cultural tivesse outro dinamismo muitas outras figuras seguramente teriam surgido. Não são tantas personagens de relevo que importam mas o nível cultural geral da população.

Sobre a Regionalização
Sobre se é possível falar de Regionalização sem atender à identidade algarvia António Rosa Mendes diz que distingue os regionalistas dos regionalizadores. «Oiço muito os regionalizadores mas parece-me que não são regionalistas. Para se defender uma região temos que em primeira linha salvaguardar a sua identidade. A vida é mudança e aquilo que permanece é a nossa identidade. Isto significa que defender o Algarve como região implica defender as suas características, aquilo que é específico que o diferencia das outras regiões: a cultura que aqui se faz e a nossa própria história. O que sucede é que os regionalistas, e refiro-me àqueles que têm mais impacto social e que nomeadamente reclamam a regionalização do Algarve, não proferem uma palavra em defesa da identidade algarvia.
Há uma destruição sistemática do litoral algarvio das características únicas da nossa arquitectura. Há o desvirtuamento daquilo que um poeta algarvio que eu gosto sempre de citar, António Pereira, num magnífico dístico, dizia «Sou Algarvio/ E a minha rua tem o mar ao fundo». Isto é a identidade algarvia. Quando isso continua a ser sistematicamente destruído a ponto de no Algarve se fazer um verdadeiro genocídio cultural das suas características únicas é contraditório que os regionalizadores não se empenhem prioritariamente em defender essa personalidade física e cultural. Se a regionalização que se pretende é apenas política está-se prestado um péssimo serviço ao Algarve. O Algarve é com efeito a única região que existe em Portugal. Deve reivindicar uma dívida histórica mas não ganhará nada se for uma das quatro ou cinco regiões do país porque em qualquer das circunstâncias será aquela que tem menos área, menos população e menos concelhos.
O Algarve só ganha se houver uma regionalização feita de baixo para cima com base nos nossos municípios, mobilizando a população, defendendo as características do Algarve e reclamando do poder central aquilo a que o Algarve tem direito na sua dívida histórica. O Algarve foi até aos inícios do século XIX uma autêntica colónia de Portugal. Inclusivamente o comércio que se fazia entre a região e o resto do país eram taxados. Só nos finais do século XVIII, com o Marquês de Pombal, se estabeleceu a livre circulação e só com o Liberalismo, na primeira metade do século XIX é que se unificou o mercado nacional.

O Allgarve
O nome é o arquétipo da coisa, dizia Platão. Nessa perspectiva o historiador entende que continua a suceder uma tentativa obstinada para despersonalizar o Algarve de que o «famigerado Allgarve é o exemplo mais frisante. O Allgarve é uma corruptela do nome Algarve. Só aí se reflecte toda a ignorância de quem teve essa infeliz ideia. Essa corruptela de transformar o nome que é a grande marca de identidade da região afecta o núcleo mais irredutível da sua intimidade. Quando se acrescenta esse «l» ao Algarve está-se nada mais, nada menos do que a coisificar o Algarve, a despersonalizá-lo, a atacar a sua identidade. Nos últimos quarenta anos o Algarve tem estado sujeito a uma destruição sistemática da sua arquitectura típica, das suas características geofísicas. Note-se a muralha de betão que tem cortado a relação entre a região e o mar a tal ponto de tornar anacrónico o verso do António Pereira. Esse desvirtuamento vem dar no Allgarve, na adulteração, na falta de respeito pela história, pela tradição, pelos lídimos algarvios e como tal teria que dar origem ao programa pimba que esse Allgarve também promove. Porque o Allgarve, sem prejuízo pela estima que tenho pelas pessoas que neste momento têm a responsabilidade da programação, cai no erro insultuoso de que há uma cultura para fornecer aos turistas e há outra cultura para os autóctones. O que é uma miopia flagrante, o que nós temos é que assumir a nossa tradição, a nossa memória e ao mesmo tempo acção, ou seja, participarmos cosmopolitamente nas vanguardas culturais. Fazermos aqui cultura que seja cultura feita por nós captando valores que vêm de fora, mas uma cultura que se dirija a todos e não uma parte para turistas e outra parte para autóctones como se nós aqui não merecêssemos a mesma coisa.
Gostaria a acentuar quanta consternação me causa que os regionalizadores e a s forças vivas do Algarve não tomem uma posição firme e categórica de repúdio por essa tremenda ofensa para a região que é desgraçado Allgarve».

 

 

América Espanhola

"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta"


Para compreender a sistematica dessas três civilizações, visualize os slides ao lado.

América Pré Colombiana: A era pré-colombiana incorpora todas as subdivisões períodicas na história e na pré-história das Américas, antes do aparecimento dos europeus no continente americano, abrangendo desde o povoamente original no Paleolítico Superior à colonização européia durante a Idade Moderna. O termo pré-colombiano é frequentemente utilizado especialmente no contexto das grandes civilizações indígenas das Américas, como as da Mesoamérica (os olmecas, os toltecas, os teotihuacanos, os zapotecas, os mixtecas, os astecas e os maias) e dos Andes (os incas, moches, chibchas, cañaris). Muitas civilizações pré-colombianas estabeleceram características e marcas que incluiam assentamentos permanentes ou urbanos, agricultura, e arquitetura cívica e monumental e complexas hierarquias sociais. Algumas dessas civilizações já tinham desaparecido antes da primeira chegada permanente dos europeus.



Aztecas - México: Os astecas foram uma civilização mesoamericana, pré-colombiana, que floresceu principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território correspondente ao atual México. Na sucessão de povos mesoamericanos que deram origem a essa civilização destacaram-se os toltecas por suas conquistas civilizatórias, floresceram entre o século X e o século XII seguidos pelos chichimecas imediatamente anteriores e praticamente fundadores do Império Asteca com a queda do Império Tolteca.O idioma asteca era o nahuatl, eles foram derrotados e sua civilização destruída pelos conquistadores espanhóis comandados por Fernando Cortez.


Incas - Peru: A civilização inca foi uma cultura andina pré-colombiana e um Estado-nação, seu periodo na América do Sul data aproximadamente cerca de 1200 até à invasão dos conquistadores espanhóis e a execução do imperador Atahualpa em 1533. O império incluía regiões desde o extremo norte como o Equador e o sul da Colômbia, todo o Peru e a Bolívia, até o noroeste da Argentina e o norte do Chile. A capital do império era a atual cidade de Cusco (em quíchua, "Umbigo do Mundo"). O império abrangia diversas nações e mais de 700 idiomas diferentes, sendo o mais falado o quíchua.


Maias - América Central: A civilização maia foi uma cultura mesoamericana pré-colombiana, notável por sua língua escrita (único sistema de escrita do novo mundo pré-colombiano que podia representar completamente o idioma falado no mesmo grau de eficiência que o idioma escrito no velho mundo), pela sua arte, arquitetura, matemática e sistemas astronômicos. Inicialmente estabelecidas durante o período pré-clássico (2000 a.C. a 250 d.C.), muitas cidades maias atingiram o seu mais elevado estado de desenvolvimento durante o período clássico (250 d.C. a 900 d.C.), continuando a se desenvolver durante todo o período pós-clássico, até a chegada dos espanhóis. No seu auge, era uma das mais densamente povoadas e culturalmente dinâmicas sociedades do mundo.

Estrutura Econômica: o modo de produção era comunal, com ênfase para a agricultura de subsistência: milho, batata, cacau, feijão, abóbora, além de atividades de extrativismo para fins comerciais.

Imposição de Tributos: aos povos conquistados.

Realização de Obras Hidráulicas: modo de preparação despótico-tributário (Brasil) e o modo de produção asiático - Egito.

Estrutura Social: a estratificação da sociedade era uma divisão em forma de estamento:
Imperador: era conhecido como deus sol.

Elite Aristocrática: era guerreira.

O resto era composta por: sacerdotes/ magos, camponeses, e servos do Estado (escravos).

Estrutura Religiosa
Eram politeístas, os deuses pré-colombianos estavam associados aos fenômenos da natureza: sol, lua, chuva, raios. Os incas e astecas realizavam sacrifícios humanos com virgens.

América Colombiana Séc.XV e XVI, respectivamente 1492 a 1513.

Os Conquistadores: Foram os responsáveis pelo genocídio dos povos pré-colombianos.


Francisco Pizzaro: Foi um conquistador e explorador espanhol, entrou para a história como o "conquistador do Peru", tendo subjugado o Império Inca; no dia 16 de novembro de 1532, Pizarro com sua pequena força expedicionária chegou a Cajamarca onde, deixando seu exército fora da cidade aceitou o convide do imperador Atahualpa para um jantar no qual assassinou sua pequena guarda de honra e fez o próprio imperador seu prisioneiro. No ano seguinte Pizarro invadiu Cuzco com tropas indígenas e derrubou o Tahuantinsuyu (império inca). Julgando que a capital Cuzco estava muito distante e muito acima no altiplano, Pizarro fundou a cidade de Lima no dia 18 de janeiro de 1535, prosseguindo em árdua campanha pois as forças Incas tentaram retomar Cuzco sendo derrotadas por Almagro que, por isto, julgo-se em condições de tomá-la para si, gerando uma disputa com Pizarro que o derrotou e executou em 1538 na cidade de Ute.Entretanto, partidários de Almagro assassinaram Pizarro em 26 de junho de 1541.


Hernan Cortez: Foi um conquistador e explorador espanhol. Conquistou o centro do atual território do México a favor da coroa espanhola, particularmente Cortez foi diferente de seus antecessores que não procuravam saber nada sobre os índios, ele tinha uma percepção política e histórica de seus atos; foi atribuido a Cortez a invenção de uma tática de guerra de conquista e por outro lado a invenção de uma política de colonização em tempos de paz.Quando chegou ao México Montezuma era o imperador dos astecas e acreditou que Cortez era o Deus Quetzalcoatl que voltava do exílio para vingar-se; sua chegada no México ocorreu 1519 e coincidiu com a data precisa do calendário maia que indicava a chegada do deus Quetzalcoatl para reclamar a cidade de Tenochtitlán. Empenhado em conquistar o Império Asteca, queimou as naves para não voltar atrás e neutralizou a frota enviada contra ele. Auxiliado por sua amante nativa Marina de Viluta fez pactos com os povos inimigos dos Astecas e criou uma rede de alianças que assegurou sua vitória e a tomada de Tenochtitlan.
Cortés entrou em 9 de novembro de 1519 na cidade de Tenochtitlán depois de ter fundado Vera Cruz, em 1520 aconteceu a chamada Noite Triste (de 30 de junho a 1 de julho de 1520) com a morte de Montezuma, que, segundo cortés, foi atingido por uma pedra quando tentava acalmar seu povo, acabou morrendo três dias depois em razão do ferimento. Em 1522, Cortés venceu os Astecas e destruiu Tenochtitlan, em 1525 foi executado o último rei asteca. Carlos I porém, não estava satisfeito com ele e o criticou, em 1527 a Audiência do México assumiu o poder político e em 1535 foi estabelecido um vice-reinado.


Diogo de Almagro: Era um espanhol conquistador e companheiro, depois rival de Francisco Pizarro, ele participou da conquista espanhola do Peru e é creditado como o descobridor europeu do Chile; em 1525 ele se juntou ao irmãos Pizarro e Hernando de Luque no Panamá para a conquista do Peru.




Estruturas Espanhola

3.1 Estrutura Política - Conselho Real das Índias: comandava os Cabildos (eram iguais as câmaras municipais existentes na América portuguesa), as Casas de Contratación, os Vice-Reinados e as capitanias. Este órgão era o mais importante nas questões administrativas do império espanhol, tanto nas Américas quanto na Ásia por combinar funções legislativas, executivas e judiciárias.


Estrutura Econômica

Imposição do Mercantilismo: capitalismo comercial com ênfase para a mineração: ouro e prata, policultura e pecuária.

Cobrança de impostos: mita e encomienda

Mita: usado pela civilização inca, o índio saía de sua tribo por um período de tempo para uma região mineradora onde recebia um salário irrisório (se não morresse) e se conseguisse sobreviver, voltaria para casa.




Encomienda: era arrancado de sua tribo a força e levado as minas onde trabalharia até a sua morte.




Estrutura Social

Nesse sistema começam a se formar os novos sistemas sociais:

Chapettones: eram os espanhóis nascidos na metrópole, monopolizavam todos os cargos da esfera política.






Criollos: eram os espanhóis nascidos nas colônias, controlavam a estrutura econômica, porém não tinham acesso aos principais cargos públicos com exceção dos cabildos.




Capatazes e Feitores: eram mestiços frutos do cruzamento de índios e espanhóis, ocupavam funções secundárias dentro do contexto sócio-econômico.



Servos e Escravos: era a população dominada e explorada, submetida ao pagamento de impostos, mita e encomienda.






Estrutura Religiosa

Era a imposição do monoteísmo através dos padres da Cia. de Jesus, sendo estes os responsáveis pela difusão do eurocentrismo.
Independência do Brasil

Antecedentes históricos: metade do séc. XVIII


► expansão napoleônica.

► atrito com a Inglaterra.



► derrota francesa no Canal da Mancha.





► Napoleão impoe o bloqueio comercial e continental contra a Inglaterra.




► 14 de julho de 1787: Queda da Bastilha.






► 10 anos depois em 1799: início da Revolução Francesa.






► Napoleão invade Portugal.








► é assinado o Tratado de Fontainebleau em 1807 entre França e Espanha numa convenção secreta.






► a família real portuguesa foge para o Brasil com o aval britânic

 

publicado por luiscatina às 16:08

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